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Informação que circula nos corredores do Ministério dos Transportes: a EPR, leia-se Equipav e Perfin Investimentos, é vista como forte candidata ao leilão da Regis Bittencourt. Representantes da empresa têm mantido intensa interlocução com a Pasta, a ANTT e Arteris, atual concessionária. A licitação está marcada para 23 de julho. O vencedor terá de assumir um pacote de investimentos da ordem de R$ 7,2 bilhões. Para a EPR, a Régis Bittencourt teria forte aderência estratégica: além de ligar São Paulo ao Sul do país, a rodovia conversa diretamente com a presença já construída pela companhia no Paraná. Em setembro de 2023, a empresa levou o Lote 2 do Paraná, com cerca de 605 quilômetros e mais de R$ 17 bilhões em investimentos previstos. No ano seguinte, arrematou o Lote 6, com aportes programados na casa dos R$ 20 bilhões. Em 2025, venceu o leilão do Lote 4 – mais R$ 18 bilhões em investimentos na conta.
O Programa Desenrola 2, lançado hoje pelo presidente Lula, carrega excelentes intenções e pode ter o efeito de desafogo no curto prazo. Mas, a julgar pela equação tradicional do endividamento da população e das empresas (dívida + renda + inflação + juros – atividade produtiva + desemprego e novamente + dívida), caso seja reeleito Lula precisará ter um “Desenrola 3” engatilhado. O Boletim Focus publicado hoje praticamente confirma o cenário de descrédito em relação ao ajuste fiscal já a partir desse ano. Se depender da inflação, as contas públicas estão eletrocutadas desde já. O Focus elevou a projeção para a inflação brasileira pela 8° vez consecutiva, com o IPCA chegando a 4,89% em 2026, portanto fora da meta de inflação de 3%. Para 2027, as estimativas indicam uma queda para 4%. Apenas em 2028 o IPCA se aproximaria da meta de 3% (3,64%, segundo o Boletim Focus). Em 2029, cairia mais um bocadinho, atingindo 3,5%. Parece um grande avanço, só que é uma vitória de Pirro. Primeiramente porque quanto maior são os intervalos das projeções, mas eles favorecem os resultados, já que ignoram mudanças mais drásticas de cenários (política, choques drásticos de oferta, conflitos internacionais etc). Mas digamos que a inflação prevista pelo Focus esteja dentro do lugar e que a profecia seja autorrealizável. O mesmo Boletim Focus prevê uma taxa Selic de 13% neste ano, 11% em 2027 e 10% em 2028 e 2029. Caso as projeções se confirmem, o juro real bateria em 6,5% ao fim de 2029. Continuaria como o segundo maior do mundo, atrás apenas da Rússia.
Os índices adotados pelo mercado não levam em consideração o festival de incentivos fiscais e gastos assistencialistas que o presidente Lula vem realizando, a começar pelo próprio Desenrola 2 (o primeiro Desenrola foi lançado em julho de 2023). Nenhuma dessas variáveis combina com um cenário macroeconômico mais bem comportado e um futuro de saúde longeva para os efeitos de curtíssimo prazo do programa: a redução do endividamento nacional. Os juros reais ainda elevados permitiriam considerar a inflação projetada ou mesmo um pouco menor, mas arrebentam com a dívida bruta interna e com o endividamento da população e das empresas. Por outro lado, se a taxa real cair para um patamar civilizado – digamos assim – acende a fervura inflacionária e retroalimenta tudo de novo. Ou seja, o Desenrola 2 vai acabar copiando o iPhone, que já está na sua 15° versão. O próprio ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, reforçou que o Novo Desenrola Brasil integra uma estratégia mais ampla de fortalecimento de renda das famílias. “O sentido de todas essas ações é viabilizar um amplo processo de renegociação de dívidas, pegando famílias, estudantes, MEI, micro e pequenos empreendedores. Essa ação vai ser fundamental para gente seguir um processo de melhoria de renda das famílias”. Ou seja: a renda melhora, com ela vem o consumo e, consequentemente, novas dívidas. Pelo andar da carruagem, com Lula sendo reeleito, temos encomendado um “Desenrola 3”, e nessa hipótese, se endividar será um excelente negócio, já que o perdão estará de antemão anunciado.
Aos poucos, o BNDES vai pingando aqui e ali recursos para financiar a produção de minerais críticos no Brasil. Circula no mercado a informação de que a Aclara Resources mantém conversas com o banco em torno de um empréstimo para o Projeto Carina, que envolve a exploração de terras raras em Nova Roma (GO). O investimento total é da ordem de US$ 780 milhões. O apoio do BNDES viria do fundo de US$ 1 bilhão criado pelo banco, em parceria com a Finep, para viabilizar a exploração (a parte mais fácil) e o beneficiamento (aí é que são elas) de minerais estratégicos no Brasil. Em outro front, a agência de fomento mantém em associação com a Vale um segundo fundo, este de aproximadamente R$ 3 bilhões, para a mesma finalidade.
O estudo de viabilidade do Projeto Corina apontou alto teor de disprósio e térbio, além de neodímio e praseodímio — estes últimos com participação de 27,2% no material produzido. O plano da Aclara prevê ainda a produção de samário, gadolínio, lutécio e ítrio. A vida útil inicial estimada é de 18 anos. O início da extração em escala comercial está previsto para 2028, com capacidade anual para pouco mais de quatro mil toneladas de óxidos de terras raras. A companhia já inaugurou em Aparecida de Goiânia uma planta-piloto semi-industrial para processar argilas iônicas e produzir carbonatos mistos de terras raras pesadas. É uma sinalização de que alguma etapa do processo de beneficiamento pode ser feita no Brasil. Oxalá!
Fora do país, a Aclara desenvolve no Chile o Penco Module, também baseado em argilas iônicas, e nos Estados Unidos uma planta de separação de terras raras pesadas em Louisiana, investimento estimado em US$ 277 milhões. A estratégia é clara: extrair na América do Sul, separar em território norte-americano e vender para cadeias industriais que buscam reduzir a dependência da China em insumos críticos para ímãs permanentes, veículos elétricos, turbinas eólicas e equipamentos de alta tecnologia.
Mesmo com os ziguezagues da economia argentina, a Suzano decidiu pisar no acelerador no país vizinho. A operação local voltou a ser vista como estratégica pela empresa da família Feffer. Há um mercado a ser reconquistado. O reposicionamento começa pela própria estrutura na Argentina. A subsidiária, até então chamada de Stenfar Suzano, em referência a uma empresa comprada há 30 anos, passará a adotar a marca global do grupo. A Suzano mira a possibilidade de ampliar participação no segmento de embalagens, notadamente para as indústrias alimentícia e farmacêutica. A empresa acredita ter um handicap competitivo: a proximidade com as fábricas no Brasil, responsáveis por abastecer o mercado argentino. A disputa pela demanda por embalagens na Argentina ainda é muito fragmentada, notadamente em relação à presença de fabricantes internacionais.
O pano de fundo do retorno da Argentina ao radar da Suzano são os sinais de retomada da demanda local. O país consome hoje cerca de seis milhões de toneladas de papel e derivados. Ainda está abaixo do nível verificado no início da década passada, quando a demanda beirou os sete milhões de toneladas. Mas há uma gradual recuperação. No segmento de embalagens — o foco da Suzano —, há um sobe-e-desce constante. Após um período de crescimento até 2017, o consumo caiu com a recessão. Em 2018 e 2019, houve retração acumulada próxima de 10% a 12%, acompanhando a queda da atividade industrial. Em 2020, com a pandemia, houve uma recomposição parcial puxada por alimentos e e-commerce, mas insuficiente para recuperar o nível pré-crise. Já em 2022, o mercado voltou a crescer entre 3% e 5%, impulsionado pela indústria de bens essenciais. Em 2023, porém, houve nova queda, estimada entre 4% e 6%, refletindo o aperto cambial, a inflação e a contração do consumo. Em 2024 e 2025, a demanda voltou a crescer. São as sístoles e diástole de uma economia marcada por arritmias constantes. Mesmo assim, o segmento de embalagens mostrou resiliência relativa frente aos demais. Enquanto o papel gráfico acumulou quedas superiores a 30% na última década, as embalagens operaram próximas à estabilidade, com oscilações cíclicas, mas sem ruptura estrutural da demanda. Hoje, representam a maior fatia do consumo de papel no país, concentrando mais de 50% do volume total. A Suzano vai atrás desse mercado.
A captação do 11º fundo da Monashees revela uma tendência razoavelmente silenciosa, mas relevante, no perfil do venture capital na América Latina. Mais do que o tamanho do veículo — cerca de US$ 200 milhões, metade do fundo anterior —, o que chama atenção é a composição da base de investidores. Entre as âncoras estão instituições como a IFC, braço do Banco Mundial, e o BID Lab, ligados a organismos multilaterais e tradicionalmente associados a critérios mais rigorosos de avaliação de risco. Não se trata de um detalhe. A presença desses players indica uma inflexão no padrão de financiamento do setor. No lugar do capital abundante e permissivo que marcou o ciclo de 2020-2021 — quando o venture capital na América Latina superou US$ 15 bilhões em aportes anuais —, entra um dinheiro mais seletivo, que exige disciplina financeira e previsibilidade de retorno. Sinal dos tempos. Em 2023, o volume de aportes em VC na região caiu para algo próximo de US$ 5 bilhões, patamar que ainda não se recuperou.
Esse novo ambiente impõe outra lógica. Investidores institucionais, como multilaterais, tendem a priorizar métricas mais duras: geração de caixa, governança, redução de burn rate e caminhos claros para rentabilidade. O modelo baseado em crescimento acelerado a qualquer custo perdeu tração. Em seu lugar, ganha espaço uma abordagem mais conservadora, com tickets mais concentrados e menor dispersão de portfólio.
Os sinais dessa mudança vão além da Monashees. Gestoras globais reduziram exposição à região, rodadas late stage encolheram e o número de “unicórnios” praticamente estagnou após a onda de 2021. Ao mesmo tempo, aumentou o intervalo entre captações e cresceu a pressão sobre startups para alongar runway e cortar custos — uma inversão clara em relação ao período anterior, marcado por expansão acelerada e queima de caixa elevada.
Spoiler do que pode vir a ser um dos primeiros projetos de José Dirceu na Câmara caso venha a ser eleito deputado federal: o ex-ministro tem discutido com economistas do seu entorno a proposta de mudança na composição do Conselho Monetário Nacional (CMN). A ideia, segundo interlocutores próximos a Dirceu, é ampliar o colegiado responsável por decisões centrais da política econômica, a começar pela definição da meta de inflação. Hoje, o CMN é formado pelos ministros da Fazenda e do Planejamento e pelo presidente do Banco Central, conforme prevê a Lei nº 4.595/1964. De uma maneira geral, o presidente do BC é quem tem o cetro na mão. Ele é também aquele que tende a vocalizar mais as posições do mercado. O diagnóstico ao redor de Dirceu é que esse desenho acaba refletindo, na prática, uma visão excessivamente aderente à lógica das instituições financeiras. O ponto central – e maior motivador do projeto – é justamente a fixação da meta de inflação, em torno da qual orbita toda a política monetária. Na visão do ex-ministro da Casa Civil, da maneira como é a sua composição, o CMN não consegue captar todas as variantes políticas, institucionais e mesmo econômicas que deveriam ser contempladas na definição do inflation target – juros elevados, impacto sobre crédito, emprego, investimento e crescimento econômico. Tem sentido. A questão passou a ser tratada de forma canônica. É como se a inflação no Brasil tivesse que ser a mesma da Suíça, Inglaterra, Croácia e Bélgica independentemente das diferenças estruturais crônicas e circunstanciais. O atual índice de 3% parece ter sido fixado com um único propósito: o de inviabilizar o cumprimento da meta. Mais do que isso: o draconiano sarrafo engessa a política monetária e empurra o Banco Central contra a parede, forçando-o a ter uma atuação restritiva, com os juros reais permanentemente no top three do mundo.
A proposta em discussão no círculo próximo a José Dirceu não seria retomar o modelo antigo do CMN nos anos 70 e 80, quando o colegiado tinha uma composição ampla e sortida, com diversos representantes do setor privado.
Esse formato também produzia suas distorções, ao abrir espaço para interesses diretamente afetados pelas decisões monetárias e de crédito, o que também era uma forma de criar vieses setoriais ou mesmo corporativos. O que se discute agora é outra organização, que passaria pela inclusão de dois ou eventualmente mais membros da academia, escolhidos por notório saber, figuras capazes de ampliar o debate sem transformar o CMN em arena deste ou daquele grupo de interesse. Entre os nomes citados hipoteticamente por interlocutores dessa corrente estão, por exemplo, Armínio Fraga e Sergio Werlang. De fato, seria um luxo para qualquer governo ouvi-los.
Werlang, em especial, teria simbolismo adicional por ser o criador do regime de metas inflacionárias. E Fraga tem tido posições menos ortodoxas e levado em consideração outras demandas da sociedade. A fonte do RR disse que Fraga, quando era presidente do BC, e o então influente economista, Edward Amadeo, ex-ministro do Trabalho e secretário de política econômica do Ministério da Fazenda no governo FHC, também eram da opinião de que o CNN deveria ser remodelado, digamos assim. Werlang tem um pé no mercado financeiro, mas é extremamente técnico e com pruridos acadêmicos acentuados que impediriam, em tese, de defender causas da Faria Lima que fossem eminentemente contagiadas pela pressão dos grandes rentistas do país. A presença de economistas dessa estirpe certamente tornaria o CMN um ambiente formulador e decisório mais plural. Um ou outro economista de corrente distinta também poderia ser chamado, mantido o critério de alta respeitabilidade. Esse modelo não seria uma reinvenção da roda. Por longos anos, o professor Octávio Gouvêa de Bulhões foi membro permanente do CMN. Primeiro, entre 1964 e 1967, na condição de ministro da Fazenda. Posteriormente, teve cadeira cativa no Conselho, de forma ininterrupta, de 1974 a 1990.
A atual composição do CMN é razoavelmente recente na história: o triunvirato Fazenda/Planejamento/BC é, de certa forma, um rebento do Plano Real, ao menos do ponto de vista cronológico. Passou a valer a partir de 1994, com a MP 542, posteriormente convertida na Lei 9.069/95. Nos seus primórdios, o Conselho contava ainda com os ministros da Indústria e Comércio, da Agricultura e do Interior, além dos presidentes do BNDES, do BNH (Banco Nacional de Habitação) e da CVM. Em determinado momento, entre os anos 80 e 90, chegou a abrigar ainda os ministros do Trabalho, do Desenvolvimento Urbano, da Infraestrutura e da Previdência Social. Mais fácil dizer quem não participava. Além disso, havia ainda a presença de representantes das classes trabalhadoras, do empresariado, como Abilio Diniz, Paulo Cunha e João Carlos Paes Mendonça, e do sistema financeiro – Amador Aguiar, Gastão Eduardo de Bueno Vidigal, Olavo Setubal e Angelo Calmon de Sá são alguns dos exemplos.
O debate tem alto potencial de combustão política. Mexer na composição do CMN significa alterar a engrenagem institucional que conecta Fazenda, Planejamento, Banco Central e regime de metas, ou mesmo transferir para sua alçada decisões que hoje estão alocadas a outras áreas, tais como o recolhimento compulsório dos depósitos bancário. Todas elas com repercussão forte impacto macroeconômico. Não se trata apenas de acrescentar cadeiras a um colegiado, mas de rediscutir quem participa da calibragem da política monetária no país. Para Dirceu e seus assessores para assuntos econômicos, o ponto é exatamente esse: se a independência do BC tornou a autoridade monetária onipresente, o CMN teria de ser redesenhado como contrapeso institucional ao poder de divindade terrena do BC, voltando a ser um órgão fundamental para a vascularidade das decisões econômicas que impactam crescimento, crédito, emprego e investimento. O risco, quando se trata de uma hipotética reeleição de Lula e de uma iniciativa de José Dirceu, comandante in pectore do PT, é entrar na recomposição do CMN um representante da classe trabalhadora ou da sociedade, levando para o Conselho um viés contaminado pela ideologia.
O RR apurou que a Aegea e a Orizon negociam uma associação na área de gestão de resíduos sólidos. Segundo fontes próximas às duas empresas, as tratativas envolvem a combinação de ativos de destinação final, notadamente aterros sanitários. O acordo contemplaria ainda projetos de valorização de resíduos, leia-se geração de energia a partir de biogás. Ou seja: alcançaria de ponta a ponta a cadeia econômica dos resíduos, da coleta e tratamento de lixo à sua monetização energética. Trata-se, portanto, de um negócio que, já na partida, pode chegar a uma receita líquida anualizada de R$ 3,6 bilhões e a um Ebitda da ordem de R$ 1,2 bilhão. A aproximação entre as duas companhias se dá em meio a um processo de consolidação de um setor já bastante concentrado. Que o digam os próprios controladores da Orizon, Milton Pilão Jr. e Ismar Assaly, respectivamente CEO e chairman da empresa. A companhia protagonizou, no último mês de dezembro, uma das maiores operações de M&A já realizadas nesse mercado: a compra da Vital, junto à Queiroz Galvão, por R$ 3 bilhões. Com a aquisição, a Orizon praticamente duplicou de tamanho: saiu de 18 para 30 aterros sanitários e atingiu cerca de R$ 3 bilhões de receita anual e Ebitda na casa de R$ 1 bilhão. Procurada pelo RR, a Aegea não quis comentar o assunto. Também consultada, a Orizon não retornou até o fechamento desta matéria.
A Aegea, leia-se Equipav, GIC, fundo soberano de Cingapura e a família Setúbal, também fez um movimento agudo ano passado: a aquisição da Ciclus Ambiental, até então pertencente à Simpar, de Fernando Simões, por R$ 1,9 bilhão – R$ 1,1 bilhão em equity value e R$ 800 milhões em dívidas. Com isso, assumiu o CTR Seropédica, o maior centro de tratamento de lixo do Brasil e uma planta responsável pela produção de 60% de todo o biometano de resíduos consumido no país. Um ótimo negócio? Sim, mas até a página 3. O que se diz no mercado é que a Aegea pagou caro pelo ativo e agora precisa remontar o negócio com um parceiro que entende do riscado, como é o caso da Orizon. Além disso, como se sabe, a empresa de saneamento do trio Equipav, GIC e Setúbal não vive um momento dos mais prósperos. Há muitos resíduos financeiros a serem removidos. A Aegea enfrenta uma crise de confiança no mercado, impulsionada, sobretudo, pela sua alavancagem. A relação dívida líquida/Ebitda bateu em 3,78 vezes no fim de 2025, aproximando-se do máximo de quatro vezes fixado nas cláusulas de financiamento. Nesse contexto, a eventual associação com a Orizon seria também uma forma de dividir a conta dos investimentos no negócio de aterros sanitários e preservar liquidez. Mais do que isso: seria uma maneira de a Aegea manter exposição a um ativo estratégico sem carregar sozinha não apenas o capex, mas também a curva de aprendizado e o risco de execução de um negócio que, embora adjacente ao saneamento, tem dinâmica própria. Para a Orizon, por sua vez, a associação teria outro apelo: acesso a um dos ativos mais cobiçados do setor e eventual reforço em uma frente de negócios — valorização energética dos resíduos — que pode se tornar cada vez mais relevante na composição de margem das empresas de destinação final. Ou seja: é um jogo de ganha-ganha.
Uma nova frente de batalha entre a Oi e seus credores está se abrindo. Os bondholders da companhia – leia-se o trio Pimco, Ashmore e SC Lowy – se articulam para contestar judicialmente a venda da Oi Soluções. A ideia é entrar com ações tanto na Justiça brasileira quanto em Nova York. A alegação é que o ativo está sendo subavaliado, o processo competitivo é insuficiente e, sobretudo, de que a destinação dos recursos pode ferir a ordem de prioridades prevista no plano de recuperação judicial. A Oi Soluções é vista como uma das últimas “joias da coroa” da companhia. A unidade reúne contratos com grandes empresas e órgãos públicos, além de operações em conectividade, nuvem e serviços digitais. Estimativas de mercado apontam valor de R$ 1,5 bilhão. O recebimento das propostas foi marcado para 17 de junho.
A venda está estruturada no modelo de UPI (Unidade Produtiva Isolada), mecanismo que permite a transferência sem sucessão de passivos. Embora isso aumente o interesse de potenciais compradores, também abre espaço para contestação, caso os credores entendam que o formato favorece determinados investidores ou reduz o valor de recuperação.
A ofensiva dos credores tem um certo ar de déjà vu – aliás, como quase tudo tratando-se de uma empresa que está na sua segunda recuperação judicial, como é o caso da Oi. A reação do trio Pimco, Ashmore e SC Lowy amplifica uma batalha judicial que perpassa também a venda da participação da operadora de telefonia na V.tal. Os bondholders tentam barrar a transferência da empresa de fibra óptica para o BTG.
O AL5 Amaggi, banco da família Maggi, está semeando os próximos passos do seu projeto de expansão. Depois de avançar no crédito ao agro e iniciar operações de CPR em dólar, a instituição avalia novas frentes de maior sofisticação financeira, sempre em áreas adjacentes à cadeia de atuação da Amaggi. O movimento mais natural passa por câmbio, hedge e proteção de preços. A CPR em dólar funciona como porta de entrada para esse mercado: ao alinhar o financiamento à moeda de comercialização da produção, o banco reduz o descasamento cambial do produtor e abre espaço para oferecer instrumentos de proteção mais rebuscados. É um solo fértil que os Maggi querem cultivar. Na prática, o AL5 pode ampliar sua atuação para travas de preço, soluções cambiais, derivativos simplificados e estruturas financeiras ligadas à exportação de soja, milho, algodão e café.
Outro flanco em análise seria o trade finance. A presença da Amaggi em originação, comercialização de grãos, processamento, logística fluvial, operações portuárias e insumos cria uma plataforma natural para o banco financiar não apenas o produtor, mas também os fluxos comerciais e físicos do agronegócio. O que se ouve no mercado é que nesse cardápio podem entrar operações de pré-pagamento de exportação, financiamento de estoques, recebíveis de exportação e crédito para empresas conectadas ao escoamento de commodities.
O avanço do AL5 Amaggi já começa a ganhar tração concreta nos números. Em 2025, o banco registrou crescimento de cerca de 34%, mesmo em um ambiente de crédito mais restritivo, tendo ultrapassado a marca de R$ 1 bilhão em desembolsos no agro. A instituição mantém um plano agressivo de expansão, com meta de atingir R$ 10 bilhões em carteira de crédito até 2030. Como parte dessa estratégia, iniciou operações de CPR em dólar, mirando cerca de R$ 300 milhões nessa modalidade apenas na safra 2026/27.
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