Arquivo Notícias - Página 42 de 1963 - Relatório Reservado

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Cuba é a próxima na fila de capturas de Donald Trump

4/03/2026
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O RR teve acesso a um position paper do Carnegie Endowment for Internacional Peace, um think tank norte-americano que varre com ênfase o cenário latino. Usando de uma metáfora, a apuração que emerge é que Cuba, depois da Venezuela, esteve a um minuto de deixar de ser um museu castrista e voltar a ser uma Angra dos Reis de Miami. Tudo a seu tempo. O conflito no Oriente Médio empurrou para um segundo momento o destino inexorável da ilha na gestão Trump. Ou seja: o país regrediu na fila do pacote de submissões geopolíticas aos Estados Unidos. Vai acabar se ajoelhando, virar protetorado. A nomenclatura cubana também não baixa a crista para desanuviar a tempestade que virá com Trump. Agora mesmo um novo belisco: a declaração do presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, que classificou a morte do aiatolá Ali Khamenei um ato vil e execrável. “Khamenei será lembrado em Cuba como um destacado líder e estadista”.
A aposta maior é que, ao contrário da Venezuela, cujo modelo foi uma gestão “pseudo compartilhada” e amistosa, Cuba seria anexada. Seus comandos não são tão obedientes quanto as raspas e restos que sobraram da soberania venezuelana. Os generais da ilha podem ter bem menos recursos de defesa, mas cairiam atirando. Para dobrar as dobradiças que ainda seguram fragilmente o regime – os comandos e o sobrenome Castro do Primeiro Secretário do Partido Comunista de Cuba, o “Raul” – os norte-americanos utilizariam suas técnicas de intimidação hiperbolizadas por Trump. Os cubanos têm seu orgulho, e a maioria certamente não aceitaria posar de ovelhas. Queira-se ou não, a luta por uma sociedade mais justa está introjetada nos seus corações e mentes. Ao mesmo tempo, não há como negar que a população está cansada da pobreza; e não quer voltar ao prostíbulo de Fulgêncio Batista. Porém, não tem a mesma firmeza quando se trata do trade off entre hambúrguer do McDonald e o caldo de cana de açúcar.
Há também o fator tempo. A satanização de ancien régime tende somente a se diluir – mais de 60% dos atuais moradores da ilha viveram sua fase adulta longe da era Batista no poder; haverá dúvida no meio dos jovens entre o que aconteceu de verdade e o que foi folclore daquele período. Com os algoritmos da IA, a motivação e a luta revolucionária cubana podem ter muitas versões. Mesmo com o sobrenome Castro ainda tremulando em pavilhões ou as t-shirts com o rosto de Che aplicada no peito, tudo indica que a maioria anseia ardorosamente por resorts, cassinos, shoppings. Parece gozação, mas não seria improvável que Trump, um especialista no binômio hotel e jogatina, inaugurasse os investimentos no setor de turismo, segmento com maior potencial econômico da ilha. Seria um ganho de marketing enorme para o presidente norte-americano. E com batalhões de drones ali bem ao lado, na Flórida (150 km de distância).
Os EUA, desde o último triênio do século passado, já tinham o passaporte para se sentar em um sofá na sala de Cuba. Parece que não o fizeram não exatamente pela temperatura quente ou fria das condições geopolíticas, mas por alguma perversão freudiana. Convém pontuar a análise com uma condicionalidade: Qualquer solução de mudança do regime somente ocorreria depois de uns demonstração de amistosidade, tal como ofertas de alimentos e garantias de energia. Uma mistura de “dronepower” com softpower. Mas Cuba tem tão pouco a oferecer e tanto a desejar, que, para Trump, seria como dar a xepa da feira. O lixo de Nova York abasteceria 10 cubas, é o que deve pensar o presidente norte-americano. Na linha do greenfield, talvez fosse possível criar um polo de exploração da piscicultura, proteína do mar, pequenos quintais fazendas de moluscos que gerariam emprego e fonte alimentar. A título de chiste, a JBS está aí mesmo para ser convidada a participar de um empreendimento do gênero.
O território marítimo de Cuba é pequeno, mas ajudaria no quesito alimentação do turismo com proteína fresca. Na verdade, Cuba, do ponto de vista estratégico, não interessa a nenhum dos próceres ideológicos do mundo, tais como Vladimir Putin ou Xi Jinping. Mesmo para Trump também não passa de um pouco de caspa para espanar do ombro. Mas, com o protagonismo do advento do Irã, Cuba regressa ao seu lugar de pulga no cangote dos EUA e candidata ao esmagamento nesses três anos que restam a gestão Trump. Até que o cenário do Oriente Médio se desanuvie e os cubanos bilionários que dominam o mercado o mercado imobiliário da ilha possam entrar efetivamente no jogo com seu arsenal de dólares, o grande capital segue estudando se Cuba será um balneário para as velhinhas endinheiradas da Flórida ou uma Disneylândia adulta.

#Cuba #Trump

Oriente Médio e China formam uma combinação indigesta para a carne brasileira

4/03/2026
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O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, vem mantendo desde o fim de semana interlocução direta com grandes frigoríficos nacionais, notadamente JBS, MBRF e Minerva Foods, e com representações diplomáticas do Brasil no Oriente Médio. Fávaro discute com o setor privado e o Itamaraty medidas emergenciais na tentativa de mitigar o impacto dos conflitos na região sobre as exportações de carne bovina. Segundo informações filtradas pelo RR, entre as ações já em curso está a criação de um grupo de monitoramento logístico, com participação do próprio Ministério das Relações Exteriores, do Ministério dos Portos e Aeroportos e de armadores internacionais para avaliar as consequências do bloqueio do Estreito de Ormuz no fluxo do produto. Na Pasta da Agricultura se debate também a eventual adoção de mecanismos financeiros de apoio à cadeia da proteína animal, como a ampliação de cobertura de seguro de crédito à exportação via ABGF/Seguro de Crédito à Exportação (SCE) e eventual flexibilização de garantias pelo BNDES Exim para operações com importadores da região. Há receio de que o conflito afete sistemas de pagamento, prazos e custo de financiamento das tradings locais.

Também está no radar a possibilidade de negociações sanitárias e comerciais aceleradas com mercados alternativos dentro do próprio bloco islâmico, para compensar eventual retração de compradores diretamente afetados pelo conflito. Seria uma forma de manter o fluxo para o chamado mercado halal sem depender exclusivamente dos países mais expostos às tensões militares. Um dos exemplos mais claros é a Indonésia, apontada pela própria indústria como “novo mundo” para a carne brasileira: em 2025, os embarques ao país cresceram 176% em volume e 145,5% em valor na comparação com 2024, segundo dados do ComexStat/MDIC. Trata-se da maior população muçulmana do planeta, com forte dependência de importações de proteína.

Em 2025, as exportações brasileiras de carne bovina para os países árabes somaram US$ 1,79 bilhão. Egito respondeu por US$ 375,35 milhões (+24,5%), Arábia Saudita por US$ 333,10 milhões (+29,9%) e Argélia por US$ 286,58 milhões (+40,5%). Esses três mercados formam hoje um tripé capaz de absorver volumes adicionais por meio de ajustes no mix de cortes, reforço de estoques e maior previsibilidade contratual. Além disso, entram no radar países como Malásia, Bangladesh e Paquistão, que combinam população numerosa, certificação halal estruturada e menor correlação geopolítica com o Golfo. No Norte da África, Marrocos surge como alternativa complementar, especialmente se houver avanços tarifários e sanitários. A lógica é clara: pulverizar risco e reduzir a dependência de rotas concentradas no Estreito de Ormuz, mantendo o fluxo halal ativo mesmo sob tensão regional.

De acordo com as discussões conduzidas pelo Ministério da Agricultura, a necessidade e a dosimetria das medidas de apoio dependerão basicamente de duas variáveis: a intensidade e a duração do conflito no Oriente Médio. Desde já, a preocupação do Ministério da Agricultura e dos players do setor é potencializada pelo timing. Por uma perversa coincidência, os ataques se multiplicam justamente no momento em que o Brasil vem empreendendo um esforço comercial para aumentar as vendas de carne bovina na região como forma de compensar o novo regime de cotas anunciado pela China. Ou seja: a guerra no Oriente Médio desponta como o baque dentro do baque, diante da já precificada queda dos embarques para o mercado chinês. Neste ano, a carne bovina brasileira terá direito, naquele país, a uma janela da ordem de 1,1 milhão de toneladas sem tarifa adicional. Significa um queda de 35% em relação aos embarques totais feitos em 2025, cerca de 1,7 milhão de toneladas. Como o novo sistema imposto por Pequim, o excedente às cotas está sujeito a uma sobretaxa de 55%.

Os números de 2025 ajudam a calibrar o tamanho do colchão disponível. Considerando os 22 países da Liga Árabe, as compras de carne bovina do Brasil somaram US$ 1,79 bilhão no ano, e os maiores destinos em valor foram Egito (US$ 375,35 milhões), Arábia Saudita (US$ 333,10 milhões) e Argélia (US$ 286,58 milhões). Embora Emirados e Catar apareçam com frequência como hubs comerciais e de redistribuição na região, o dado público mais consolidado para 2025, no recorte bovino, está concentrado nesses grandes compradores do bloco árabe — o que reforça porque Riad volta a ser prioridade sanitária e comercial no radar do governo e do setor privado.

#China #Oriente Médio

BRK combina expansão agressiva com dúvidas sobre o futuro acionário

4/03/2026
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A BRK Ambiental, leia-se Brookfield, é apontada no setor como forte candidata ao leilão de saneamento em Goiás marcado para o próximo dia 25. Ao todo, serão licitadas três PPPs englobando um pacotão de 216 municípios, com investimento somado de R$ 6,3 bilhões. Ressalte-se que a BRK já atua no estado, sendo responsável pela operação de água e esgoto nas cidades de Aparecida de Goiânia, Trindade, Jataí e Rio Verde. A possível ampliação dos domínios em Goiás acrescenta mais uma curva aos ziguezagues da companhia. Não é de hoje que a Brookfield, dona de 70% do capital, ensaia reduzir ou até mesmo vender integralmente a sua participação no negócio. No fim do ano passado, a BRK protocolou na CVM um pedido de IPO, que prevê tanto uma oferta primária quanto secundária de ações. É a segunda tentativa de abertura de capital em pouco mais de três anos. Ainda assim, mesmo com as incertezas que pairam sobre a permanência ou não do gigante canadense, a BRK tem enfileirado novas concessões. Mais do que isso: vem protagonizando alguns dos principais bids do setor. No fim de 2025, por exemplo, em consórcio com a espanhola Acciona, arrematou o maior lote no leilão de saneamento de Pernambuco, assumindo a operação em Recife, Fernando de Noronha e outros 149 cidades, com a obrigatoriedade de R$ 15,4 bilhões em investimentos.

#BRK Ambiental

A face dupla do BTG no aumento de capital da Raízen

4/03/2026
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Nem tudo é o que parece ser no iminente aumento de capital da Raízen. O que se diz no mercado é que os R$ 3,5 bilhões que a Shell promete injetar na companhia não sairão integralmente do seu caixa. Parte relevante dessa equação financeira teria como origem o BTG Pactual. A entrada em cena do banco de André Esteves poderia se dar por duas vias complementares. A primeira seria a subscrição direta de ações no próprio aumento de capital, diluindo parcialmente a exposição econômica imediata dos dois controladores da Raízen. A segunda envolveria a concessão de financiamento estruturado à Shell para viabilizar o aporte, com garantias vinculadas às próprias ações subscritas. Nesse desenho, o BTG não apenas forneceria liquidez, como também poderia estruturar instrumentos conversíveis ou acordos de recompra que, na prática, abririam caminho para uma futura transferência parcial das ações ao banco. Ou seja: na prática, seria uma co-capitalização em trajes de empréstimo. A conferir.
Enquanto isso, o folhetim da capitalização da Raízen tem reviravolta atrás de reviravolta. Ontem, surgiu a informação, publicada pelo Valor, de que a Cosan não acompanhará o aporte. Já Rubens Ometto, dono da empresa, injetaria R$ 500 milhões na Raízen. Não custa lembrar que o BTG é sócio da Cosan. E não um sócio qualquer: no ano passado, investiu R$ 4,5 bilhões para ficar com um pedaço do capital e ajudar o grupo de Ometto a reduzir seu pesado nível de alavancagem. Ou seja: todos os caminhos parecem levar ao banco de Esteves.

#Raízen

Governo patina nas grandes ferrovias e avança em trilhos mais curtos

4/03/2026
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O governo Lula anda a passos de quelônio no setor ferroviário. Enquanto a repactuação de grandes contratos de concessão, casos de Carajás e da Vitória Minas, com a Vale, e da Ferrovia Centro-Atlântica, leia-se VLI, empacam, resta se contentar com operações menores. Ao menos um contrato ferroviário parece estar bem engatilhado para atualização antes do fim de sua outorga. A Ferrovia Tereza Cristina (FTC), concessionária que opera 164 km de malha no Sul de Santa Catarina, entrou na fase de audiência pública da ANTT sobre prorrogação antecipada do contrato de concessão, indicando que uma renovação está sendo preparada antes mesmo do vencimento formal do prazo original, previsto para 2027. A FTC é controlada por um bloco de acionistas privados que inclui Santa Lúcia Concessões Públicas Ltda., Administração e Empreendimentos Vasone Ltda. e Apply Comércio e Empreendimentos Ltda.

#Infraestrutura

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