29.07.16
ED. 5422

Embratel recebe as últimas chamadas

América Móvil no Brasil, o que os próprios mexicanos já tratam, intramuros, como “o início do fim” da Embratel. Ao longo dos próximos meses boa parte das atividades da companhia será definitivamente encampada pela Claro. A medida passa pela transferência de áreas e departamentos do Rio, sede histórica da Embratel, para São Paulo.  Como seria de se supor, muitos não embarcarão nesta ponte aérea. As mudanças serão acompanhadas de um inexorável downsizing, com o fechamento de centenas de postos de trabalho. O destino da Embratel já está traçado. Segundo informações filtradas junto à própria América Móvil, a marca passará por um processo de fadeout até desaparecer por completo do mercado. Toda a operação de longa distância do grupo, um negócio de importância relativa cada vez menor, e os serviços para o segmento corporativo serão concentrados na Claro. Com isso, a atuação dos mexicanos no mercado brasileiro ganharia seu contorno final. A área de telefonia será pendurada na marca Claro. Já a operação de TV por assinatura ficará dividida entre a Net e a Claro TV.  Gradativamente, os mexicanos pretendem transferir parte da base de assinantes da Net para a Claro TV. Os esforços para a captura de novos clientes também ficarão concentrados nesta última. A rede da Claro TV está superdimensionada, com espaço de sobra para o aumento do número de assinaturas. Os investimentos em tecnologia, por sua vez, já estão devidamente amortizados, o que reduz os custos e torna as margens da operação bem maiores se comparadas às da Net. Mesmo porque os gastos para a expansão da rede de cabos da empresa são altíssimos.  As medidas deverão ser anunciadas logo após os Jogos Olímpicos. O timing não é por acaso. A Rio 2016 será uma espécie de última chamada para o marketing corporativo da Embratel. Aliás, a própria Olimpíada acelerou os planos de reestruturação da América Móvil e o processo de esvaziamento da subsidiária. Patrocinadora oficial dos Jogos Olímpicos, a Embratel vem gastando rios de dinheiro em publicidade e ações institucionais, o que comprimiu ainda mais o orçamento e os gastos da companhia. E o que é pior: no entendimento dos mexicanos, o investimento não terá o retorno esperado vis-à-vis o valor gasto.  O redesenho da América Móvil no Brasil passou também pela gestão. Desde meados do ano passado, José Félix, ex-presidente da Net, responde pelo comando do grupo no país. Sua nomeação é um exemplo de que Carlos Slim e os seus não escrevem por linhas retas. Carlos Zenteno e José Formoso Martínez – respectivamente nº 1 da Claro e da Embratel – sempre foram considerados os favoritos para assumir o manche do grupo. São mexicanos, próximos de Slim, têm uma folha de serviços prestados à Telmex e sempre pareceram estar um degrau acima em relação a Félix nos quesitos prestígio e poder. Talvez por isso mesmo, os mexicanos entenderam que a ascensão do executivo brasileiro seria uma solução “neutra”. • As seguintes empresas não retornaram ou não comentaram o assunto: Embratel.

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