BNDES entra em campo para adubar o Plano Nacional de Fertilizantes

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BNDES entra em campo para adubar o Plano Nacional de Fertilizantes

  • 26/09/2025
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O governo discute formas de destravar a execução do Plano Nacional de Fertilizantes, por ora uma semente que não germina. Além do retorno, ainda tímido, da Petrobras ao setor, as conversas passam prioritariamente pelo BNDES. A ideia é que o banco tenha um papel mais incisivo no aumento da produção interna por meio de participação direta no capital em fabricantes de adubos.

Um primeiro movimento neste sentido foi a recente aquisição de 19,9% do Grupo Santa Clara, de São Paulo, pela BNDESPar. Segundo o RR apurou, outras possibilidades já estão no radar. Uma delas é uma eventual associação com o grupo gaúcho Josapar, controlado pela família Oliveira. Ressalte-se que, no fim do ano passado, o BNDES liberou um financiamento de R$ 153 milhões para a empresa instalar uma fábrica de fertilizantes na cidade de Rio Grande (RS).

Em outro front, há movimentos também para a entrada do banco no Projeto Santa Quitéria, no Ceará, que consiste na exploração conjunta de fosfato e, de quebra, de urânio em uma reserva localizada a pouco mais de 200 quilômetros de Fortaleza. O investimento, da ordem de R$ 2,3 bilhões, está a cargo de um consórcio encabeçado pela Galvani Fertilizantes e pela INB (Indústrias Nucleares do Brasil). Trata-se de um dos maiores projetos incluídos no Plano Nacional de Fertilizantes.

Caso alcance a produção estimada, de um milhão de toneladas por ano, o Projeto Santa Quitéria poderá reduzir em até 15% a dependência brasileira em relação à importação de fertilizantes fosfatados. Atualmente, mais de 75% do insumo consumido no país vem do exterior. Consultado pelo RR sobre a compra de participações acionárias na área de fertilizantes, o BNDES informou que “não comenta assunto relativo a empresas de capital aberto”.

Quase quatro anos após ser lançado, ainda no governo Bolsonaro, o Plano Nacional de Fertilizantes não mexeu uma folha sequer no brutal déficit do Brasil em relação ao insumo. Nos derivados de potássio, a dependência das importações gira em torno de 90%. No caso dos nitrogenados, é ainda maior: 95%.

No governo, há um consenso de que os projetos previstos no Plano Nacional só avançarão com uma dose maior de recursos públicos. Mas não só. Além da participação do BNDES, as discussões envolvem ainda um volume maior de crédito por parte do Banco do Brasil e da Caixa para financiar a instalação ou expansão de fábricas de fertilizantes no país.

No ritmo atual, a carência de adubo no país tende a se tornar ainda mais dramática. Segundo estimativas preliminares que circulam na área técnica do Ministério da Agricultura, a produção agrícola brasileira poderá crescer até 30% nos próximos dez anos apenas com a recuperação de áreas degradadas.

Ocorre que, em vez de ser celebrada, a boa nova é motivo de apreensão na Pasta. Para ser plenamente atingido, esse salto potencial da safra exigirá um aumento da oferta de adubo em 16,5% no mesmo período, também de acordo com projeções oficiais.

É aí que mora o problema. O Brasil e seus paradoxos: o país que corre risco de apagão não por falta, mas por excesso de energia, conforme apontou o Valor Econômico na edição da última segunda-feira, é o mesmo que está “encalacrado” com a bonança do seu agronegócio.

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