Há um gosto amargo de dívida entre os produtores de cacau da Bahia

Política

Há um gosto amargo de dívida entre os produtores de cacau da Bahia

  • 3/06/2026
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O cacau é sempre um ingrediente de razoável peso no caldeirão eleitoral baiano. Que o digam o governador Jerônimo Rodrigues, candidato à reeleição, e o ex-ministro da Casa Civil, Rui Costa, que disputa uma vaga no Senado. Os dois petistas têm buscado junto ao governo federal uma ampliação das linhas de crédito para os produtores, em especial por meio do Banco do Brasil, Banco do Nordeste e BNDES. O movimento ocorre em meio a um paradoxo: o cacau atravessa o melhor ciclo de preços das últimas décadas, mas os produtores sofrem com elevadas dívidas e com a escassez de financiamento para expandir a produção. A situação se torna ainda mais delicada porque a explosão dos preços internacionais elevou o custo das mudas, fertilizantes e investimentos necessários para a expansão da produção. Em pouco mais de dois anos, a cotação do cacau saltou de cerca de US$ 2.500 para mais de US$ 10 mil por tonelada nos mercados internacionais, chegando a superar US$ 12 mil em determinados momentos. A Bahia responde por aproximadamente 70% da produção brasileira de cacau.

O problema é que o cacau exige capital paciente. A implantação de um hectare pode custar entre R$ 25 mil e R$ 40 mil, dependendo da tecnologia utilizada. Além disso, uma nova lavoura leva de três a cinco anos para atingir maturidade produtiva. Poucos bancos privados se dispõem a carregar financiamentos com prazo tão longo e retorno tão distante.

#Cacau

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