Redação RR - Relatório Reservado

Artigos: Redação RR

MP do seguro-defeso ameaça naufragar no Congresso

6/02/2026
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O governo Lula, mais uma vez, corre o risco de ficar preso ao anzol do Congresso. O Palácio do Planalto tem encontrado dificuldades para aprovar a MP que reformula as regras do seguro-defeso, o benefício pago aos pescadores artesanais no período de reprodução das espécies. A resistência à medida se espalhou por diferentes frentes dentro e fora do parlamento, criando um ambiente político adverso. O principal foco de oposição vem das bancadas do Norte e Nordeste, notadamente de deputados e senadores do Pará, Maranhão, Amazonas e Bahia e Alagoas, inclusive do próprio PT. Os parlamentares temem o desgaste político de mexer em um benefício sensível em regiões onde o seguro-defeso têm forte peso eleitoral. O coro é engrossado pelos prefeitos de municípios pesqueiros. Diante desse cerco múltiplo, a MP chega ao Legislativo sob risco real de desidratação ou atraso na votação.
Com a MP, o governo busca jogar uma rede e arrastar para longe as fraudes na concessão do seguro-defeso. Segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), os pagamentos indevidos somaram R$ 9 bilhões entre 2013 e 2024. No entanto, a gestão Lula acabou cutucando um vespeiro, ou melhor, um cardume. Além da reação política, entidades representativas da pesca artesanal, como federações estaduais e a Confederação Nacional dos Pescadores Artesanais (CNPA), também cobram ajustes na MP ou, no limite, que ela afunde. Apontam que o texto parte da presunção de fraude e impõe um ônus burocrático incompatível com a realidade social dos pescadores de subsistência. Alegam ainda que as novas exigências — como inscrição no CadÚnico, comprovação digital de atividade e cruzamento de bases de dados — poderão levar à exclusão de beneficiários legítimos, em regiões onde o acesso à internet e a serviços públicos é precário.

#Congresso

Linda mira aquisições nos Estados Unidos após aporte de R$ 10 milhões

5/02/2026
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A Linda Lifetech, fundada pelo quarteto de investidores brasileiros Rubens Mendrone, Luis Renato Lui, Rodrigo Victorio e Raquele Rebello, está garimpando aquisições nos Estados Unidos. No radar, startups de inteligência artificial aplicada à oncologia, sobretudo aquelas voltadas à análise de imagem e apoio ao diagnóstico, plataformas de testes diagnósticos e desenvolvedoras de soluções de triagem remota. O caixa para M&As no ecossistema de saúde dos Estados Unidos vem da recente captação de R$ 10 milhões em uma rodada seed liderada pelo Sky River Ventures. Especializada em detecção precoce de câncer, a Linda tornou-se uma empresa mais canadense do que brasileira, após transferir sua sede de São Paulo para Toronto, em 2023.

#Linda Lifetech

Chinalco faz da CBA trampolim para investimentos em energia no Brasil

5/02/2026
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A compra da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), em parceria com a Rio Tinto, é o marco zero de uma estratégia de negócios mais ampla da Chinalco para o Brasil. O RR apurou que o grupo asiático planeja investir na área de energia. Há informações no mercado de que os chineses já abriram canais de interlocução com os governos do Piauí e do Rio Grande Norte para discutir projetos de geração eólica nos dois estados. A empresa teria a escolta financeira do China Development Bank e Asian Infrastructure Investment Bank, instituições, inclusive, que já mantêm acordos com o BNDES para investimentos em energia limpa no Brasil. A Chinalco olha para dentro e para fora da CBA. A premissa é garantir a autossuficiência da empresa que era a menina dos olhos de Antonio Ermírio de Moraes. Já há algum tempo, a CBA produz a maior parte da eletricidade que consome, mas ainda tem de buscar no mercado livre uma parcela expressiva da sua demanda, algo em torno de 40%. Como se sabe, fabricar alumínio é basicamente queimar energia – em plantas menos eficientes, o impacto do insumo sobre o custo de produção pode chegar a 50%. Mas a Chinalco quer ir bem além das paredes da CBA. Os chineses vislumbram a oportunidade de vender energia a terceiros, criando, assim, um segundo eixo estratégico no Brasil.
De certa forma, a compra da CBA já coloca a Chinalco no mercado de energia no Brasil – ainda que a produção da empresa seja quase que integralmente para consumo próprio. Com a incorporação da fabricante de alumínio, em sociedade com a Rio Tinto, os chineses herdarão 21 usinas hidrelétricas (15 delas controladas pela CBA e outras seis em consórcio) e dois parques eólicos. Trata-se de uma capacidade instalada de 1,6 GW, o equivalente a usina de Belo Monte. No fim do ano passado, por sinal, a CBA adquiriu junto à Casa dos Ventos uma participação no complexo de energia eólica Serra do Tigre, na divisa entre a Paraíba e o Rio Grande do Norte.
A Chinalco, 100% controlada pelo governo chinês, quer replicar no Brasil a lógica de integração vertical que carrega em seu país natal. Mineração, refino, metalurgia e energia formam um ecossistema único. Por meio da Chinalco Ningxia Energy, sua controlada, o grupo mantém um colar de participações em projetos de geração renovável. Entre outros ativos, o portfólio inclui usinas eólicas e solares integradas a polos industriais em Xinjiang e Ningxia, além de hidrelétricas de médio porte. Sua carteira tem espaço também para a velha energia suja, leia-se térmicas a carvão ultra-supercríticas – a exemplo do complexo de Lingwu -, que detêm tecnologia avançada de vapor em condições extremas de pressão e temperatura, superiores às das usinas convencionais.

#Energia

Diretor de Itaipu desponta como nome forte para Ministério de Minas e Energia

5/02/2026
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Ontem corria à boca miúda em Brasília a informação de que o PSD, de Gilberto Kassab e do próprio ministro Alexandre da Silveira, trabalha para emplacar o diretor financeiro de Itaipu, André Pepitone, na secretária executiva do Ministério de Minas e Energia. O cargo de nº 2 da Pasta tornou-se uma posição bastante cobiçada pela possibilidade de ser um trampolim quase imediato para a cadeira de nº 1. O ministro Alexandre da Silveira deixará o posto em abril para concorrer ao Senado, abrindo brecha para o eventual upgrade do secretário executivo da Pasta. O próprio Arthur Valerio, que deixou o cargo na última segunda-feira para atuar na advocacia privada, era apontado como favorito para a sucessão de Silveira. Ex-diretor geral da Aneel, Pepitone assumiu a diretoria financeira de Itaipu em 2022, no governo de Jair Bolsonaro. Mesmo se tratando de um legado da era Bolsonaro, mantém-se firme e forte na estatal. Uma prova da sua elevada voltagem política: nem Gleisi Hoffmann, que indicou o próprio diretor-geral de Itaipu, Enio Verri, conseguiu tirar Pepitone da estatal. E não foi por falta de tentativa.

#Ministério de Minas e Energia

OLX avança em seu processo de “fintechzação”

5/02/2026
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A recente entrada da OLX no capital do Credaluga deve ser interpretada como pé de apoio para um salto maior. A leitura no mercado é que o tradicional marketplace de classificados pretende ampliar sua porção fintech e se espraiar por segmentos da área financeira vinculados à compra, venda e locação de imóveis. Entrariam nesse cesto crédito, seguro (fiança e residencial), administração imobiliária e cobrança, entre outros. Só o mercado de fiança locatícia e seguros associados gira em torno de R$ 8 bilhões por ano, com margens altas e penetração digital ainda baixa. A OLX mira também em produtos como antecipação de aluguel e precificação dinâmica de imóveis. Nesse cenário, o aporte de US$ 5 milhões na Credaluga é um ponto de partida. O movimento da OLX aponta para a montagem de um colar de participações em fintechs.
Ressalte-se que, quando se fala de OLX, está se falando de uma colmeia de marketplaces do setor imobiliário, que inclui ainda as marcas ZAP e Viva Real. O grupo enxerga um veio de ouro. O mercado de aluguel residencial movimenta mais de R$ 180 bilhões por ano, mas segue pulverizado, pouco bancarizado e com baixa integração tecnológica. Hoje, estima-se que mais de 80% dos contratos de locação no país ainda operem fora de plataformas estruturadas.

#OLX

Família Bolsonaro pressiona para indicar o vice de Tarcísio em SP

5/02/2026
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O clã Bolsonaro está empenhado em meter a colher na chapa de Tarcísio de Freitas e indicar o candidato a vice-governador de São Paulo. O nome de proa do bolsonarismo para a vaga seria o do deputado estadual Gil Diniz (PL). Diniz tem uma relação de idas e vindas com Tarcísio. Na semana passada, por exemplo, ironizou o governador no plenário da Assembleia Legislativa e chegou a dizer que o PL deveria lançar uma candidatura própria ao Palácio dos Bandeirantes. O motivo foi a declaração de Tarcísio de que as múltiplas candidaturas do campo da direita podem favorecer na disputa contra Lula. A tentativa de ingerência da família Bolsonaro soa à provocação. Nos bastidores, Tarcísio já deixou claro que pretende repisar a chapa de 2022, com o atual vice Felício Ramuth (PSD). É mais uma das tantas arestas que volta e meia insistem em aparecer na relação entre o clã Bolsonaro e o governador paulista. Nesta semana, por exemplo, Tarcísio exonerou da Pasta da Segurança Pública 14 nomes ligados ao ex-secretário Guilherme Derrite, o que foi interpretado no entorno de Flavio Bolsonaro como um movimento de ataque de Tarcísio ao bolsonarismo puro-sangue.

#Jair Bolsonaro

Fictor, Reag e uma tabelinha cheia de impedimentos no Palmeiras

4/02/2026
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Ainda que involuntariamente, o Palmeiras tornou-se palco de uma tabelinha entre protagonistas de escândalos financeiros. Nos bastidores do clube, o que se diz é que o patrocínio da Fictor ao Verdão teria sido costurado por João Carlos Mansur, fundador da Reag, liquidada pelo Banco Central. Mansur é um nome influente na política do clube. Ocupa uma cadeira de membro efetivo do Conselho de Orientação e Fiscalização (COF) do Palmeiras e, no passado, teve um papel razoavelmente relevante nas tratativas com a WTorre para a construção do Allianz Parque. Cisca daqui, dribla dali, a Fictor foi parar na camisa do Palestra. Firmado em 2025, o patrocínio renderia ao Palmeiras cerca de R$ 30 milhões por temporada. Renderia. O contrato foi rescindido na última segunda-feira após a Fictor entrar com pedido de recuperação judicial.

#Palmeiras #Reag

Itaúsa ensaia a coreografia da sua saída da Aegea

4/02/2026
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Os Setúbal ensaiam uma lenta e gradual saída da Aegea. O desinvestimento se daria em duas partes. A primeira com o iminente aumento de capital da empresa, aprovado em dezembro. No mercado, há informações de que a Itaúsa não está disposta a acompanhar o aporte, o que diluiria sua participação, hoje de 13%. O passo definitivo para a sua retirada do negócio ocorreria com o prometido IPO da Aegea – ainda sem data. Consta que, entre os acionistas da companhia de saneamento, os Setúbal são os principais defensores da oferta de ações em bolsa, justamente porque ela lhes daria uma porta para a rua. Consultada, a Itaúsa não quis se manifestar.
Quem também deve reduzir sua posição com o aumento de capital da Aegea é a Equipav, acionista majoritária da empresa de saneamento, com 53%. Uns descem, outros sobem. Do outro lado da gangorra societária está o GIC, fundo soberano de Cingapura, que pretende não apenas atender à chamada de capital, mas aumentar sua fatia acionária, atualmente de 19%. Ao todo, o aporte na Aegea deve chegar a R$ 1,2 bilhão. A injeção de recursos acontece no momento em que o setor fervilha diante dos preparativos para a oferta secundária de ações da Copasa, que pode atingir R$ 10 bilhões. A Aegea está na disputa para entrar como investidor estratégico na operação. Tem a concorrência de grandes players da área de private equity, como Kinea, curiosamente ligado ao Itaú, e Perfin.

#Aegea #Itaúsa

Produtores de cacau provam o amargo chocolate da política baiana

4/02/2026
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A política e o agronegócio baiano fervem como água para chocolate. O governador Jerônimo Rodrigues tem buscado diretamente junto ao Palácio do Planalto medidas de apoio aos produtores de cacau do estado, que atravessam uma grave crise. Rodrigues busca crédito de bancos federais e, sobretudo, salvaguardas para conter a crescente importação do fruto, notadamente da Costa do Marfim. No entanto, aliados do governador baiano se queixam nos bastidores de que os pleitos levados à Brasília estão parados no gabinete do ministro da Casa Civil, Rui Costa. Já há, inclusive, quem enxergue pelo nesse cacau por conta dos insistentes rumores de que Costa pode vir a ser o candidato do PT ao governo da Bahia, o que alijaria Rodrigues da disputa pela reeleição.
Em meio a eventuais picuinhas internas no PT da Bahia, os agricultores do estado vêm os preços e consequentemente suas margens derreterem feito um chocolate exposto ao sol. O cacau já acumula uma depreciação próxima de 30% desde meados do ano passado, pressionado pelo excedente de oferta. Em 2025, as importações cresceram 17% em comparação com o ano anterior. Mais de um terço do produto de fora vem da Costa do Marfim. Agricultores organizados pela Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia (Faeb) têm realizado protestos e bloqueios em rodovias e no entorno do Porto de Ilhéus, principal lócus de desembarque do cacau estrangeiro, para cobrar maior rigor sobre o uso do regime de drawback — mecanismo que suspende tributos na importação do fruto destinado a processamento e exportação.

#Cacau

Clã Bolsonaro quer Tarcísio e Flavio fazendo comício na porta do cárcere

4/02/2026
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O clã Bolsonaro vê com bons olhos uma visita conjunta de Tarcísio de Freitas e Flavio ao ex-presidente Jair Bolsonaro na Papudinha, em Brasília. Sob a ótica e a semiótica bolsonarista, seria uma demonstração pública mais forte de apoio de Tarcísio à candidatura do 01 à Presidência da República – lá no fundo, bem lá no fundo, a família ainda acha que o governador de São Paulo vive costeando o alambrado, como costumava dizer Leonel Brizola. O beija-mão compartilhado a Bolsonaro na cadeia seria, portanto, um gesto eivado de simbolismo. Tudo muito bom, tudo muito bem, mas toda essa coreografia dependerá de Alexandre de Moraes e de uma autorização para que Tarcísio e Flavio façam uma visita simultânea ao ex-presidente – e transformem o cárcere em palanque.

#Jair Bolsonaro

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