Arquivo Notícias - Página 86 de 1964 - Relatório Reservado

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Alto-Comando da Enel deverá desembarcar no Brasil em meio ao risco de cassação

23/12/2025
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Corre no setor elétrico que a direção global da Enel, à frente o CEO, Flavio Cattaneo, virá em peso ao Brasil nos primeiros dias de 2026. O objetivo seria cumprir uma intensa agenda de reuniões com autoridades em Brasília e em São Paulo, a começar pelo próprio presidente Lula e pelo governador Tarcísio de Freitas. Na bagagem, Cattaneo traria o anúncio de um novo e alentado plano de investimentos no Brasil, literalmente uma moeda de troca na tentativa de evitar a caducidade da concessão da Enel São Paulo. Trata-se de um script com ar de déjà vu. Nos últimos dois anos, o executivo tornou-se figurinha fácil no país, sempre com a promessa de mais aportes nas operações do grupo. Em junho do ano passado, esteve com o próprio Lula, quando colocou sobre a mesa a garantia de que os investimentos da Enel no Brasil seriam duplicados.

Não adiantou muito. A reputação do grupo junto ao governo federal e, sobretudo, à dupla Tarcísio de Freitas e Ricardo Nunes, prefeito de São Paulo, está eletrocutada devido às seguidas crises no fornecimento de energia em São Paulo. Consultada pelo RR, a Enel limitou-se a reproduzir comunicado divulgado à imprensa na semana passada. Entre outros pontos, a empresa afirma que, “desde que assumiu a concessão, em 2018, até 2024, investiu mais de R$ 10 bilhões em São Paulo. Para o período de 2025 a 2027, a distribuidora aprovou um plano de investimentos recorde, atualmente em execução, no valor de R$ 10,4 bilhões”. Perguntada especificamente sobre a vinda de Cattaneo ao Brasil e a possibilidade de um novo programa de investimentos no país, a Enel não se manifestou.

Censo Agropecuário vira um campo minado para o governo

23/12/2025
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O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, tem feito articulações dentro do governo na tentativa de assegurar a realização do Censo Agropecuário previsto para 2026. Fávaro está pleiteando à equipe econômica uma suplementação orçamentária para o IBGE, responsável pelo trabalho. A situação é preocupante. A autarquia já sinalizou que é grande a probabilidade de o levantamento ser postergado para 2027 por falta de verbas. O cobertor do instituto é curtíssimo. Com base no orçamento da União para 2026, o IBGE não dispõe de recursos sequer para a fase preparatória do Censo, estimada em torno de R$ 400 milhões. O que dizer, então, da verba necessária para a consumação de toda a pesquisa, orçada em aproximadamente R$ 3,5 bilhões. O calo financeiro da instituição dói em Fávaro. O IBGE é vinculado ao Ministério do Planejamento, de Simone Tebet, mas é o ministro da Agricultura que terá de arcar com as implicações técnicas e políticas do adiamento do Censo Agropecuário.
O Censo Agropecuário é principal mapeamento da atividade agrícola no Brasil do ponto de vista econômico, político e social. O levantamento reúne dados essenciais, como área plantada, uso da terra, produção, perfil do produtor, tecnologias utilizadas, questões relacionadas à estrutura fundiária (posse, arrendamento, titulação), receita, custos, acesso a crédito etc. Trata-se de um subsídio essencial para a definição de políticas públicas e para o próprio mercado. Bancos e fundos usam bases censitárias para calibrar riscos, definir limites de financiamento e precificar juros no crédito rural. Ocorre que há coisas que só acontecem no Brasil. Uma das maiores potências agrícolas do Planeta, o país enfrenta uma estiagem na coleta de dados estratégicos da atividade rural, que pode se agravar caso o Censo seja empurrado para 2027. O último mapeamento do agronegócio realizado pelo IBGE data de 2017. Ou seja: as informações coletadas já estão razoavelmente desatualizadas. Apenas a título de exemplo: de lá para cá, a área plantada no Brasil já saltou de 76 milhões para mais de 84 milhões de hectares.
Caso se confirme, o adiamento do Censo aumentará essa defasagem estatística, ampliando os pontos cegos em relação ao agronegócio. Na melhor das hipóteses, se a pesquisa for iniciada em 2027, os primeiros dados só estarão disponíveis no fim de 2028 ou no início de 2029, ou seja, mais de uma década após o último levantamento. Para efeito de comparação, os Estados Unidos realizam seu Censo de cinco em cinco anos. A China, por sua vez, trabalha com um espaçamento maior para o seu, digamos, macromapeamento, feito de dez anos em dez anos. No entanto, o país realiza levantamentos anuais e, em alguns casos, trimestrais, coordenados diretamente por Pequim e executados com o auxílio de bases administrativas em múltiplas esferas – províncias, condados e vilas. Esse sistema permite uma pesquisa de dados pormenorizada, graças a uma extensa rede de coleta de informações. E o Brasil? Ao longo da história, a periodicidade tem variado entre quinquenal e decenal, quase sempre ditada por questões de ordem orçamentária.

#Censo Agropecuário

Bendine surge como o nome certo no lugar certo para o Digimais

23/12/2025
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A contratação de Aldemir Bendine como novo CEO do Banco Digimais tem gerado fortes especulações no mercado. O que se diz em petit comité é que Bendini foi contratado para pilotar a transferência de parte do capital ou mesmo do controle integral da instituição financeira pertencente a Edir Macedo. Caberia a Bendine a missão de liderar as negociações com possíveis interessados, mas, sobretudo, de conduzir a diplomacia da venda junto às autoridades em Brasília, especialmente o Banco Central. Nesse caso, o novo CEO do Digimais assume o cargo ancorado em suas notórias relações com o PT. Funcionário de carreira do Banco do Brasil, Bendine assumiu a presidência da instituição no segundo mandato de Lula, mantendo-se na função nos quatro primeiros anos da gestão Dilma. No Dilma II, comandou a Petrobras. Bendine é visto, portanto, como uma gazua, que permitiria ao Digimais abrir portas no governo. O RR enviou uma série de perguntas ao Digimais, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.
A venda do banco de Edir Macedo não é exatamente um processo dos mais simples. Consta que já há algum tempo o Digimais está no radar do Banco Central. Nos últimos anos, a autoridade monetária teria solicitado ajustes na operação, como revisão da marcação de ativos em balanço, incluindo precatórios, e um novo cálculo da carteira de crédito de financiamento de veículos. Há notícias de que bancos e investidores chegaram a abrir conversas para a compra do Digimais. Entre eles, estariam o Nubank, que tem como vice-chairman o ex-presidente do BC, Roberto Campos Neto, e o empresário Tércio Borlenghi Jr., controlador da agora encalacrada Ambipar. As tratativas, no entanto, não avançaram.

#Digimais

Agrolend ignora crise no agro e expande oferta de crédito

23/12/2025
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A Agrolend caminha na contramão da crise que atinge parte da cadeia do agronegócio, com o aumento da inadimplência e a disparada do número de recuperações judiciais. A fintech entra em 2026 com uma carteira de crédito em torno de R$ 700 milhões, contra algo próximo dos R$ 500 milhões há 12 meses. Internamente, já se fala em bater a barreira de R$ 1 bilhão ao fim de 2026 Um dos caminhos em estudo é a expansão do perfil de clientes, com foco em operações estruturadas junto a cooperativas, revendas de insumos e empresas da cadeia agrícola. No mercado, corre, inclusive, que os controladores da Agrolend, os irmãos André e Alan Glezer, discutem a possibilidade de uma nova captação. A capitalização mais recente se deu em outubro de 2024, um rodada Série C, na qual a fintech levantou US$ 53 milhões.

#Agrolend

Um suplente sob medida para Eduardo Bolsonaro

23/12/2025
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Eduardo Bolsonaro foi cassado, mas provavelmente seguirá exercendo o seu “mandato”. Na Câmara, o seu suplente e sucessor, o missionário José Olímpio (PL-SP), é visto como um mero títere do “03”. A ponto da ala menos extremista do PL – sim, ela existe – sequer o enxergar propriamente como um parlamentar do partido. A aposta é que ele será um obediente representante dos interesses do clã no Congresso, apenas dublando as ordens do “03”. Línguas mais ferinas chegam a dizer que Eduardo poderá manter não apenas o poder de “voto”, mas, digamos assim, os direitos econômicos sobre o mandato cassado.
Nascido em Itu (SP), formado em Direito e ligado à Igreja Mundial do Poder de Deus (do apóstolo Valdemiro Santiago), José Olímpio construiu carreira no varejo político municipal antes de ganhar escala nacional: foi vereador por vários mandatos em sua cidade natal e depois na capital – chegou a presidir a Câmara Municipal de São Paulo. Foi deputado federal em legislaturas anteriores por diferentes siglas (PP, DEM, União, entre outras) até se aninhar no PL – e no bolsonarismo. O parlamentar tem os atributos necessários para ser temente à família Bolsonaro: é conservador ao extremo e vale-se da sua representatividade junto à população evangélica. José Olimpo é notório na Câmara por propostas sem pé nem cabeça. Em 2014, por exemplo, apresentou um projeto de lei para proibir o implante de chips e outros dispositivos eletrônicos em seres humanos, com o objetivo de impedir o avanço de uma “satânica nova ordem mundial”.

#Eduardo Bolsonaro

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