Ruralistas pressionam BB em meio à escalada de inadimplência no agro

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Ruralistas pressionam BB em meio à escalada de inadimplência no agro

  • 14/11/2025
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O BB está mais uma vez diante do dilema de ser banco ou ser do Brasil. O trade off em questão vem no rastro do recorde de inadimplência no agronegócio – 8,1%, segundo o dado mais recente da Serasa Experian –, que tem feito disparar o confisco de maquinário e terras dados como garantia a financiamentos. O desafio do Banco do Brasil é se equilibrar entre as suas próprias regras de compliance e de gestão de risco e a crescente pressão política por um waiver aos produtores agrícolas. Segundo informações apuradas pelo RR, a bancada ruralista tem cobrado da diretoria do BB uma ampla renegociação dos empréstimos e a suspensão da execução de garantias previstas nos contratos em aberto. A Frente Parlamentar da Agricultura reivindica também a ampliação de linhas de crédito especiais, com custo subsidiado ou prazos mais longos para produtores atingidos por perdas climáticas. Outro pleito é o reconhecimento de garantias alternativas, como seguro agrícola ou contratos de compra futura, em substituição àquelas fixadas originalmente em contrato, envolvendo notadamente máquinas e a própria terra.
O cerco da bancada ruralista ao Banco do Brasil aumentou após as recentes declarações do vice-presidente de Controles Internos e Gestão de Riscos da instituição, Felipe Prince. O executivo afirmou que o BB pararia de conceder empréstimos aos agricultores que pedirem proteção judicial contra falência: “Eles não terão crédito hoje, amanhã nem nunca mais”. A fala caiu como uma bomba entre os ruralistas, inclusive com pressões sobre o governo para a saída de Prince do cargo. O fato é que o Banco do Brasil caminha sobre uma corda bamba: de um lado, o aumento da inadimplência, que reduz seus resultados; do outro, as pressões e o inexorável custo político e social da eventual suspensão de empréstimos a produtores rurais com dívidas em aberto. Ou, em um cenário ainda pior, o impacto de uma possível onda de execuções de garantias contratuais.
Em contato com o RR, o Banco do Brasil informa que lançou “novas linhas de crédito amparadas pela Medida Provisória nº 1.314/2025, utilizando recursos próprios e fundos supervisionados pelo Ministério da Fazenda. Essas iniciativas oferecem condições especiais para a liquidação ou amortização de dívidas de produtores rurais cujas atividades foram prejudicadas por eventos adversos, com prazos de até nove anos para quitação, incluindo um ano de carência”. Consultado especificamente sobre pressões políticas para evitar a execução de garantias e o confisco de bens de agricultores, o BB adota um tom protocolar e diz que “mantém permanentemente abertas as soluções para prorrogação de dívidas rurais, abrangendo todos os segmentos e atividades agropecuárias, conforme os preceitos do Manual do Crédito Rural, analisando cada caso individualmente e ajustando as parcelas de pagamento conforme o fluxo de caixa dos produtores”. O Banco do Brasil disse ainda ao RR que “o aumento da inadimplência no crédito agro não se deve a um único fator, mas a uma combinação de elementos econômicos, financeiros e climáticos, como a elevação do endividamento, redução das margens das principais culturas e eventos climáticos adversos”.
Como não poderia de ser, o Banco do Brasil, responsável por praticamente a metade do crédito rural do país, sente em seu balanço o impacto da crise no setor. Em setembro, o índice de inadimplência na carteira de empréstimos agrícolas chegou a 5,34%. No terceiro trimestre do ano passado, estava em 1,97%. Ou seja: em 12 meses, o volume de financiamentos não pagos quase triplicou. O cenário, notadamente para o pequeno e médio produtor rural, é sombrio. No Centro-Oeste e no Sul do país, notadamente no Rio Grande do Sul, já se verifica um aumento do arresto de bens por instituições financeiras. Sem recursos, muitos agricultores sequer conseguiram iniciar o plantio da safra 2025/26. De acordo com relatório da Conab, a área cultivada de arroz caiu 5,6% em relação ao ciclo anterior. No caso do trigo, a redução é ainda mais expressiva: 19,9%.

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