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A multinacional chinesa Meituan vive um período de incertezas no mercado de entregas de alimentos. Os fortes prejuízos acumulados pelo grupo colocam em dúvida a sua capacidade de manter o agressivo plano de investimentos no Brasil, no momento em que os asiáticos estão prestes a iniciar sua operação no Rio de Janeiro. A dona da marca Keeta, usada como bandeira de delivery no Brasil, teve um prejuízo da ordem de US$ 3,5 bilhões no ano passado. As perdas ficaram acima das projeções, empurrando as ações da Meituan para os valores mais baixos desde 2024. Um dos principais motivos é a guerra de preços criada pelas empresas chinesas no mercado interno e mesmo em praças internacionais. É uma estratégia predatória que tem obrigado a Meituan a queimar rentabilidade e caixa, ambos já pressionados pelos ambiciosos planos de expansão no mercado brasileiro.
Os problemas já haviam sido aventados durante uma teleconferência realizada em 28 de agosto de 2025 com analistas de bancos internacionais, pelo CEO e fundador da Meituan, Xing Wang. Ao falar sobre Brasil, Wang foi cauteloso, afirmando que a empresa ainda realizava pesquisas de mercado e que não havia pressa na consolidação da entrada no país — à época, somente no Brasil, 700 empregados da Keeta trabalhavam e campanhas publicitárias eram lançadas para o início das operações. Na ocasião, os primeiros sinais de prejuízo começavam a aparecer. As ações chegaram a cair 20% e somente Wang perdeu US$ 1,1 bilhão em patrimônio pessoal por conta de prejuízos no segundo trimestre de 2025.
A grande questão para o Brasil é se a Meituan conseguirá manter os planos de investimentos de R$ 5,6 bilhões até 2030, anunciados com pompa em evento com o presidente Lula no ano passado. Um sinal reforça a dúvida: as campanhas de propaganda feitas pelos chineses em praças como São Paulo e Baixada Santista, onde iniciou suas operações em maio de 2025, foram visivelmente reduzidas. Consultada pelo RR, a Meituan limitou-se o comunicado divulgado pela matriz no último dia 13 de fevereiro, confirmando a estimativa de perda de US$ 3,5 bilhões. Perguntada especificamente sobre os investimentos no Brasil, a empresa não se pronunciou sobre o assunto.
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