Procura-se uma "terceira via societária" na Raízen

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Procura-se uma “terceira via societária” na Raízen

  • 6/04/2026
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Entre as tantas peças que faltam no quebra-cabeças da Raízen, há uma em especial que mobiliza Cosan e Shell: a busca de um novo investidor que aporte recursos na companhia e se junte à dupla, como uma espécie de terceira âncora societária da encalacrada joint venture. No mercado, circulam, à boca miúda, informações de que a empresa de Rubens Ometto e a multinacional têm mantido conversas com fundos de investimento e com tradings de energia em torno da possível entrada no capital da Raízen. Um dos possíveis candidatos é a uma gestora norte-americana especializada em distressed assets e já com negócios similares no Brasil. Essa “terceira via societária” teria um múltiplo papel na complexa reestruturação da companhia, praticamente soterrada por uma dívida de R$ 65 bilhões. Em primeiro lugar, reduziria o volume de recursos que Cosan e Shell terão de aportar na empresa. Além disso, esse novo investidor funcionaria como uma espécie de fiador da renegociação do passivo da Raízen junto aos credores. Na semana passada, Cosan e Shell apresentaram aos bancos a proposta de conversão de até 45% das dívidas, algo como R$ 29 bilhões, em participação acionária. O que se ouve nos bastidores é que a primeira reação das instituições financeiras não foi das mais animadoras. Os bancos impõem rígidas condicionalidades para aceitar a transformação de quase metade dos créditos que têm a receber em ações da Raízen. A exigência primaz, já sobre a mesa, é justamente que Cosan e Shell façam uma injeção de capital na companhia.

Na prática, ao tentar atrair um novo investidor, Cosan e Raízen buscam alguém para ocupar um espaço até então feito sob medida para o BTG. O banco, que já é sócio indireto da Raízen, por meio da Cosan, participou intensamente das primeiras rodadas de negociações para o aporte de capital na companhia. O banco injetaria algo como R$ 5 bilhões. A costura, que chegou a ser levada ao Palácio do Planalto, envolvia a cisão da Raízen em duas empresas – de um lado, as usinas sucroalcooleiras; do outro, a distribuição de combustíveis. Consta, no entanto, que a Shell se opôs a condições apresentadas pela instituição financeira. Fontes próximas à Raízen apostam que o BTG não desistiu do negócio. Ao seu estilo, estaria apenas à espreita, esperando a hora certa para um novo bote. O banco garante que não. Em contato com o RR, o BTG informou, por meio de sua assessoria, que não vai participar da capitalização da Raízen. Também consultada, a Shell disse que “apoia a decisão da equipe de gestão da Raízen de entrar com um pedido de recuperação extrajudicial. Esse processo é uma medida prudente e necessária para envolver ainda mais as partes relevantes nas soluções necessárias para enfrentar os significativos desafios financeiros da Raízen e apoiar sua recuperação”. A Shell informou ao RR que “está propondo injetar R$ 3,5 bilhões como parte de uma solução estrutural”. E que “continuará trabalhando em estreita colaboração com a equipe de liderança da Raízen enquanto busca assegurar o futuro de longo prazo do negócio”. Perguntada especificamente sobre as tratativas para a entrada de um novo investidor no bloco de controle, a companhia não se manifestou. A Cosan, por sua vez, não quis comentar o assunto.

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