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Uma eminência nem tão parda conduz criação da SAF do Fluminense
8/04/2026
Quem vai assumir o lugar da Enel em São Paulo?
8/04/2026Enquanto, à luz do dia, a Aneel abre formalmente o processo de caducidade da Enel São Paulo, na penumbra da noite grandes players do setor já se movimentam para substituir a companhia italiana. Segundo informações que circulam no mercado, CPFL, EDP Brasil e Equatorial têm mantido intensas conversações com o ministro de Minas e Energia, Alexandre da Silveira, e o governador Tarcísio de Freitas. As três empresas já teriam se comprometido, inclusive, a apresentar um plano preliminar reestruturação da distribuição de energia em São Paulo — um desenho que passa por revisão de investimentos, recomposição de equipes técnicas, modernização da rede e, sobretudo, recuperação dos indicadores de qualidade que se deterioraram sob a gestão da Enel. A simples manifestação de interesse da CPFL, EDP Brasil e Equatorial em assumir a concessão em São Paulo piora ainda mais o cenário para a companhia italiana. A sinalização de que haverá concorrência pelo espólio dos italianos aumenta a pressão política para que a Aneel decrete a caducidade do contrato. Procuradas, CPFL e Equatorial não quiseram comentar o assunto. Também consultada, a EDP não se manifestou até o fechamento desta matéria.
CPFL e EDP despontam nessa disputa energizadas pelo capital chinês de suas respectivas controladoras, State Grid e Three Gorges. A Equatorial, por sua vez, reúne uma biodiversidade de investidores, que vai de Opportunity à BlackRock, passando pela canadense CPPIB e pela também brasileira Squadra Investimentos. Todos reúnem razões de sobra, notadamente de ordem geoeconômica, para cobiçar o lugar da Enel. CPFL e EDP já controlam concessões no interior do estado de São Paulo. A primeira atende 234 municípios; a segunda, 28 localidades. Assumir o posto dos italianos significaria conquistar uma posição de primazia no mapa do setor elétrico paulista, colocando os pés no maior PIB do maior PIB nacional, ou seja, a cidade de São Paulo. A Equatorial, por sua vez, aspira um protagonismo ainda maior na concessão de serviços públicos no estado. Acionista de referência da Sabesp e, na prática, quem manda na empresa, o grupo passaria a ter um pé no saneamento e outro na distribuição de energia elétrica. Some-se a esse colar a Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia), controlada pela própria Sabesp.
A abertura do processo de caducidade tem o som de um réquiem para a Enel. No setor, sua situação é vista como praticamente insustentável, por mais que a empresa venha a ter “a garantia de contraditório e ampla defesa”, como disse ontem o diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa. Por ora, no entanto, o procedimento aberto ontem pelo órgão regulador é um túnel escuro. Há vários cenários possíveis caso a cassação do contrato da Enel São Paulo se confirme. Um deles é a permanência da empresa à frente da operação, como um morto-vivo, até a relicitação via novo leilão. Seria uma tentativa de assegurar uma solução de continuidade menos traumática. Outra hipótese seria uma intervenção direta do poder concedente, com a Aneel assumindo temporariamente a operação ou designando um interventor até a definição de um concessionário definitivo. Há também a possibilidade de uma transferência assistida ou solução negociada, em que um ou mais operadores assumiriam partes da concessão mediante acordo com o poder público, sem a necessidade de um novo certame imediato. Embora previsto em lei, é o menos provável dos caminhos.
MAK Capital manobra por mudanças de cima a baixo na gestão da Oncoclínicas
8/04/2026A passagem de Carlos Gil pelo comando da Oncoclínicas pode ser breve. Corre à boca miúda no mercado que a MAK Capital, acionista da empresa, manobra nos bastidores para substituir o executivo, no cargo há pouco mais de um mês. Dona de pouco mais de 6% do capital, a gestora norte-americana tornou-se uma pedra pontiaguda no sapato dos demais acionistas e dos dirigentes da Oncoclínicas. Já formalizou um pedido de destituição de todo o conselho da companhia e, ontem, apresentou uma chapa com quatro nomes para a eleição do novo board, marcada para o próximo dia 30. Os norte-americanos travam uma queda de braço com a atual administração, que não apenas defende a permanência de Gil como CEO, mas também indicou seu nome para a vice-presidência do Conselho. Uma nova e abrupta troca na gestão executiva seria um solavanco a mais para a rede de clínicas oncológicas, afetada pela crise do Master. O banco foi seu sócio até o ano passado. Além disso, a empresa mantinha cerca de R$ 478 milhões aplicados em CDBs da instituição financeira. Com dívidas superiores a R$ 4 bilhões, a Oncoclínicas enfrenta uma situação financeira delicada. Consta que seu caixa é suficiente apenas para manter os custos operacionais por mais 15 dias. Porto, Starboard e a própria MAK já apresentaram propostas para injetar capital na companhia. Consultada, a Oncoclínicas não quis comentar o assunto. A MAK não retornou até o fechamento desta matéria.
Credores da Fictor exigem mudanças na gestão
8/04/2026Os credores da Fictor se mobilizam para impor à mesa um conjunto de exigências que pode redefinir os rumos da recuperação judicial. Entre elas, a substituição da atual gestão e questões de ordem contábil, como a reclassificação de créditos — especialmente no caso de estruturas como SCPs. Além disso, devem exigir garantias adicionais e um cronograma mais crível de geração de caixa. A Fictor, que um dia se apresentou para comprar o Banco Master, entrou em recuperação judicial com uma dívida superior a R$ 4 bilhões. São mais de 13 mil credores.
O endurecimento da postura reflete a percepção de que o problema da Fictor vai além de uma crise de liquidez e toca na própria estrutura do negócio. A companhia operava com um modelo fortemente apoiado em captação contínua de recursos e em estruturas societárias supostamente pouco transparentes, o que agora levanta dúvidas sobre a real segregação de ativos e a extensão das garantias disponíveis.
Ceará vira foco do Planalto com risco eleitoral para Lula
8/04/2026A eleição no Ceará está no centro das discussões no Palácio do Planalto. Há uma crescente pressão para a retirada da candidatura à reeleição do governador Elmano de Freitas, por conta do seu raquítico desempenho nas pesquisa. Elmano vem perdendo cada vez mais terreno para Ciro Gomes. No entorno de Lula, existe um temor de perda de votos em um estado que é ampla e historicamente favorável ao seu nome. Uma disputa fragilizada no plano local pode comprometer a performance do presidente no Ceará em um eleição que será disputada voto a voto. Por isso, aumenta nos bastidores a articulação para que Elmano deixe a disputa e abra espaço para a entrada em cena do ex-ministro da Educação Camilo Santana. Ele é apontado nas fileiras petistas como o único nome capaz de brecar o retorno de Ciro ao cargo. Dirigentes petistas avaliam que Elmano não conseguiu traduzir o peso da máquina estadual em intenção de voto.