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União Europeia ganha peso estratégico para exportações brasileiras

25/05/2026
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As relações econômicas entre Brasil, Portugal e Espanha atravessam uma das fases mais dinâmicas das últimas décadas. Levantamento próprio, com base nos dados abertos do sistema ComexStat/SECEX-MDIC, atualizados em maio de 2026, mostra que o comércio bilateral entre o Brasil e a Península Ibérica manteve trajetória estrutural de crescimento entre 2020 e 2026, impulsionado pela recuperação pós-pandemia, pela expansão das exportações energéticas brasileiras, pelo fortalecimento da integração aeronáutica e pela crescente presença empresarial brasileira na União Europeia.

Os números mais recentes indicam que, mantido o ritmo observado no primeiro quadrimestre, 2026 pode encerrar com um dos maiores patamares da série histórica. Mais do que crescimento absoluto, chama atenção a mudança qualitativa da relação econômica. Portugal e Espanha passaram a funcionar cada vez mais como plataformas europeias de integração logística, regulatória, tecnológica e industrial para empresas brasileiras.

 

Tabela 1 — Comércio bilateral Brasil–Portugal

Janeiro–abril de cada ano — US$ bilhões FOB

Ano Exportações brasileiras para Portugal Importações brasileiras de Portugal Corrente de comércio Variação anual
2020 0,74 0,24 0,98
2021 0,86 0,29 1,15 +17,3%
2022 1,01 0,34 1,35 +17,4%
2023 1,09 0,39 1,48 +9,6%
2024 1,12 0,41 1,53 +3,4%
2025 1,09 0,41 1,50 -2,0%
2026* 1,18 0,44 1,62 +8,0%

* Dados acumulados janeiro–abril de 2026.

Fonte: elaboração própria com base no sistema oficial ComexStat/SECEX-MDIC.

 

2026 pode registrar o maior fluxo comercial pós-pandemia

Mantido o ritmo observado no primeiro quadrimestre, a corrente comercial bilateral poderá superar US$ 4,8 bilhões em 2026.  Importante destacar que o desempenho final dependerá da evolução do mercado energético internacional, do câmbio e do comportamento das exportações brasileiras no segundo semestre.

 

Tabela 2 — Projeção anual Brasil–Portugal 2026

Indicador Projeção 2026
Exportações brasileiras para Portugal ~US$ 3,5 bilhões
Importações brasileiras de Portugal ~US$ 1,3 bilhão
Corrente de comércio projetada ~US$ 4,8 bilhões

 

Metodologia

  • extrapolação proporcional baseada no fluxo janeiro–abril;
  • ajuste pela sazonalidade média observada entre 2020–2025;
  • ponderação do comportamento histórico do segundo semestre.

 

Espanha aumenta relevância no comércio brasileiro

Embora Portugal mantenha relação histórica mais profunda com o Brasil, a Espanha possui participação comercial significativamente superior à de Portugal no comércio exterior brasileiro. Segundo os dados do MDIC/SECEX, a Espanha opera como: mercado consumidor industrial; plataforma logística mediterrânea; centro financeiro europeu; polo energético; e destino crescente de exportações brasileiras de maior valor agregado.

 

 Tabela 3 — Comparação econômica Brasil–Portugal x Brasil–Espanha (2026)

Indicador Portugal Espanha
Perfil dominante Energia + serviços + aeronáutica Indústria + energia + alimentos
Papel logístico Atlântico Mediterrâneo
Integração aeronáutica Elevada (OGMA/Embraer) Relação comercial aeronáutica menos integrada
Comunidade brasileira Muito elevada proporcionalmente Crescimento acelerado
Relação histórica Muito forte Crescente
Papel na UE Porta atlântica Grande economia industrial

 

O novo mapa das exportações para a UE

A União Europeia voltou a ampliar sua relevância para o comércio exterior brasileiro após a pandemia. O bloco europeu continua entre os principais destinos das exportações brasileiras de: petróleo; minério; celulose; alimentos; produtos agrícolas; e aeronaves. Mas ocorre uma mudança importante: cresce também a presença brasileira em: serviços; tecnologia; defesa; logística; e internacionalização empresarial. Portugal e Espanha passaram a funcionar como plataformas complementares dentro desse processo.

Dados do ComexStat/SECEX-MDIC e levantamentos da FazComex mostram que as exportações brasileiras para Portugal permanecem fortemente concentradas em: combustíveis minerais; petróleo bruto; matérias-primas industriais; celulose; produtos agrícolas; e produtos metálicos.

Portugal atua simultaneamente como: mercado consumidor; funciona como ponto relevante de processamento energético e redistribuição logística no Atlântico europeu.

 

Aviação e defesa transformam relação Brasil–Portugal

O principal símbolo da transformação qualitativa da relação econômica bilateral é a integração industrial entre a Embraer e a OGMA (empresa portuguesa da qual participam Embraer e o Estado português e que se consolidou-se como peça estratégica da presença industrial brasileira na Europa).

A versão do Super Tucano para a OTAN tornou-se um dos projetos mais relevantes da expansão europeia da Embraer. Em dezembro de 2024, Portugal anunciou a aquisição do A-29N Super Tucano. Segundo a Embraer, a aeronave incorpora: interoperabilidade multinacional; novos sistemas de comunicação; e adaptação aos padrões operacionais da NATO.

Analistas do setor apontam que: a expansão do KC-390; o fortalecimento do programa A-29N; e a integração crescente com a OGMA podem transformar 2026 em um dos anos mais relevantes da cooperação aeroespacial luso-brasileira.

 

Península Ibérica: pesos e medidas

Portugal tornou-se relevante para o Brasil como porta de entrada regulatória da União Europeia; parceiro aeronáutico; hub de serviços; centro de internacionalização; e plataforma de expansão empresarial. A Espanha, por sua vez, apresenta vantagens distintas: mercado interno maior; economia industrial mais robusta; forte infraestrutura logística; conexão com América Latina; e crescimento acelerado da comunidade brasileira. Madri, Barcelona, Málaga e Valência passaram a atrair: startups brasileiras; empresas tecnológicas; profissionais qualificados; estudantes; e investidores imobiliários.

Os dados sugerem a formação de um corredor econômico transatlântico cada vez mais estruturado entre Brasil, Portugal, Espanha e União Europeia.

Esse processo é impulsionado por: migração qualificada; internacionalização empresarial; investimentos; logística; educação; turismo; e integração tecnológica.

A próxima década deverá mostrar se Portugal e Espanha consolidarão definitivamente posição como principais plataformas brasileiras dentro do mercado europeu.

 

Fontes utilizadas

  • ComexStat / SECEX / MDIC
  • Balança Comercial Brasileira – MDIC
  • Estatísticas de Comércio Exterior – Gov.br
  • FazComex – Exportações para Portugal
  • AICEP Portugal Global
  • Embraer
  • OGMA

Oncoclínicas entre a UTI financeira e a guerra societária

25/05/2026
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A Oncoclínicas é um enfermo em disputa sobre a mesa de cirurgia. Como se não bastassem as graves sequelas financeiras deixadas pelo Banco Master, a empresa está no centro de uma batalha societária. Corre no mercado que a Mak Capital voltou a comprar ações da Oncoclínicas na Bolsa. Já teria ultrapassado os 7% de participação no capital. A investida é um sinal de que os norte-americanos decidiram aumentar a aposta no embate societário com o Lumen Fundo de Investimento Financeiro Multimercado Crédito, de Arnoldo Wald Filho e Alexandre Wald, sob administração da Exa Capital. Em uma guinada até certo ponto surpreendente, o Lumen, detentor de 5% de participação, desbancou a Mak na última assembleia geral extraordinária, no fim de abril, elegendo três representantes para o Conselho da Oncoclínicas. Com isso, alcançou o mesmo número de integrantes da Mak, que esperava conquistar a maioria dos assentos do board, mas conseguiu apenas passar de dois para três conselheiros – ao todo, são sete cadeiras. Era a condição imposta pelos norte-americanos para liberar uma linha de crédito de até R$ 150 milhões à rede de clínicas oncológicas, que atravessa uma delicada situação financeira. A eleição redesenhou o mapa de poder da Oncoclínicas. Nesse contexto, a aquisição de ações sugere que a Mak pretende aumentar sua munição societária para voltar à carga, seja em nova rodada de pressão sobre o conselho, seja em eventual disputa futura por influência na companhia. Procuradas pelo RR, Oncoclínicas e Exa Capital não quiseram comentar o assunto. Também consultada, a Mak Capital não retornou.

Nesse contexto belicoso, há ainda a Latache, que desponta como uma espécie de tertius da disputa societária da Oncoclínicas. Dona de 14,6% da empresa de medicina, a gestora trava outro duelo, com a também norte-americana Centaurus, dona de 18,3% do capital. A Latache exige que a casa de investimentos texana lance uma OPA, alegando que ela descumpriu a pílula de veneno prevista no estatuto da Oncoclínicas, de 15%. Diante da gravidade da situação da Oncoclínicas, o que os fundos de investimento disputam? Mesmo com as suas moléstias financeiras, a empresa continua sendo um ativo de relevância no setor de saúde. A companhia reúne uma rede de aproximadamente 140 clínicas e unidades de atendimento e fatura mais de R$ 5 bilhões por ano, mantendo posição estratégica em um dos segmentos mais resilientes da medicina privada. No caso de uma reestruturação bem-sucedida – a “medicina financeira” evoluiu muito -, estar mais bem posicionado no capital e no conselho significará capturar a recuperação de valor da empresa.

Há muitas facetas na crise da Oncoclínicas. Em meio à contenda entre os investidores, o management da empresa se movimenta em busca de uma solução que eventualmente passe ao largo dos atuais acionistas. A companhia negocia uma capitalização de pelo menos R$ 500 milhões com três interessados, como parte do plano para protocolar uma recuperação extrajudicial – segundo informou o Pipeline, do Valor Econômico, na última quinta-feira. A operação está sendo estruturada pelo BR Partners. Dinheiro novo é apenas uma parte da equação. O plano prevê ainda alongamento e desconto no valor da dívida, com haircut ainda em discussão com os credores. A Oncoclínicas carrega um passivo de R$ 3,2 bilhões, dos quais R$ 1,5 bilhão em CRIs pulverizados. A régua do mercado é dura: uma estrutura minimamente equilibrada precisaria reduzir a dívida em pelo menos R$ 1,5 bilhão. Ou seja, a disputa societária se mistura agora à disputa pela caneta da reestruturação — quem aporta, quem aceita perder, quem dilui e quem fica de pé quando a cirurgia terminar.

A Oncoclínicas é um exemplo corporativo da devastação deixada pelo Banco Master. Em 2024, o banco surgiu como uma espécie de âncora de salvação da companhia ao liderar um aumento de capital de R$ 1,5 bilhão. O medicamento foi pior do que a doença. Parte relevante desses recursos foi aplicada em CDBs emitidos pelo próprio Master. Com o colapso da instituição financeira, a rede de clínicas oncológicas viu aproximadamente R$ 478 milhões ficarem travados nesses papéis, obrigando a empresa a reconhecer perdas e provisões bilionárias. O episódio atingiu em cheio a liquidez da Oncoclínicas justamente no momento em que o grupo já enfrentava forte pressão de endividamento, dificuldades para geração de caixa e necessidade urgente de refinanciamento. O efeito foi devastador: deterioração adicional do balanço, aumento da desconfiança do mercado e intensificação da disputa societária em torno do futuro da companhia.

A situação da Oncoclínicas se deteriorou a tal ponto que a própria auditoria independente coloca em dúvida a sobrevivência da rede de clínicas. No balanço do primeiro trimestre, a PwC alertou sobre “incerteza relevante” em relação à continuidade operacional da companhia. O parecer chama atenção para o capital circulante negativo de R$ 2,3 bilhões, decorrente sobretudo do descumprimento de índices financeiros previstos em contratos de empréstimos, financiamentos e debêntures. Com a quebra dos covenants — a alavancagem chegou a 4,27 vezes dívida líquida/Ebitda, acima do limite contratual de 3,5 vezes — uma parcela significativa das dívidas foi reclassificada para o curto prazo, aumentando dramaticamente a pressão sobre o caixa da empresa.

#Oncoclínicas

Gigante chinesa dos suínos prepara sua entrada no Brasil

25/05/2026
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A Muyuan Foods, uma das maiores produtoras de suínos da China, iniciou estudos para operar no Brasil. Segundo o RR apurou, a empresa tem mantido conversações com os governos do Mato Grosso e de Goiás, dois estados estratégicos pela oferta de milho e de soja. Executivos chineses estiveram recentemente na cidade de Lucas do Rio Verde (MT). A Muyuan já compra grãos no Brasil. Agora, o projeto em análise é bem mais ambicioso: prevê uma operação verticalizada na cadeia da suinocultura, com criação, ração, abate e processamento de carne suína. A dinâmica industrial da companhia envolve genética, reprodução, engorda, fábrica de ração, biossegurança, abate, processamento e logística. Fundada em 1992 em Nanyang, na província de Henan, a Muyuan tornou-se uma companhia global. Em 2025, vendeu cerca de 78 milhões de suínos comerciais, com receita superior a US$ 18,5 bilhões. Em fevereiro, levantou US$ 1,4 bilhão com sua abertura de capital na Bolsa de Hong Kong.

Os planos de ingresso no Brasil ocorrem em um momento de pressão sobre o mercado chinês. A China enfrenta excesso de oferta de carne suína, margens comprimidas e consumo doméstico mais fraco, cenário que levou autoridades a pedir que grandes produtores reduzissem produção. Para a Muyuan, investir fora do país pode cumprir vários objetivos ao mesmo tempo: diversificar base produtiva, acessar grãos competitivos, reduzir exposição ao ciclo doméstico chinês, aproximar-se de uma origem relevante de proteína e construir uma plataforma de exportação. Ou seja: o investimento no Brasil é movido por uma lógica de arbitragem da cadeia. Em vez de apenas importar milho e soja, a empresa pretende transformar esses grãos em proteína animal no próprio Brasil, capturando mais valor localmente e criando uma operação com potencial de exportação, sobretudo para a Ásia.

#Muyuan Foods

Lamacchia, o investidor que todos os clubes querem, mas poucos conhecem

25/05/2026
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Em negociações avançadas para comprar a SAF do Vasco, Marcos Lamacchia tornou-se dono do cheque mais assediado do futebol brasileiro. Além de Botafogo e Fluminense, que o procuraram nos últimos meses, Santos e Santa Cruz também fizeram sondagens junto a Lamacchia. Paulistas e pernambucanos estão na fase de garimpar investidores para as suas respectivas Sociedades Anônimas do Futebol. O clube paulista ainda joga o primeiro tempo do projeto: sequer concluiu a aprovação de seu novo estatuto, condição sine qua non para a criação da SAF. O Santa Cruz, por sua vez, estava em negociações avançadas para a venda de 90% da SAF ao consórcio Cobra Coral Participações. No entanto, as tratativas foram encerradas. Não é difícil supor por que: um dos investidores era Marcio Cadar, ligado à Reag Investimentos. Tanto no caso do Santos quanto no do Santa Cruz, os milhões de Lamacchia viriam a calhar. Milhões estes potencializados por uma invejável genealogia. Marcos Lamacchia é filho de José Roberto Lamacchia, dono da Crefisa, e de Junia Faria, uma das herdeiras de Aloysio Faria, fundador do Banco Real. Seu avô, um dos mais míticos banqueiros do país, figurou, por boa parte da vida, entre as 20 maiores fortunas do Brasil.

Em tempo: curiosamente, para além da sua linhagem, não há muita clareza sobre os negócios próprios de Marcos Lamacchia. Não se tem notícia, por exemplo, de investimentos anteriores que tenham sido conduzidos por ele. E isso não é força de expressão. Pesquisa realizada pelo RR junto aos 40 maiores veículos jornalísticos do país não apontou uma única menção a ele ou a sua gestora, a Blue Star, ao longo da última década. Nos bastidores do futebol, a falta de disclosure sobre investimentos pregressos de Lamacchia tem alimentado ilações de que ele estaria comprando a SAF do Vasco não exatamente como uma iniciativa própria, mas como front de seu pai e de sua madrasta, Leila Pereira, presidente do Palmeiras. A ver.

#futebol

Bancada ruralista pressiona governo por adubo financeiro para o milho

25/05/2026
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Às vésperas do Plano Safra 2026/27, a Frente Parlamentar da Agropecuária já cobra do governo um reforço específico para os produtores de milho, sobretudo via bancos públicos. Na lista entram renegociação de dívidas, crédito novo, fundo garantidor e juros subsidiados. O elevado endividamento virou o gargalo central da próxima safra. A Abramilho estima que a colheita poderá cair dos 140 milhões de toneladas no ciclo 2025/26 para cerca de 130 milhões. Produtores endividados, com garantias já presas em renegociações anteriores, não estão conseguindo tomar crédito novo. O resultado é que há uma queda nas encomendas de adubo, defensivos e tecnologia – a redução no uso de recursos tecnológica já beira 30%, de acordo com dados da entidade. A crise vem também dos insumos. O custo da ureia, fertilizante-chave para o milho, disparou com a guerra no Irã, e os fosfatados também pressionam a conta. Áreas de solo arenoso, que exigem mais adubo, podem simplesmente ficar fora do plantio.

#Milho

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