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A compra de 15% da Sabesp está custando para a Equatorial Energia mais do que os R$ 6,9 bilhões desembolsados na operação. Quase um ano depois, a fatura adicional chega sob a forma de aumento da dívida e de premência na negociação de ativos. A decisão da Equatorial de colocar à venda a Concessionária de Saneamento do Amapá (CSA) e dois complexos eólicos da Echoenergia, sua controlada, é apenas a ponta do iceberg.
Segundo uma fonte próxima à empresa, o processo de desmobilização se estenderá também as suas distribuidoras de energia. O grupo estaria sondando possíveis candidatos à aquisição do controle da Equatorial Maranhão, antiga Cemar, e da Equatorial Piauí, ex-Cepisa. Trata-se de um movimento emblemático, uma vez que as duas companhias e o setor de distribuição como um todo estão na base da criação da Equatorial.
Ou seja: a operação, por si só, dá a medida da pressão que hoje recai sobre o grupo por conta do elevado nível de alavancagem. O passivo de curto prazo atingiu R$ 44 bilhões no primeiro trimestre deste ano, 20% a mais do que em março do ano passado, antes, portanto, da aquisição de uma fatia da Sabesp. A relação dívida líquida/Ebitda chegou a 3,2 vezes.
Procurado pelo RR, o Grupo Equatorial disse que “está sempre atento às oportunidades em suas áreas de atuação, mas não comenta sobre possibilidades específicas de negócios ou aquisições”.
Em julho do ano passado, quase que simultaneamente à compra da participação na Sabesp, a Equatorial já deu uma amostra do que estava por vir. Na ocasião, o grupo se desfez de uma subsidiária da área de transmissão por R$ 1,2 bilhão. No último mês de maio, em um movimento ainda mais agudo, vendeu todos os seus ativos em transmissão para a Verene Energia, leia-se a canadense CDPQ, por R$ 9,4 bilhões.
No entanto, a elevada alavancagem vai exigir mais da Equatorial, inclusive com uma espécie de depuração do seu portfólio de ativos. A eventual venda das distribuidoras do Maranhão e do Piauí permitiria ao grupo manter empresas de maior porte na área de distribuição, caso das controladas no Rio Grande do Sul, Pará e Goiás. No caso da Equatorial Maranhão, diga-se de passagem, ainda que indiretamente a Aneel deu uma ajudinha para a venda da companhia. Na semana passada, a agência reguladora aprovou a extensão do contrato de concessão por mais 30 anos – inicialmente, a licença terminaria em 2030.
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