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Sem os “grilhões” da Vibra, Copersucar traça nova estratégia para a Evolua
19/01/2026A Copersucar discute uma série de cenários estratégicos após assumir o controle integral da Evolua Etanol, com a compra dos 49,99% que pertenciam à Vibra. Segundo fontes próximas à cooperativa, o consenso é que a mudança abre espaço para uma redefinição mais ambiciosa do seu posicionamento no mercado de biocombustíveis. Um dos cenários em debate é a verticalização comercial plena, com maior integração entre a originação do etanol nas usinas cooperadas e a venda ao mercado, elevando margens e reduzindo intermediários. Outro caminho analisado é o fortalecimento da Evolua como plataforma independente de trading, capaz de atender diversas distribuidoras e clientes industriais, sem vínculos preferenciais. Sem um sócio distribuidor, a Evolua pode se posicionar como fornecedora neutra para múltiplos players — inclusive concorrentes da Vibra — ampliando a base de clientes e reduzindo dependências comerciais específicas. Também está na mesa a expansão internacional, com foco em exportações para a Ásia e a Europa, aproveitando a crescente demanda por combustíveis de baixo carbono. Internamente, discute-se ainda a diversificação do portfólio, incluindo etanol premium, CBIOs e possíveis conexões com o mercado de SAF.
Uma pomba sobrevoa o Palácio do Planalto
19/01/2026No dia 14 de janeiro, Donald Trump anunciou o lançamento da Fase 2 do seu plano de 20 pontos que resultara no cessar-fogo em Gaza e que, sob a supervisão de um Conselho de Paz e de um órgão executivo, previa o estabelecimento de uma administração transitória e tecnocrática de palestinos no território.
Entretanto, talvez poucos se lembrem de que, no dia 17 de novembro de 2025, o Conselho de Segurança das Nações Unidas havia aprovado por surpreendente unanimidade (com a mera abstenção de China e Rússia) a Resolução 2803 que inter alia: a) endossava o Plano Compreensivo para encerrar o conflito de Gaza; b) agradecia o papel desempenhado por Estados Unidos, Catar, Egito e Turquia na concretização do cessar-fogo; e c) aprovava o estabelecimento de um Conselho de Paz (Board of Peace – BoP) com personalidade jurídica internacional. A resolução indicava também que “após a fiel execução do programa de reforma da Autoridade Palestina e que tenha progredido a reconstrução de Gaza, as condições poderão finalmente estar reunidas para um caminho crível rumo à autodeterminação e à criação de um Estado palestino”.
É para este Conselho que Lula está sendo convidado por Trump, convite que deve ser aceito sem delongas ou tergiversações por ser um órgão devidamente mandatado pelas Nações Unidas mediante a única resolução sobre Gaza do Conselho de Segurança que, ao longo dos dois anos de conflito, não foi bloqueada por vetos de um ou mais dos cinco países que detém esse poder.
Além disso, a participação do presidente Lula se justifica pelas seguintes razões:
1) garante a presença no Conselho, juntamente com o presidente da Turquia, Recep Erdogan, e do primeiro-ministro do Catar, xeique Al Thani, de pelo menos três líderes que assumiram posições inequívocas de crítica a Israel pelo uso excessivo de força na Faixa de Gaza ao mesmo tempo em que condenavam os bárbaros ataques terroristas do Hamas que provocaram o morticínio de palestinos e judeus;
2) demonstra a importância internacional do Brasil, cujo presidente é convidado sem que, como os também convidados Javier Milei (Argentina) e Santiago Peña (Paraguai), represente um país caudatário de Washington;
3) por pressão dos países árabes que endossaram o plano de cessar-fogo de Trump e a histórica resolução 2083, oferece a única possibilidade de criação de um Estado palestino. A alternativa (contemplada inicialmente pelo próprio Trump) consistia na anexação de Gaza por Israel e até mesmo na expulsão dos palestinos de um território ocupado há séculos, hipóteses formalmente rechaçadas nos documentos acima citados. Aliás, não surpreende que Benjamin Netanyahu e seus seguidores da extrema-direita estejam furiosos com todos os anúncios de Trump nos últimos dias, declarando que não foram consultados sobre os membros dos órgãos que estão sendo criados e ameaçando até mesmo retomar os bombardeios na Faixa. Mas isso significaria o rompimento frontal com o patrão que condenaria Israel a uma condição de absoluto pária internacional, cortando os vínculos de apoio financeiro e de fornecimento de armas que o tornam totalmente dependente dos Estados Unidos.
Por fim e obviamente, o Brasil não deve pagar o bilhão de dólares que seriam supostamente destinados ao fundo de reconstrução de Gaza e estão sendo cobrados por Trump daqueles países que desejem manter um assento permanente do Conselho de Paz além dos três anos a que todos farão jus inicialmente. Até lá o voo ainda hesitante da pomba da paz estará sendo acompanhado por muitos milhões de olhos ansiosos.
Claifund lança ofensiva em geração renovável e data centers no Brasil
19/01/2026O Claifund (China-LAC Industrial Cooperation Investment), que se associou ao Pátria Investimentos na termelétrica Marlim Azul, em Macaé, tem sondado empresas da área de geração renovável no Brasil. Os chineses miram oportunidades na fronteira entre energia e infraestrutura digital. No setor, corre à boca miúda que uma das companhias com quem o fundo mantém conversas é a Casa dos Ventos. Nesse caso, todas as pontas parecem se unir. A Casa dos Ventos está envolvida em um dos maiores investimentos em curso no Brasil: a instalação de um data center no Ceará, orçado em aproximadamente R$ 200 bilhões. Seu parceiro no projeto é a Omnia, o braço de infraestrutura digital do Pátria. E quem enfeixa esse empreendimento imobiliário é a chinesa TikTok – será o seu primeiro data center na América Latina. Ou seja: trata-se de um investimento estratégico para Pequim. O Claifund se encaixaria nesse ou em outros projetos de data centers/energia no Brasil, funcionando como mais um braço de apoio para os interesses chineses.
Revisão da Lei dos Portos deve ficar para 2027
19/01/2026
Escolha de Wellington César pode provocar saída de nº 2 da Justiça
19/01/2026Na última sexta-feira, circularam em Brasília rumores sobre a possível saída de Manoel Carlos de Almeida Neto do cargo de secretário-executivo do Ministério da Justiça. O que se diz nos corredores da Pasta é que, intramuros, Almeida Neto não esconde o descontentamento por ter sido preterido na sucessão de Ricardo Lewandowski – o Palácio do Planalto escolheu para o posto Wellington Cesar Lima e Silva, até então advogado-geral da Petrobras. Almeida Neto é ligado ao próprio Lewandowski, que trabalhou pela sua efetivação como ministro, mas acabou sendo voto vencido. A percepção é que a decisão não apenas teve forte componente político como abrirá espaço para maior influência do PT na Justiça.