Últimas Notícias
Uma limpeza racial na Faixa de Gaza
11/02/2025Como a Jordânia e o Egito recebem bilhões de dólares de assistência anualmente dos Estados Unidos, supostamente em troca das bases militares mantidas nesses países, Donald Trump os tem, como dizem os de lá, “by the balls” e exercerá ao máximo o que já chamei de diplomacia da chantagem. Difícil crer que seus dirigentes possam ceder diante da importância que os árabes dão historicamente à solução dos dois Estados, dos imensos problemas internos de cunho político, econômico e social que adviriam da absorção por ambos de dois e meio milhões de palestinos e pela resistência de seus próprios povos a tal imposição imperialista dos Estados Unidos. Porém a ameaça de suspensão total e imediata das “mesadas” pode ser um golpe mortal para esses dirigentes.
Teremos de ver se eles sustentam as negativas já feitas. No entanto, o que parece impensável é o uso das Forças Armadas dos Estados Unidos, certamente com o apoio das israelenses, para impor violentamente a saída de Gaza dessa imensa população composta por tantas mulheres e crianças. Na história moderna, isso só encontra paralelo no deslocamento de milhões de judeus pelos nazistas como parte do que as vítimas não sabiam ser uma solução final. O que Trump está proclamando, com o endosso alegre de “Bibi” Netanyahu e da ultradireita de Israel, é uma limpeza racial e o extermínio de um povo.
Mudanças à vista no capital da Belagrícola?
11/02/2025
Governo prepara “indulto natalino” para malfeitos em fundos de pensão
11/02/2025
Lula, exasperado, exige medidas efetivas para conter inflação dos alimentos
11/02/2025Lula quer uma saída para a inflação de alimentos que não sejam promessas em linguajar econômico e sem data para que os efeitos comecem a ser sentidos nos supermercados. Ontem, o presidente explodiu. A pressão sobre Fernando Haddad é grande. E para não variar tem o apoio adverso de sempre do ministro Chefe da Casa Civil, Rui Costa, para quem a popularidade do presidente é mais importante do que propostas de menor impacto macroeconômico, parafiscais, microeconômicas etc.
A saída mais fácil seria pelos subsídios aos alimentos direto nas gôndolas dos supermercados. Tenha ou não um maior impacto fiscal, o mercado vai crucificar Haddad de qualquer forma, dizendo que a iniciativa piora o orçamento e dificulta o equilíbrio das contas públicas. Aliás, tudo que não sejam propostas ortodoxas vai dificultar o equilíbrio das contas públicas.
Subsidiar diretamente os supermercados até já foi pensado por Paulo Guedes, mas representaria uma transferência de renda para um dos oligopólios do país.
Esperar o aumento da oferta em função da melhor safra e, portanto, a queda dos preços, é esperar Godot. Importar os produtos alimentares até poderia ser uma boa ideia. Mas, em um momento em que o país bate o recorde de queda do fluxo cambial, o saldo da balança comercial desaba e o governo está queimando reservas, trata-se de uma medida pouco prudencial.
Até porque o Boletim Focus de ontem jogou o câmbio em 2025 e 2026 para R$ 6,00. Conceder uma cesta de alimentos também merece aparos. Se isso for adotado agora, nunca mais governo nenhum conseguirá retirá-la, a exemplo do Bolsa Família. É um corner econômico danado e um incomodo político para o Palácio do Planalto que já está passando do limite.
É aguardar o que vai ser oferecido a Lula, porque esse não parece ser um daqueles problemas que se deixa escorrer pela mente ou simplesmente se esquece como prioridade – o que, aliás, é o que mais tem acontecido no atual governo.
Alta dos juros freia metas de expansão da C&A no Brasil
11/02/2025A escalada da taxa de juros está forçando a C&A a reconsiderar seus planos expansionistas no Brasil. A ousada meta de abrir até 100 lojas nos próximos anos – propalada aos quatro ventos pelo CEO, Paulo Correa – está “sub judice”. Até o momento, a rede varejista não teria batido o martelo sequer sobre o número de inaugurações programadas para 2025. O ciclo de alta da Selic traz incertezas para as quais o varejo ainda não tem resposta. O impacto das últimas elevações sobre o crédito e consequentemente sobre o consumo deverão começar a ser mais visíveis no segundo semestre. Todo o setor será atingido, mas, no caso da C&A, há uma particularidade: entre as varejistas de moda, a exemplo de Renner e Riachuelo, nenhuma outra empresa tem um projeto de ampliação da rede física dessa magnitude. Procurada pelo RR, a C&A não quis se manifestar.
Quem vai ficar com a PDG? Basta tirar R$ 17,5 milhões do bolso
11/02/2025A PDG está sendo vista no mercado como uma presa fácil para um take over. A incorporadora imobiliária tem um free float de mais de 99%, um prato cheio para uma tomada hostil. O papel virou pó – somente em 2024, a cotação caiu 97%. O market cap da companhia não passa de R$ 17,5 milhões. Ou seja: quem chegar leva. E o que se ouve nas mesas de operação é que existem investidores ativistas e fundos de distressed assets rondando a PDG. Pode até soar como um paradoxo, tratando-se de uma empresa que carrega um passivo de R$ 1,7 bilhão e soma prejuízo atrás de prejuízo – entre janeiro e setembro de 2024, as perdas passaram de R$ 410 milhões. Mas, entre tanto musgo, há um pérola. A PDG tem um landbank com valor geral de vendas em torno de R$ 3,3 bilhões. Aproximadamente 57% dessa cifra se referem a imóveis voltados a média e alta renda. Ou seja: a estratos menos suscetíveis a intempéries da economia.
Pecuaristas resistem a rastreamento e identificação do rebanho
11/02/2025Há pressões de grandes pecuaristas para que o governo reveja os prazos de implantação do Plano Nacional para Identificação de Bovinos e Búfalos. A data limite fixada é 2032, no entanto os produtores entendem que a meta é inexequível por conta do volume do rebanho brasileiro, mais de 235 milhões de cabeças, e a extensão territorial do país. Na conta do Ministério da Agricultura há ainda um terceiro fator que dificulta o processo: a resistência, para não dizer má vontade, de muitos pecuaristas. Basta dizer que o Sisbov (Serviço Brasileiro de Rastreabilidade da Cadeia Produtiva de Bovinos e Bubalinos), implantado em 2002, é considerado um grande fracasso. O governo está entre a cruz e a espada. Se, de um lado, há bolsões hostis à medida entre grandes proprietários de rebanho, do outro os maiores frigoríficos do país cobram maior rigor e fiscalização na implementação do Plano Nacional para Identificação de Bovinos e Búfalos. É na carne dessas empresas que doem os boicotes internacionais, notadamente da União Europeia, à compra de produtos derivados de gado em áreas de desmatamento.