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10/04/2025
Fraude da Americanas: Ministério Publico estende investigações a Itaú e Santander
10/04/2025O escândalo contábil da Americanas está empurrando o Itaú e o Santander para o mesmo lócus onde foi incubada a Lava Jato: o Ministério Público Federal. De acordo com informações filtradas pelo RR, o MPF vai abrir um procedimento para apurar as denúncias contra os dois bancos feitas pelo ex-diretor financeiro da rede varejista Fabio Abrate em sua delação premiada. O órgão deverá pedir à Justiça que determine uma auditoria para averiguar uma eventual participação do Itaú e do Santander na fraude contábil da Americanas.
Em seu depoimento ao Ministério Público, Abrate acusou as duas instituições financeiras de terem escondido dados referentes às operações de risco sacado, informações estas que deveriam constar das chamadas cartas circulatórias enviadas à auditoria da empresa. Segundo o executivo, a cumplicidade do Itaú e do Santander se deu após a Americanas ameaçar romper contratos com os bancos. Em seu depoimento, Abrate chega a dizer que a fraude poderia ter sido estancada em 2016 caso os dois bancos tivessem se negado a camuflar a trapaça contábil.
Consultado pelo RR acerca da instauração de um processo investigatório contra o Itaú e o Santander, o MPF não quis fazer comentários, alegando que “o processo encontra-se sob sigilo”. Também procurado, o Santander não se pronunciou. O Itaú, por sua vez, “nega qualquer participação, direta ou indireta, na fraude contábil que a Americanas sofreu.
O banco sempre prestou às auditorias e aos reguladores informações corretas e completas sobre as operações contratadas pela empresa, conforme legislação vigente e melhores práticas de mercado. Conforme já esclarecido, os informes enviados às auditorias sempre alertavam para a existência das operações de risco sacado e da exposição de crédito da companhia aos fornecedores”. Ainda segundo o banco, “os diretores da Americanas envolvidos na operação interagiram com representantes do Itaú no sentido de retirar os alertas, como admitiu o ex-diretor Fabio Abrate em seu depoimento.
O banco nunca concordou com esse pedido e, diferentemente do que informou Abrate, manteve o texto que sinalizava a exposição da companhia ao risco sacado. O Itaú, inclusive, interrompeu, por mais de 6 meses, as operações de risco sacado. O Itaú reforça que a elaboração das demonstrações financeiras é de responsabilidade única e exclusiva da administração da empresa e repudia qualquer tentativa de responsabilização de terceiros por falhas ou fraudes nessas demonstrações.”
Investigações como esta sabe-se como começam, mas nunca onde podem terminar. Um dos maiores fatores de apreensão para o Itaú e o Santander, neste momento, é que as acusações feitas por Fabio Abrate venham a ser corroboradas por outros ex-executivos da Americanas. Até o momento, dos 13 antigos dirigentes da rede varejista denunciados pelo Ministério Público Federal, três já fecharam acordos de delação premiada – além de Fabio Abrate, estão nesse rol Marcelo Nunes, ex-diretor executivo financeiro, e Flávia Carneiro, ex-diretora executiva de controladoria. Esse número pode crescer.
Segundo uma fonte do MPF, outros dois ex-executivos da empresa abriram tratativas para também firmar um acordo de delação. Colaboração premiada está longe de ser um instrumento imune a narrativas farsescas. A história recente no Brasil mostra que sempre há o risco de o delator criminalizar terceiros com acusações infundadas para livrar a própria pele – um exemplo momentoso é a delação do tenente-coronel Mauro Cid, que mudou cinco vezes.
Caberá ao Ministério Público e à Justiça dizer se este é ou não o caso de Fabio Abrate. No entanto, a simples acusação feita pelo executivo já é suficiente para ter um impacto brutal sobre a reputação do Itaú e do Santander e colocar em xeque a estrutura de compliance de ambos.
No caso específico do Itaú, o timing da acusação é ainda mais doloroso.
A denúncia do ex-executivo da Americanas arde como arnica nas feridas já abertas no banco quando o assunto é compliance. Nos últimos meses dois casos atingiram em cheio a reputação e o orgulho dos Setúbal. O Itaú demitiu o executivo Alexsandro Broedel Lopes, que ocupava o cargo de diretor financeiro, sob acusação de violar “gravemente o Código de Ética da instituição”.
A instituição financeira encontrou “fortes indícios” de que Broedel era sócio de uma consultoria que prestava serviços ao banco. Segundo a própria instituição financeira, entre junho de 2019 e junho de 2024, Broedel contratou 40 pareceres da Care com um total de 21 pagamentos, no valor somado de R$ 13,255 milhões. Quase que no mesmo período, veio à tona a notícia de que o Itaú demitiu Eduardo Tracanella, até então chief marketing officer, por gastos pessoais e “inapropriados” em seu cartão corporativo.
São episódios graves, que, no mínimo, escancaram porosidades no compliance do banco da família Setubal. Mas nada que se compare a uma denúncia de cumplicidade com o maior escândalo contábil do Brasil, que agora paira sobre Itaú e Santander.
Zamp ergue barricada contra as antigas dívidas da SouthRock
10/04/2025Os advogados da Zamp estão se armando até os dentes, incluindo pareceres jurídicos, para rechaçar o risco de que dívidas da SouthRock caiam sobre o colo da empresa. Seria uma herança maldita decorrente da compra das operações da Starbucks e do Subway no Brasil. A Travessia Securitizadora, credora da SouthRock, entrou recentemente na Justiça solicitando a falência da empresa, que até o ano passado detinha a licença das duas redes de fast food no país. Mais do que isso: pede também a implicação da Zamp por dívidas da ordem de R$ 1,8 bilhão. A alegação é que a companhia se tornou responsável pelos débitos ao assumir a Starbucks e o Subway no Brasil. Há informações de que outros credores também avaliam seguir o mesmo caminho. Era só o que faltava no momento que a Zamp faz um trabalho hercúleo para reorganizar e alavancar a operação das duas redes no país após a desastrosa gestão da SouthRock. Em tempo: ressalte-se que, recentemente, o plano de recuperação judicial da SouthRock foi aprovado. Os credores só não sabem onde a empresa vai obter recursos para cumpri-lo. Procurada pelo RR, a Zamp não quis se manifestar.
PAC Seleções reserva R$ 2 bilhões para a área de saneamento
10/04/2025Ao mesmo tempo em que acena à classe média, o governo Lula prepara novos afagos a sua histórica base eleitoral. Neste momento, os ministros da Casa Civil, Rui Costa, e das Cidades, Jader Barbalho, estão debruçados sobre a elaboração de um PAC Seleções voltado a projetos de prevenção do desabastecimento de água em regiões de seca extrema, como o Nordeste. O programa deverá ser lançado até o fim de maio. Dentro do governo, a informação é que o volume de recursos vai girar em torno de R$ 2 bilhões. Não deixa de ser uma medida-tampão enquanto o país ainda caminha a passos lentos para a tão aguardada universalização dos serviços de água e esgoto. Segundo o Censo de 2022, apenas 62,5% da população têm acesso à rede de coleta e tratamento de dejetos.
Alcolumbre retira obstáculos que separam apadrinhado da Aneel
10/04/2025O presidente do Senado, David Alcolumbre, está removendo do caminho os óbices para a nomeação de Alexandre Aniz, ex-diretor jurídico e de Gestão Corporativa da Eletrobras, à diretoria da Aneel. Em Brasília, a decisão do TCU de retirar a inabilitação de Aniz para o posto é creditada na conta de Alcolumbre, que teria se envolvido diretamente nas gestões com ministros da Corte. Em fevereiro, o TCU inabilitou o executivo e outros cinco ex-diretores da Eletrobras para exercer cargos públicos pela suposta contratação do escritório de advocacia americano Hogan Lovells em 2015 com sobrepreço – à época, a empresa ainda era estatal. A decisão do TCU, no entanto, não durou mais do que 40 dias. Foi o tempo para o veto a Aniz ser derrubado. Agora, o caminho está aberto para Alcolumbre trabalhar dentro do Senado pela aprovação do nome do ex-diretor da Eletrobras para a Aneel.