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Há uma nova zona de fricção entre o agronegócio e a gestão Lula. O atrito passa pelos grandes fundos de pensão de estatais. Produtores rurais, vocalizados pela Frente Parlamentar da Agricultura (FPA), pressionam diretamente o governo e a direção da Previ, Petros e Funcef para que a trinca aloque recursos em Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros).
A ofensiva ganhou tração após a recente mudança regulatória aprovada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Em março deste ano, o CMN autorizou as entidades de previdência complementar a aportarem até 10% do seu patrimônio nos Fiagros. Na teoria, a medida representou mais um triunfo do agro, sequioso em acessar o notório latifúndio de recursos dos fundos de pensão. São 270 entidades com patrimônio da ordem de R$ 1,3 trilhão – ou seja, potencialmente com a disponibilidade de irrigar os Fiagros com até R$ 130 bilhões.
Na prática, no entanto, sete meses após a resolução do CMN, nada mudou. A começar por quem interessa: Previ, Petros e Funcef. Por ora, não se tem registro de que qualquer uma das três fundações tenha feito aportes em Fiagros. Desde março, a participação de investidores institucionais nos Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais segue estacionada em 7%.
Mesmo com a alteração regulatória, os Fiagros acumulam um crescimento inferior ao de outros mecanismos de financiamento do agronegócio. Nos últimos 12 meses, o patrimônio líquido desses fundos subiu 13%, chegando a R$ 43,1 bilhões. Os estoques dos Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e das Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) cresceram, respectivamente, 17% e 23%.
No agronegócio, predomina o entendimento de que o governo pouco ou nada tem se empenhado para que os fundos de pensão de estatais aportem recursos nos Fiagros. Sobram ataques de que, quando é do seu interesse, o Palácio do Planalto não poupa esforços para driblar a autonomia e o compliance das fundações e interferir na condução estratégica e em suas decisões de investimento.
Não deixa de fazer sentido. O fato é que o pleito do agro encontra resistências dentro dos próprios fundos de pensão. À luz do dia, dirigentes das grandes entidades de previdência privada saem pela tangente e repetem frases protocolares sobre o tema, vide declaração recente do diretor de investimentos da Previ, Claudio Gonçalves: “Embora ainda não exista um prazo definido para a entrada nesses mercados, o tema está sendo analisado no contexto da revisão da Política de Investimentos”.
Intramuros, no entanto, a direção da Previ, assim como da Petros e da Funcef, não esconde o receio em alocar recursos em Fiagros por conta da escalada da inadimplência no agronegócio e do expressivo aumento do número de recuperações judiciais no setor.
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