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O comitê de campanha de Jair Bolsonaro está trabalhando com foco em Paulo Guedes. O ministro é considerado o melhor comunicador do governo. E tem “garrafas para vender” ou bons números para mostrar. E mesmo quando os resultados estão aquém do esperado, Guedes tem uma capacidade rara de entortá-los de forma a que eles saiam bem na foto.
Guedes consegue até driblar o tempo em suas falas. Exemplo: a condenação da conjunção adversativa. O ministro rebate o “mas” usado pelos adversários, dizendo que os críticos não querem ver o valor presente da política econômica. Eles procuram sempre o passado – marcados por eventos atípicos, feito a pandemia – ou o futuro, que não aconteceu e está sujeito as correções de rota feitas pelo governo.
O gendarme mais atuante de Bolsonaro aponta sua lança para a fotografia do momento. Neste ano, a inflação cairá, o crescimento da atividade produtiva será maior do que o projetado e a dívida pública em relação ao PIB será reduzida ainda mais. Os investimentos, por sua vez, subirão puxados basicamente pelo setor privado. O resultado fiscal primário também será melhor do que o previsto, o desemprego caiu e continuará caindo, os pobres foram atendidos com auxílios generosos, o preço dos combustíveis está em queda e a agricultura bateu recordes.
Em síntese: 2022 seria o ano da redenção. Para o ministro, o que interessa é o fotograma do presente e não a terra arrasada do porvir. Guedes vai pular de entidade patronal em entidade patronal, levando sua mensagem. A epopeia do ministro parece uma versão adaptada do case de sucesso da celebridade Anderson Franco, vendedor de picolés em Itapetininga, Minas Gerais. Franco construiu uma mansão de 6.600 metros quadrados de puro luxo. Guedes é um vendedor de picolés. Sua mansão é a reeleição do presidente.
Simone Tebet vem construindo pontes com as Forças Armadas. Além do general Santos Cruz, tem feito aproximações sucessivas dos generais Maynard Marques de Santa Rosa e Otavio Rêgo Barros, respectivamente ex-secretário de Assuntos Estratégicos e ex-porta voz do governo Bolsonaro.
Há um fio desencapado entre empresas de energia e companhias de navegação que poderá atrasar ainda mais a implantação de usinas eólicas offshore no Brasil. A queda de braço diz respeito à origem dos barcos de apoio marítimo que receberão os equipamentos de geração. O Syndarma (Sindicato Nacional das Empresas de Navegação Marítima) reivindica ao governo que o arrendamento das embarcações passe obrigatoriamente pelas companhias de navegação. Já as empresas de energia querem autorização para contratar diretamente os equipamentos. A bola dividida está com a Antaq. Segundo o RR apurou, a diretoria da agência está inclinada a liberar o arrendamento sem intermediários. Nesse caso, as embarcações seriam classificadas como equipamentos de engenharia e não de transporte de carga.
O Shelf 119, administrado pela gestora Quadra Capital, que arrematou a Companhia Docas do Espírito Santo, estaria comprando áreas no entorno dos terminais de Vitória e Barra do Riacho. O fundo já vislumbra um grande projeto de expansão dos dois complexos portuários.
O candidato Tarcisio Freitas tem sinalizado a grupos do setor de infraestrutura que planeja privatizar cerca de dois mil quilômetros de rodovias em São Paulo em seu eventual governo. Esse número equivale a um quarto de todas as estradas paulistas já sob concessão privada – aproximadamente oito mil quilômetros.
O governo da Bahia vem tentando atrair o grupo espanhol Globalia para a construção de um resort no litoral do estado. Há pouco mais de dois anos, os ibéricos chegaram a ensaiar a construção de um hotel no Ceará. Veio a pandemia e o investimento ficou no papel.
A Kapital Football, do investidor norte-americano Joseph Dragosa, vem mantendo conversações para a compra da SAF (Sociedade Anônima do Futebol) de um grande clube do Nordeste. E mais o RR não diz.
A deputada ultra-mega bolsonarista Carla Zambelli (PL-SP) entrou na corrida por uma vaga no Tribunal de Contas da União. A disputa é acirrada: o deputado Jhonatan de Jesus (Republicanos-RR), candidato de Artur Lira, é tido dentro da Câmara como favorito.
A chinesa Sinograin sinalizou ao Ministério da Agricultura o interesse em investir na construção de estruturas de armazenamento de grãos no Brasil, mais precisamente no Centro-Oeste. Trata-se da estatal chinesa responsável pelos estoques agrícolas do país asiático.
O Tribunal de Justiça do Rio vai apertar o cerco ao crime organizado. Segundo o RR apurou, o TJ-RJ prepara a criação de mais duas Varas Criminais Especializadas, focadas exclusivamente em lavagem de dinheiro, corrupção e ocultação de bens e valores, entre outros delitos similares. O alvo principal é o combate às milícias, que, além de um rastro de violência e assassinatos, têm ampliado seus tentáculos em diversos ramos de negócio como fachada para suas atividades criminosas.
Entram nesse rol distribuição de combustíveis, construção civil, farmácias e até serviços financeiros e mineração, como apontam recentes investigações. Em contato com o RR, o TJ-RJ confirmou que as duas novas Varas Criminais Especializadas estão em “fase final de estruturação e devem ser instaladas no início de setembro”. Em 2019, o TJ-RJ implantou a 1a Vara Criminal Especializada – conforme o próprio RR antecipou à época, na edição de 26 de setembro daquele ano. Somente em seu primeiro ano de atuação, cerca de 500 mandados de prisão foram expedidos.
Hoje, a 1a Vara já está abarrotada com mais de 700 inquéritos e medidas sigilosas em curso. Não está dando vazão para tanto processo. Nos últimos três anos, estima-se que a área de atuação do crime organizado, notadamente das milícias, na capital tenha crescido algo em torno de 20%. Pesquisas mais recentes apontam que esses grupos já estão presentes em mais de cem dos 163 bairros da cidade do Rio, abrangendo uma população de quase quatro milhões de pessoas.
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