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Cuba é a próxima na fila de capturas de Donald Trump
4/03/2026
Oriente Médio e China formam uma combinação indigesta para a carne brasileira
4/03/2026O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, vem mantendo desde o fim de semana interlocução direta com grandes frigoríficos nacionais, notadamente JBS, MBRF e Minerva Foods, e com representações diplomáticas do Brasil no Oriente Médio. Fávaro discute com o setor privado e o Itamaraty medidas emergenciais na tentativa de mitigar o impacto dos conflitos na região sobre as exportações de carne bovina. Segundo informações filtradas pelo RR, entre as ações já em curso está a criação de um grupo de monitoramento logístico, com participação do próprio Ministério das Relações Exteriores, do Ministério dos Portos e Aeroportos e de armadores internacionais para avaliar as consequências do bloqueio do Estreito de Ormuz no fluxo do produto. Na Pasta da Agricultura se debate também a eventual adoção de mecanismos financeiros de apoio à cadeia da proteína animal, como a ampliação de cobertura de seguro de crédito à exportação via ABGF/Seguro de Crédito à Exportação (SCE) e eventual flexibilização de garantias pelo BNDES Exim para operações com importadores da região. Há receio de que o conflito afete sistemas de pagamento, prazos e custo de financiamento das tradings locais.
Também está no radar a possibilidade de negociações sanitárias e comerciais aceleradas com mercados alternativos dentro do próprio bloco islâmico, para compensar eventual retração de compradores diretamente afetados pelo conflito. Seria uma forma de manter o fluxo para o chamado mercado halal sem depender exclusivamente dos países mais expostos às tensões militares. Um dos exemplos mais claros é a Indonésia, apontada pela própria indústria como “novo mundo” para a carne brasileira: em 2025, os embarques ao país cresceram 176% em volume e 145,5% em valor na comparação com 2024, segundo dados do ComexStat/MDIC. Trata-se da maior população muçulmana do planeta, com forte dependência de importações de proteína.
Em 2025, as exportações brasileiras de carne bovina para os países árabes somaram US$ 1,79 bilhão. Egito respondeu por US$ 375,35 milhões (+24,5%), Arábia Saudita por US$ 333,10 milhões (+29,9%) e Argélia por US$ 286,58 milhões (+40,5%). Esses três mercados formam hoje um tripé capaz de absorver volumes adicionais por meio de ajustes no mix de cortes, reforço de estoques e maior previsibilidade contratual. Além disso, entram no radar países como Malásia, Bangladesh e Paquistão, que combinam população numerosa, certificação halal estruturada e menor correlação geopolítica com o Golfo. No Norte da África, Marrocos surge como alternativa complementar, especialmente se houver avanços tarifários e sanitários. A lógica é clara: pulverizar risco e reduzir a dependência de rotas concentradas no Estreito de Ormuz, mantendo o fluxo halal ativo mesmo sob tensão regional.
De acordo com as discussões conduzidas pelo Ministério da Agricultura, a necessidade e a dosimetria das medidas de apoio dependerão basicamente de duas variáveis: a intensidade e a duração do conflito no Oriente Médio. Desde já, a preocupação do Ministério da Agricultura e dos players do setor é potencializada pelo timing. Por uma perversa coincidência, os ataques se multiplicam justamente no momento em que o Brasil vem empreendendo um esforço comercial para aumentar as vendas de carne bovina na região como forma de compensar o novo regime de cotas anunciado pela China. Ou seja: a guerra no Oriente Médio desponta como o baque dentro do baque, diante da já precificada queda dos embarques para o mercado chinês. Neste ano, a carne bovina brasileira terá direito, naquele país, a uma janela da ordem de 1,1 milhão de toneladas sem tarifa adicional. Significa um queda de 35% em relação aos embarques totais feitos em 2025, cerca de 1,7 milhão de toneladas. Como o novo sistema imposto por Pequim, o excedente às cotas está sujeito a uma sobretaxa de 55%.
Os números de 2025 ajudam a calibrar o tamanho do colchão disponível. Considerando os 22 países da Liga Árabe, as compras de carne bovina do Brasil somaram US$ 1,79 bilhão no ano, e os maiores destinos em valor foram Egito (US$ 375,35 milhões), Arábia Saudita (US$ 333,10 milhões) e Argélia (US$ 286,58 milhões). Embora Emirados e Catar apareçam com frequência como hubs comerciais e de redistribuição na região, o dado público mais consolidado para 2025, no recorte bovino, está concentrado nesses grandes compradores do bloco árabe — o que reforça porque Riad volta a ser prioridade sanitária e comercial no radar do governo e do setor privado.
BRK combina expansão agressiva com dúvidas sobre o futuro acionário
4/03/2026A BRK Ambiental, leia-se Brookfield, é apontada no setor como forte candidata ao leilão de saneamento em Goiás marcado para o próximo dia 25. Ao todo, serão licitadas três PPPs englobando um pacotão de 216 municípios, com investimento somado de R$ 6,3 bilhões. Ressalte-se que a BRK já atua no estado, sendo responsável pela operação de água e esgoto nas cidades de Aparecida de Goiânia, Trindade, Jataí e Rio Verde. A possível ampliação dos domínios em Goiás acrescenta mais uma curva aos ziguezagues da companhia. Não é de hoje que a Brookfield, dona de 70% do capital, ensaia reduzir ou até mesmo vender integralmente a sua participação no negócio. No fim do ano passado, a BRK protocolou na CVM um pedido de IPO, que prevê tanto uma oferta primária quanto secundária de ações. É a segunda tentativa de abertura de capital em pouco mais de três anos. Ainda assim, mesmo com as incertezas que pairam sobre a permanência ou não do gigante canadense, a BRK tem enfileirado novas concessões. Mais do que isso: vem protagonizando alguns dos principais bids do setor. No fim de 2025, por exemplo, em consórcio com a espanhola Acciona, arrematou o maior lote no leilão de saneamento de Pernambuco, assumindo a operação em Recife, Fernando de Noronha e outros 149 cidades, com a obrigatoriedade de R$ 15,4 bilhões em investimentos.
A face dupla do BTG no aumento de capital da Raízen
4/03/2026
Governo patina nas grandes ferrovias e avança em trilhos mais curtos
4/03/2026O governo Lula anda a passos de quelônio no setor ferroviário. Enquanto a repactuação de grandes contratos de concessão, casos de Carajás e da Vitória Minas, com a Vale, e da Ferrovia Centro-Atlântica, leia-se VLI, empacam, resta se contentar com operações menores. Ao menos um contrato ferroviário parece estar bem engatilhado para atualização antes do fim de sua outorga. A Ferrovia Tereza Cristina (FTC), concessionária que opera 164 km de malha no Sul de Santa Catarina, entrou na fase de audiência pública da ANTT sobre prorrogação antecipada do contrato de concessão, indicando que uma renovação está sendo preparada antes mesmo do vencimento formal do prazo original, previsto para 2027. A FTC é controlada por um bloco de acionistas privados que inclui Santa Lúcia Concessões Públicas Ltda., Administração e Empreendimentos Vasone Ltda. e Apply Comércio e Empreendimentos Ltda.