Brasil ganha protagonismo no IPO da Shein

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Brasil ganha protagonismo no IPO da Shein

  • 24/07/2026
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O Brasil tornou-se uma peça razoavelmente relevante de um dos maiores IPOs do ano no mundo: a abertura de capital da Shein, por meio da qual a gigante chinesa de e-commerce pretende levantar até US$ 3 bilhões. A recente revogação da “taxa das blusinhas pelo governo Lula, com a retirada da alíquota de 20% sobre compras acima de US$ 50, parece ter sido feita sob encomenda para a abertura de capital da empresa. As projeções de aumento da receita no mercado brasileiro passaram a ter um peso maior na precificação da Shein. Segundo o RR apurou, entre abril e junho o número de usuários ativos da plataforma no Brasil cresceu 34% em comparação ao segundo trimestre de 2025. De acordo com a mesma fonte, os dados têm sido utilizados, inclusive em reuniões com gestores de grandes fundos no Brasil, para balizar o valuation mais próximo dos US$ 50 bilhões.

O waiver tributário no Brasil contrasta com o ambiente de restrições enfrentado pela plataforma de e-commerce na Europa e nos Estados Unidos. O Velho Continente, responsável por um terço da receita global da Shein, começou a cobrar em julho € 3 por código aduaneiro presente nas encomendas de até € 150. Um pacote com cinco produtos enquadrados em categorias distintas pode receber uma cobrança de € 15. Para uma plataforma que vende camisetas por € 3 ou € 4, não se trata de um acréscimo marginal: a tarifa pode duplicar o preço do produto. Nos Estados Unidos, o problema é ainda maior. Em maio do ano passado, o governo Trump extinguiu o benefício do “de minimis” para encomendas procedentes da China e de Hong Kong, que permitia a entrada sem imposto de pacotes avaliados em até US$ 800. As remessas comerciais passaram a recolher todos os tributos aplicáveis e a cumprir procedimentos aduaneiros mais rigorosos. Como se não bastasse, roupas, calçados e acessórios importados da China deverão receber em breve uma tarifa adicional de 12,5% nos Estados Unidos devido à inclusão do país asiático na lista de países com trabalho forçado.

O Brasil tornou-se em 2025 o segundo maior mercado da Shein, atrás apenas dos Estados Unidos. A receita chegou a US$ 3,5 bilhões, equivalente a aproximadamente 7% do faturamento global no ano passado, da ordem de US$ 48,6 bilhões. Uma parcela importante dos recursos amealhados no IPO será usada para reforçar a engrenagem no mercado brasileiro. A Shein deverá ampliar os subsídios ao frete, as campanhas com influenciadores, publicidade digital, as ferramentas de inteligência artificial para recomendação de produtos e a infraestrutura logística oferecida aos vendedores. O capital também permitirá acelerar a entrada em categorias além de roupas e acessórios, transformando a operação brasileira em um marketplace cada vez mais generalista. Um dos objetivos é turbinar o marketplace. A Shein já soma mais de 45 mil sellers no Brasil, que respondem por quase 70% das vendas locais. A meta é atingir 85% do volume a partir de vendedores e produtos locais.

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