Arquivo Notícias - Página 19 de 1962 - Relatório Reservado

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As várias disputas em torno do espólio de João Carlos Di Gênio

31/03/2026
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A operação policial deflagrada nesta terça-feira, para apurar uma tentativa de fraude de R$ 900 milhões contra o espólio de João Carlos Di Genio, joga luz sobre uma das maiores batalhas sucessórias do país. A disputa em torno da herança do empresário, que inclui duas das mais tradicionais marcas da área de educação – a Unip e o Colégio Objetivo -, é quase novelesca, dado o sem fim de tramas cruzadas. A linha sucessória formal envolve a viúva, Sandra Miessa Di Genio, com quem o empresário teve três filhos. Passa pelo sobrinho do empresário, Fernando Di Genio Barbosa, que também buscou participação na herança, mas acabou sendo afastado judicialmente após questionamentos liderados pela viúva. E ainda há um forasteiro: Bruno Augusto de Mello Pará, que tenta ser reconhecido como filho de Di Gênio – o exame de DNA já provou que Pará não é filho biológico do fundador do Grupo Objetivo. O patrimônio deixado pelo empresário é estimado em cifras que podem chegar a R$ 100 bilhões, considerando ativos no Brasil e no exterior — incluindo universidades, colégios, rádios, imóveis e fazendas. E a “disputa” pelos ativos de Di Gênio não fica restrita a herdeiros e supostos postulantes: o mercado também duela pelo espólio do empresário. A Unip, com mais de 240 mil alunos, é uma das joias mais cobiçadas do setor educacional brasileiro. Grandes grupos privados enxergam na eventual reorganização do espólio Di Gênio de uma oportunidade de acesso a um ativo de escala nacional, com forte geração de caixa e base consolidada de alunos. No mercado, Chaim Zaher, fundador do Grupo SEB e maior acionista da Yduqs, é apontado como o pretendente no 1 à compra da universidade.

#Colégio Objetivo #João Carlos Di Gênio #Unip

TCU põe em xeque concessões de infraestrutura em parceria entre União e estados

31/03/2026
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Os investimentos em infraestrutura no Brasil estão batendo em mais um muro, desta vez erguido pelo TCU. A proibição a novos aportes da União na construção do túnel Santos-Guarujá, imposta pela Corte no último dia 18, lança incertezas que vão muito além do empreendimento no litoral paulista. A determinação do Tribunal de Contas cria um risco jurisdicional que se estende a outras concessões com modelagem similar, ou seja, PPPs estruturadas em cima de financiamento público compartilhado entre o governo federal e estados. Um dos projetos na linha de tiro é a licitação do metrô de Recife, em fase de consulta pública no BNDES desde fevereiro. O modelo prevê a transferência de ativos da CBTU ao estado de Pernambuco e a posterior concessão por 30 anos, com um pacote de investimentos da ordem de R$ 4 bilhões. Outro empreendimento que pode vir a ser afetado é a concessão da Trensurb, que opera o sistema de trens urbanos de Porto Alegre. A proposta em estudo também envolve aportes conjuntos do governo gaúcho e da União, além da transferência de ativos federais. O investimento estimado na esteira da desestatização é da ordem de R$ 3,5 bilhões. No limite, a resolução do TCU ameaça também empreendimentos no âmbito do Novo PAC que preveem aportes públicos divididos entre Brasília e entes subnacionais. Só na área de mobilidade urbana, os projetos com essa roupagem totalizam quase R$ 10 bilhões.  

O Ministério dos Portos e Aeroportos e o governo paulista tentam, nos bastidores, convencer o TCU a recuar nas restrições impostas ao modelo de construção do túnel Santos-Guarujá. Segundo informações filtradas pelo RR, o próprio Tarcísio de Freitas tem feito diretamente gestões junto à Corte. Trata-se de um dos maiores projetos já licitados no seu governo – o investimento previsto é de quase R$ 7 bilhões. De maneira emergencial, o estado remanejou às pressas R$ 2,6 bilhões. É um hedge, até para garantir os pagamentos e o cronograma das obras. Mas Tarcísio ainda tenta evitar que essa conta caia definitivamente nos cofres do estado, o que alteraria consideravelmente o project finance. De toda a forma, não é apenas o orçamento que está em jogo. Qualquer solavanco no empreendimento terá, inevitavelmente, um custo político para Tarcísio em meio a uma campanha de reeleição – muitíssimo bem encaminhada, por sinal.

Como quase tudo que diz respeito ao setor de infraestrutura no Brasil, o caso é intrincado. O TCU enumera uma série de razões para fundamentar a proibição ao repasse federal de aproximadamente R$ 2,6 bilhões para as obras do túnel ao menos até nova deliberação. No entendimento da Corte, há uma grave deficiência na arquitetura jurídica e de governança do aporte federal. Na visão dos ministros, a Autoridade Portuária de Santos, que responde por metade da contrapartida pública da PPP, não pode ser compelida a transferir recursos sem que exista um instrumento formal, assinado pelas partes, definindo cronograma, marcos de controle, regras de fiscalização e prestação de contas. Foi justamente essa ausência que levou o relator, ministro Bruno Dantas, a afirmar que o repasse, nos moldes atuais, cria risco de dano ao erário e de perda de controle sobre a aplicação dos recursos da União.  O tribunal também ancorou sua decisão em falhas já apontadas no acompanhamento do projeto: fragilidades na matriz de riscos, na governança interfederativa e nas regras de titularidade e reversão do ativo. A APS tem até 18 de abril para apresentar um instrumento formal de governança que regule a participação da União e seja capaz de convencer o TCU a liberar os aportes e consequentemente manter a parceria entre os governos federal e de São Paulo. Dessa decisão, depende não apenas a ligação subaquática entre Santos e Guarujá, mas outros projetos de infraestrutura semelhantes.

#TCU

Raízen encontra resistências à conversão de dívida em ações

31/03/2026
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A julgar por uma primeira rodada de tratativas com os principais credores, os acionistas da Raízen terão de subir uma ladeira íngreme em seu processo de recuperação extrajudicial. Os detentores de títulos de dívida da companhia têm manifestado forte objeção às condições apresentadas pela companhia. A portas fechadas, classificam a proposta de conversão de ao menos 45% do passivo em participação acionária de um haircut travestido de reestruturação de capital. Do outro lado da mesa estão bancos como Santander, Itaú, JP Morgan, Rabobank e BNP Paribas, entre outros. O passivo total em renegociação é de R$ 65 bilhões. A eventual conversão de 45%, por exemplo, representaria a transformação de aproximadamente R$ 30 bilhões de debt em equity. A reação contrária tem razões objetivas. Para esses investidores, a proposta altera de forma abrupta a natureza do risco originalmente contratado. Títulos de crédito — com fluxo definido, prioridade de pagamento e proteção jurídica — seriam convertidos em ações de uma companhia que enfrenta deterioração operacional e elevada incerteza sobre geração de caixa. Em outras palavras, os credores seriam empurrados para uma posição subordinada, sem garantias equivalentes e expostos à volatilidade de mercado.

Outro ponto sensível é a precificação implícita da conversão. Interlocutores próximos às negociações afirmam que o valuation embutido na proposta não reflete adequadamente o risco atual da companhia. Ao aceitar a troca, os investidores cristalizariam perdas relevantes em um momento em que ainda enxergam espaço para negociação de melhores termos — seja via alongamento de prazos, reforço de garantias ou ajustes no percentual de conversão. Ou seja: os controladores da Raízen, Cosan e Shell, ainda têm muita ladeira para escalar.

#Raízen

A virada da São Carlos: menos prédios e mais capital

31/03/2026
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A São Carlos Empreendimentos, o braço de real estate de Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira, está passando por uma espécie de refundação estratégica. A venda de R$ 735 milhões em prédios de escritórios em São Paulo e no Rio não é apenas uma reciclagem de portfólio, mas uma mudança profunda no modelo de negócio. O movimento indica uma transição do modelo clássico de proprietário para uma lógica mais próxima à de gestor de ativos. Ao manter vínculo com os imóveis via fundos e serviços de gestão, a São Carlos troca a previsibilidade do aluguel pela flexibilidade do capital. É uma aposta em liquidez e eficiência, ainda que ao custo de abrir mão de controle direto sobre o portfólio. Não se pode ter tudo, mesmo tratando-se de Lemann, Telles e Sicupira. Por trás da operação, há também uma leitura implícita sobre o mercado de escritórios. A venda com desconto relevante em relação ao valor patrimonial sugere que o preço contábil pode não refletir plenamente as condições reais de demanda e liquidez do segmento. Nesse contexto, antecipar a saída — mesmo com haircut — pode ser visto como decisão racional.

O movimento ocorre em um contexto em que a própria São Carlos já vinha reduzindo sua exposição direta a imóveis: a companhia encerrou 2024 com um portfólio avaliado em cerca de R$ 4 bilhões, com taxa de vacância ainda pressionada em determinados ativos corporativos e receita líquida impactada pela renegociação de contratos. No mercado, os indicadores reforçam essa leitura. Em São Paulo, a vacância de escritórios de alto padrão (classe A/A+) gira em torno de 18% a 20%, enquanto no Rio de Janeiro esse índice segue ainda mais elevado, frequentemente acima de 25%. Ao mesmo tempo, o ritmo de absorção líquida tem sido irregular, refletindo mudanças estruturais na demanda, como o avanço do trabalho híbrido.

#São Carlos Empreendimentos

Caiado tem um gostinho do “Gabinete do ódio III, a missão”

31/03/2026
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O “gabinete do ódio” versão 3.0 já está esquentando as baterias para a eleição deste ano. Ontem, poucas horas após o anúncio da pré-candidatura de Ronaldo Caiado à Presidência da República, a área de comunicação digital do PSD identificou uma ofensiva contra o governador de Goiás. Mensagens praticamente uníssonas começaram a se espalhar por redes sociais, grupos de WhatsApp e canais de Telegram. Em tom de ironia, milhares de usuários passaram a apostar quanto tempo Caiado levará para desistir da corrida eleitoral. A maior parte dos comentários fazia menção à efêmera passagem de Ratinho Jr., também do PSD, pela disputa eleitoral. A repetição da narrativa e a padronização dos argumentos chamaram atenção: tudo leva a crer que houve método e coreografia por trás da profusão de postagens. Acontecerá com Caiado e com qualquer outro candidato que entre em cena para dividir votos no campo da direita, ao menos no primeiro turno.

#Ronaldo Caiado

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