Prefeitos preparam inventário para cobrar União por omissão em desastres

Política

Prefeitos preparam inventário para cobrar União por omissão em desastres

  • 20/03/2026
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Prefeitos de todo o Brasil, reunidos sob a égide da Confederação Nacional de Municípios (CNM), estão juntando munição para elaborar uma espécie de inventário sobre a responsabilidade do governo federal em desastres. A ideia é reunir dados fiscais e operacionais para comparar os gastos assumidos pelos municípios com os recursos destinados pela União a políticas de prevenção e mitigação de riscos climáticos e de tragédias públicas, como enchentes, desabamentos etc. A iniciativa surge como uma resposta ao ministro das Cidades, Jader Filho, que, recentemente, cobrou de estados e municípios maiores investimentos em ações preventivas contra catástrofes. Na avaliação dos alcaides, Jader tentou empurrar a culpa por tragédias para a conta de entes subnacionais. A indignação maior vem de prefeitos de Minas Gerais. A declaração do ministro se deu em meio às enchentes registradas no fim de fevereiro, que resultaram em dezenas de mortes.

O ponto de partida do levantamento deverá ser a dimensão econômica dos desastres no país. Estudo recente do própria CNM indica que os eventos climáticos extremos provocaram prejuízos de aproximadamente R$ 732 bilhões aos municípios brasileiros entre 2013 e 2024, incluindo danos à infraestrutura urbana, perdas econômicas e custos emergenciais de reconstrução. O levantamento também aponta que mais de 94% dos municípios brasileiros já foram afetados por algum tipo de desastre natural na última década, o que reforça o caráter estrutural do problema.

Em 2024, por exemplo, os gastos da União com gestão de riscos e desastres chegaram a cerca de R$ 7 bilhões, impulsionados principalmente por despesas emergenciais de resposta a tragédias climáticas. Já para 2025, estimativas apontam aproximadamente R$ 2,7 bilhões em créditos extraordinários voltados à área, novamente concentrados em ações emergenciais. A leitura dentro da CNM é que o modelo atual privilegia a reação a catástrofes, em vez de fortalecer investimentos estruturais de prevenção.

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