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A oposição pretende espremer a proximidade histórica entre os governos do PT e o chavismo por todos os lados. A bancada bolsonarista vai acionar o TCU para que investigue a dívida da Venezuela com o Brasil, superior a R$ 10 bilhões. O passivo decorre de operações de crédito para exportações de serviços, leia-se obras de infraestrutura no país vizinho financiadas pelo BNDES. O banco já se livrou das dívidas, ao recorrer ao Seguro de Crédito à Exportação (SGE), lastreado no Fundo de Garantia à Exportação (FGE). Ou seja: no balanço do BNDES, os financiamentos estão todos zerados. O problema caiu no colo do Tesouro. Com o uso do FGE, o saldo devedor foi transferido para a União. A narrativa da base bolsonarista já está na ponta da língua: a ordem é acusar o governo Lula de leniência na cobrança desses créditos junto à finada gestão de Nicolás Maduro.
Emissários de Jair Bolsonaro têm levado ao presidente do PL, Waldemar da Costa Neto, o pleito de que o partido aumente o valor da remuneração paga a Michelle Bolsonaro. À frente do PL Mulher, a ex-primeira-dama recebe da sigla cerca de R$ 41 mil por mês. Ao contrário do que possa soar, o pedido não chega a ser um reconhecimento do peso político conquistado por Michelle, sobretudo após a prisão do marido. Dentro do PL, a reinvindicação é vista como uma manobra de Bolsonaro para recompor sua própria renda. Após a sua condenação pelo STF, o partido suspendeu o salário mensal de R$ 46 mil que era pago ao ex-presidente.
Quem, afinal, vai mandar no Carrefour Brasil? Essa é a pergunta que vem sendo feita nos próprios corredores da companhia e começará a ser respondida a partir desta semana, quando o francês Julien Munch assume o cargo de “deputy-CEO”, criado sob medida para ele. Para todos os efeitos, Munch será algo como um vice-CEO, ficando, portanto, abaixo de Pablo Lorenzo, presidente do grupo no Brasil. Mas será que tudo é como parece ser? Dentro da empresa a nomeação do executivo francês tem alimentado rumores de um possível enfraquecimento da posição de Lorenzo, no posto de CEO há apenas cinco meses. Desde já, a percepção é que Munch chega para quebrar hierarquias na governança do Carrefour Brasil e funcionar como uma espécie de “interventor”, com poderes para atuar de forma transversal em todas as áreas do grupo – supermercados, hipermercados, a bandeira atacadista Sam’s Club e o braço imobiliário. Para se ter uma ideia do status com que desembarcou no país, além do figurino de “deputy-CEO” feito sur mesure, ele acumulará funções até então divididas entre dois executivos – José Rafael Vasquez, que ocupava a função de CEO de Varejo e do Sam’s Club, e Liliane Dutra, que comandava a divisão de real estate. Ambos deixaram a companhia em dezembro, assim como Marcelo Tardin, que chefiava a área de transformação.
O frenético troca-troca no apagar das luzes de 2025 aumentou a tensão entre os executivos do Carrefour Brasil. Primeiro, pelo instinto de sobrevivência. Na empresa o que se diz à boca miúda é que a chegada de Julien Munch deverá deflagrar novas mudanças na diretoria. Além disso, há uma apreensão de como, na prática, se dará o jogo hierárquico entre Munch e Pablo Lorenzo. Há espaço para a coabitação de dois executivos com o peso e a trajetória que ambos carregam dentro do grupo? Lorenzo conduziu a reestruturação do Carrefour na Argentina, a incorporação do Grupo BIG no Brasil e assumiu também o comando da empresa na América Latina. Munch, por sua vez, ocupava até dezembro o poderoso cargo de chefe geral de operações do grupo na França. Não obstante o currículo, talvez os cinco meses no cargo já tenham sido suficientes para gerar algum desgaste e até mesmo colocar em xeque a liderança de Lorenzo. O RR encaminhou uma série de perguntas ao Carrefour Brasil, por meio de sua assessoria, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.
O Carrefour atravessa o que talvez seja a sua maior reestruturação em 50 anos no país. A reorganização vai do intenso troca-troca de executivos à transferência da sua própria sede no Brasil, de Barueri para o centro de São Paulo. A nova gestão – seja ela comandada por Lorenzo ou por Munch – tem a missão de atacar o que, aos olhos dos franceses, são lacunas deixadas pela gestão de Stéphane Maquaire, que ocupou a presidência do Carrefour Brasil de 2021 até julho do ano passado. Segundo informações filtradas pelo RR, foram identificadas falhas no processo de integração entre varejo e atacado e processos defasados com gargalos em controle de estoque, fluxo de pagamentos, logística e compliance. Esses entraves, segundo fontes do setor, contribuíram para atrasos operacionais, falhas de comunicação interna e perda de competitividade. A governança corporativa também emerge como área prioritária de reforma. A antiga estrutura era percebida como dispersa, com centros decisórios fragmentados e pouca coesão entre diretorias. Some-se o fato de que o Carrefour Brasil está no meio de um processo de repactuação de seu passivo, da ordem de R$ 9,8 bilhões. Uma parte das dívidas foi contraída junto à própria matriz, que refinanciou a empresa para o pagamento antecipado de diversas séries de debêntures simples e Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA).
Além da tragédia, leia-se a morte de dois funcionários, o incêndio do Shopping Tijuca, na última sexta-feira, coloca em xeque um dos principais investimentos greenfield da Allos para 2026. O grupo previa para este ano a expansão do shopping, com a inauguração de uma nova área de gastronomia. Entre outras redes, já estava acertada a inauguração de um restaurante do Vamo. Com o incidente, o projeto entra em compasso de espera. Mesmo porque ainda não há uma conclusão dos danos estruturais causados pelo incêndio e do prazo necessário para a reabertura do centro comercial. O prejuízo causado pelo fechamento das lojas e pelo adiamento das obras da área gourmet ameaçam ainda chamuscar o guidance da Allos para 2026. A ver qual será o impacto sobre a remuneração dos acionistas. No ano passado, a empresa anunciou para 2026 o pagamento de dividendos mensais de R$ 0,28 a R$ 0,30 por ação, praticamente o triplo do valor desembolsado em 2025. Consultada, a Allos não se pronunciou.
A oposição, à frente o PL, está se articulando para requerer ao TCU a abertura de uma investigação dos leilões realizados pela Conab, especialmente para a compra de arroz. A aquisição tem beneficiado, sobretudo, agricultores do Rio Grande do Sul – o estado responde por mais de 70% da produção brasileira do cereal. A oposição levanta o argumento de que há um conflito de interesses entre a condução da política de estoques e o calendário eleitoral. Isso porque o presidente da Conab, Edegar Pretto, é pré-candidato ao governo gaúcho em 2026. Os parlamentares querem que o Tribunal de Contas investigue critérios de formação de preços, volumes ofertados, frequência dos leilões e a concentração regional dos beneficiários, especialmente em um momento em que o mercado do arroz atravessa um ciclo de baixa acentuada. Somente em 2025, a Conab já colocou cerca de R$ 1,5 bilhão em operações de apoio ao cereal. A cotação da commodity caiu cerca de 50% nos últimos 12 meses, pressionando a renda do produtor.
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