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Sanofi impõe trava trabalhista e complica venda da Medley
5/03/2026Há uma condicionante no processo de venda do laboratório Medley que está criando arestas nas negociações. Trata-se da exigência da francesa Sanofi de que o comprador mantenha os 850 funcionários da companhia por pelo menos um ano. A cláusula tem provocado resistência entre os interessados no ativo. Nos bastidores do processo, potenciais compradores argumentam que o dispositivo limita a possibilidade de capturar sinergias logo após a aquisição e reduz a flexibilidade para integrar a operação à estrutura já existente. O desconforto é especialmente visível no caso da EMS, principal fabricante de genéricos do país e um dos nomes apontados como candidato ao negócio. A empresa mantém uma grande planta industrial em Hortolândia, cidade vizinha a Campinas, onde fica a fábrica da Medley. Essa proximidade geográfica, que em princípio seria um trunfo logístico, também evidencia possíveis redundâncias administrativas, comerciais e operacionais que naturalmente seriam alvo de integração caso a compra se concretize. A obrigação de manter toda a força de trabalho por um período mínimo, dizem interlocutores do setor, atrasaria esse processo. São arestas que precisam ser aparadas até o dia 13, data estipulada pela Sanofi para receber as propostas pela Medley. Procurado pelo RR, o grupo francês informa que “está avaliando opções estratégicas para o negócio de genéricos Medley, com o objetivo de apoiar seu crescimento sustentável e sucesso de longo prazo. Desde o anúncio do processo de independência da Medley, em agosto de 2025, a companhia vem analisando oportunidades com potenciais parceiros estratégicos alinhados a essa visão”. Também consultada, a EMS não se manifestou.
Tupy vira campo de batalha entre minoritários e governo
5/03/2026A Tupy, uma das maiores indústrias de metalurgia da América Latina, se tornou uma frente de batalha entre investidores e, em última instância, o próprio governo. Segundo o RR apurou, a Charles River, dona de 6,7% do capital, está se articulando junto a outros acionistas, entre os quais dois grandes fundos de private equity, com o objetivo de confrontar o BNDESPar e a Previ, que detêm 57%. De acordo com a mesma fonte, a gestora pretende acionar a CVM com o objetivo de frear interferências diretas do governo na gestão da companhia. No mercado, há relatos de que os minoritários também discutem a possibilidade de entrar na Justiça, com base nos artigos 116 e 117 das Lei das S/A. O entendimento é que BNDESPar e Previ têm extrapolado limites do exercício regular do poder de controle, atuando de forma coordenada para impor decisões estratégicas e de governança. Mais do que isso: a Tupy teria virado um títere corporativo do governo.
Em contato com o RR, a Charles River confirmou que “novas medidas — como a eventual formação de bloco com outros acionistas minoritários ou ações no âmbito da CVM ou judicial — serão avaliadas caso a caso, à luz do mesmo princípio fiduciário e da busca de geração de valor para as companhias e para os nossos investidores”. A gestora disse ainda ao RR que “entende que seu dever fiduciário é atuar sempre no melhor interesse de seus investidores. Cabe lembrar que, nesse cabo de guerra com BNDESPar e Previ, a Charles River sofreu uma derrota recente. Na última assembleia geral de acionistas da Tupy, realizada na sexta-feira de Carnaval, os acionistas, leia-se o braço de participações do BNDES e o fundo de pensão, rejeitaram a proposta da gestora de incluir no estatuto da companhia “requisitos mínimos de elegibilidade” para administradores. Na prática, seria uma trava para restringir indicações políticas ao conselho de administração. Só que o cadeado foi arrancado pelos acionistas majoritários. A Tupy tem se revelado uma mini-Vale.
O paralelo se deve aos questionamentos dos acionistas à governança, ou talvez seja o caso de dizer “desgovernança”, da empresa. Os minoritários contestam as seguidas interferências do governo federal na companhia, notadamente na indicação de conselheiros. No último mês de dezembro, os acionistas aprovaram a nomeação dos ministros da Defesa, José Mucio, e da Controladoria Geral da União (CGU), Vicente Carvalho, para o Conselho de Administração, além do secretário-executivo da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Tiago Santos, para o Conselho Fiscal. Antes já tinham passado pelo board a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, e o então ministro da Previdência Social, Carlos Lupi.
Os atritos societários na Tupy ganharam intensidade no ano passado com a controversa troca de comando da companhia. Após quase uma década à frente da empresa — e mais de 30 anos de carreira dentro do grupo — Fernando Rizzo foi substituído por Rafael Lucchesi, então presidente do Conselho de Administração do BNDES. A mudança foi articulada pelos dois principais acionistas da metalúrgica, BNDESPar e Previ. A decisão surpreendeu o mercado e provocou reação imediata de investidores minoritários, que questionaram tanto o processo de escolha quanto o perfil do substituto. Sob a gestão de Rizzo, a Tupy havia conduzido uma estratégia de internacionalização e diversificação relevante, incluindo aquisições como a da operação de fundição da Teksid, da Stellantis, e da fabricante de motores MWM, movimentos que reposicionaram a empresa em direção à transição energética e ampliaram sua presença global.
Em tempo: enquanto os acionistas se digladiam, os resultados da Tupy têm apresentado alguns pequenos pontos de corrosão. Entre janeiro e setembro de 2025 – último balanço disponível -, a receita líquida ficou em R$ 7,5 bilhões, queda de 8% em relação a igual período no ano anterior. A empresa registrou ainda prejuízo de R$ 28 milhões, frente a um lucro de R$ 180 milhões nos nove primeiros meses de 2024. O Ebitda, por sua vez, caiu quase à metade – de R$ 926 milhões para R$ 498 milhões. São números que em nada ajudam a desanuviar o ambiente societário.
Disputa judicial à vista entre os Bertin e a Aneel
5/03/2026O contencioso entre a família Bertin e Aneel deverá ganhar mais voltagem. O Grupo Bertin avalia uma ofensiva judicial contra a recente decisão da agência reguladora de manter a revogação de 22 outorgas de térmicas arrematadas em 2008. A estratégia, segundo interlocutores do setor, passa por questionar a proporcionalidade das penalidades, buscar a suspensão da execução de garantias contratuais e discutir o alcance das multas recalculadas pela agência. Mais do que tentar reverter a perda das autorizações, o foco agora é limitar danos patrimoniais e evitar que o caso se converta em um passivo estrutural de longo prazo.
A aposta jurídica pode envolver pedidos de tutela de urgência para travar efeitos imediatos da decisão regulatória, além de recursos para reabrir a discussão sobre cronogramas, obrigações contratuais e critérios de penalização. Advogados ouvidos reservadamente avaliam que o grupo deve sustentar tese de desproporcionalidade e eventual desequilíbrio regulatório, argumentando que circunstâncias operacionais e conjunturais afetaram os prazos originais dos projetos.
O pano de fundo é a recente decisão tomada pela Aneel. A diretoria da agência, ao cumprir determinação judicial que exigia reavaliação do caso, manteve a caducidade das outorgas das usinas térmicas do grupo. Paralelamente, deliberou pelo recálculo das multas aplicadas, ajustando critérios de penalidade, mas sem afastar a sanção principal — a perda das autorizações de geração. Com isso, a agência reafirmou o entendimento de que houve descumprimento contratual relevante, com atrasos considerados incompatíveis com o interesse público e com a segurança do planejamento do sistema elétrico. A manutenção da cassação sinaliza rigor regulatório e reforça a mensagem de que cronogramas de implantação são cláusulas centrais, não acessórios negociáveis.
Fusão fracassada com GSI expõe desavenças entre acionistas da Kepler Weber
5/03/2026A frustrada tentativa de fusão entre a Kepler Weber e a norte-americana GSI não se deveu apenas a desavenças com a Grain & Protein Technologies (GPT), controladora desta última. O que se diz no mercado é que a operação teria esbarrado também em divergências entre os próprios acionistas da empresa brasileira, a família Heller e a Trígono Capital. Nos bastidores da negociação, a falta de sintonia entre os dois investidores teria se acentuado nas semanas finais do processo. Há informações de que a GPT defendia um desenho societário ainda mais profundo para a operação, que poderia culminar no fechamento de capital da Kepler Weber, com a sua saída do Novo Mercado. A Trígono Capital, dona de 15,3% da empresa, era aliada na viabilização da transação. A proposta, no entanto, encontrou resistência relevante entre os Heller, detentores de 11,5% do capital. No entendimento da família, que historicamente mantêm ligação com a trajetória da Kepler Weber, o fechamento de capital reduziria significativamente a liquidez do investimento e concentraria ainda mais o poder de decisão nas mãos do novo controlador. Agora, porém, essa discussão já é página virada, assim como a fusão com a GSI, que criaria um grupo com mais de 40% da estrutura privada de armazenamento de grãos do Brasil sob o seu guarda-chuva. Com o colapso das negociações, a questão que passa a ocupar o radar do mercado é outra: como será a convivência entre os Heller e a Trígono, que demonstraram visões distintas sobre o futuro da companhia.