Arquivo Notícias - Página 87 de 1964 - Relatório Reservado

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O (muito) que ainda falta para a fusão entre Kepler Weber e GSI

22/12/2025
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Há uma série de arestas que ainda precisam ser aparadas para a eventual fusão entre a Kepler Weber e a norte-americana GSI. Além de divergências em relação à estrutura de capital da nova empresa – conforme já informou o RR, um ponto de impasse é a possibilidade de saída do Novo Mercado. Há informações de que a dona da GSI, a Grain & Protein Technologies (GPT), por sua vez controlada pelo fundo AIP, defende até mesmo o fechamento de capital da companhia. A proposta não teria a simpatia da família Heller, segunda principal acionista da Kepler Weber, com 11,5% – atrás apenas da Trígono Capital (15,3%). Os dois lados precisam ainda acertar os ponteiros sobre a engenharia para uma eventual saída do capital. A proposta em discussão passaria por dois caminhos distintos para os acionistas da Kepler Weber: uma alternativa integralmente em caixa, com preço fechado no signing, e outra combinando caixa com participação na companhia resultante da fusão. O problema é que esse segundo cenário embute riscos que parte relevante dos investidores não está disposta a assumir: exposição a um controlador estrangeiro, horizonte de liquidez indefinido e dependência de uma futura janela de mercado para monetização do equity. Diante de tanta ponta solta, não é de se admirar que os acionistas da Kepler Weber e GSI tenham decidido dar mais tempo ao tempo, estendendo o prazo final para negociação do M&A de 15 de janeiro para 15 de fevereiro.

Trump, Lula e minerais críticos: a combinação de poder dos irmãos Batista

22/12/2025
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Os irmãos Batista costumavam escrever por linhas retas. Foram décadas assim. Até que cresceram demais no seu core business, o mercado de proteína. O gigantismo fez com que o arranha-céu não coubesse mais na velha casa própria. E vieram a energia elétrica, com a Âmbar, a celulose, com a Eldorado, e o setor financeiro, com o Banco Original. Mas, até agora, o grupo seguia um mapa mais ou menos clássico de diversificação de empreendimentos. Pois eis que agora Joesley e Wesley Batista podem ir bem além, criando um mercado de negócios geopolíticos ou uma geopolítica dos negócios. Os dois irmãos vêm se articulando junto aos presidentes dos Estados Unidos e Brasil para ingressar no setor de minerais críticos, o ativo mais cobiçado do mundo na atual conjuntura. Os donos da JBS têm interlocução direta com Donald Trump. Em setembro, Joesley foi recebido por Trump em uma audiência na Casa Branca. O que se disse à época é que o tema do encontro foi a taxação da carne. Ora, sabe-se muito bem a dificuldade que é para se chegar ao presidente norte-americano. Não é um cartucho que deva ser queimado para se tratar da demanda e do preço de bovinos. Com Lula, por sua vez, nem é preciso dizer: é como se os Batista tivessem as chaves do Palácio do Planalto. O RR encaminhou uma série de perguntas para a J&F, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.
Até aí esse duplo acesso não explicaria sequer metade do que se trata. A questão é que, em meio a taxas, sobretaxas, soberania do STF e outros quejandos, há um assunto que é considerado um raro insumo no acordo entre Brasil e Estados Unidos: um tratado envolvendo a garantia de fornecimento de terras raras, entre outros minerais estratégicos. Essa seria uma linha cirúrgica na (re)costura das relações entre Brasil e Estados Unidos. A montagem de uma tão delicada operação binacional teria de ser feita através do setor privado, para não caracterizar um acordo entre nações. É aí que entram os irmãos Batista. Bem antes dessa engenharia com estadistas em relação à defesa da matriz industrial dos seus países, não é de hoje, guardadas as devidas proporções, que a dupla de empresários quer replicar na transição energética a onipresença que já ostenta na segurança alimentar. Em outubro, a J&F Investimentos, holding do clã, comprou junto à Axia (ex-Eletrobras) o equivalente a 68% do capital total e 35,3% do capital da Eletronuclear. Com isso, tornou-se sócia do governo nas usinas Angra 1 e Angra 2. Mais ainda: os Batista passaram a ser uma peça fundamental para a possível conclusão das obras de Angra 3, que exige investimentos superiores a R$ 20 bilhões. Todos os fios se cruzam.
Ao entrar na produção de minérios nucleares, a J&F reforçaria sua posição em elos estratégicos da cadeia da transição energética: um pé na matéria-prima e outro na ponta final, na produção de energia nuclear. Nesse mosaico, além de produtor e comprador do insumo no front interno, o grupo poderia se consolidar também como um importante exportador de minérios críticos. Não se pode perder de vista outras movimentações simultâneas dos Batista que apontam nessa direção. Há informações de que a J&F busca um sócio minoritário para a LHG Mining, seu braço de mineração. A empresa já anunciou o plano de investir US$ 4 bilhões para aumentar a produção de minério de ferro e de manganês. No entanto, a entrada de um parceiro no capital dia parece dialogar não com o que a LHG já tem, mas, sim, com o que quer ter: a exploração de minerais críticos. Consta que no mesmo solo encontram-se reservas auspiciosas de terras raras. Toda a operação é tão ambiciosa que nem parece crível. Para os EUA, as terras raras que eles não têm, e a China tem em abundância; para a China, comida, porque por lá sobram terras raras, mas há quase 1,5 bilhão de bocas para alimentar. E o Brasil? Por enquanto, só tem o que aplaudir. Os Batista estão devolvendo com juros tudo aquilo que receberam do país e de seus governos.

#Donald Trump #Joesley Batista #Lula #Wesley Batista

Perfin escala o capital da Copasa em meio ao processo de privatização

22/12/2025
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Circula no mercado que, na semana passada, a Perfin Investimentos voltou a comprar volumes expressivos de papéis da Copasa na B3. Entre participação direta e ações por empréstimo na carteira de seus fundos, a gestora já tem algo próximo de 10% do capital votante da estatal mineira. A nova investida causou ainda mais estranheza entre os operadores do mercado porque uma semana antes a Perfin havia liquidado parte dos instrumentos derivativos de liquidação vinculados a papéis da Copasa. A intensa movimentação da gestora de Ralph Gustavo Rosenberg e José Roberto Ermírio de Moraes Filho em torno da estatal chama ainda mais atenção pelo timing. A instituição financeira monta uma posição no capital no momento em que a Copasa dá alguns passos para a sua privatização. Na semana passada, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais aprovou o projeto que autoriza a desestatização da empresa, possivelmente mediante a sua transformação em public company. Mantida a atual participação, a Perfin já começaria esse jogo com um razoável quinhão societário da Copasa, ainda mais em um cenário de pulverização do seu capital. Procurada pelo RR, a Perfin não se manifestou.

#Copasa

Governo trabalha nos bastidores para travar repasse de outorgas a municípios

22/12/2025
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A proposta de repasse de parte das outorgas portuárias aos municípios tornou-se um cabo de guerra entre a gestão federal e prefeitos. O governo finge que não é com ele, mas, nos bastidores, costura para que a votação do projeto de lei seja empurrada para 2026. No fundo, tenta ganhar tempo para afundá-lo de vez. Aprovado pela Comissão de Viação e Transportes da Câmara no início deste mês, o PL 623/2021 prevê a transferência de 25% do valor arrecadado com a outorga para o município onde o porto está instalado. Hoje, essa cifra fica inteiramente com a União. Segundo informações filtradas pelo RR, a equipe econômica estima que a perda de arrecadação do governo central pode chegar a R$ 4 bilhões em uma década, com base nas novas concessões já no pipeline e das renovações de contrato previstas para o período. Mas a preocupação vai além dos portos. O receio no governo é que a aprovação da proposta crie um precedente perigoso, abrindo caminho, por exemplo, para que municípios reivindiquem também um pedaço do valor de outorga de rodovias e ferrovias.

#Portos

Bancada do PT cerca Banco do Nordeste por mais recursos para agricultura familiar

22/12/2025
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Há articulações da bancada petista, notadamente de parlamentares de Pernambuco e Ceará, para que o Banco do Nordeste (BNB) amplie o volume de crédito para a agricultura familiar. O volume de recursos já anunciado para a safra 2025/2026 é de R$ 10,2 bilhões, um avanço modesto em comparação à cifra do ciclo anterior (R$ 9,8 bilhões). Deputados e senadores da região tentam subir essa sarrafo para a casa dos R$ 12 bilhões. Há dois fatores que adubam o lobby dos parlamentares: a forte demanda por crédito agrícola e o calendário eleitoral. Aumentar o volume de financiamentos às vésperas do pleito de outubro seria um trunfo e tanto para a base aliada na região. Ressalte-se que o Nordeste reúne mais de 45% de todos os agricultores familiares do Brasil, algo como 15 milhões de produtores. É voto que não acaba mais…

#Banco do Nordeste #PT

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