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Governo brasileiro está perplexo com a ação do Departamento de Estado dos EUA
28/05/2026O presidente Lula e a cúpula do governo estão, nesse momento, discutindo no Palácio do Planalto as ações a serem tomadas no âmbito interno e externo depois da decisão do Departamento de Estado norte-americano enquadrar o Brasil no rol dos países narcoterroristas. Apesar do tema estar restrito a uma discussão de caráter civil, espera-se que Lula convoque os comandos das Forças Armadas para discutir o assunto nos próximos dias. Não custa lembrar que os americanos bombardearam navios venezuelanos sem nenhuma evidência de que eles estavam envolvidos no tráfico de drogas. A medida causou espanto geral. Passou ao largo do Itamarati e dos serviços de Inteligência. E ninguém esperava algo tão radical, que pode, inclusive, afetar o sistema financeiro nacional. Mas, a maior preocupação do governo, neste momento, é que a decisão do Departamento de Estado se espraie para a União Europeia, cujos países membros já manifestaram sua preocupação com o crescimento do tráfico de drogas na região, particularmente cocaína. O último relatório da European Union Drugs Agency, de 2025, informou que o ano de 2023 foi o sétimo ano consecutivo de recorde de apreensão da droga no continente. A maior parte do volume de apreensão continua sendo na Bélgica, na Espanha e nos Países Baixos.
Os assessores de Lula lembram que a União Europeia não é iniciante em ações internacionais contra o tráfico de drogas. Mas, diferentemente dos EUA, não usam a diplomacia do big stick norte-americano. A exemplo da experiência com a Colômbia, os europeus preferem ações cooperativas e de responsabilidade compartilhada. O problema maior não seria um “quase golpe” no estilo trumpista, mas a soma de vozes. Qualquer eco da medida dos EUA em outra parte do mundo reforça o que mais ameaça o Brasil: a repercussão direta na economia do país. Na verdade, qualquer afirmação que se faça sobre uma possível reação do governo brasileiro ao grave ataque a sua soberania é uma precipitação. Mas uma fonte do RR chamou a atenção para uma possibilidade, inclusive aventada pela publicação: o contra-ataque através de uma campanha internacional contra os paraísos fiscais. O dinheiro do tráfico tem que estar em algum lugar. E para coibir seriamente a circulação das drogas é preciso fechar os cofres onde o dinheiro está depositado. E todo mundo sabe onde eles estão localizados.
Copa do Mundo, apostas e responsabilidade
28/05/2026A próxima Copa do Mundo será o primeiro grande teste internacional do mercado brasileiro de apostas em ambiente regulado, monitorado e formalizado. E o setor não pode chegar a esse evento tratado como experimento.
No primeiro ano completo de regulação, 25,2 milhões de brasileiros apostaram em empresas autorizadas. No mesmo período, mais de 25 mil sites ilegais foram bloqueados pela Secretaria de Prêmios e Apostas, do Ministério da Fazenda, em parceria com a Anatel.
A Copa vai ampliar todas as frentes ao mesmo tempo: audiência, tráfego, campanhas, pressão sobre meios de pagamento, atendimento ao consumidor, exposição das marcas, risco de comunicação inadequada, atuação de operadores ilegais e demanda por mecanismos reais de proteção.
Esse cenário exige que o debate público abandone o atalho fácil. Não se regula um setor dessa escala com manchetes, moralismo ou resposta emocional de curto prazo. Regula-se com dados, fiscalização, tecnologia, cooperação institucional e capacidade de separar, de forma objetiva, quem opera dentro da lei de quem continua à margem dela.
Apostas exigem controles concretos: KYC, prevenção à lavagem de dinheiro, jogo responsável, bloqueio de menores e impedidos, autoexclusão, publicidade responsável, monitoramento de integridade e canais efetivos de resposta ao consumidor.
Esse é o ponto central às vésperas da Copa: a demanda por apostas não desaparece porque parte do debate público prefere que ela não exista. Ela apenas muda de endereço.
A escolha é entre canalizar essa demanda para operadores autorizados, auditáveis, tributados e sujeitos a obrigações regulatórias, ou empurrá-la para sites clandestinos, sem identificação adequada, sem ferramentas de proteção, sem arrecadação, sem fiscalização e sem responsabilização.
A Copa será vitrine, mas também será filtro. Vai expor quem investiu em tecnologia, compliance, atendimento, prevenção e integridade. E vai escancarar as brechas exploradas pelo mercado ilegal.
O Brasil deu um passo relevante ao tirar esse setor da informalidade e colocá-lo sob supervisão estatal. Agora precisa resistir à tentação de tratar uma agenda complexa como se fosse um problema simples.
Por isso, a discussão séria não é ser contra ou a favor das apostas. É como garantir que uma atividade que já existe, movimenta bilhões, arrecada bilhões, reúne milhões de usuários e será colocada sob forte pressão durante a Copa opere com mais controle, transparência, proteção ao consumidor e menos espaço para o ilegal.
A Copa vai testar o setor. Mas também vai testar a qualidade da regulação, da fiscalização e do debate público. E nenhum deles pode funcionar no improviso.
Governo estuda pacote emergencial para evitar colapso nos fertilizantes fosfatados
28/05/2026O enxofre virou o novo ponto de combustão da dependência externa brasileira em fertilizantes. Segundo apurou o RR, o Ministério da Agricultura discute com a Fazenda um pacote emergencial para amortecer a disparada do insumo. As medidas incluiriam crédito subsidiado para importadoras e misturadoras, equalização de juros em linhas específicas do Plano Safra 2026/27 e diferimento tributário na importação. Outra proposta em debate é uma subvenção temporária, caso o preço internacional siga fora de controle. Uma das hipóteses sobre a mesa é acionar bancos públicos para financiar a formação de estoques estratégicos de enxofre e fosfatados, permitindo compras antecipadas antes do pico de demanda. A preocupação do governo é evitar que o choque do enxofre — indispensável à fabricação de fosfatados — se transforme em gargalo físico na formulação e na entrega de adubos às vésperas do próximo ciclo agrícola. O quadro ficou mais grave nas últimas semanas. Em algumas praças, o preço do enxofre saiu da faixa de US$ 180 por tonelada para patamares próximos de US$ 1.000, reflexo direto da combinação entre restrição de oferta, guerra no Oriente Médio, aumento de fretes e incerteza logística. A região responde por parcela decisiva do enxofre comercializado por via marítima, e o Estreito de Ormuz virou o principal gargalo do mercado global de energia e fertilizantes. No limite, o risco já não é “apenas” a indústria e, consequentemente, os produtores rurais pagarem mais caro. É não existir produto na quantidade e no prazo necessários.
O Brasil está particularmente exposto. O país importa mais de 90% dos fertilizantes que consome e é quase que integralmente dependente do exterior para o enxofre usado na produção de fosfatados. Em 2025, o Oriente Médio respondeu por 42% das 2,3 milhões de toneladas de enxofre importadas pelo Brasil. Ou seja: qualquer interrupção relevante na região chega quase diretamente ao custo de produção agrícola brasileiro. O efeito-avalanche sobre a indústria já apareceu. A Mosaic reduziu parte de sua produção de fertilizantes fosfatados no Brasil diante da dificuldade de aquisição e do encarecimento do enxofre. A empresa anunciou corte de cerca de um milhão de toneladas na produção anual de fosfato, movimento que acendeu o alerta entre misturadoras, distribuidores e produtores rurais.
Belo Sun tenta destravar mina repleta de ouro e polêmicas
28/05/2026A Belo Sun retomou os estudos técnicos do Projeto Volta Grande, para a extração de ouro às margens do Xingu, no Pará. Em jogo, um investimento da ordem de R$ 1 bilhão em uma das maiores jazidas auríferas ainda não exploradas do Brasil. São 116 milhões de toneladas e uma vida útil estimada de 17 anos. A intenção da mineradora canadense é iniciar a instalação da infraestrutura física no primeiro trimestre de 2027. A produção em escala comercial viria a partir de 2029. Tudo muito bom, tudo muito bem, mas todos esses prazos dependem da capacidade da companhia de conseguir superar os obstáculos judiciais, ambientais e políticos que cercam o investimento. Executivos da Belo Sun têm mantido interlocução com a governadora do Pará, Hana Ghassan Tuma, sucessora de Helder Barbalho, e com assessores do ministro de Minas e Energia Alexandre Silveira na tentativa de destravar o empreendimento. Volta Grande é um dos projetos minerários mais controversos do Brasil. A Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará já emitiu e reemitiu a Licença de Instalação, válida até 2029. Tamanha presteza, no entanto, tem esbarrado no Ministério Público Federal. O MPF questiona a competência do governo do Pará para conduzir o licenciamento, defendendo que o processo deveria ficar sob responsabilidade do Ibama devido aos impactos sobre terras indígenas e sobre o rio Xingu, de responsabilidade federal. Organizações indígenas e ambientalistas também acusam a Belo Sun de não ter realizado consultas prévias adequadas às comunidades afetadas. Denunciam uso de cianeto, riscos associados à barragem de rejeitos e os impactos cumulativos com a Usina de Belo Monte – a mina está localizada a apenas 20 km da hidrelétrica.
Fadiga dos investidores ameaça leilão no Rio Grande do Norte
28/05/2026O governo do Rio Grande do Norte e o BNDES já trabalham com a possibilidade de empurrar para 2027 o leilão da PPP de esgotamento sanitário da Caern, inicialmente previsto para este ano. Nos bastidores, cresce a avaliação de que o projeto pode enfrentar o mesmo problema que já assombra outras operações de saneamento: excesso de oferta de ativos e fadiga dos investidores. O mercado ainda absorve o impacto do megaleilão de Pernambuco, realizado no fim de 2025, que sozinho movimentou R$ 18,3 bilhões em investimentos previstos, além do tumultuado processo de privatização da Copasa, que ontem sofreu um duro revés. O governo mineiro decidiu suspender a etapa de escolha de um sócio de referência depois que os interessados não se dispuseram a pagar o preço mínimo estipulado. Se a Copasa, considerada a joia da coroa do setor, tem dificuldade de levar adiante sua desestatização, o que dizer, então, do leilão da Caern?
Há ainda percalços internos no cronograma. O projeto do Rio Grande do Norte continua em fase de estruturação e consulta pública, em um estágio mais incipiente do que PPPs de Ceará e Goiás. A modelagem prevê investimentos entre R$ 3,2 bilhões e R$ 4,1 bilhões para coleta e tratamento de esgoto em 48 municípios, alcançando cerca de 1,8 milhão de pessoas. O objetivo é universalizar o esgotamento sanitário até 2033. O problema é que, no ambiente atual, grupos privados passaram a selecionar com muito mais rigor onde vão alocar capital e capacidade operacional. Para parte do mercado, o risco é o RN acabar entrando no pipeline em um momento de saturação de projetos
Festa de Claudio Castro entra no radar da Polícia Federal
28/05/2026Parafraseando Hemingway, o Rio de Janeiro é uma festa. Entre os mimos de Daniel Vorcaro a Claudio Castro, a Polícia Federal tem indícios de que o Master ajudou a bancar a celebração dos 45 anos do então governador em março de 2024. O evento entrou no radar da PF por seu tamanho e pelo grau de ostentação. A comemoração ocorreu no condomínio Porto Frade, em Angra dos Reis. Entre outras atrações, os convidados assistiram a um show privado de Gusttavo Lima, cujo cachê gira em torno de R$ 1,2 milhão. Castro chegou à efeméride em grande estilo, pousando de helicóptero no heliponto do Fasano. Por falar em festa, entre setembro de 2023 e julho de 2024, o Rioprevidência fez aportes de R$ 970 milhões em letras financeiras do Master. O valor equivale e praticamente um terço da cifra total que o fundo de previdência dos servidores do Rio de Janeiro torrou em papéis do banco.