Lula transforma tarifaço de Trump em crédito eleitoral

Destaque

Lula transforma tarifaço de Trump em crédito eleitoral

  • 23/07/2026
    • Share

Lula tem muito a agradecer a Flávio Bolsonaro. Ao longo do dia de ontem, poucas horas após o anúncio do Brasil Soberano III, com a liberação de R$ 18,5 bilhões em crédito para empresas atingidas pelo tarifaço de Donald Trump, o presidente recebeu dezenas de mensagens de associações patronais, entidades empresariais e executivos congratulando o governo pela rapidez da reação e pela compreensão da dimensão do problema. As manifestações mais enfáticas, segundo o RR apurou, partiram da indústria de máquinas e equipamentos e de bens de capital, dos dois dos segmentos mais expostos à nova barreira comercial de 25% imposta pelos Estados Unidos. Mas o que chamou a atenção dos próprios assessores de Lula foi a multiplicidade setorial. Empresas das áreas de calçados, móveis, açúcar e etanol também engrossaram o coro das mensagens elogiosas à reação do governo. Ou seja: o governo fez do limão tarifário uma limonada política. Ainda que indiretamente, o Brasil Soberano III está permitindo a Lula transformar uma ofensiva comercial externa em um canal de aproximação do setor produtivo, inclusive com setores pouco – ou nada – afeitos aos governos do PT, como o agronegócio. Ressalte-se que uma comporta como essa não se abre de uma vez só. Os R$ 18,5 bilhões serão aspergidos nos segmentos beneficiados ao longo dos próximos meses, exatamente durante a campanha eleitoral. Lula deveria pagar a próxima viagem de Flávio Bolsonaro a Washington.

O impacto do tarifaço trumpista vai além da balança comercial. Tende a avançar em ondas, espraiando-se pela macroeconomia. A pressão sobre o câmbio vai encarecer insumos, máquinas e componentes importados, alimentar a inflação e dificultar a redução dos juros. Com a Selic elevada por mais tempo, o crédito fica mais caro, o investimento recua ainda mais, o consumo perde força e cresce o risco de inadimplência das empresas atingidas pela queda das exportações. É, portanto, uma conta de juros compostos. Esse danoso efeito cascata ajuda a explicar a pronta reação do setor produtivo e o seu desagravo ao governo Lula. Assim como a equipe econômica correu para embalar o Brasil Soberano III, agora a bola está com assessores palacianos, a começar pelo ministro-chefe da Secom, Sidônio Palmeira. Ontem mesmo, segundo informações obtidas pelo RR, Sidônio já discutia com a equipe de campanha maneiras de o candidato Lula capitalizar ainda mais o apoio às empresas abalroadas pela fúria tarifária de Trump. A percepção, inclusive, era de que o presidente teve uma participação discreta no anúncio do programa, dividindo o protagonismo com o vice, Geraldo Alckmin, e o ministro da Fazenda, Dario Durigan. Uma das hipóteses aventadas ontem mesmo no Palácio do Planalto é uma rodada de visitas do presidente Lula a indústrias que serão beneficiadas pelo Brasil Soberano III. Há poucos ambientes mais propícios do que um chão de fábrica para o ex-metalúrgico e candidato ao quarto mandato fazer seu tradicional show off.

Em tempo: ainda na linha da capitalização política, ontem integrantes da cúpula do PT discutiam a hipótese de, a título de provocação, cobrar publicamente dos partidos da base aliada de Flavio Bolsonaro se eles endossariam uma eventual indicação de Eduardo Bolsonaro para a embaixada do Brasil em Washington caso o irmão seja eleito. Não custa lembrar que o patriarca do clã, Jair Bolsonaro, chegou a soltar esse balão de ensaio durante o seu mandato. Seria uma forma de constranger as siglas que apoiam a candidatura do “01” e colar em Flavio a culpa pelo novo tarifaço.

#Lula

Leia Também

Todos os direitos reservados 1966-2026.

Rolar para cima