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Súditos de baixo nível
26/05/2026Vamos analisar a semiótica (ciência que estuda como palavras, imagens, gestos, posições produzem significado além do que está explícito) dessa foto?
Existe um protocolo rígido no Oval Office americano. Chefes de Estado sentam de frente para o presidente. Ministros ficam nas cadeiras laterais. Quem fica de pé atrás é visita protocolar, sem peso político.
Trump não se levantou. O gesto de levantar é reservado para os iguais. Flávio não é um igual. A posição dos corpos fala muito. Trump centralizado, sentado, cotovelos apoiados na mesa mais famosa do mundo. Flávio em pé, deslocado para o canto, mãos postas na frente do corpo.
Em qualquer foto de poder, quem senta manda. Quem fica de pé atrás serve. É a linguagem visual que qualquer curso básico de comunicação política ensina no primeiro semestre. É constrangedor para quem sonha em ser presidente de um país.
O Oval Office é um palco calculado para projetar poder. Cada detalhe ali existe para isso.Flávio aparenta estar nesse palco como elemento decorativo, não como protagonista.
A foto não registrou uma reunião política. Registrou uma visita, que todos sabemos foi articulada às pressas para tentar salvar a candidatura de Flávio.
A imagem conta, com precisão técnica, o que o protocolo confirma: Trump recebeu mais um visitante. Flávio achou que era outra coisa, mas é apenas o fã que conseguiu entrar no camarim do seu ídolo. Sem dúvida, não sei levantou da cadeira, não deu aperto de mãos nem ao menos protocolar. Tratou como sufitos de vaixo nível. súditos de baixo nível
Mercadante sai do casulo e abre fogo contra as fintechs
26/05/2026O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, decidiu sair do ostracismo em que se meteu durante toda a gestão Lula. Primeiramente, prestou contas da sua atuação de fomento no BNDES, ressaltando que bateu recordes de empréstimos no banco – R$ 1 bilhão por dia em recursos liberados e uma carteira de crédito de R$ 664 bilhões. Em segundo, meteu-se em um curioso assunto que, aparentemente, não diz respeito a sua área de atuação: o firme combate às fintechs. Mercadante convocou um grupo de trabalho, do qual participarão o próprio BNDES, o BC, a Polícia Federal e o Ministério Público, além de representantes dos Ministérios da Justiça e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Dessas reuniões deverá sair um documento com sugestões para uma “política anti-fintechs” – seja lá o que isso queira dizer.
Mercadante entende que as fintechs se tornaram um problema estrutural, com tentáculos envolvendo todos esses segmentos. Elas influenciam as políticas monetária e de crédito, o crime, as atividades de empréstimo do banco de fomento e, finalmente, o comércio exterior, notadamente de bens eletroeletrônicos. O presidente do BNDES considera que as fintechs estão fazendo a ponte para que o Brasil se torno um novo México ou uma nova Colômbia. Não somente como corredor de drogas para o exterior, mas como intermediário em diversos setores, inclusive formas da economia.
Ao contrário do presidente do BC, Gabriel Galípolo, em sua audiência no Senado na última terça-feira, Mercadante depositou a culpa do enxame de fintechs no colo do ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto. Galípolo disse que seu antecessor tomou as providências possíveis à época, inclusive discutindo uma legislação com o sistema financeiro para coibir as instituições paralegais. Mercadante, não. Ele jogou a culpa da proliferação nas costas de Campos Neto e considera que há muito de investigar sobre o assunto. Afinal, a grande mudança do BC em relação às fintechs foi uma espécie de truque semântico: as fintechs não podem ter o nome “banco” ou “bank” na sua nomenclatura, senão serão passíveis de punição. É como se a grande parcela de seus clientes, concentrada nas classes C, D e E, fosse prestar atenção nessa pequena alteração. De qualquer forma, mesmo que não tenha nada a ver com isso, é bem-vinda a preocupação de Mercadante. As fintechs são a saúva do sistema financeiro e, pelo andar da carruagem, dentro em pouco serão o braço de crédito da população de baixa renda e da criminalidade.
Votorantim avança na Hypera e mira poder compartilhado com Junior
26/05/2026Os Ermírio de Moraes caminham a passos largos para se tornarem coprotagonistas no comando da Hypera, a empresa farmacêutica de João Alves de Queiroz Filho, o Junior. Segundo o RR apurou, a Votorantim voltou a comprar ações da companhia em bolsa. Em outro front, tem buscado também a aquisição de lotes maiores junto a minoritários. O grupo pretende elevar sua participação no capital da Hypera dos atuais 15,8% para algo em torno de 23,3%. O sarrafo, com a precisão da casa decimal, é cirúrgico. O alvo é atingir o equivalente a 90% da posição de Junior, fundador e dono da maior fatia societária da companhia, que detém 25,9%. Pelo acordo de acionistas, esse é o patamar que dará à Votorantim os mesmos poderes políticos do empresário, estabelecendo, assim, uma nova correlação de forças dentro da Hypera. Os Ermírio de Moraes passariam a ter três assentos no Conselho de Administração, a exemplo de Junior – hoje são dois representantes, Cláudio Ermírio de Moraes, vice-presidente do Conselho de Administração da Votorantim, e João Henrique Batista de Souza Schmidt, diretor-presidente da Votorantim. No entorno da Hypera, já se especula, inclusive, o redesenho do board, com a criação de duas copresidências, a serem ocupadas por indicados tanto de Junior quanto dos Ermírio de Moraes. Essa isonomia de poder se refletiria também na gestão executiva. Procurada pelo RR, a Hypera informou que “não comenta rumores e especulações do mercado”. A Votorantim, por sua vez, não se manifestou.
Antes que alguém pense se tratar de uma ofensiva indesejada, com o intuito de cindir o poder na Hypera, o avanço da Votorantim ocorre em um regime de conveniência recíproca. A relação entre os Ermírio de Moraes e João Alves de Queiroz Junior pode ser definida como uma espécie de mutualismo societário, em razão dos ganhos de parte a parte. Ao investir na Hypera, a Votorantim dá mais um passo no processo de diversificação de seus negócios – uma marca da quarta geração do clã Ermírio de Moraes, hoje à frente do conglomerado empresarial. O grupo enxerga no laboratório farmacêutico a possibilidade de fincar bandeira em um setor com margens altas, demanda resiliente, favorecida pelo envelhecimento da população, e menos suscetível a arritmias no consumo. Do seu lado, Junior vê nos Ermírio de Moraes uma muralha para se proteger contra novas tentativas de tomada de controle. Em 2024, a EMS, de Carlos Sanchez, apresentou à Hypera uma oferta hostil para uma troca de ações entre os dois grupos, na prática um takeover em pele de M&A. Ainda que barrada por Junior e outros acionistas, a investida revelou uma vulnerabilidade da empresa a “invasões bárbaras”. Com os Ermírio de Moraes, o fundador da Hypera acredita ter passado uma tranca na porta. Ainda que, para isso, seja obrigada a dividir a casa com um novo proprietário. Na prática, é uma reorganização silenciosa de poder. A Votorantim ganha os anéis. Júnior tenta preservar os dedos.
Claro desponta entre os concorrentes à compra da Oi Soluções
26/05/2026Das quatro empresas na disputa pela compra da Oi Soluções, a Claro é apontada no mercado como aquela que deve ir com mais sede ao pote. Há alguns fatores que justificariam uma oferta mais agressiva da empresa controlada por Carlos Slim na comparação com os demais competidores, Vivo, TIM e Sercomtel. A leitura é que a aquisição conversa diretamente com o movimento que a Claro vem fazendo nos últimos anos no segmento corporativo. Recentemente, anunciou investimentos de R$ 1 bilhão justamente em infraestrutura de cloud e soluções empresariais. Antes, já havia reforçado a marca Claro Empresas e passou a acelerar a integração entre telefonia fixa, móvel, internet, cloud e serviços digitais para o mercado corporativo. Há ainda uma sinergia estrutural difícil de ignorar. A Claro herdou da Embratel um DNA historicamente voltado ao mercado corporativo, com forte atuação em redes, longa distância, dados, satélite e serviços empresariais. Para muitos analistas, a Oi Soluções se encaixa quase naturalmente nessa arquitetura.
A abertura das propostas para a compra da Oi Soluções está marcado para 17 de junho. O preço mínimo fixado para o leilão é de R$ 1,4 bilhão. É mais um capítulo do eterno desmonte da Oi, que passa pela sua segunda recuperação judicial. A Oi Soluções reúne justamente a parte mais “vendável” do que restou da operadora: serviços de dados, internet e soluções integradas de TI para grandes e médias empresas.
Depois da idwall, Serasa mira novos ativos contra fraudes digitais
26/05/2026A compra da idwall – um deal de R$ 450 milhões fechado no início deste mês – está longe de saciar o apetite da Serasa Experian. A empresa garimpa ativos em segmentos complementares à prevenção de fraudes. Segundo informações de mercado, há uma startup de biometria comportamental e device intelligence no radar da Serasa. A tese de investimento é reforçar a camada de autenticação contínua, indo além da checagem cadastral tradicional. A empresa estaria também prospectando possibilidades de aquisição no segmento de cibersegurança aplicada a transações financeiras, open finance e Pix, especialmente diante da escalada de contas laranja, golpes digitais e fraudes em tempo real. O objetivo da Serasa é consolidar sua posição como hub de verificação de identidade e proteção antifraude, concentrando desde análise de crédito até autenticação biométrica e monitoramento de transações suspeitas. A ofensiva expansionista da empresa acompanha o crescimento do “mercado” das fraudes no país. Segundo levantamento da própria Serasa, o Brasil registrou em 2025 cerca de 14 milhões de tentativas de golpes digitais, alta de 21% sobre o ano anterior. Significa dizer que, a cada 2,2 segundos, um criminoso está tentando passar a perna em alguém.
Minerais críticos expõem fragilidade do governo no Congresso
26/05/2026Mais um sintoma da fragilidade política do governo junto ao Congresso: o Palácio do Planalto decidiu abrir mão da disputa pela relatoria do Projeto de Lei 2.780/2024, que estabelece o marco legal dos minerais críticos. Mesmo tratando-se de um tema dos mais sensíveis, que está no centro da mesa de negociações com a Casa Branca, a articulação política do governo recuou para evitar mais uma derrota no Senado. Entre os candidatos à relatoria do PL, há um único nome mais próximo do Planalto, o do senador Eduardo Braga (MDB-AM). No entanto, sua eventual escolha estará longe de poder ser contabilizada como uma articulação do governo. Outros candidatos citados no Senado são Nelsinho Trad (PSD-MS), Wilder Morais (PL-GO) e Esperidião Amin (PP-SC). Sem a relatoria, restará ao governo trabalhar por um prêmio de consolação: obter a aprovação no Senado sem alterações em relação ao texto já aprovado na Câmara, evitando, assim, que o PL tenha de passar por nova votação entre os deputados.