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State Grid e CPFL “fundem” suas estratégias no Brasil
17/10/2025A mudança no comando do Conselho da CPFL, anunciada ontem, é vista no mercado como um sinal de unificação da estratégia de negócios da empresa e da sua acionista controladora, a State Grid, no Brasil. Essa interpretação vem, sobretudo, do nome escolhido para a posição de chairman: Sun Peng, CEO da State Grid no país. Controlada e controladora seguirão como empresas independentes, pero no mucho. A tendência é que ambas passem a desenvolver negócios conjuntos, explorando ainda mais suas sinergias em geração, transmissão e distribuição. Uma das possibilidades seria a State Grid replicar no Brasil algo similar ao seu modelo de smart city usado na China — com a integração de iluminação, recarga, dados e redes 5G —, usando o braço de distribuição da CPFL como plataforma de serviços urbanos. Há ainda um investimento fulcral que vem sendo desenvolvido debaixo do guarda-chuva da CPFL Energia: a produção de hidrogênio verde. A empresa já tem um projeto piloto em parceria com a fabricante de cimentos Mizu.
Aumento das reservas de ouro entra no radar do Banco Central
17/10/2025A diretoria do Banco Central tem mantido discussões sobre a necessidade de aumento das reservas de ouro do país. A autoridade monetária estuda retomar as aquisições do metal – as últimas operações foram realizadas em meados de 2021. O BC enxerga a realidade pelas mesmas lentes de tantos outros países que estão ampliando significativamente sua posição em ouro como hedge para uma possível guerra via taxa de câmbio.
No ano passado, os bancos centrais de todo o mundo compraram 1.045 toneladas do metal. Os estoques soberanos chegaram à marca de 36 mil toneladas, a maior desde meados dos anos 1960. Neste ano, a caça ao ouro prossegue. No primeiro semestre deste ano, as aquisições somaram quase 400 toneladas.
O que mais chama a atenção é o movimento da, sempre ela, China: o país tem adquirido ouro há 18 meses consecutivos. O metal já representa quase 9,1% das Reservas Forex chinesas – há quatro anos, essa proporção era de apenas 3,3%. Na última década, a China adicionou cerca de 1,1 mil toneladas de ouro às suas reservas – superada apenas pela Rússia, com a aquisição de 1,2 mil toneladas no mesmo período.
Russos e chineses, por sinal, já ocupam, respectivamente, o quinto e o sexto lugares entre os países com maiores estoques oficiais do metal – ambos com algo em torno de 2,3 mil toneladas. Mantido o ritmo atual, é grande a probabilidade de que ultrapassem França e Itália, que mantêm 2,4 mil toneladas de ouro em reservas. À frente, estão a Alemanha (3,3 mil toneladas) e os Estados Unidos, com o seu Fort Knox – 8,1 mil toneladas, ou mais de 20% dos estoques soberanos em todo o mundo.
Em 2021, no intervalo de apenas três meses – mais precisamente entre maio e julho –, o Banco Central do Brasil praticamente duplicou as reservas de ouro, saindo de 67,4 para 129,6 toneladas. Proporcionalmente, a participação do metal nas Reservas Forex brasileiras subiu de ínfimo 0,94% para 2,25%.
Desde então, com a elevação dos preços da commodity, o ouro já representa algo em torno de 5% das reservas totais do país (US$ 356 bilhões). Com a disparada das cotações (alta acumulada de 55% no ano), em termos absolutos o valor do estoque brasileiro do metal subiu de US$ 10,8 bilhões, no fim de 2024, para US$ 17,9 bilhões em setembro, segundo dados do próprio BC. Talvez o Brasil tenha uma dívida com a gestão de Roberto Campos Neto. Foi sob a sua regência que o Banco Central dobrou as reservas brasileiras de ouro.
A retomada das compras de ouro funcionaria como um hedge para uma sempre possível escalada do déficit das transações correntes. Nos 12 meses encerrados em agosto, o resultado negativo nas contas externas brasileiras chegou a US$ 76,2 bilhões, o equivalente a 3,51% do PIB. Em agosto do ano passado, o déficit acumulado em 12 meses era de US$ 43,6 bilhões, então correspondente a 1,95% do PIB.
Ou seja: há um risco de fragilidade nas contas externas do país que não pode ser de todo desprezado. Tradicionalmente, existem algumas formas de compensar esse saldo negativo. Uma delas são os investimentos diretos no país (IDP), que seguem uma toada sem maiores oscilações. Em agosto, o saldo acumulado em 12 meses estava em US$ 69 bilhões, ou 3,18% do PIB. Em agosto do ano passado, o estoque dos 12 meses anteriores era de US$ 70,6 bilhões, ou 3,19% do PIB.
Outra possibilidade de compensação do déficit em transações correntes é a emissão de títulos soberanos no exterior, na prática uma forma de alongar o perfil da dívida. Uma terceira hipótese é recorrer ao FMI. O Brasil, por exemplo, se enquadra nos parâmetros macroeconômicos estabelecidos pelo Fundo para acesso a linhas preventivas de financiamento, como a Flexible Credit Line. No entanto, bater à porta do FMI nunca é uma boa sinalização.
Todas essas medidas, ressalte-se, são mais radicais, um vidro a ser quebrado em caso de emergência – leia-se uma eventual piora no balanço de pagamentos, algo que não está no radar. De todas as opções para cobrir déficits em transações correntes, a melhor profilaxia neste momento é fazer o que o mundo está fazendo, ou seja, comprar ouro e aumentar as reservas monetárias.
Brasil e Emirados Árabes costuram acordo para recuperação de pastagens
17/10/2025O governo brasileiro mantém tratativas com os Emirados Árabes em torno de uma possível parceria para a recuperação e conversão de pastagens degradadas. As conversas são conduzidas a quatro mãos pelo Itamaraty e pelo Ministério da Agricultura. Os recursos sairiam do Abu Dhabi Fund for Development (ADFD), fundo soberano que administra ativos da ordem de US$ 18 bilhões. O ADFD é voltado a financiar, sobretudo, projetos de infraestrutura e no agronegócio em países em desenvolvimento. Na prática, trata-se de um instrumento para viabilizar interesses geoeconômicos dos Emirados Árabes no exterior. No caso em questão, o que está em jogo é suprimento alimentar. A liberação de recursos para recuperação de pastagens no Brasil seria vinculada à garantia de fornecimento de grãos. Ressalte-se que o governo também costura uma parceria similar com a China, igualmente atrelada ao abastecimento de commodities agrícolas. Todos os parceiros soberanos são bem-vindos, mesmo porque o Ministério da Agricultura trabalha com metas audaciosas. O target é recuperar, nos próximos 20 anos, cerca de 40 milhões em áreas degradadas no Brasil, o que exigiria investimentos em torno de R$ 320 bilhões.
Futuro da Coteminas passa pelo veredito do Banco do Brasil
17/10/2025A Coteminas vem mantendo intensas conversações com o Banco do Brasil. As tratativas, segundo o RR apurou, envolvem a alta direção do BB. A empresa de Josué Gomes da Silva trava uma corrida contra o tempo, na tentativa de aprovar seu plano de recuperação judicial até o fim do ano. E o banco é o fiel da balança para a homologação ou não da proposta. O BB é o maior credor da Coteminas, com mais de R$ 450 milhões a receber, aproximadamente um terço de toda a dívida incluída na recuperação judicial (R$ 1,6 bilhão). Em assembleia realizada no dia 12 de setembro, a empresa conseguiu mais tempo para fazer ajustes no plano, que ainda enfrenta resistência, sobretudo por parte de instituições financeiras. A proposta colocada sobre a mesa contempla um modelo inédito baseado na constituição de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) e Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs), nos quais seriam aportados ativos da empresa. Os credores passariam a ter cotas desses fundos, proporcionais aos débitos contraídos pelas Coteminas.
Costa Filho elege seu sucessor no Ministério dos Portos e Aeroportos
17/10/2025O dia 2 de abril de 2026, data-limite para a desincompatibilização, ainda está razoavelmente distante. Mas o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, que vai deixar o cargo para concorrer ao Senado, já trabalha para que o seu futuro substituto seja Tomé França, secretário-executivo da Pasta. França foi nomeado para a função há apenas dois meses, por indicação direta de Costa Filho. O que se diz em Brasília é que o ministro já o levou ao posto preparando o terreno para que ele seja seu sucessor, no ano que vem. Também pernambucano, como Costa Filho, França tem vínculos com o Republicanos, partido do ministro. Entre outros cargos, foi Secretário de Saneamento da Prefeitura do Recife e Secretário de Desenvolvimento Urbano e Habitação do Estado de Pernambuco.