COP30: Nordeste busca recursos internacionais para instalação de data centers

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COP30: Nordeste busca recursos internacionais para instalação de data centers

  • 13/11/2025
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Reunidos sob o guarda-chuva do Consórcio Nordeste, os governadores da região pretendem usar a vitrine da COP30 para apresentar um projeto conjunto voltado à instalação de data centers. O plano prevê a criação de uma plataforma interestadual de data centers verdes, alimentados integralmente por fontes renováveis e conectados a cabos submarinos internacionais. Intramuros, assessores do Consórcio falam na implantação de até cinco hubs regionais interligados, cada um com clusters de data centers próximos a complexos eólicos e solares. A “COP da Implementação” – já devidamente rebatizada de “COP da Adaptação” nas palavras do seu presidente, o embaixador André Corrêa do Lago – é um cavalo encilhado que passa à frente dos governadores. Os chefes do executivo do Nordeste querem aproveitar a Conferência para buscar recursos junto a investidores privados e, sobretudo, a organismos de fomento multilaterais. Além do Banco Mundial, mais precisamente o IFC (International Finance Corporation), estão na mira o Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura (AIIB) e o Green Climate Fund. Como qualquer grande projeto relacionado a armazenamento de dados em larga escala, as cifras sobre a mesa são hiperbólicas. Estima-se que seria necessário levantar cerca de US$ 20 bilhões em financiamento estruturado para montar esse mosaico de data centers no Nordeste.
Os chefes do executivo usam como principal atrativo o potencial energético da região. O Nordeste é responsável por mais de 70% da energia renovável produzida no Brasil – no caso da geração eólica, esse índice beira os 90%. Trata-se do item mais crítico para a construção e manutenção de data centers. Energia chega a representar até 60% do custo de operação de infraestruturas digitais de grande porte. Em 2024, todos os data centers do mundo demandaram 415 TWh, algo como 1,5% da eletricidade produzida no Planeta. Há projeções da IEA (International Energy Agency) de que esse consumo poderá dobrar até 2030, com o avanço da inteligência artificial e da computação distribuída.
Tudo muito bom, tudo muito bem, mas há obstáculos consideráveis para as pretensões dos governadores nordestinos. Investimentos de data centers exigem previsibilidade regulatória por 20 a 30 anos. Não é exatamente a especialidade da casa chamada Brasil. Regras brasileiras sobre energia renovável, créditos de carbono, licenciamento ambiental e telecomunicações mudam com frequência, o que trava investidores privados e mesmo agências multilaterais. Agora mesmo há uma elétrica polêmica em torno do curtailment, o desligamento automático de usinas eólicas e solares imposto pelo ONS por limitações na rede de transmissão. Outro empecilho: mesmo com energia renovável abundante, faltam no Brasil subestações dedicadas, linhas de transmissão redundantes, backbones de fibra ótica, cabos submarinos adicionais, ou seja, toda uma estrutura subjacente aos data centers. Some-se ainda a concorrência global. Países como Arábia Saudita, Emirados Árabes, Cingapura, Índia e Irlanda têm oferecido pacotes agressivos de incentivos (subsídios diretos, isenções fiscais, terrenos, energia dedicada a preço fixado) para atrair investimentos no setor.
De toda a forma, mesmo com os óbices, o Nordeste está se consolidando como o principal lócus do Brasil para a instalação de grandes estruturas de armazenamento de dados. Há importantes empreendimentos já em execução. O maior deles reúne a Casa dos Ventos, a Omnia, do Pátria Investimentos, e a ByteDance, dona do TikTok. Serão R$ 50 bilhões na construção de um data center em Pecém (CE). Em setembro, o Consórcio Nordeste firmou uma parceria com o BNDES para financiar a construção de data centers na região. 35 projetos já atenderam à chamada feita pelo banco de fomento, com uma demanda para crédito de quase R$ 17 bilhões.

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