Novo gabinete da Aneel é recebido com ceticismo pelo setor elétrico

Energia

Novo gabinete da Aneel é recebido com ceticismo pelo setor elétrico

  • 30/01/2026
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A criação do Gabinete de Acompanhamento das Condições do Sistema Interligado Nacional (SIN) pela Aneel é vista no setor elétrico mais como um placebo da burocracia estatal do que como uma solução efetiva para problemas estruturais do sistema. Entre empresas de geração, transmissão e comercialização, a avaliação predominante é que a medida organiza o monitoramento, mas deixa intactas as principais lacunas operacionais e regulatórias. O gabinete amplia a coleta e a sistematização de dados, mas não altera a capacidade de resposta do Estado diante de eventos críticos, como estiagens prolongadas, picos abruptos de consumo ou falhas sistêmicas de grande porte.
Outro ponto sensível é que o novo arranjo não resolve o histórico problema de coordenação entre Aneel, ONS e Ministério de Minas e Energia. Na prática, a multiplicação de instâncias de acompanhamento pode até reforçar a fragmentação decisória, sem criar um comando claro em momentos de estresse do sistema. Empresas também apontam que o gabinete não dispõe de instrumentos executivos: ele observa, analisa e recomenda, mas não decide nem implementa medidas operacionais.
Há ainda críticas quanto à capacidade técnica e informacional. O gabinete depende de dados produzidos por terceiros e de sistemas que não operam plenamente em tempo real, o que limita sua função preditiva. Além disso, não há clareza sobre como alertas emitidos pelo grupo se traduzirão em ações concretas, como despacho antecipado de térmicas, contratação de reserva ou ajustes regulatórios emergenciais. Para o mercado, a iniciativa é um passo na direção certa, mas ainda distante de enfrentar pendências centrais do setor, como segurança energética, governança decisória e previsibilidade regulatória em cenários de risco.

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