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O governador Romeu Zema entrou em campo e chamou para si a missão de apaziguar os ânimos com Ronaldo Nazário, dono da SAF do Cruzeiro. O objetivo de Zema é fechar um acordo para que o time volte mandar seus jogos no Mineirão. Ronaldo rompeu com a concessionária da Arena e decidiu que todas as partidas do Cruzeiro em 2023 serão disputadas no Estádio Independência.
Como o Atlético-MG está prestes a inaugurar seu próprio estádio, em parceria com a MRV, o Mineirão corre o risco de ficar sem jogos de futebol neste ano, limitando-se a uma parca agenda de shows. E o que Zema tem a ver com isso? A conta do prejuízo do estádio bate diretamente nos cofres de Minas Gerais. Pelo acordo de concessão, a administradora do Mineirão, a Minas Arenas – consórcio formado por Construcap, Egesa e HAP -, tem direito a receber uma compensação do estado caso não atinja um determinado faturamento
. Some-se a isso o fato de que o governo de Minas ainda está pagando da reforma do Mineirão para a Copa do Mundo de 2014. E a conta é salgada. Entre 2013 e 2022, o estado repassou mais de R$ 1 bilhão à concessionária, entre custos da obra e verbas de ressarcimento por metas de receita não alcançadas.
A menos de um mês no cargo, a ministra Nisia Trindade terá, amanhã, um segundo encontro com os secretários estaduais de Saúde. A reunião ocorrerá durante a assembleia do Conass, conselho que reúne os titulares das 27 Secretarias mais o Distrito Federal. A expectativa é grande de lado a lado, sobretudo por parte dos estados, que sofreram com a falta de diálogo com a Pasta nos últimos quatro anos. Os secretários e Nisia conversarão sobre o estabelecimento de novas políticas públicas para a área, mais repasse de vacinas para a campanha nacional que se pretende realizar ainda neste semestre e uma atualização da tabela do SUS.
Segundo o RR apurou, o Ministério Público Eleitoral vai abrir um processo de investigação contra o governador do Amapá, Clécio Luis, e o senador Davi Alcolumbre. A Defensoria Pública da União (DPU) já solicitou a cassação dos mandatos de ambos. A DPU acusa a dupla de ter se aproveitado de verbas do orçamento secreto para financiar suas respectivas campanhas.
Há uma articulação da bancada ruralista pela permanência de Renato Naegele na vice-presidência de Agronegócio do Banco do Brasil. Sob sua gestão, a carteira de crédito rural do BB chegou à marca de R$ 300 bilhões, com um acréscimo de R$ 100 bilhões em um período de um ano e meio. O lobby pró-Naegele tem algumas curiosidades. Um dos principais articuladores para que o executivo siga no cargo é o senador Wellington Fagundes (PL-MT), até outro dia um bolsonarista de carteirinha, que tem feito tentativas de aproximação com o governo Lula. Além disso, em certo momento da gestão Bolsonaro, a bancada ruralista chegou a ter entreveros com Naegele por dificuldades de ter alguns de seus pleitos junto ao BB atendidos. Pelo jeito, esse problema deixou de existir.
Após vender a participação do estado na fabricante de helicópteros Helibrás, o governo mineiro pretende se desfazer de uma série de ativos imobiliários pertencentes à Codemge (Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais). O portfólio inclui terrenos, salas e prédios comerciais e até o histórico casarão onde funcionou o cassino de Lambari. Espremendo tudo, o governo Zema estima que poderá arrecadar algo em torno de R$ 200 milhões com a venda dos principais imóveis. Some-se a isso o corte de despesas que a medida trará. Um exemplo: o estado teve de desembolsar cerca de R$ 60 milhões na reforma da antiga sede do Bemge, em Belo Horizonte, dinheiro que não conseguirá recuperar mesmo com uma eventual alienação. O imóvel está avaliado em apenas R$ 40 milhões.
Uma das missões do ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, é reestabelecer os estoques oficiais da Conab. O governo trata a medida como prioritária para ter um instrumento de calibragem dos preços dos alimentos. A gestão Bolsonaro praticamente abriu mão desse mecanismo, mantendo estoques rasantes de grãos. Para recompor essas reservas com velocidade, uma das medidas do governo Lula será uma mudança nas regras para as doações internacionais de alimentos, feitas notadamente à Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura. Elas seguirão sendo feitas, mas em ritmo menor e apenas com autorização da Conab, de acordo com o volume de estoques de grãos.
O desmonte do Grupo Alfa deverá ter um novo capítulo. Além da venda do Banco Alfa para o Safra e da busca de um comprador para a rede de materiais de construção C&C, as herdeiras de Aloysio Faria pretendem também se desfazer do Transamérica. Trata-se de uma das maiores cadeias hoteleiras do Brasil, com 26 unidades, a maior parte concentrada em São Paulo. Segundo o RR apurou, já haveria conversas com grupos do setor e fundos de private equity. Há pouco mais de um ano, as filhas de Aloysio Faria fizeram um movimento que apontava para a porta de saída do negócio: o Alfa fechou um acordo com a Atlantica Hospitality International, que assumiu a operação de todos os hotéis da bandeira Transamérica, à exceção do Transamérica Resort Comandatuba e Transamerica São Paulo, os dois únicos empreendimentos próprios do grupo. O RR entrou em contato com o Grupo Alfa, mas não teve retorno até o fechamento desta edição.
Historicamente, o Transamérica sempre foi tratado como um negócio de menor relevância dentro do Grupo Alfa. O que se diz no setor é que a decisão de venda da empresa já estava tomada pelas herdeiras de Aloysio Faria há mais de dois anos. No entanto, a pandemia e grave crise do setor hoteleiro em 2020 e 2021 adiaram a operação.
O possível apoio do BNDES ao projeto de construção do gasoduto Nestor Kirchner, na Argentina, sinalizado ontem pelo presidente Lula, encontra, a princípio, um foco de resistência dentro do governo. O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, alimenta outros planos para o setor. Segundo o RR apurou, em encontro na quarta-feira passada, com dirigentes de centrais sindicais, o também ministro da Indústria e do Comércio disse que está empenhado em acabar com a desindustrialização do Brasil e que, para tanto, além da reforma tributária, é preciso oferecer às empresas juros mais baixos, crédito e infraestrutura. Ato contínuo, mencionou a necessidade de investimentos internos na oferta de gás. De acordo com a fonte do RR, Alckmin citou, com eloquência, o gasoduto Rota 1 e Rota 2 da Petrobras (a Rota 3 atrasou e tem previsão de entrada em operação em 2024), que levará o gás do pré-sal à costa brasileira, com alguns trechos passando pelo mar. Alckmin defendeu a construção da Rota 4 e revelou já ter conversado com o seu colega Márcio França, ministro de Portos e Aeroportos, sobre a importância dos investimentos em gasodutos. Foi além, afirmando que ambos esperam a posse de Jean Paul Prates na estatal, para tratarem deste assunto. Segundo ainda o vice e ministro, não faz sentido a reinjeção de gás nos campos petrolíferos, em função da falta de gasodutos que leve o produto às empresas consumidoras.
O governo de Alberto Fernández solicitou um financiamento do BNDES da ordem de US$ 700 milhões para a construção de uma linha do gasoduto Nestor Kirchner, com cerca de 500 km, entre Vaca Muerta, na Patagônia, até a Província de Santa Fé, a nona cidade mais populosa daquele país, na região centro-leste. A partir dali, com outro aporte, o empreendimento traria o gás a Uruguaiana (RS), para em seguida abastecer Porto Alegre. Em dezembro, o banco admitiu que havia conversas sobre a operação de crédito, mas não confirmou o aporte.
A fabricante de carrocerias de ônibus Marcopolo vai dar partida no seu plano de se tornar a number 1 global do setor. A empresa já opera a segunda maior fábrica do mundo, na Índia, em associação com a Tata. O projeto é buscar mais parcerias estratégicas e financiamentos. A presença de Aloizio Mercadante no BNDES serve de combustível para os planos da companhia. A meta da Marcopolo é tornar-se a “JBS do setor de carrocerias”. É factível. Trata-se de uma das empresas brasileiras mais competitivas, em termos internacionais.
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