Arquivo Notícias - Página 18 de 1971 - Relatório Reservado

Últimas Notícias

Rosas e serpentes são lançadas sobre a área econômica do governo

27/05/2026
  • Share

Se existe um profissional do staff da área econômica que caiu nas graças de Lula, ele se chama Gabriel Galípolo. O presidente do BC não pertence ao grupo palaciano, mas tem sido mais ouvido por Lula do que os seus satélites no Planalto. São muitos os telefonemas. Na semana passada, o presidente assistiu, ao vivo, à boa parte do depoimento de Galípolo na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), presidida pelo senador Renan Calheiros, demonstrando entusiástica aprovação. Na visão do presidente da República, Galípolo enfrentou um Renan com faca entre os dentes como se estivesse relaxando no sofá. Não faltaram cascas de banana jogadas pela audiência. Mas o presidente do Banco Central não escorregou em nenhuma. Desarmou com argumentos técnicos um auditório sanguinolento. Tirou de letra o escândalo do Master, empurrando o caso para bem longe do governo. Ele bancou, textualmente, a recusa de “transformar o BC em uma tribuna punitiva”. Até o ex-presidente do BC Roberto Campos Netto acabou sendo defendido das suspeitas levantadas de que ele seria responsável por não identificar o crescimento patrimonial do Master. Galípolo limpou a barra de Campos Neto afirmando que seu comportamento foi técnico e irrepreensível.  Pelo que vem mostrando, o atual presidente do BC é um tigre disfarçado de bom menino.

O fato é que cada vez menos se fala na ausência do protagonismo de Fernando Haddad no campo de batalha da economia política. “Não está fazendo falta”, disse uma fonte palaciana do RR. Gabriel Galípolo é hoje o que Haddad foi ontem, com a vantagem de ter mais viço e contar com afagos do mercado. Foi uma vitória pessoal. Galípolo é um quadro que vem do PT, o que causava calafrios entre os agentes financeiros. Essa desconfiança já se dissipou. Galípolo conquistou o espaço deixado por Haddad e, pode-se dizer, foi além. Até porque o atual ministro da Fazenda, Dario Durigan, é considerado “anódino” no entorno de Lula, É o chamado “tanto faz quanto tanto fez”. Ou, para ser mais preciso, desempenha o papel de um cumpridor das ordens de gastos eleitoreiros emanados do Palácio.

Nesse contexto, os olhares já se voltam para 2027. Haddad faz uma campanha meia-bomba e espera o desígnio da sua derrota pré-anunciada. Em caso da reeleição de Lula, já sabe a cadeira em que vai se sentar no próximo governo: a chefia da Casa Civil. Tem 99% de probabilidade de ocupar o cargo. E Durigan, que já teve passagem pela Casa Civil no governo de Dilma Rousseff, repetiria os 99% de probabilidade de se tornar secretário executivo de Haddad, em um quarto mandato de Lula, bisando a dobradinha na Fazenda. E Gabriel Galípolo? Se nada mudar, e tudo indica que não mudará, o presidente do BC pode ser apontado desde já como futuro ministro da Fazenda no Lula IV, se o petista vencer a eleição. Pode ser. Mas, para Galípolo, talvez nem seja um bom negócio. Assim como os ministros do STF, ele é indestituível, blindado que está pelo seu mandato em um BC independente. Já como ministro da Fazenda, pode rodar a qualquer momento.

Argentina ameaça capturar investimentos em lítio reservados para o Brasil

27/05/2026
  • Share

Enquanto Palácio do Planalto e Congresso batem cabeça em relação ao marco regulatório dos minerais críticos, o Brasil corre o risco de assistir a uma evasão de investimentos na área de lítio para a Argentina. No setor, circula em petit comité a informação de que mineradoras de médio porte, a exemplo das chinesas Ganfeng Lithium e Zijin Mining, estão recalibrando seus planos de explorar o minério em território brasileiro. Qualquer semelhança com a Rio Tinto não é mera coincidência. No início do mês, o grupo anunciou a venda do chamado Brazil Lithium Project no Vale do Jequitinhonha (MG) para a australiana Solis. O motivo do possível êxodo para o país vizinho é o pacote de incentivos fiscais, cambiais e regulatórios lançado pelo presidente Javier Milei. O RIGI, regime de incentivo a grandes investimentos, é a principal isca de Milei. O governo argentino passou a garantir estabilidade fiscal, aduaneira e cambial por 30 anos para projetos, além de benefícios tributários e maior liberdade para as empresas acessarem e manterem dólares gerados por exportações. Some-se o fato de que a Argentina joga com uma vantagem geológica de alto teor: concentra cerca de 23 milhões de toneladas em recursos de lítio, algo em torno de 20% das reservas mundiais comprovadas do mineral.

Os incentivos empacotados pelo governo da Argentina têm o potencial de atingir Bolívia, Chile e Brasil, que disputam recursos internacionais para a produção de lítio. E, nesse quádruplo cabo de guerra geoeconômico, a ponta mais fraca está nas mãos brasileiras. Assim como a Argentina, Bolívia e Chile têm a escala a seu favor. Juntas, as três nações formam o denominado “triângulo do lítio”, que soma mais de 50% das jazidas globais. Estima-se que o Brasil concentre aproximadamente 8% do lítio do mundo. É um volume relevante, ainda que inferior ao dos vizinhos. Mas, para além da diferença de escala, há outro fator que reduz a competitividade brasileira: uma cadeia de produção ainda embrionária. Em sua maioria, os projetos em curso no Brasil são de pequeno e médio porte e ainda se encontram na etapa de estudos geológicos ou fase exploratória – há atualmente no país pouco mais de 700 alvarás para pesquisa e lavra de lítio.

Nesse contexto, recursos começam a atravessar a fronteira. A Rio Tinto se desfez de uma posição exploratória de cerca de 93 mil hectares em Minas Gerais ao mesmo tempo em que acelera uma plataforma bilionária de lítio na Argentina. O projeto Rincon, em Salta, recebeu aval dentro do regime especial de grandes investimentos e prevê desembolsos de US$ 2,5 bilhões. A companhia também pagou US$ 6,7 bilhões pela Arcadium Lithium, reforçando sua aposta em ativos de lítio na Argentina e no Canadá. A Ganfeng Lithium, por sua vez, concentra investimentos nos projetos Mariana e Cauchari-Olaroz, ambos no norte do país. O Mariana, em Salta, entrou em produção em 2025 após investimentos de aproximadamente US$ 790 milhões e tem capacidade inicial para 20 mil toneladas anuais de cloreto de lítio. Já a Zijin Mining joga suas fichas no projeto Tres Quebradas (3Q), em Catamarca. A primeira fase do empreendimento exigiu investimentos superiores a US$ 600 milhões e prevê produção de 20 mil toneladas anuais de carbonato de lítio. A fase seguinte já está em construção e deve elevar a capacidade total para algo entre 40 mil e 60 mil toneladas anuais de LCE, consolidando o projeto entre os maiores da América do Sul.

#Lítio

Chinesa StarCharge planeja fábrica no Brasil de olho em data centers

27/05/2026
  • Share
A chinesa StarCharge quer fazer do Ceará sua cabeça de ponte para o mercado de armazenamento de energia na América Latina. A companhia, controlada pela Wanbang Digital Energy, avalia instalar no estado sua primeira base industrial na região. O plano prevê um projeto-piloto, antessala para a eventual construção de uma fábrica até 2028. A StarCharge chega ao país no embalo dos investimentos em data centers, no Brasil e em países vizinhos, a começar pelo maior deles, o projeto de R$ 200 bilhões da conterrânea TikTok em parceria com a Casa dos Ventos, exatamente no Ceará. A companhia chinesa quer entrar na disputa pelo fornecimento da infraestrutura energética – baterias, microgrids, sistemas de backup, gestão de carga e integração com fontes renováveis. A StarCharge integra um grande conglomerado industrial, que figura entre os maiores fabricantes de carregadores para veículos elétricos e soluções de storage da China. Sua matriz, a Wanbang Digital Energy, tem 17 plantas industriais no país asiático, além de fábricas nos Estados Unidos e no Vietnã.

#StarCharge

Em quantos “Master” o Rioprevidência aportou recursos?

27/05/2026
  • Share

A Polícia Federal mantém uma segunda frente de investigação sobre a exposição do Rioprevidência ao ecossistema do Banco Master, segundo informações filtradas da corporação. Além dos R$ 3,7 bilhões aplicados diretamente em títulos e fundos do banco, no centro da operação de busca e apreensão contra o ex-governador Claudio Castro, a PF tem indícios de que a entidade de previdência dos servidores do Rio de Janeiro também direcionou recursos para fundos e gestoras indicados pelo Master. A suspeita é que essas estruturas tenham funcionado como instituições-satélites, usadas para pulverizar formalmente os aportes e reduzir a aparência de concentração em um único grupo financeiro. Na prática, o dinheiro continuaria exposto ao mesmo núcleo de risco, ainda que distribuído por diferentes veículos, emissores e administradores. A nova linha da PF tenta mapear quais fundos receberam recursos do Rioprevidência, quem estruturou as operações, quais gestores atuaram como intermediários e se havia orientação deliberada para contornar limites internos de concentração.

#Banco Master

Nova “xerife” das big techs raspa o tacho do orçamento para realizar concurso

27/05/2026
  • Share

O ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, entrou em campo com a missão de assegurar a ampliação do quadro de servidores da ANPD (Agência Nacional de Proteção de Dados), designada pelo governo para regular e fiscalizar as big techs. Lima e Silva vem fazendo gestões junto aos Ministérios da Fazenda e do Planejamento em busca de suplementação orçamentária para garantir a realização de concurso público e o preenchimento de uma só vez dos 200 novos cargos aprovados pelo Senado em fevereiro. Na última sexta-feira, a ANPD encaminhou ao Ministério da Gestão e da Inovação o pedido formal para abertura do certame. Conforme o RR informou (Leia aqui), a agência vive uma penúria que não condiz com a atribuição que lhe foi imposta pelo governo, de ser o ente do Estado responsável por enquadraras big techs. A ANPD tem um gap orçamentário de quase R$ 40 milhões e um déficit de pessoal que beira 300 funcionários.

#ANPD

Todos os direitos reservados 1966-2026.

Rolar para cima