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Começou a romaria: o fundo norte-americano 777, que comprou a SAF do Vasco em agosto, está chamando os credores do clube para renegociar o pagamento das dívidas. O trabalho se dá em tabelinha com a consultoria Alvarez & Marsal. O passivo gira em torno de R$ 700 milhões.
A aliança entre Romeu Zema e Jair Bolsonaro aumenta consideravelmente as chances de privatização da Cemig. O apoio dos oito deputados estaduais do PL à venda da companhia entrou na mesa de negociações com Bolsonaro. Com isso, Zema passará a ter uma base de apoio na Assembleia Legislativa jamais vista em seu primeiro mandato.
Jaques Wagner e Gleisi Hoffmann conversaram por horas a fio com Luciano Bivar na última segunda-feira. Buscam o apoio do União Brasil a Lula no segundo turno.
Apesar da derrota na disputa pelo Senado, o comitê político de Jair Bolsonaro celebrou o desempenho do ex-ministro do Turismo Gilson Machado. A votação de Machado foi vista pelo staff de campanha de Bolsonaro como um indicativo de potencial crescimento do presidente no estado. Poucos se deram conta, mas Machado protagonizou um dos tantos vacilos dos institutos de pesquisa. Na véspera da eleição, o ex- ministro apareceu em levantamento do Ipec com apenas 15% dos votos. No dia seguinte, teve 30% das urnas.
Prova do poder mantido pela senadora eleita Tereza Cristina no governo: nos corredores da Pasta da Agricultura a nomeação de Mara Silva Ribeiro para a diretoria de Finanças da Embrapa é atribuída à ex-ministra. Tereza Cristina tem forte influência sobre o presidente da estatal, Celso Moretti.
Embalada pela eleição ao Senado, Damares Alves articula com lideranças evangélicas a organização de uma grande marcha para Jesus, ou melhor, para Jair Bolsonaro em Brasília.
O comitê da campanha petista pressiona Lula a antecipar nomes da sua equipe econômica e anunciar propostas concretas, tudo o que o candidato não fez até o momento. Essa mobilização é um reconhecimento de um equívoco. Sob certo aspecto, Lula desdenhou da realidade eleitoral ao não assumir riscos e não dar pistas de sua política econômica na disputa do primeiro turno. Não são discussões em linha reta. Dentro do PT, há estratégias e propostas distintas, defendidas pelas diferentes correntes de pensamento econômico que foram se aninhando na campanha de Lula. A eminência parda da área econômica no partido, Aloizio Mercadante, defende que o candidato anuncie medidas mais afeitas ao ideário histórico do PT. Entrariam nesse rol o aumento do salário-mínimo, a promessa de correção da remuneração do funcionalismo público e a garantia de constitucionalização do Bolsa Família, que Lula promete recriar no lugar do Auxílio Brasil. Ou seja: o benefício passaria a ser uma ação de Estado e não do governo da ocasião. Mercadante entende, inclusive, que Lula deve explorar ao máximo essas propostas nos debates eleitorais do segundo turno. A premissa é que são medidas que Jair Bolsonaro não seria capaz de “bidar”. Ou seja: seriam ativos quase exclusivos do candidato do PT.
Por sua vez, Geraldo Alckmin defende um discurso mais ameno, voltado a crescimento, linha que encontra eco em Andre Lara Resende e Pérsio Arida, colaboradores na formulação do programa econômico petista. O duo “Larida” seria da opinião que Lula deve esmiuçar propostas para estimular investimentos, especialmente na área de infraestrutura, e fomentar a criação de frentes de trabalho.
Lula sempre foi da opinião que nome de ministro e política econômica só se anuncia depois da eleição. Foi o que fez em seu primeiro mandato, divulgando a nomeação de Antonio Palocci somente no dia 12 de dezembro de 2002, portanto um mês e meio após a vitória nas urnas. No entanto, a redução da diferença para Jair Bolsonaro no primeiro turno – bem inferior à apontada pelas pesquisas – joga um fator de pressão para que o petista antecipe fatos. Até como forma de conter especulações que, a essa altura, levam mais tensão à campanha petista. Nos últimos dias, surgiram rumores no mercado de que Lula estaria propenso a indicar um economista “puro-sangue” do PT para o Ministério da Fazenda. Nesse caso, o futuro ministro sairia da “lista tríplice” formada por Aloizio Mercadante, Guilherme Mello e Gabriel Galípolo.
Mercadante é uma espécie de decano dos economistas do PT, colaborador histórico de Lula e, por isso mesmo, talvez o nome com maior suporte político dentro do partido. Mello e Galípolo, por sua vez, são estrelas em ascensão. Com a mesma idade, 39 anos, ambos se destacaram durante a campanha como dois dos principais formuladores do programa econômico de Lula. Mello, da Unicamp, já disse que o governo Lula pretende revogar o teto de gastos e criar um novo arcabouço fiscal. O que isso significa? Pouco ou nada se sabe, o que só ajuda a alimentar tensões no mercado.
Já Galípolo tem uma trajetória, digamos assim, menos convencional para o perfil dos economistas historicamente próximos ao PT – ainda que seja um colaborador de Mercadante há mais de dez anos. Formado pela PUC, foi CEO do Fator, o que, em tese, talvez o coloque em uma situação de vantagem, como um nome um pouco menos rascante para o mercado. Galípolo também é próximo de Luciano Coutinho, o que em parte explicaria as especulações do seu nome para um BNDES vitaminado – ver RR de 5 de setembro.
Em conversas com assessores próximos a Lula, o RR apurou que, apesar de eventuais pressões do partido, Lula pende para a saída mais desejável pelo mercado, leia-se um Ministério “PTucano”. Na prática, a construção desse staff já vem surgindo aos poucos, de forma gradativa – em uma combinação antecipada pelo RR ao longo dos últimos meses. Geraldo Alckmin segue como forte candidato ao Ministério da Fazenda – como informou a newsletter no dia 19 de setembro. Dentro do próprio PT, ressalte-se, há focos de resistência ao nome de Geraldo Alckmin – e, consequentemente à “tucanização” da economia. Um dos argumentos é que o vice-presidente da República não seria um ministro demissível. Tudo tem seu jeito. Alckmin pode até não ser “demissível”, mas seria perfeitamente “deslocável”, caso assim fosse necessário. Por essa linha, Lula formalizaria também a presença de André Lara Resende e Pérsio Arida em sua equipe econômica. É outro movimento que não vem de hoje. Em março de 2021, mais precisamente na edição do dia 16, o RR foi o primeiro veículo a noticiar a aproximação de Lara Resende e Lula e a possibilidade do ex-tucano integrar um eventual governo petista.
O RR não acredita que Lara Resende seja o escolhido para o cargo de ministro. O mercado financeiro se ressentiria da escolha, em razão das suas “novidadeiras” teorias monetárias. Mas ele será um importante colaborador de Lula na formulação da política econômica, o que já foi endossado pelo próprio petista. O mesmo se aplica a Pérsio Arida, outro nome egresso do ninho tucano, que também confirmou sua colaboração com o comitê responsável pelo programa econômico e igualmente se achegou a Lula pelas mãos de Alckmin. A presença de Lara Resende e Arida traz para o governo petista o ativo da maior revolução monetária do país, com o fim da hiperinflação. Ou seja: Lula pode capitalizar o fato de que arregimentou das antigas fileiras tucanas a dobradinha que ajudou a idealizar o Plano Real e a resolver o maior problema do povo: a carestia. Mesmo que o petista não tenha apoiado o Real na sua origem.
O regra três da área econômica de Lula é, como sempre foi, seu ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Seu apoio a Lula não teria sido uma decisão destituída de qualquer acordo ou interesse. Meirelles é quindim do mercado. A newsletter aposta que seu nome está guardado para a saída de Roberto Campos Neto da presidente do BC daqui há dois anos – ver RR de 9 de setembro. Campos Neto já afirmou que não se recandidatará, o que também é o desejo do PT. Meirelles estaria sentado no Conselho da controversa corretora de criptomoedas Binance, aguardando a convocação. Será, então, o mais longevo presidente do BC e joia rara dos três governos Lula. Mas Meirelles não é papo para a campanha eleitoral. Os atores agora são outros.
A BlackRock, potentado financeiro com quase US$ 9 trilhões em ativos, tem aumentado sua participação na Cogna Educação com seguidas aquisições em Bolsa. No mercado, há um zunzunzum de que a empresa estaria prestes a anunciar a aquisição de uma faculdade de medicina.
O Grupo Soma trabalha como uma meta que é quase uma obsessão: elevar a margem bruta da Hering para algo próximo de 43%, a maior marca já atingida pela empresa. No momento, esse índice está triscando nos 40%.
O departamento jurídico da CBF estuda notificar o Grupo SBF, responsável pela operação da Nike no Brasil. O motivo são os recorrentes atrasos na entrega de uniformes oficiais da seleção brasileiro ao varejo a pouco mais de um mês da Copa do Mundo. Falta camisa até mesmo na Centauro, rede de lojas controlada pelo próprio grupo. Trata-se de um ponto a mais de desgaste da CBF com a Nike. A entidade quer renovar o contrato com a patrocinadora e exige a inclusão de uma cláusula prevendo o pagamento de royalties pela venda de camisas.
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