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Candidatura de Michelle Bolsonaro ganha corpo dentro de casa
27/10/2025A resistência de Jair Bolsonaro à candidatura de Michelle Bolsonaro está se diluindo, mesmo com a objeção dos filhos e da miríade de candidatos do centro e da direita que aguardam sua benção, segundo uma fonte próxima do clã do ex-presidente. Estão no aguardo, em ordem de maior ou menor afinidade, Tarcísio de Freitas, Romeu Zema, Ronaldo Caiado, Ratinho e Eduardo Leite. Entre os filhos, que lideram a bronca contra a candidatura de Michelle, Carlos Bolsonaro ruge ao somente se falar sobre o assunto. Mas o que interessa mesmo é a decisão de Bolsonaro sobre quem será ungido. A cônjuge Michelle se mostra cada vez mais disposta a ir para o “sacrifício”. Se for liberada para mostrar as garras irá, nos palanques, muito além da promessa já feita de se “levantar como uma leoa” em defesa dos valores conservadores. Quanto a Bolsonaro, ele iniciou o período de potencial apoio a um candidato descartando de saída a esposa da competição. Logo depois, o nome de Michelle evoluiu para uma candidatura ao Senado. Transita agora como possível candidata à vice-presidência da República. A próxima prateleira? Aos políticos que têm recebido em sua prisão domiciliar, Bolsonaro diz que, se as pesquisas consagrarem Michelle como candidata competitiva, seguirá firme com ela, esteja no palanque ou no cárcere, independentemente da vontade de alguns “compadres da direita”. Como é sabido, Michele não tem poucos trunfos: é mulher, discursa com fervor e emoção e, o maior cacife, ganha, na partida, do marido algo como 30% do eleitorado. Agora, a candidatura depende só das sondagens eleitorais.
Business as usual
27/10/2025A reunião formal entre os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos na Malásia confirmou a reviravolta prenunciada no rápido encontro entre ambos (que nada teve de fortuito) durante a Assembleia Geral da ONU. Astuto negociador, Donald Trump não teve o menor pejo de, em meio a cortesias de parte a parte, completar mais um acrobático TACO enterrando de vez a machadinha de guerra dos povos indígenas norte-americanos – que, aliás, se chamava “tomahawk”. Na realidade, ficou evidente que Trump compreendeu haver cometido dois erros no relacionamento com o Brasil que cabia corrigir o mais cedo possível.
Do ponto de vista político, ele havia sido ludibriado pelas ideias fantasiosas da trinca Steve Bannon-Eduardo Bolsonaro-Paulo Figueiredo ao usar o julgamento do ex-presidente para justificar uma intervenção nos negócios soberanos do Brasil. No entanto, em vez de obrigar o país a se curvar covardemente, esbarraram na resistência impávida dos três Poderes, provocando um surto popular de nacionalismo e prestando imenso serviço eleitoral a Lula com o consequente efeito deletério sobre as pretensões da direita. De fato, o longo silêncio da Casa Branca e do Departamento de Estado sobre o julgamento e condenação de Jair Bolsonaro, antes objeto de estridentes e reiteradas objeções, foi, enfim, rompido em Kuala Lumpur pelo próprio Trump, mas não de moto próprio, como possível forma de intimidar Lula, e, sim, respondendo a um repórter brasileiro. E, para a infinita tristeza das cassandras bolsonaristas, que sempre previram que este assunto constituiria um carro-chefe de Trump e que Lula seria humilhado num encontro presencial, o presidente norte-americano se limitou a algumas expressões condescendentes de comiseração sobre aquele que antes era o pretexto-mor para punir o Brasil. Ao que se sabe, na reunião fechada que se seguiu à entrevista coletiva, teria cabido ao próprio Lula suscitar a questão Bolsonaro, mas, então, para explicar a Trump as circunstâncias que justificaram sua longa sentença. Portanto, em condições normais de temperatura e pressão se trata de uma página definitivamente virada.
O segundo grande erro ocorreu na área comercial, embora desde o primeiro dia do tarifaço já houvessem sido excluídos numerosos itens sensíveis, tal como suco de laranja e aviões comerciais. No entanto, os produtos que continuam a enfrentar tarifas predatórias e arbitrárias de 50% vêm gerando sérias dificuldades para vários segmentos da economia norte-americana e provocando ameaçadores aumentos de preço para o consumidor, como é o caso do café e da carne (cujos cortes provenientes do Brasil servem sobretudo para a produção de hambúrgueres). Muito relevante também foi o fato de que as vendas do Brasil para o exterior não sofreram um baque generalizado como muitos desejavam, uma vez que, pelo contrário, provocaram a busca de novos mercados como China, México, Argentina, Oriente Médio, Índia e outros países asiáticos. Assim, conquanto em setembro as vendas para os Estados Unidos tenham caído 20,3% (sobretudo no tocante a ferro gusa, carnes, açúcar, armas e fumo), as exportações totais alcançaram US$ 30,5 bilhões, com um incremento de 7,2% sobre igual mês em 2024. Em suma, Trump e seus assessores compreenderam que estavam empurrando o Brasil para outros mercados, em particular o chinês, ao mesmo tempo em que estimulavam as tendências inflacionárias que são o maior pavor de qualquer ocupante da Casa Branca.
Diante do desejo dos dois chefes de Estado de que começassem prontamente as tratativas sobre assuntos comerciais, já na manhã de hoje Mauro Vieira e seus interlocutores norte-americanos estabeleceram um cronograma de trabalho técnico que, como chegou a transpirar em Kuala Lumpur, pode incluir a suspensão ao menos temporária das tarifas punitivas de 40% sobre todos ou alguns produtos exportados pelo Brasil, em particular o café. Impossível prever a duração dessas tratativas, porém o importante é reconhecer que as relações com os Estados Unidos, se não alcançaram ainda o pleno estágio de “business as usual” invocado no título deste artigo, entram agora em terreno positivo que era impensável semanas atrás.
Do lado brasileiro, além do discreto profissionalismo de nossa diplomacia, vale mencionar alguns pontos positivos que facilitaram a revisão das posturas de Trump: 1) o sistemático oferecimento de Lula para realizar um encontro presencial; 2) sua disposição de discutir qualquer assunto, até mesmo os de natureza política que muitos o aconselhavam a evitar; e 3) o oferecimento para servir como intermediário nas questões da Venezuela e da Ucrânia, evitando com isso se identificar com apenas um dos lados desses conflitos.
Aguardemos, pois, notícias construtivas que poderão servir como grandes presentes natalinos a todos que vêm sofrendo com o tarifaço nos dois lados do balcão.
Jorio Dauster é diplomata de carreira e foi embaixador do Brasil junto à União Europeia, colaborador especial do Relatório Reservado.
“Alimentos do mal” voltam ao radar da equipe econômica
27/10/2025
Ometto vende ativos imobiliários para capitalizar Cosan
27/10/2025A reestruturação da Cosan está custando caro para Rubens Ometto. Há informações no mercado de que a Aguassanta Desenvolvimento Imobiliário, de propriedade do empresário, está colocando à venda terrenos e projetos em desenvolvimento. Os recursos amealhados deverão ser aportados na Cosan. É mais uma etapa do “esforço de guerra” para a capitalização do grupo sucroalcooleiro, encabeçada pela injeção de R$ 4,5 bilhões do BTG e de R$ 2 bilhões da Perfin. Na semana passada, a Aguassanta Participações, family office dos Ometto, anunciou a emissão de R$ 750 milhões em notas comerciais, dinheiro que também será destinado ao aumento de capital da Cosan. Consultado pelo RR, Rubens Ometto não quis comentar o assunto.
Venda do Descomplica está longe de ser uma operação simples
27/10/2025O processo de venda do Descomplica não tem feito jus ao nome da empresa. A startup de aulas online já teria sido oferecida à Yduqs e à Ânima Educação, mas as conversas estão travadas. Até o momento, não apareceu ninguém disposto a pagar o valor pedido pelos acionistas controladores, algo em torno de R$ 100 milhões. Segundo informações que circulam no mercado, os sócios – entre os quais o investidor Marco Fisbhen, fundador da empresa, Península e Softbank – já admitem o fatiamento da edtech, com a venda separada das unidades de negócio. Em 2021, a Descomplica recebeu um aporte de US$ 84 milhões. No entanto, a maior parte desses recursos já teria sido consumida. Fundada em 2011, a empresa opera com prejuízo e vem queimando caixa.
A pressa (eleitoral) de Renan Filho para renovar a concessão da FCA
27/10/2025O ministro dos Transportes, Renan Filho, transformou a renovação antecipada da concessão da Ferrovia Centro Atlântica (FCA) em uma missão pessoal. Renan tem feito gestões junto à ANTT com o objetivo de acelerar a aprovação da proposta apresentada pela VLI, controladora da FCA. O projeto ainda terá de ser submetido ao TCU. Renan trava uma corrida contra o relógio, em uma contagem regressiva que vai até abril. O ministro quer selar a renovação do contrato antes de se desincompatibilizar do cargo para disputar o governo de Alagoas. Ele próprio já disse que a prorrogação da concessão, sozinha, é quase um “Plano Nacional de Ferrovias”. Para estender a concessão até 2056, a VLI – leia-se Vale, Brookfield, Mitsui e BNDEPar – se compromete a investir quase R$ 30 bilhões. Depois de quase três anos de negociações, Renan Filho não quer deixar essa fita para ser cortada pelo seu sucessor.