Redação RR - Relatório Reservado

Artigos: Redação RR

Copasa e eleições ameaçam licitação da Saneago

7/05/2026
  • Share

Ronaldo Caiado deixou um problema de mais de R$ 6 bilhões sobre a mesa de Daniel Vilela, seu sucessor e candidato à reeleição ao governo de Goiás: o leilão da Parceria Público Privada da Saneago. A licitação, que estava marcada para março, foi cancelada por falta de candidatos. E as conversas mantidas com grandes players do setor, como BRK, Acciona e Iguá, na tentativa de atrai-los para uma segunda rodada têm sido desanimadoras. Segundo informações filtradas pelo RR, os investidores fazem severas críticas à modelagem elaborada pelo BNDES. O principal deles diz respeito ao capex de R$ 6,3 bilhões previsto no edital. Os players do setor entendem que o cálculo está subapreciado e que o custo real das obras será razoavelmente superior, exigindo uma estrutura de capital ainda maior. Por extensão, a chamada contraprestação, o valor periódico a ser recebido pelos serviços, também está defasado. Outro ponto de insatisfação é que, com o escalonamento previsto no edital, o parceiro privado só passará a ser integralmente remunerado a partir do nono ano de concessão. Nesses termos, as chances de licitação são muito reduzidas. Os investidores cobram uma nova modelagem para a PPP. A questão é: vai dar tempo de fazer uma concessão ainda em 2026?

O governo de Goiás está espremido pelo calendário. De um lado, há o leilão da Copasa, um concorrente desigual não só para a Saneago quanto para qualquer outro ativo do setor que venha a ser colocado sobre o balcão. A estatal mineira é uma das operações mais cobiçadas desse mercado. E, como tal, deve absorver uma parcela considerável do capital disponível para novos aportes em saneamento no país. Some-se o fato de que há uma retração de investimentos no setor: os lances nos leilões mais recentes se tornaram menos agressivos e os operadores já não compram mais a qualquer preço as teses de universalização dos serviços. Do outro lado, estão as eleições. A competição com a Copasa e a necessidade de uma reformulação do edital empurram o leilão da Saneago para dentro do segundo trimestre. No entanto, quanto mais próximo da eleição, menor a probabilidade de o negócio sair do papel. Ou seja: está cada vez mais difícil para Daniel Vilela cumprir a promessa de realizar a concessão do serviço de esgoto em 216 cidades de Goiás no seu atual mandato-tampão.

#Copasa

Governo Tarcísio avalia novo pacote de ajuda ao agro

7/05/2026
  • Share

O governo de São Paulo discute a possibilidade de um novo pacote de apoio ao agronegócio. Uma das ideias é um reforço do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista, o FEAP/Banagro, principal instrumento estadual de crédito rural subsidiado. O fundo financia projetos de pequenos e médios produtores, agricultura familiar, pecuaristas e pescadores, com linhas voltadas a irrigação, maquinário, infraestrutura produtiva, energia renovável, pequenas agroindústrias, produção orgânica e práticas sustentáveis. Outra medida debatida é a liberação de mais recursos para o seguro rural. Em abril, o governador Tarcísio Freitas anunciou um pacote de R$ 400 milhões para socorrer o agronegócio paulista. No entanto, a avaliação no Palácio dos Bandeirantes é que o cobertor ainda é curto e insuficiente diante da combinação de crédito caro, eventos climáticos, endividamento de produtores e oscilação de preços agrícolas.

#Tarcísio de Freitas

Pílula de veneno da Natura entra na mira do Advent

6/05/2026
  • Share

A pílula de veneno da Natura vai resistir à chegada do Advent, à saída dos fundadores do centro decisório da companhia e ao pleito de investidores por uma nova correlação de forças no capital da empresa? Essa é a pergunta que pulula no mercado. A gestora norte-americana, que firmou um acordo para a compra de até 10% da companhia ao longo dos próximos seis meses, já teria sinalizado a intenção de alterar o estatuto da fabricante de cosméticos. O alvo principal seria a cláusula de proteção à dispersão acionária: hoje qualquer investidor que atingir 25% do capital da Natura está obrigado a realizar uma oferta pública de aquisição de ações. Ressalte-se: a empresa foi, inclusive, uma das companhias pioneiras no uso do mecanismo de poison pill no Brasil. A simples colocação desse assunto sobre a mesa é reveladora: indica, desde já, uma predisposição do Advent para aumentar seu quinhão no capital e, consequentemente, seu peso na gestão da Natura. Por ora, ao consumar a aquisição dos 10%, os norte-americanos poderão indicar dois nomes para o Conselho de Administração. Colegiado este, ressalte-se, que não terá mais a presença de Luiz Seabra, Guilherme Leal e Pedro Passos. O trio de criadores da Natura irá para um conselho consultivo ainda a ser criado.

O novo desenho inclui ainda a renovação do acordo de acionistas entre os blocos ligados aos fundadores e outros signatários por dez anos, prorrogáveis por igual período, sem alteração imediata das participações acionárias.  É nesse tabuleiro que a pílula de veneno passou a ser vista por investidores como uma trava relevante. A cláusula de 25% limita, na prática, a possibilidade de um acionista ou grupo econômico avançar de forma mais agressiva sobre o capital sem disparar uma OPA. Para a Advent, que entra abaixo desse patamar, a regra não é um obstáculo imediato. Mas, para qualquer reorganização futura da base acionária, consolidação de posições ou composição entre investidores relevantes, o dispositivo funciona como uma barreira de custo e governança. A leitura nos bastidores é que a flexibilização ou derrubada da pílula de veneno pode se tornar uma das próximas frentes de pressão sobre a Natura. O argumento dos investidores é que a companhia precisa reduzir amarras estatutárias para atrair capital, permitir rearranjos societários e acelerar uma mudança de ciclo após anos de perda de valor, venda de ativos e questionamentos sobre sua estrutura de governança. Procurada, a Natura limitou-se a dizer que as informações sobre o acordo com o Advent estão no Fato Relevante. Sobre a possível alteração da poison pill, nenhuma palavra. Também consultado, o Advent não retornou.

Projeto Sossego é mais uma fratura na agenda ESG da Vale

6/05/2026
  • Share

Responsável pelas tragédias de Mariana e Brumadinho e por suas 291 mortes, a Vale deveria ser a empresa brasileira mais rigorosa no cumprimento de suas obrigações socioambientais. Não parece ser o caso. A mineradora segue acumulando passivos e denúncias que atravessam praticamente todas as letras do acrônimo ESG. O mais novo episódio vem de Canaã dos Carajás (PA), epicentro do Projeto Sossego, uma de suas principais operações de cobre no Brasil – a companhia já investiu mais de US$ 800 milhões no empreendimento. A Vale está sendo acusada de ter se apropriado, de forma irregular, de um hospital e de uma escola que deveriam ser incorporados ao patrimônio público da cidade.  Segundo o RR apurou, no último dia 28 de abril o Ministério Público do Estado do Pará (MP-PA) instaurou procedimento (nº 02.2026.00030168-8) para investigar a companhia, suspeita de causar ao município e à população local um prejuízo da ordem de R$ 180 milhões, com o beneplácito de autoridades locais. O que está na mira do MP-PA são compromissos socioambientais firmados pela Vale para a implantação do Projeto Sossego. Em 2002, a empresa assinou uma série de protocolos, convênios e condicionantes como contrapartida para obter as autorizações à exploração do mineral na região. Entre as obrigações assumidas estavam a transferência ao município do Hospital 5 de Outubro e a doação de uma unidade educacional conhecida como Escola da Vale, localizada no bairro Novo Horizonte. Esses ativos deveriam ser incorporados ao patrimônio público sem qualquer ônus. Não foi o que aconteceu, segundo denúncia do Instituto Movimento Voto Consciente Canaã, entidade do terceiro setor que se dedica ao controle social, fiscalização dos recursos públicos e combate à corrupção na cidade paraense.

Já se passaram 11 anos desde o rompimento da barragem de Mariana e outros sete da tragédia de Brumadinho, e a Vale ainda não pagou a totalidade das indenizações firmadas com a Justiça e demais órgãos públicos – respectivamente, R$ 132 bilhões e R$ 37 bilhões. O vai-e-vem judicial joga a favor da empresa, não das vítimas. Cada recurso, cada rediscussão de cláusula, cada perícia adicional, cada impasse sobre critérios de elegibilidade e comprovação de danos empurra a reparação para adiante, permitindo à mineradora administrar desembolsos, negociar termos, modular impactos financeiros e, em última instância, converter uma tragédia humana em passivo contábil de longo prazo. Por razões mais do que óbvias, Mariana e Brumadinho acabaram se tornando sinônimos de crise socioambiental na Vale. Mas a força simbólica dessas duas tragédias também produz um efeito colateral: eclipsa uma série de outras falhas e omissões da mineradora que se acumulam. Não faltam exemplos.

Em fevereiro de 2026, o Ministério Público Federal pediu o bloqueio de R$ 60 milhões da mineradora para bancar estudos independentes e medidas de recuperação ambiental no Rio Cateté, área impactada pelo empreendimento de níquel Onça Puma. O caso envolve comunidades indígenas Xikrin, que, segundo o MPF, estariam expostas à contaminação por metais pesados. A ação civil pública remonta a 2011. A imagem da empresa também tem sido contaminada por acidentes de trabalho fatais em suas operações. Em janeiro de 2026, um funcionário da Construtora Pontal, prestadora de serviços da mineradora, morreu em um acidente de trabalho em Brumadinho, justamente em uma área associada ao rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão. Poucas semanas antes, em dezembro de 2025, outro trabalhador terceirizado, da SBV Soluções Ambientais, também contratada da Vale, morreu durante uma atividade na operação Gelado, em Parauapebas, no Pará.

#Vale do Rio Doce

Canaã de Carajás

6/05/2026
  • Share

O caso de Canaã de Carajás surge como mais uma mancha reputacional da Vale relacionada à agenda ESG. Na denúncia encaminhada ao Ministério Público do Estado do Pará, o Instituto Movimento Voto Consciente Canaã pede que a empresa seja condenada a pagar uma indenização de R$ 350 milhões. O valor estimado dos imóveis envolvidos — R$ 250 milhões — corresponde à atualização de mercado realizada por engenheiros e corretores atuantes no município. Além disso, a entidade estima em R$ 100 milhões “o prejuízo social causado à população local, decorrente da supressão de benefícios anteriormente concedidos pela Vale, como descontos no Hospital 5 de Outubro e a reserva de 20% das vagas na escola mantida pela empresa para estudantes de baixa renda”. O RR fez vários contatos com a Vale, mas a empresa não se pronunciou até o fechamento desta matéria. Também consultados, o MP-PA e a Prefeitura não se manifestaram. O Instituto Movimento Voto Consciente Canaã, por sua vez, confirmou ao RR a denúncia contra a Vale por “por suposta apropriação indevida de patrimônio público municipal”. Segundo a entidade, “a Representação está fundamentada em documentos e registros de audiências públicas realizadas à época do licenciamento ambiental do Projeto Sossego, então conduzido pela Mineração Serra do Sossego, subsidiária da antiga Companhia Vale do Rio Doce”.

A cronologia dos supostos malfeitos da Vale remonta a 2004. Em 30 de janeiro daquele ano, foi criada a Associação Ytakira (CNPJ nº 06.131.948/0001-62), entidade vinculada à própria mineradora. Pouco tempo depois, em março de 2004, o então prefeito de Canaã dos Carajás, Anuar Alves da Silva, teria sido levado ao Rio de Janeiro, onde assinou um documento pelo qual o município abriria mão dos bens que deveriam ser transferidos ao seu patrimônio. O que o motivou a abdicar do centro médico e da unidade de ensino é um enigma até hoje. O fato é que a Associação Ytakira passou a administrar tanto o hospital quanto o colégio. Onde está Ytakira, leia-se a própria Vale. As acusações contra a empresa vão além. De acordo com a representação enviada ao MP-PA, benefícios sociais inicialmente oferecidos pela mineradora à população teriam sido suprimidos ao longo do tempo. Em 2016, com a extinção da Associação Ytakira, os bens não passaram às mãos do município; foram incorporados ao patrimônio da Vale. Segundo o Instituto, “a Associação Ytakira teria sido utilizada como instrumento para dar aparência de legalidade à apropriação indevida de patrimônio público municipal. Após a consumação dos atos, a entidade teve suas atividades encerradas, e o patrimônio — que deveria integrar os bens do município de Canaã dos Carajás — foi transferido à Vale”.

O Instituto Movimento Voto Consciente Canaã alega que esse ato é nulo de pleno direito e está eivado de ilegalidades graves. Entre as irregularidades apontadas estão a ausência de autorização legislativa para a alienação ou renúncia de bens públicos, em afronta ao princípio da legalidade administrativa previsto no artigo 37 da Constituição Federal e à própria Lei Orgânica do Município; a inexistência de parecer da Procuradoria-Geral do Município, que deveria ter analisado juridicamente o ato; e a violação ao princípio da indisponibilidade do interesse público, segundo o qual o gestor não pode dispor livremente de bens públicos sem observância dos requisitos legais. O MP-PA também apura possível enquadramento nas hipóteses dos artigos 10 e 11 da Lei nº 8.429/1992 (Lei de Improbidade Administrativa), por dano ao erário e afronta aos princípios da administração pública, além de violação ao artigo 17 da Lei nº 8.666/93, vigente à época, que exige interesse público devidamente justificado e autorização legislativa para alienação de bens.

#ESG

O próximo round da luta entre Pão de Açúcar e Casino

6/05/2026
  • Share

Os atuais administradores do Grupo Pão de Açúcar (GPA) e o Casino, antigo controlador e ainda hoje acionista relevante da companhia, estão em guerra aberta. A empresa varejista, leia-se a gestão conduzida pela família Coelho Diniz, prepara uma contraofensiva com o objetivo de derrubar a decisão judicial favorável aos franceses. Na semana passada, a Justiça de São Paulo autorizou o Casino a concluir a venda de uma pequena parcela da sua participação no GPA, realizada antes do bloqueio requerido pelo GPA. O valor correspondente foi depositado em juízo, conforme determinado pelo magistrado. As demais ações permanecem bloqueadas, conforme comunicado ao mercado. No entendimento do Pão de Açúcar, a autorização pode produzir efeitos práticos irreversíveis antes do julgamento do mérito. O GPA deve apresentar recurso à Justiça de São Paulo alegando que o depósito na conta-garantia pode até reduzir em parte o risco patrimonial, mas não eliminaria o potencial dano societário. Uma vez alienadas as ações, o efeito seria praticamente incontornável: muda a base acionária, altera a correlação de forças em assembleias e abre espaço para novos investidores com interesses próprios em temas sensíveis da governança.

Em paralelo, a administração do GPA deve reforçar a ofensiva na arbitragem contra o Casino. Nos bastidores, o que se diz é que uma das medidas prováveis é o pedido de uma nova ordem de urgência aos árbitros, agora ajustada à decisão judicial mais recente. Seria uma forma de preservar o resultado útil da arbitragem, sobretudo se o recurso à Justiça paulista não restabelecer a trava integral sobre as ações. Nesse caso, o GPA buscaria uma medida cautelar para alcançar não apenas a venda em si, mas também os atos acessórios capazes de esvaziar economicamente a posição do Casino antes do encerramento da arbitragem. Isso incluiria registros, liquidação, transferência, cessões de direitos, compensações financeiras ou qualquer estrutura que permita ao Casino esvaziar economicamente sua posição antes de encerrada a arbitragem. O objetivo é impedir que a decisão judicial seja convertida pelo grupo francês em salvo-conduto para uma retirada definitiva e pouco controlada do capital.

A disputa entre GPA e Casino remete a um passivo tributário bilionário herdado dos anos em que o grupo francês controlava a varejista brasileira. Em maio de 2025, o GPA abriu uma arbitragem na Corte Internacional de Arbitragem da Câmara de Comércio Internacional contra o Casino para discutir responsabilidades relacionadas a autuações fiscais envolvendo a amortização de ágio entre 2007 e 2013. O valor em discussão é estimado em aproximadamente R$ 2,5 bilhões.

 

#Pão de Açúcar

Crise de inadimplência no agro vira terreno fértil para a JiveMauá

6/05/2026
  • Share

A entrada da JiveMauá no agronegócio, com o lançamento de seu primeiro Fiagro, no valor de R$ 500 milhões, vai além da criação de um novo instrumento financeiro. A interpretação no mercado é que a gestora está arbitrando um recuo dos bancos públicos no setor e consequentemente um ajuste estrutural na distribuição de poder no crédito rural brasileiro. O Banco do Brasil foi, é e sempre será o principal financiador do agro. No entanto, o BB, em larga escala, e outros bancos estatais carregam os hematomas deixados pelo aumento da inadimplência do setor rural. No caso do Banco do Brasil, os empréstimos não pagos já atingiram o recorde histórico de 6% da carteira de crédito do agronegócio – são dez trimestres consecutivos de alta. No meio dessa erva daninha, a JiveMauá enxergou um solo fértil.

O financiamento oferecido por estruturas como a da JiveMauá tende a chegar ao tomador a um custo superior ao do crédito rural tradicional. Não se trata de competir com o Banco do Brasil ou com linhas reguladas do Plano Safra no mesmo terreno. O fundo entra justamente onde o banco recua, onde a operação exige mais garantias, mais estruturação jurídica e maior prêmio de risco. No caso da JiveMauá, o Fiagro nasce com 22 operações e pipeline adicional de R$ 800 milhões. A estrutura tem traços típicos de crédito privado sofisticado: cota sênior com retorno-alvo de 15% ao ano, subordinação de 15% e instrumentos como CPRs, debêntures, CRAs e sale & lease back. A mensagem implícita é que o agro, antes financiado sobretudo por relacionamento, está sendo reprecificado por estruturas de risco. O preço do dinheiro passa a refletir não apenas safra, produtividade e commodity, mas também qualidade de garantia, prioridade de pagamento, subordinação, liquidez do ativo e capacidade de execução em caso de inadimplência. A arbitragem está justamente aí. Bancos públicos e privados precisam carregar o crédito no balanço, provisionar perdas, obedecer a limites prudenciais e responder a investidores quando a inadimplência sobe. Fundos estruturados têm outra lógica: captam recursos de investidores dispostos a receber prêmio maior em troca de risco maior, podem montar operações com garantias específicas e têm maior flexibilidade para negociar ativos estressados. Em um ambiente de aperto, o banco tende a recuar; o fundo tende a avançar, desde que consiga cobrar preço suficiente pelo risco.

#JiveMauá

O quebra-cabeças paulista de Lula tem peças demais para vagas de menos

6/05/2026
  • Share

O PT terá de montar um quebra-cabeças eleitoral em São Paulo com peças que não são suas. O puzzle em questão reúne Marcio Franca e Simone Tebet, ambos do PSB, e Marina Silva, da Rede Sustentabilidade, que duelam por duas vagas na disputa ao Senado. À luz do dia, França tenta se mostrar flexível: já admitiu publicamente a hipótese de ser suplente de Marina ou de Tebet, desde que a composição fortaleça o palanque de Lula e Geraldo Alckmin no maior colégio eleitoral do país. O gesto público, no entanto, convive com outro recado, dirigido para dentro do PSB. Em conversas internas, França tem evocado sua antiguidade partidária para deixar claro que não digerirá muito bem caso venha a ser preterido em favor de Tebet, recém-chegada à sigla. Segundo interlocutores, já conversou a respeito com Alckmin, principal figura do PSB em São Paulo. Marina, por sua vez, também rejeita a lógica da suplência e reafirmou que pretende disputar uma das vagas ao Senado por São Paulo. O desafio do PT é organizar uma aliança em que todos se veem como titulares.

#PT

Fazenda e AGU vão ao Supremo na tentativa de enterrar o Perse de vez

5/05/2026
  • Share

O Ministério da Fazenda e a AGU intensificaram nas últimas semanas uma ofensiva no STF para derrubar as liminares que, na prática, mantêm vivo, ainda que por aparelhos, o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse). O movimento mira decisões que vêm permitindo a empresas seguir usufruindo da alíquota zero de tributos federais mesmo após o governo declarar, em abril de 2025, o esgotamento do teto de R$ 15 bilhões previsto em lei. Para o Ministério da Fazenda, trata-se hoje de uma disputa central para conter uma renúncia fiscal que continua se acumulando fora do controle orçamentário. Dados da Receita Federal indicam que ao menos R$ 649 milhões já foram usufruídos por empresas com base em decisões judiciais entre 2024 e o início de 2025, valor que não captura a totalidade do contencioso. Nos bastidores da equipe econômica, a estimativa é de que o montante “pendurado” por liminares tenha ultrapassado R$ 5 bilhões em 2026, considerando ações ainda em curso e benefícios mantidos provisoriamente. A divergência entre os números oficiais e as projeções internas reflete justamente a dificuldade de mensurar um programa que deixou de existir formalmente, mas segue operando por via judicial.

A controvérsia nasceu da mudança introduzida pela Lei 14.859, que manteve o Perse, mas estabeleceu um limite global de renúncia fiscal. Ao atingir esse teto, a Receita publicou ato declarando o fim do benefício. Empresas, porém, recorreram ao Judiciário com uma série de teses: direito adquirido ao usufruto por até 60 meses, violação ao princípio da anterioridade tributária e questionamentos sobre a própria metodologia de cálculo do limite de R$ 15 bilhões. Em diversas decisões, juízes e tribunais regionais têm concedido liminares garantindo a continuidade da isenção até dezembro de 2026.

O setor de hotelaria desponta como um dos mais resilientes nessa disputa. Juntas, companhias desse segmento somam mais de R$ 400 milhões em tributos não recolhidos sob proteção de decisões provisórias. A maior parte desse contingente vem além-mar, como caravelas, na onda dos sucessivos investimentos de capital português no Brasil. Redes como Vila Galé e Enotel aparecem entre os principais grupos que recorreram à Justiça para manter o benefício. Uma parcela expressiva dos aportes das duas empresas no país se deram com base no refresco fiscal que viria do Perse. No caso do Vila Galé, o grupo já consolidou uma presença relevante no Brasil, com resorts na Bahia, Ceará, Pernambuco, Alagoas e Rio Grande do Norte, e anunciou planos de expansão que incluem novos empreendimentos e a ampliação de unidades existentes, com investimentos. O Enotel, por sua vez, concentra suas operações em Pernambuco, onde mantém um dos maiores complexos hoteleiros do país em Porto de Galinhas e vem discutindo projetos de expansão e modernização voltados ao turismo internacional. Para esses grupos, a preservação dos benefícios do Perse é condição relevante para sustentar planos de expansão no Brasil, sobretudo no Nordeste, onde concentram grande parte de seus ativos.

Outro caso emblemático é o do iFood, controlado pela Prosus, que chegou a concentrar cerca de R$ 539 milhões em benefícios fiscais no âmbito do PERSE e se tornou o principal alvo da ofensiva da Fazenda. Diferentemente de outros contribuintes que ainda disputam o tema no Judiciário, a empresa já sofreu uma derrota relevante na Justiça. Em decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, foi reconhecido que o iFood não se enquadrava nos critérios do programa após as mudanças regulatórias de 2023. Como consequência, a companhia foi obrigada a recolher aproximadamente R$ 1 bilhão em tributos à União, referentes ao período em que usufruiu indevidamente da isenção. Na prática, o caso passou a ser utilizado pela Fazenda como precedente para pressionar outras empresas a abandonar o benefício.

No ranking por origem de capital, Países Baixos e África do Sul — base da Prosus — lideram com folga os valores judicializados, seguidos por Portugal, impulsionado exatamente pelo setor hoteleiro, e pelos Estados Unidos, com cerca de R$ 150 milhões ligados a plataformas digitais e redes como Atlantica Hotels. A presença estrangeira reforça a complexidade do caso, que passou a combinar disputa tributária doméstica com interesses de grupos globais. A estratégia jurídica das empresas tem se apoiado, em muitos casos, em ações coletivas movidas por entidades como a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), buscando garantir que suas associadas mantenham o benefício até o prazo originalmente prometido. Do outro lado, a AGU sustenta que o limite fiscal previsto em lei é vinculante e que a continuidade da renúncia após seu esgotamento configura violação ao equilíbrio orçamentário.

#Ministério da Fazenda

MBRF tem duas cartas na mão para a capitalização da Sadia Halal

5/05/2026
  • Share

A MBRF trabalha não apenas com uma, mas com duas hipóteses para a capitalização da Sadia Halal, subsidiária dedicada ao mercado muçulmano. De um lado, o já anunciado plano de IPO na bolsa de Riad, em 2027; do outro, a possibilidade da Halal Products Development Company (HPDC) antecipar o aumento da sua participação acionária. Controlada pelo fundo soberano da Arábia Saudita, o Public Investment Fund (PIF), a HPDC já se comprometeu a injetar US$ 268 milhões até meados do ano que vem para ficar com 20% da empresa. No entanto, o que se diz em petit comité no mercado é que o acordo abre caminho para os sauditas adiantarem os recursos já neste ano, mesmo antes do IPO. Por um efeito cascata, esse movimento permitiria à HPDC antecipar o aumento da sua fatia acionária para 40%, previsto para uma segunda etapa, próxima da oferta de ações em bolsa. Ou seja: tomando-se como base a cifra do primeiro aporte, os sauditas injetariam ao todo mais de US$ 530 milhões na joint venture com a MBRF.

A associação entre a MBRF e a HPDC, ou seja, o governo da Arábia Saudita, já nasceu com musculatura relevante. Avaliada em aproximadamente US$ 2,07 bilhões, a Sadia Halal reúne ativos da empresa brasileira no Oriente Médio e Norte da África, incluindo fábricas na própria Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos, operações de distribuição em países como Catar, Kuwait e Omã, além do negócio de exportação direta de proteínas para a região. O faturamento estimado para o primeiro ano gira em torno de US$ 2,1 bilhões, com Ebitda de cerca de US$ 230 milhões.

 

#MBRF

Todos os direitos reservados 1966-2026.

Rolar para cima