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BlackRock acelera no capital da Marcopolo
3/03/2026Há um forte bochicho no mercado de que a BlackRock voltou a comprar ações da Marcopolo. A maior gestora de recursos do mundo, com mais de US$ 14 trilhões em ativos, já teria algo em torno de 6% do capital preferencial da fabricante de carrocerias brasileira. A tese de investimento dos norte-americanos se baseia na posição estratégica da Marcopolo diante do inexorável ciclo de renovação de frotas de transporte público no Brasil e na América Latina na esteira da descarbonização das frotas. Some-se o fato de que a empresa combina geração consistente de caixa, histórico de distribuição de dividendos e múltiplos considerados atrativos frente a pares internacionais do setor industrial. A perspectiva positiva faz com que a BlackRock passe por cima até mesmo de números um tanto quanto frustrantes da empresa no ano passado. O Ebitda somou R$ 1,506 bilhão, queda de 7,3% em relação a 2024. A margem Ebitda, por sua vez, recuou de 18,9% para 16,6% no mesmo intervalo de comparação.
Quanto o “valuation” internacional de Lula pode render nas urnas?
3/03/2026O ministro-chefe da Secretaria de Comunicação, Sidônio Palmeira, tem se reunido com o assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Celso Amorim, o vice-presidente, Geraldo Alckmin, e os ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, da Fazenda, Fernando Haddad, e da Casa Civil, Rui Costa – os dois últimos de saída do governo -, para discutir como valorizar a performance de Lula no exterior em sua campanha eleitoral. Missão difícil. Não porque os acertos do presidente nessa área sejam poucos. Não são, particularmente nesse seu terceiro mandato. A questão é até que ponto e, sobretudo, como transpor a política externa do governo Lula, algo mais árido e de comunicação pouco popular, para a campanha. Há algumas inegáveis vantagens nessa narrativa: a primeira é que o Itamaraty, capitaneado por Lula, acertou muito nessa terceira fase do seu governo, o que até a oposição reconhece; a segunda é que o registro desses fatos tem a vantagem de colocar o presidente bem no centro das iniciativas, o que do ponto de vista audiovisual é um valioso insumo para ações de marketing. O que não falta são imagens de Lula sendo incensado por chefes de Estado de todo o mundo. Sidônio pretende também explorar o relato das viagens, com os assuntos tratados, os acordos assinados e seu impacto para o país.
Segundo o RR apurou, há, inclusive, discussões no Palácio do Planalto sobre a produção de um livro, que seria assinado por Amorim, Haddad (neste caso, a publicação serviria também para sua própria campanha eleitoral em São Paulo) e Alckmin – o vice-presidente desfruta de prestígio junto a entidades empresariais internacionais e, por efeito rebote, a nacionais. Mais do que a obra em si, o trunfo da iniciativa seria gerar fatos e agendas, com a realização de lançamentos em capitais com maior densidade eleitoral e mesmo fora do Brasil. Como peça de propaganda, o livro seria uma espécie de continuidade do filho de Dona Lindu alçado ao status de “Ivanhoé do mundo”. Exagero por exagero, talvez faça mais sentido do que um enredo-exaltação na Marques de Sapucaí.
Os pontos acima refletem o lado positivo – e ufanista – das discussões travadas no Palácio do Planalto. Sidônio Palmeira está convicto de que o Lula que aparece lá fora pode ser um bom cabo eleitoral do Lula que pedirá voto aqui dentro. Mas a ideia tem suas contraindicações, ainda que potencialmente de menor alcance. Os tropeços de Lula na política externa certamente serão usados pela oposição. Uma das questões sensíveis que está no radar de Sidônio é a polêmica fala do presidente, em fevereiro de 2024, ao comparar as ações de Israel em Gaza ao Holocausto. O episódio levou o governo de Benjamin Netanyahu a declarar Lula persona non grata. Como resposta, o Brasil retirou seu embaixador de Israel. É um prato que muito provavelmente será requentado pela campanha de Flavio Bolsonaro.
Mas, prato por prato, Sidônio parte do princípio de que o cardápio de Lula na política externa é muito bem servido, o que justifica sua estratégia de dar uma dimensão maior ao tema na campanha eleitoral. A “química” com Donald Trump, até então um patrimônio político que o clã Bolsonaro evocava como seu, o consequente alívio do tarifaço sobre uma série de produtos brasileiros, o balão de ensaio do Nobel da Paz, as propostas de pacificação internacional… São todos ativos de Lula na agenda externa. O desafio de Sidônio é converter o “valuation” internacional do presidente no que realmente interessa: voto. Uma das mensagens que já pululam na Secom é mostrar como a diversificação do comércio exterior, a partir de conquistas diplomáticas do governo Lula, contribuíram para a queda da inflação.
A crescente confusão geopolítica e a disposição de Lula para manter interlocução permanente com seus pares internacionais serviriam para aumentar o fermento da narrativa em torno das conquistas do Brasil no exterior. O presidente avançou, e muito, ao optar pela defesa do multilateralismo, no momento em que ele sangra pelas punhaladas de Trump, das causas que incluem meio ambiente e pobreza, e da diversificação dos mercados mundiais, abrindo uma picada para reduzir em alguma parcela a dependência na balança comercial com a China.
Fundo saudita quer ampliar seus domínios na cadeia da proteína no Brasil
3/03/2026Em meio ao acirramento das tensões no Oriente Médio, espocam no mercado informações sobre o interesse do Saudi Agricultural and Livestock Investment Company (Salic) em aumentar sua participação no capital da Minerva Foods. O fundo ligado à família real da Arábia Saudita já é o maior acionista individual da companhia, com 30%, à frente dos Vilela de Queiroz, sócios fundadores, que concentram cerca de 22%. Além de questões de ordem geopolítica, qualquer movimento do Salic chama ainda mais atenção pela sua dupla presença no tabuleiro da proteína animal no Brasil. Além da fatia acionária da Minerva, o fundo árabe tem ligações econômicas com a MBRF, de Marcos Molina. O Salic detinha 11% da antiga BRF e trocou as ações por derivativos da nova empresa por ocasião da sua fusão com a Marfrig.
Essa dupla presença confere ao Salic uma posição singular no xadrez da proteína animal brasileira. Ao manter cerca de 30% da Minerva e exposição econômica relevante à MBRF por meio de derivativos, o fundo saudita passa a orbitar dois dos principais polos exportadores de carne do país — bovina, no caso da Minerva, e diversificada (aves, suínos e bovinos), no caso da nova companhia liderada por Marcos Molina. Trata-se de uma vantagem estratégica evidente: amplia o acesso a diferentes cadeias produtivas, dilui riscos operacionais e permite ao investidor capturar ganhos em ciclos distintos de preços e margens.
Enquanto a venda não sai, Americanas enxuga operação do Hortifruti
3/03/2026Quanto mais a rede Hortifruti Natural da Terra encalha na gôndola, menor ela vai ficando. A Americanas, sua controladora, tem feito sucessivos cortes de lojas. De uma só tacada, fechou pontos de venda no Rio de Janeiro e encerrou a operação da rede varejista no Espírito Santo. No setor, há relatos de que o grupo poderá interromper também as atividades da rede varejista em Minas Gerais. Restariam sobre o balcão pouco mais de 60 lojas em São Paulo e Rio de Janeiro – há pouco mais de dois anos eram quase 80 unidades. Na prática, a Americanas está cortando nervos e gorduras para vender apenas o filé mignon da bandeira varejista que um dia pertenceu à dobradinha Bozano Investimentos/ Paulo Guedes. Até o momento, está difícil passar o ponto adiante. Desde o estouro da fraude contábil, em janeiro de 2023, a Americanas já abriu ao menos dois processos de venda da Hortifruti Natural da Terra. O segundo se desenrola desde agosto do ano passado. Pretendentes existem: Oba, Advent, Zona Sul, Pátria e a chilena Cencosud já sondaram o grupo. Esta última teria avançado mais nas conversas com a Americanas. O problema é que, ao menos até o momento, a companhia de Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles não conseguiu chegar nem perto do que pagou pelo controle do Hortifruti em 2021 – cerca de R$ 2,1 bilhões. Procurada pelo RR, a Americanas não se manifestou até o fechamento desta matéria.
Amin articula apoio a Ratinho Junior como vendeta aos Bolsonaro
3/03/2026O senador Espiridião Amin (PP-SC) tem se movimentado nos bastidores para costurar o apoio do PP, ao menos de lideranças do Sul, à eventual candidatura de Ratinho Junior (PSD) à Presidência da República. Seria uma vendeta a Jair Bolsonaro e sua prole. O clã lançou os nomes de Carol de Toni e de Carlos Bolsonaro, ambos do PL, na disputa ao Senado por Santa Catarina. Com isso, rompeu o acordo anterior que previa o apoio à candidatura de Amin à reeleição. De quebra, seria uma resposta do decano da política catarinense também ao governador Jorginho Mello (PL). Amin considera ter sido traído por Mello, que embarcou na manobra em prol de Carol de Toni e Carluxo. Amin e dirigentes da federação União Progressista (PP + União Brasil) avaliam que a aproximação com o projeto de Ratinho Júnior poderia fortalecer a coligação centro-direita no Sul. A ver.