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Softbank avança no enxugamento da sua carteira no Brasil
22/05/2026O Softbank tem movimentos engatilhados para reduzir sua exposição no Brasil. Há um zunzunzum no mercado que o banco japonês vai deixar integralmente o capital da Omie e da CRMBonus. Parte do caminho já foi percorrida no ano passado, quando a instituição financeira fez sua saída parcial das duas empresas. Também estaria no radar a venda de uma parcela da sua participação no Quinto Andar e na Olist. Trata-se de uma mudança de fase do SoftBank no país. Dono do Vision Fund 1, o maior fundo de tecnologia já criado, com mais de US$ 100 bilhões, o grupo japonês já sinônimo de cheque gordo, valuation esticado e crescimento acelerado. Esse tempo ficou no passado, especialmente no caso das startups brasileiras. A lógica agora é vender fatias, reciclar capital e diminuir posições que já consumiram boa parte de seu ciclo de maturação. A Omie é o caso mais emblemático. Em setembro de 2025, a companhia levantou R$ 855 milhões, na maior rodada brasileira daquele ano, em uma operação liderada pela Partners Group e majoritariamente secundária.
Sem dinheiro e sem pessoal: é essa ANPD que vai encarar as big techs?
22/05/2026Há duas “ANPDs” em Brasília. Uma é a do imaginário do governo Lula, que acaba de transformá-la em uma superagência da economia digital, responsável pela regulação e fiscalização das poderosas big techs; a outra é a real, que precisará de um substancial reforço de caixa para encarar a árdua missão. Como está, vai ser quase impossível. A Agência Nacional de Proteção de Dados sofre com a penúria orçamentária, déficit de pessoal e falta de musculatura. Não é por falta de aviso. No fim do ano passado, a direção da Agência enviou ofício ao Ministério da Justiça, alertando que o orçamento projetado de R$ 15,6 milhões para 2026 seria insuficiente até para manter contratos básicos de apoio administrativo e tecnologia da informação. Na ocasião, a agência estimava necessitar de R$ 23 milhões adicionais para operar e cumprir suas funções. Nada aconteceu. Com a amplificação da sua jurisdição, estima-se que a ANPD precisará, no mínimo, de um orçamento da ordem de R$ 60 milhões, apenas para custeio. Em fevereiro, o Senado aprovou a MP 1317/2025, liberando a criação de 200 novos cargos de especialista em regulação de proteção de dados. Na prática, porém, a abertura das vagas ainda depende de autorização orçamentária para a realização de concurso público. Hoje, a ANPD tem 216 servidores. A direção da agência calcula que terá de chegar a 500 funcionários para encarnar o papel de xerife das big techs. E precisará também de um teto para abrigá-los. Mesmo com um contingente reduzido, a Agência hoje enfrenta um problema imobiliário: o prédio onde está instalada, em Brasília, não comporta o atual número de servidores. A direção da ANPD já solicitou à Secretaria do Patrimônio da União a cessão de um novo imóvel, mas ainda não teria recebido resposta.
Pelos decretos assinados pelo presidente Lula nesta semana, o peso da ANPD cresceu significativamente. A Agência passa a ter poder de polícia sobre plataformas digitais, com competência para editar normas, fiscalizar condutas, apurar infrações e aplicar sanções. A entidade deverá supervisionar o cumprimento de deveres de prevenção, transparência, remoção de conteúdos ilícitos, combate a fraudes digitais, publicidade enganosa, exploração sexual infantil, violência contra mulheres e outros crimes praticados ou impulsionados no ambiente online. Na prática, deixa de ser apenas a guardiã da LGPD e passa a atuar também como autoridade de referência sobre a conduta das plataformas digitais no Brasil. Some-se a isso a extensa lista de responsabilidades já a cargo da ANPD: fiscalizar o tratamento de dados pessoais por empresas e órgãos públicos, editar regulamentos, aplicar multas, orientar agentes de tratamento, supervisionar transferências internacionais de dados, zelar pelos direitos dos titulares, analisar incidentes de segurança, regular bases legais de tratamento, acompanhar o uso de dados sensíveis e arbitrar conflitos sobre privacidade. Nos últimos meses, a ANPD ainda assumiu a aplicação do ECA Digital, tornando-se responsável pela proteção de crianças e adolescentes em ambientes digitais. Agora, com a fiscalização das big techs, a agência salta de uma autoridade setorial de proteção de dados para uma espécie de xerife geral da vida online. Por ora, um xerife que sofre com a falta de munição financeira.
Shell quer desarmar a bomba da Raízen antes de trocar comando no Brasil
22/05/2026A Shell trabalha com um fator adicional de pressão na renegociação do passivo da Raízen: a já anunciada troca no comando da sua operação no Brasil. O grupo anglo-holandês considera prioritário fechar o acordo com os credores antes de agosto, quando João Santos Rosa assumirá o cargo de CEO no país em substituição a Cristiano Pinto da Costa. A reestruturação da Raízen passa pela complexa repactuação de uma dívida de R$ 65 bilhões. Não só: envolve também a venda de mais ativos, uma draconiana redução de custos e demissões. Trata-se de um “trabalho sujo” que cai melhor na conta de quem já está de saída. Por sinal, nos corredores da Shell o que se diz é que toda essa crise, se não foi determinante para a sucessão, certamente precipitou a troca na presidência da subsidiária brasileira. O atual CEO, Pinto da Costa, carrega todo o desgaste da dura queda de braço com os credores – o executivo está na linha de frente das tratativas com bancos e bondholders. Nesse período, acumulou também atritos com a direção da Cosan, com quem a Shell divide o controle da Raízen. O grupo não quer contaminar a nova gestão no Brasil com toda essa combustão financeira e institucional.
Mercado não compra novo cronograma do governo para hidrovias
22/05/2026Entre os investidores do setor, há uma descrença generalizada de que o governo conseguirá colocar de pé ainda neste ano os editais das concessões hidroviárias prometidas pelo Ministério de Portos e Aeroportos. A descrença aumentou após o adiamento da hidrovia do Rio Paraguai para 2027 e já contaminou também os projetos do Arco Norte. Investidores e operadores do setor avaliam que o calendário regulatório simplesmente não fecha. Ainda faltam estudos consolidados, audiências públicas, licenciamento ambiental, alinhamento com a Antaq e modelagens econômico-financeiras mais robustas. Some-se a isso o alto potencial de judicialização e os conflitos com comunidades indígenas e ambientalistas em trechos sensíveis da Amazônia. Nos bastidores, há a percepção de que o governo tenta vender uma vitrine logística antes de ter resolvido as travas políticas e ambientais dos projetos. Para parte do mercado, o governo Lula corre o risco de repetir nas hidrovias o mesmo roteiro visto em outros segmentos de infraestrutura: cronogramas agressivos no discurso e sucessivos atrasos na prática.
A leitura entre os investidores é que o governo anunciou as licitações apenas para criar um fato político. O calendário das concessões hidroviárias parece ter sido menos um compromisso de execução e mais uma peça de comunicação: sinalizar ao agro que a agenda logística do Arco Norte está viva, acenar ao mercado com uma nova fronteira de investimentos e vender as hidrovias como infraestrutura verde em ano pré-eleitoral. O problema é que fato político não substitui edital. Sem estudos maduros, licenciamento encaminhado, pactuação ambiental e segurança jurídica, o anúncio nasce com prazo de validade curto. Serve para manchete, mas não para atrair capital.
Vivaterra fecha primeiro fundo e mira agtechs
22/05/2026A Vivaterra já teria fechado a captação de seu primeiro fundo de venture capital voltado ao agronegócio. A gestora, criada com a ambição de atuar longe da Faria Lima e mais próxima do produtor rural, levantou cerca de R$ 150 milhões para investir em agtechs em estágio inicial, do seed à série A. A tese da casa é atacar gargalos concretos do campo, combinando tecnologia, eficiência operacional e sustentabilidade. Entre os setores prioritários estão inteligência artificial aplicada à produção rural, robótica, automação, análise de dados, biotecnologia, soluções para escassez de mão de obra, rastreabilidade, produtividade e carbono. A captação do fundo dá tração à estratégia da Vivaterra de montar uma carteira de startups capazes de entregar retorno financeiro e impacto operacional direto na fazenda.