Redação RR - Relatório Reservado

Artigos: Redação RR

Impasse com credores aumenta risco de recuperação judicial da Marisa

2/03/2023
  • Share

O RR apurou que os acionistas e consultores da Marisa passaram a trabalhar com a hipótese de recuperação judicial. Esse cenário ganhou força nos últimos dias diante do impasse nas negociações com os bancos, conduzidas pela BR Partners e pela Galeazzi. Segundo uma fonte envolvida nas conversações, até o momento as instituições financeiras têm recusado as tentativas da rede varejista de repactuar o passivo de curto prazo. O Banco Safra seria o mais intransigente dos credores. O Itaú também tem adotado uma postura de pouca ou nenhuma flexibilidade. Sem um acordo com as instituições financeiras, a conta não fecha. A Marisa tem cerca de R$ 200 milhões em dívidas bancárias com vencimento ao longo deste ano. No último balanço divulgado, em setembro do ano passado, a empresa tinha uma posição de caixa de R$ 180 milhões. Muito provavelmente, boa parte desses recursos já foram queimados. Entre janeiro e setembro de 2022, a rede varejista teve um fluxo de caixa negativo de R$ 72 milhões. Consultada pelo RR, a Marisa não quis se manifestar.  

Uma combinação de fatores tem contribuído para o impasse com os bancos e a maior probabilidade de um pedido de recuperação judicial. O agravamento da crise da Marisa já traz um histórico de desgaste e de deterioração da credibilidade da família Goldfarb, controladora da companhia, junto aos credores. Nos últimos anos, a empresa lançou mão de seguidas tentativas de reestruturação que não surtiram efeito, quase sempre acompanhadas da tomada de mais crédito bancário. Some-se a isso o caso da Americanas, que automaticamente criou uma aversão das instituições financeiras a aumentar sua exposição no varejo, o que explica a posição mais hostil do Safra e do Itaú. Este último é o maior credor da empresa de Jorge Paulo Lemann e cia., com R$ 6, 1 bilhões a receber. O Safra, por sua vez, tem um crédito de R$ 2,5 bilhões contra a Americanas.  

#BR Partners #Galeazzi #Marisa

GrainChain “varre” startups de tecnologia no Brasil

2/03/2023
  • Share

A norte-americana GrainChain, startup de tecnologia especializada em blockchain, prepara um arrastão no Brasil. Nos próximos dias, deverá anunciar a compra da MasterBaster, fundada por Walter Dissinger, ex-presidente da Votorantim Cimentos.  É só o começo. Segundo o RR apurou, a empresa negocia a aquisição de outras duas startups brasileiras, focadas no desenvolvimento de soluções para o agronegócio. Parte dos recursos para as múltiplas investidas no mercado brasileiro virá do aporte de US$ 30 milhões recebido recentemente de fundos norte-americanos.

#GrainChain #MasterBaster #Votorantim Cimentos

Rui Costa invade a jurisdição de outros Ministérios

2/03/2023
  • Share

A concentração de poderes sob o guarda-chuva de Rui Costa, ministro da Casa Civil, está provocando atritos interministeriais. Os mais insatisfeitos são os ministros dos Transportes, Renan Filho, e de Portos e Aeroportos, Marcio França. Segundo o RR apurou, Costa vem conduzindo negociações relacionadas às respectivas áreas sem envolver as duas Pastas. Um exemplo: nos últimos dias, o secretário de Assuntos Federativos da Casa Civil, André Ceciliano, tem feito reuniões com governos estaduais para discutir a liberação de verbas federais para projetos ferroviários e portuários previstos no PAC sem passar pelos dois ministérios. Se o critério é prestígio e proximidade com o presidente Lula, muito provavelmente Rui Costa vai continuar atropelando Renan Filho e Marcio França.

#Casa Civil #Lula #Rui Costa

Supermercados voltam à carga para vender medicamentos

2/03/2023
  • Share

As grandes redes de supermercados do país têm se movimentado junto ao governo Lula na tentativa de emplacar um antigo pleito: a liberação das vendas de medicamentos sem prescrição em supermercados. Os grupos do setor já identificaram um potencial aliado à causa. O vice-presidente da República, ministro do Desenvolvimento e médico, Geraldo Alckmin, seria favorável à medida. Não por acaso, tem sido um dos principais pontos de interlocução dos varejistas. Em janeiro, não custa lembrar, compareceu à posse do presidente reeleito da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), João Galassi. Segundo o RR apurou, a entidade vai encaminhar a Alckmin e também ao ministro Fernando Haddad estudos sobre os possíveis impactos positivos da iniciativa, batendo, principalmente, na tecla da redução dos preços dos remédios em razão da escala e do número de lojas das grandes redes de hiper e supermercados do país. Um indicador que está sendo propalado aos quatro cantos pelos gabinetes de Brasília: na década de 90, o setor vendeu medicamentos por um ano. Nesse período, os preços caíram até 35%. Em contato com o RR, a Abras confirmou que “em oportunidades anteriores, encaminhou estudos sobre o tema para autoridades da área econômica. No entanto, levará novamente tais estudos, atualizados, às novas autoridades da Pasta”. 

#Fernando Haddad #Geraldo Alckmin #Lula

Neri Geller entra na disputa por vice-presidência do BB  

1/03/2023
  • Share
O RR apurou que o ex-deputado federal Neri Geller está cotado para assumir a vice-presidência de Agronegócio do Banco do Brasil, cargo vago desde a saída do executivo Renato Naegele, há duas semanas. Caso se confirme, Geller será o único forasteiro no primeiro escalão do BB – todas as demais cadeiras estão ocupadas por funcionários de carreira. Sua indicação tem o apoio do ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, e de lideranças da bancada ruralista. Geller é uma das principais pontes entre o presidente Lula e o agribusiness. Chegou, inclusive, a ter seu nome cotado para a própria Pasta da Agricultura. A ida para o BB seria um downgrade dos mais honrosos. A vice-presidência de Agronegócios é um posto bastante cobiçado, pelas cifras que costuma movimentar. A carteira de crédito agrícola do Banco do Brasil soma mais de R$ 300 bilhões. Na safra 2022/23, o BB vai desembolsar mais de R$ 100 bilhões no âmbito do Plano Safra. Não por acaso, há uma disputa nos bastidores pela nomeação. Um dos principais concorrentes de Geller é Jayme Pinto Junior, funcionário de carreira do BB. Ele tem o apoio da presidente da instituição, Tarciana Medeiros.

Petrobras retoma investimentos na área de fertilizantes

1/03/2023
  • Share

A Petrobras voltará a ser um instrumento do Estado para a redução do déficit de fertilizantes no Brasil. Segundo o RR apurou, a nova diretoria da estatal já estaria trabalhando em um cronograma para a reabertura de fábricas e a retomada de projetos paralisados durante o mandato de Jair Bolsonaro. De acordo com a mesma fonte, uma das primeiras medidas será o reinício das obras de construção da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN III) de Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul. Há pouco de mais um mês, a estatal suspendeu o processo de venda do complexo. O custo previsto para a conclusão da UFN III gira em torno de R$ 3 bilhões. A companhia também pretende tirar da gaveta o projeto de construção da UFN V, em Uberaba (MG). Outra iniciativa seria a reabertura da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen-PR), fechada desde 2020. Hoje, as importações de fertilizantes respondem por aproximadamente 85% do consumo total no Brasil. Estima-se que, em plena operação, as três fábricas possam reduzir esse índice em algo próximo a dez pontos percentuais. É apenas o início. Internamente, segundo informações apuradas pelo RR, Prates já sinalizou que, sob sua gestão, a Petrobras vai desenvolver outros projetos no setor.

Mais do que uma resolução corporativa, a volta da Petrobras à área de fertilizantes é uma decisão de governo. Durante a campanha, o próprio Lula criticou duramente a saída da estatal desse setor. Noves fora questões de ordem política, as circunstâncias até fundamentavam a posição da Petrobras durante o mandato de Jair Bolsonaro. Mesmo considerando o custo do frete o imposto de importação, houve um momento em que comprar fertilizante no exterior, notadamente da Rússia, era mais barato do que adquirir o insumo produzido no Brasil. A guerra contra a Ucrânia mudou essa dinâmica do mercado e reduziu o gap de oportunidade. Some-se a isso o surgimento de outras variáveis que podem tornar a retomada dos projetos em fertilizantes um bom negócio para o Brasil e para a própria Petrobras. A produção de petróleo na Margem Equatorial, nova fronteira energética no país, deverá provocar um aumento da produção interna de gás, o item mais relevante na estrutura de custos para a produção de adubo. Além disso, tratativas em curso com a Bolívia e a Argentina – neste caso envolvendo a construção do gasoduto Nestor Kirchner – também podem aumentar a oferta do combustível a preços mais vantajosos. De quebra, há ainda um ganho político para Lula: a retomada dos investimentos da Petrobras no setor dá ao presidente uma valiosa moeda de troca com governadores. 

#Jair Bolsonaro #Petrobras #UFN III

Venda de parque eólico esquenta contencioso familiar na Ferbasa

1/03/2023
  • Share

Há muita mágoa e desamor societário na forja da Companhia de Ferro Ligas da Bahia (Ferbasa). Segundo uma fonte próxima à empresa, José Eduardo Cabral de Carvalho, herdeiro da metalúrgica, estuda entrar na Justiça para brecar a eventual venda do parque eólico BW Guipará, na Bahia, para a AES Brasil. As duas companhias assinaram um memorando de entendimentos no início do ano e negociam a transferência de parte ou mesmo do controle do empreendimento. O novo processo seria mais um capítulo de uma disputa que teve início em 2015, ano da morte de José Corgosinho de Carvalho Filho, pai de José Eduardo Cabral de Carvalho e fundador da Ferbasa e da Fundação José Carvalho. O herdeiro contesta a doação de ações da metalúrgica para a Fundação, iniciada por seu pai nos anos 70. Aparteado da gestão, José Eduardo afirma que a transferência foi ilegal e tenta, por vias judiciais, anular a operação e assumir o controle da companhia.  

Em novembro do ano passado, a sede da Ferbasa foi alvo de uma operação de busca e apreensão de documentos a partir do processo movido por José Eduardo. O que está em jogo é o mando sobre uma das maiores fabricantes de ferroligas do Brasil, com valor em bolsa de R$ 5 bilhões. Em contato com o RR, a Ferbasa diz que “não comenta sobre qualquer medida judicial que esteja em curso”. Em referência à operação de novembro do ano passado, a empresa afirma que “a referida ordem padece de vícios processuais graves e que viola seus direitos e os de terceiros. As medidas necessárias para corrigir os equívocos e restabelecer a ordem processual, com vistas a resguardar a defesa dos seus interesses, já foram adotadas pela Ferbasa”. A empresa disse ainda que “desconhece a existência de qualquer medida judicial envolvendo o Sr. José Eduardo Cabral e o parque eólico da BW Guirapá.” O RR também entrou em contato com José Eduardo Cabral, mas o empresário não se pronunciou até o fechamento desta matéria. 

#AES Brasil #Ferbasa

JBS avança sobre frigorífico da Rio Branco Alimentos

1/03/2023
  • Share

A JBS negocia a compra do complexo industrial da Rio Branco Alimentos na cidade de Palmeiras de Goiás (GO). A planta tem capacidade para o abate de aproximadamente 200 mil frangos por dia. Ou pouco mais de 70 milhões por ano. O movimento do conglomerado dos irmãos Batista tem um forte componente defensivo: evitar que a unidade caia nas mãos de um concorrente, notadamente a BRF. O negócio permitiria à JBS ampliar ainda mais a sua posição como maior produtora e exportadora de frangos do mundo, com mais de 4,4 bilhões de cabeças ano, o dobro da capacidade da BRF. Por sua vez, a Rio Branco Alimentos, dona da marca Pif Paf, segue a velha máxima de se desfazer de um anel para preservar os dedos. A negociação do complexo industrial de Goiás – uma das seis unidades de produção do grupo – tem como objetivo fazer caixa para reduzir o passivo. O que mais a Rio Branco quer abater nesse momento é sua dívida, em torno de R$ 1 bilhão. 

#BRF #JBS #Pif Paf

Cargill decide ser mais credora do que acionista da Paranapanema

1/03/2023
  • Share

A Cargill virou uma espécie de “inimigo íntimo” da Paranapanema. Segundo o RR apurou, a trading norte-americana – ao mesmo tempo acionista e credora da companhia – tem sido um osso duro de roer à mesa de negociações. De acordo com a mesma fonte, a Cargill já teria sinalizado ser contra a proposta de recuperação judicial apresentada pela empresa há cerca de duas semanas. A Paranapanema ofereceu aos credores da Classe III, onde os norte-americanos estão listados, um haircut de 50% sobre o valor do passivo e o pagamento em 48 parcelas, com dois anos de carência. Dona de pouco mais de 8% da empresa, a Cargill tem aproximadamente R$ 25 milhões em créditos a receber. Dito assim, pode soar como um valor pequeno. No entanto, a trading é a maior credora dessa categoria. 

 

A Paranapanema, ressalte-se, não está de braços cruzados, somente à espera de um “waiver” de seus credores. A empresa colocou à venda as fábricas de cobre da Eluma, sua controlada, em Santo André (SP) e Serra (ES), com o objetivo de fazer caixa e pagar os credores. Os recursos amealhados com a alienação dos ativos deverão ser destinados a um fundo de diretos creditórios e usados para o pagamento de credores financeiros. 

#Cargill #Paranapanema

Malha Oeste ameaça encalhar por falta de investidor

1/03/2023
  • Share

O que fazer com a Malha Oeste? O ministro dos Transportes, Renan Filho, busca soluções para um problema que está prestes a cair no colo do governo – a Rumo Logística (Cosan) deverá concluir a devolução da licença à União até junho. As primeiras sondagens feitas pelo ministro junto a grupos do setor foram desalentadoras: ninguém demonstrou interesse em disputar a relicitação da ferrovia. Um dos maiores fatores de aversão ao negócio é a necessidade de investimentos na linha férrea – estima-se que o aporte necessário seja da ordem de R$ 15 bilhões. Diante da baixa atratividade da operação, o Ministério dos Transportes já discute modelos alternativos para o futuro leilão. Uma das ideias é dividir os mais de 1,6 mil quilômetros da Malha Oeste em duas ou até mesmo três novas concessões, que seriam licitadas separadamente.

#Cosan #Rumo Logística

Todos os direitos reservados 1966-2026.

Rolar para cima