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Mercado
O pré-Natal da Casas Bahia promete ser tenso. A assembleia extraordinária convocada pela empresa para o dia 17 dezembro, com o objetivo de deliberar sobre um aumento de capital de até R$ 13,25 bilhões, funcionará como um teste da confiança — ou desconfiança — do mercado em relação à atual gestão. O aumento de capital, apontado pela diretoria como peça central para reduzir dívida líquida e reequilibrar o fluxo financeiro, exige dos acionistas disposição para aportar novos recursos ou aceitar diluições substanciais — uma preocupação real para investidores que já viram a ação cair quase 70% apenas nos últimos oito meses. Nos bastidores, gestoras e credores discutem se a diretoria e mesmo a Mapa Capital, que assumiu o controle acionário há alguns meses, têm lastro suficiente para levar adiante um plano deste porte. Entre os investidores, a percepção é que a aprovação ou não da capitalização poderá ter impacto até mesmo na permanência de Renato Franklin no cargo de CEO. Franklin carrega como handicap o acordo com os credores da rede varejista para a renegociação de R$ 4 bilhões em dívidas. Mas esse crédito do executivo pode vir a se deteriorar no caso de um resultado adverso na assembleia de credores. Até porque a Casas Bahia tem apresentado uma performance financeira ainda errática. No terceiro trimestre, a companhia teve prejuízo de R$ 496 milhões, 34% a mais do que em igual período no ano passado. Ao menos, o Ebitda chegou a R$ 587 milhões, alta de 19,6% sobre o terceiro trimestre de 2024.
Last but not least: nesse contexto, há ainda a variável Michael Klein, que tanto pode ser um fator de apoio ou de instabilidade para a Casas Bahia – ultimamente a segunda hipótese tem prevalecido. Em abril, Klein tentou derrubar o presidente do Conselho da empresa, Renato Carvalho do Nascimento. E tem permanentemente feito gestões junto a outros minoritários com o objetivo de interferir na gestão da companhia – vide RR (https://relatorioreservado.com.br/noticias/o-teste-de-fogo-para-a-governanca-da-casas-bahia/). Por tudo isso – e por ser quem é, filho do fundador da Casas Bahia, Samuel Klein – o empresário será um personagem importante na assembleia de acionistas.
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