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BrasilAgro surfa na queda dos preços de terras para ampliar seu latifúndio
22/09/2025A BrasilAgro saiu a campo em busca de terras no Centro-Oeste. A empresa mira na compra de ativos “estressados”, ou seja, fazendas em situação financeira delicada. O objetivo é aproveitar a recente queda dos preços de propriedades agrícolas após três anos de intensa valorização. O agronegócio enfrenta pressões diversas — custo de insumos, juros elevados, clima menos previsível —, o que tem depreciado o valor das terras. A BrasilAgro visualiza a oportunidade de reestruturar propriedades para lavouras de soja, milho ou algodão e aumentar a escala de produção com menores riscos fixos. Essa nova fase, mais compradora, indica que a companhia está menos dependente apenas da venda de fazendas para gerar caixa. A empresa possui um portfólio de aproximadamente 275 mil distribuídos, somando-se terras próprias e áreas arrendadas.
Brasil e México se unem contra a carnificina tarifária de Trump
22/09/2025O governo e grandes grupos da cadeia de proteína animal encontraram no “quintal” dos Estados Unidos uma rota de escape para mitigar o impacto da tarifa de 50% imposta por Donald Trump à carne brasileira. Segundo informações filtradas pelo RR, uma comitiva do Servicio Nacional de Sanidad, Inocuidad y Calidad Agroalimentaria, instância do governo do México responsável por autorizar a importação de alimentos, chegou ao Brasil para iniciar uma inspeção técnica em diversos frigoríficos.
Hoje, 35 unidades de abate têm permissão para exportar carne bovina para o mercado mexicano. No Ministério da Agricultura, a expectativa é que o órgão fitossanitário do México inicie o processo de homologação de até 14 estabelecimentos durante a visita ao Brasil. Com isso, esses frigoríficos deverão ser autorizados a embarcar carne bovina para o mercado mexicano ainda neste ano.
O aumento das exportações de carne bovina para o México é o primeiro e expressivo resultado prático da visita de uma comitiva do governo brasileiro, liderada pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, e pelo ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, à capital mexicana no mês passado.
Não por coincidência estão sentadas à mesa duas nações vítimas da fúria tributária de Donald Trump. Se o Brasil levou uma tarifa de 50% sobre mais da metade da sua pauta de exportação para os Estados Unidos, o México tem de digerir a alíquota extra de 25% sobre todos os produtos vendidos para o vizinho do norte, à exceção de petróleo e energia.
O estreitamento das relações comerciais entre os dois países, a começar pela agenda do agronegócio, desponta como um movimento de defesa e – por que não? – de ataque ao tarifaço trumpista. É uma estrada de mão dupla. No sentido inverso, o México discute contrapartidas como compensação ao aumento das compras da carne brasileira.
O Brasil deve ampliar as importações de atum daquele país. Há discussões também envolvendo a abertura do mercado brasileiro a frutas, como pêssego, e aspargos mexicanos. É o novo jogo no tabuleiro das relações internacionais.
Ao corroer os canais multilaterais, a política de Trump empurra um número cada vez maior de países a costurar seus próprios arranjos bilaterais, em alguns casos em um ritmo até mais acelerado do que fariam em condições normais de temperatura e pressão.
No caso específico da carne bovina, o Brasil já vinha em uma escalada nas exportações para o México. De janeiro a julho de 2025, os embarques totalizaram 67.659 toneladas, quase três vezes o volume registrado no mesmo período de 2024. Ou seja: uma média de 9,5 mil toneladas por mês.
Com a entrada em vigor das draconianas tarifas norte-americanas, já houve um aumento das vendas em agosto – cerca de 12 mil toneladas. Com o acordo costurado entre os dois países e a homologação dos novos frigoríficos, a estimativa no Ministério da Agricultura é que as exportações de carne bovina para o México cresçam 80% em 2026.
Em alguns cortes específicos, o mercado mexicano poderá se tornar o segundo maior destino do produto brasileiro, ultrapassando os próprios Estados Unidos e ficando atrás apenas da China.
Será que o nióbio da St George Mining vai parar nas mãos dos Moreira Salles?
22/09/2025Os planos da mineradora St George Mining para o Brasil estão envoltos em brumas. Afinal, os australianos pretendem investir a longo prazo na produção de minério no país ou, desde já, seu objetivo é empacotar um portfólio de ativos para vendê-lo logo ali na frente? No setor, as especulações apontam para a segunda hipótese.
Mais do que isso: os olhares se voltam na direção da CBMM (Companhia Brasileira de Mineração e Metalurgia). A empresa dos Moreira Salles é tida como forte candidata à compra das reservas da St George Mining no país. Principalmente após a empresa australiana ter anunciado, na semana passada, a descoberta de nióbio e elementos de terras raras na área do seu Projeto Araxá, em Minas Gerais.
A jazida está localizada no mesmo complexo carbonatítico onde se encontram as reservas da CBMM. Por que a empresa dos Moreira Salles, praticamente monopolista do mercado de nióbio – responde por mais de 80% da produção global –, permitiria a presença de um intruso no seu latifúndio mineral? Procurados pelo RR, St George e CBMM não se manifestaram.
Alguns fatores aumentam no setor a percepção de que a St George Mining está disposta a vender seus ativos no Brasil. Até o momento, não há sinalização por parte da empresa de investimentos na produção de minério em Araxá.
Outro dado importante: por ora, a companhia não tem qualquer ativo operacional no mundo. Sua carteira é composta exclusivamente por projetos em fase de estudos mineralógicos – além de Araxá, há outras três jazidas na Austrália.
Estados brasileiros travam disputa por fábrica de carregadores de veículos
22/09/2025A chinesa Teld Eco Charger, uma das maiores fabricantes de estações de recarga de veículos elétricos do mundo, deflagrou uma batalha federativa no Brasil. São Paulo, Bahia e Goiás disputam a prerrogativa de sediar a primeira unidade de produção da empresa fora da China. Goiás saiu na dianteira. Em abril deste ano, representantes do governador Ronaldo Caiado visitaram a sede da Teld Eco Charger, na cidade de Qingdao. Desde então, há tratativas para a instalação da fábrica na cidade de Anápolis. Ocorre que os governos de Tarcísio de Freitas e de Jerônimo Rodrigues entraram em cena energizados, ambos com argumentos para atrair os chineses. São Paulo concentra mais de um terço dos carros elétricos do país. Não por acaso a própria Teld Eco Charger já instalou na capital paulista quatro hubs de recarga e, muito em breve, deve estender a estrutura para o interior do estado. A Bahia, por sua vez, conta com um aliado de peso: a presença de BYD, que inaugurou recentemente em Camaçari sua fábrica de veículos elétricos. Ao se fixar em solo baiano, a Teld Eco Charger teria facilidades na montagem de equipamentos e ganhos logísticos na distribuição da sua produção. Independentemente do local onde erguerá sua fábrica, a empresa chega disposta a replicar no mercado brasileiro a hegemonia que tem na China, onde responde por mais de 40% dos equipamentos de carregamento de veículos elétricos.
Bancada ruralista quer mudar o curso das águas da MP da tarifa social
22/09/2025Aprovada na Câmara e no Senado na semana passada, a MP 1.300/25, da tarifa social, promete se tornar mais um campo de fricção entre a Frente Parlamentar da Agricultura (FPA) e o governo. O motivo são as regras previstas para o uso energia destinada à irrigação. Um artigo da MP aprovada prevê que o desconto especial para produtores rurais irrigantes e aquicultores será aplicado em horários definidos pelas distribuidoras do setor elétrico. A banca ruralista cobra que os agricultores tenham a premissa de escolher os momentos do dia em que poderão usar energia com desconto tarifário. Líderes da FPA já falam nos corredores do Congresso em alterar a regra do jogo no texto da próxima MP da vez, a 1.304/25, que trata da redução dos impactos tarifários para os consumidores de energia elétrica.