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Sucessão na B3 se mistura ao redesenho do seu modelo de negócio
7/04/2026A sucessão no comando da B3 vai além da escolha de um nome para substituir Gilson Finkelsztain, de saída do cargo de CEO para assumir a presidência do Santander no Brasil. A mudança se dá em um momento fulcral de transição da empresa do papel clássico de uma bolsa – monopolista, diga-se de passagem – para um modelo de infraestrutura financeira digital, em que negociação, registro e liquidação passam a ser integrados em novas arquiteturas tecnológicas. A missão no 1 do novo será avançar na tokenização de ativos e na digitalização de registros. Segundo informações filtradas pelo RR, a estratégia discutida no Conselho de Administração é consolidar a B3 como uma provedora de infraestrutura financeira para bancos, corretoras e fintechs. Nesse modelo, a companhia deixaria de capturar valor apenas na intermediação de negociações e passaria a monetizar o uso de sua estrutura por terceiros.
Em tempo: esse contexto aumenta a complexidade da sucessão de Gilson Finkelsztain e ajuda a explicar as divergências existentes dentro do Conselho da B3. Parte do board defende a escolha de um executivo da casa. Os principais candidatos são Luiz Masagão, VP de produtos e clientes, Mario Palhares, VP de operações – conforme informou ontem o Pipeline, do Valor Econômico. No entanto, há um grupo de conselheiros que prega a contratação de um nome de fora, no mercado.
Credores da Oi partem para o ataque e tentam brecar venda da V.tal
7/04/2026A agonia da Oi não tem fim. Segundo o RR apurou, Pimco, Ashmore e SC Lowy pretendem recorrer da decisão da juíza Simone Chevrand, da 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, que autorizou a venda da participação da operadora de telefonia na V.tal para o BTG. O ataque do trio de credores da Oi deve começar pelo valor da negociação, de R$ 4,6 bilhões. Os fundos sustentam que o ativo foi subapreciado – o valuation correto, segundo eles, seria da ordem de R$ 12 bilhões. Ou seja: para as três gestoras, houve destruição de valor e prejuízo objetivo aos credores. Assim é se lhe parece. Outro eixo de contestação é o desenho do processo. Pimco, Ashmore e SC Lowy alegam que a operação foi realizada sem competição efetiva e, nos bastidores, insinuam que teria havido um direcionamento implícito ao BTG. O banco, ressalte-se, já é o principal acionista da V.tal, maior empresa de fibra óptica do Brasil, com uma rede de mais de 400 mil quilômetros. No recurso, as três gestoras deverão ainda resgatar a tese do credit bid, defendendo o direito de usar seus próprios créditos para assumir o ativo. No mercado, a interpretação é que há uma boa dose de blefe no contencioso. O objetivo da tríade não seria anular a venda ao BTG e, muito menos, assumir a fatia de 27,5% da Oi na V.tal, mas, sim, obter a reabertura da negociação e consequentemente forçar a apresentação de uma oferta maior pelas ações. Procurada pelo RR, a Ashmore não quis comentar o assunto. Também consultadas, Pimco e SC Lowy não se manifestaram até o fechamento desta matéria.
A fatia de 27,5% na V.tal é, na prática, o último ativo de escala da Oi capaz de mexer ponteiro no seu segundo plano de recuperação. Depois de vender o que era vendável — móvel, torres, data centers —, sobrou um portfólio residual, com baixa tração operacional e pouca capacidade de geração de caixa. A V.tal, ao contrário, é um ativo estruturado, com receita previsível e relevância sistêmica no mercado de fibra. É o único cheque que ainda pode ser escrito com algum tamanho. É exatamente por isso que virou o principal campo de batalha entre a companhia e seus credores mais agressivos. Para Ashmore, Pimco e SC Lowy, a hora é de espremer o máximo do último fruto da Oi que ainda carrega algum sumo.
XPeng é mais uma montadora chinesa disposta a produzir no Brasil
7/04/2026O RR apurou que a montadora chinesa XPeng abriu conversações com os governos de São Paulo e de Goiás em torno do projeto de instalação de uma fábrica no Brasil. O movimento ocorre em paralelo aos preparativos da companhia para iniciar sua operação comercial no país. A partir do segundo semestre, a empresa deve começar a vender seus primeiros automóveis, importados da China. Listada nas bolsas de Nova York e Hong Kong, a Xpeng tem a Volkswagen como um de seus acionistas minoritários. Em 2025, a montadora chinesa vendeu 429 mil veículos em todo o mundo, um crescimento de 126% na comparação com o ano anterior. A abertura de uma fábrica no Brasil é vista pelos chinesas como peça-chave para competir com rivais chinesas já instaladas no país, como BYD e GWM, notadamente no segmento de veículos elétricos. A Xpeng produz exclusivamente modelos eletrificados. E agora avança para carros sem motorista. Em março, conseguiu autorização na China para testar táxis equipados com a chamada autonomia nível 4, ou seja, automóveis que se deslocam sem qualquer interferência humana.
“Bet da Caixa” vai para a gaveta após pressão de Lula
7/04/2026O alardeado plano da Caixa Econômica de criar sua própria plataforma de bets tomou chá de sumiço. A direção do banco estatal colocou o projeto na geladeira. Segundo informações filtradas pelo RR, os trabalhos foram suspensos e a equipe que se dedicava ao assunto, praticamente desmobilizada. As gestões com possíveis parceiros tecnológicos também foram interrompidas. O recuo se deu por pressão política do próprio Palácio do Planalto. Basta lembrar a reação de Lula em outubro do ano passado quando a instituição financeira anunciou o lançamento da “bet da Caixa”. O presidente da República cobrou explicações do no1 da Caixa, Carlos Vieira – segundo o RR apurou, à época, o episódio quase custou o cargo de Vieira. Lula não foi voz isolada. O agora ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad também fez carga dentro do governo contra o projeto. Seria um contrassenso estimular a jogatina por meio de um banco estatal justo no momento em que o governo faz uma cruzada pré-eleitoral para reduzir o elevado nível de endividamento das famílias brasileiras – conforme o RR antecipou.
Procurada, a Caixa Econômica não se manifestou. Em tempo: seja no Lula IV, seja no Flavio I, se, por acaso, o próximo governo quiser tirar a plataforma de bets da Caixa da gaveta encontrará um projeto praticamente pronto. O banco chegou, inclusive, a definir três marcas para atuar no segmento de apostas online: BetCaixa, MegaBet e Xbet Caixa. Entre outros pontos, o plano formatado previa a possibilidade de parcerias com players do mercado. Estabelecia ainda operação simultânea em canais digitais e físicos, incluindo as próprias casas lotéricas. Esse modelo teria dupla serventia: além de aumentar a capilaridade do serviço, seria uma forma de aplacar a resistência da extensa rede de loterias da Caixa, que, desde o início, passaram a enxergar a plataforma de bets como uma ameaça ao seu próprio negócio.