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PSD está perto de anunciar chapa Ratinho Junior/Caiado
16/03/2026Gilberto Kassab está por um triz de bater o martelo em relação à eleição presidencial. Segundo apurou o RR, a julgar por conversas mantidas na manhã de hoje, o PSD deverá lançar nos próximos dias a candidatura de Ratinho Junior à Presidência da República, tendo Ronaldo Caiado como vice. A opção do partido por candidato próprio e a escolha de uma chapa puro-sangue fecham as portas para a possibilidade de uma frente ampla de centro-direita no primeiro turno. Nada que impeça que essa porta seja destrancada no segundo turno, com o eventual apoio a Flavio Bolsonaro, hoje favoritíssimo para confrontar Lula na rodada decisiva. Talvez seja esse o cálculo político de Kassab, Ratinho e Caiado. Na lógica do trio, o PSD vence de qualquer maneira: indo para o segundo turno ou adquirindo um poder de negociação ainda maior para uma aliança com Flavio para o embate com Lula. Só esse raciocínio explica a escolha por uma chapa em circuito-fechado, vedando a possibilidade de usar o cargo de vice como fator de atracão de outras legendas para a candidatura de Ratinho Junior.
A se confirmar esse desenho, significa dizer que Kassab e Ratinho Junior terão resistido às pressões de Flavio Bolsonaro para o PSD sair da disputa desde já e apoiá-lo. Nas conversas mantidas nas últimas semanas, o “01” ofereceu ao governador do Paraná a posição de vice uma chapa. Nos bastidores, aliados relatam que Ratinho Jr. avaliou que abrir mão da candidatura neste momento significaria abdicar do capital político acumulado ao longo de dois mandatos no governo do Paraná, além de limitar sua projeção nacional.
Flavio Bolsonaro reserva para Paulo Guedes o papel de “Rasputin da economia”
16/03/2026Seja quem for o futuro ministro da Fazenda de Flávio Bolsonaro, caso ele emplaque na Presidência, uma coisa é certa: Paulo Guedes será o seu “Rasputin da área econômica”. Grigori Rasputin foi o principal conselheiro do Czar Nicolau II – mandava mais do que qualquer membro da Corte. Bem, voltar ao Ministério da Fazenda, nem pensar, conforme o RR apurou com um parente de Guedes. Porém, influenciar de fora para dentro do governo é um figurino que agrada tanto ao ex-ministro quanto a Flavio. A ideia de que Guedes estará por trás das decisões econômicas é vista como um trunfo junto a uma razoável a parcela do eleitorado do “01”. Guedes criou um enorme fã clube. Inclusive, não falta quem atribua a sua performance uma parcela importante da vitória eleitoral do papai Bolsonaro. Desde a campanha, o economista ajudou a criar uma chancela para o ex-presidente.
Paulo Guedes não quer mais a pressão, a burocracia e o excesso de trabalho do cargo formal de ministro. Mas não vai desaparecer nas nuvens, como faria o místico Rasputin. Por dois motivos: primeiro, porque a percepção de que ele apoia e “apita” na política econômica seria favorável a um eventual governo de Flavio Bolsonaro; segundo porque Guedes é extremamente vaidoso e irá entender uma eventual vitória do rebento de Bolsonaro como uma vitória sua também. E sabe como é: quem acha “que fez” o segundo presidente de um clã pode achar que fará também o terceiro. Até aí tudo bem. Mas há uma questão de ordem psicológica ou, melhor dizendo, de administração de vaidades. O ministro da Fazenda de direito terá de ser um nome que se adapte a esse papel do “mando, mas não mando muito”.
Em Brasília e junto à comunidade do mercado de capitais dois nomes já despontam como candidatos à feição dessa exigência. Um deles é Gustavo Montezano. É extremamente preparado, cursou com destaque o Instituto Militar de Engenharia (IME), passou pelo Opportunity e pelo BTG Pactual e já foi lugar-tenente do próprio Guedes, tendo sido indicado para presidir o BNDES no governo de Jair Bolsonaro.
À época, o banco, que tradicionalmente sempre esteve sob a esfera de controle da Indústria e Comércio ou do Planejamento, foi acoplado ao supervitaminado Ministério da Economia de Paulo Guedes, que tinha debaixo de si seis Pastas. Montezano certamente não faria forfait à sombra maiúscula de Guedes. O segundo candidato é o economista Mansueto Almeida, ex-secretário do Tesouro na gestão do próprio Paulo Guedes. Fiscalista, é quem tem mais brilho próprio. Mas toca a violão a quatro mãos com o ex-ministro da Economia. Um adendo importante: Mansueto é sócio e economista-chefe do BTG Pactual. Essa proximidade diz muita coisa hoje em dia. Mantidas essas coordenadas, o RR faz uma aposta: Guedes, na posição de “Rasputin” e Gustavo Montezano executando uma política que não foi desenhada por ele. Como pensam igual, a ordem das funções não alterará o resultado do produto.
Aporte da Warburg Pincus turbina ambições da Global Eggs nos EUA
16/03/2026O aporte bilionário da Warburg Pincus colocou a Global Eggs, do empresário Ricardo Faria, em uma posição ainda mais privilegiada no tabuleiro da indústria de ovos dos Estados Unidos. No mercado, o investimento de até US$ 1 bilhão da gestora americana — operação que avaliou a companhia em cerca de US$ 8 bilhões — é interpretado como um combustível direto para novas aquisições no país. Após a compra da Hillandale Farms por aproximadamente US$ 1,1 bilhão em 2024, investidores acreditam que a empresa brasileira poderá avançar sobre outros grandes produtores norte-americanos, consolidando ainda mais o setor. Entre os nomes que aparecem com frequência nas especulações estão grupos como Cal-Maine Foods, maior produtor de ovos dos Estados Unidos, e a Daybreak Foods, companhia com forte presença no Meio-Oeste. Em um mercado marcado por consolidação crescente e exigências regulatórias cada vez mais rígidas em relação ao bem-estar animal, aquisições surgem como uma forma rápida de ampliar escala e acesso a infraestrutura produtiva.
Há ainda outra leitura corrente no mercado financeiro: a de que o aporte da Warburg Pincus seria um combustível para a Global Eggs realizar uma oferta de ações em Nova York. No passado, a empresa já flertou com a abertura de capital na B3, mas o projeto foi engavetado. Consultada pelo RR, a companhia informou que “não tem planos de IPO”.
Fundada a partir da expansão da Granja Faria, a Global Eggs transformou-se em poucos anos em um conglomerado multinacional do setor de proteína animal. O grupo opera mais de 90 fazendas espalhadas por América do Sul, Estados Unidos e Europa, com produção anual próxima de 15 bilhões de ovos. A trajetória recente da companhia é marcada por uma estratégia agressiva de expansão internacional. Em 2024, além da aquisição da Hillandale, o grupo comprou o espanhol Grupo Hevo, ampliando sua presença no mercado europeu. Com essas operações, a companhia brasileira alcançou receita superior a US$ 2 bilhões e passou a figurar entre os maiores players globais do setor.
Em recuperação extrajudicial, Wetzel avalia aporte de capital
16/03/2026Os acionistas da catarinense Wetzel, uma das mais tradicionais metalúrgicas do país, discutem a possibilidade de venda de uma participação relevante do capital. Além da família Wetzel, que se mantém como maior acionista, a companhia tem entre seus sócios Gabriel Junqueira Pamplona Skaf, filho de Paulo Skaf, presidente da Fiesp. Segundo informações que circulam no mercado, haveria, inclusive, uma certa pressão de credores pela entrada de um novo investidor. A Wetzel entrou em recuperação extrajudicial na semana passada, com dívidas na casa dos R$ 100 milhões. Não é de hoje que a empresa convive com uma situação financeira asfixiante. Em 2024, a metalúrgica implementou uma reestruturação que incluiu a venda de uma unidade produtiva de fundição de ferro — a chamada UPI Ferro — para a Schulz por cerca de R$ 115,2 milhões. A expectativa era de que a alienação da fábrica e a concentração das atividades nas divisões de alumínio e eletrotécnica garantissem uma nova fase de estabilidade financeira. No entanto, o movimento não produziu o efeito esperado sobre o caixa da empresa, forçando a Wetzel a voltar à mesa de negociação com credores. Procurada pelo RR, a companhia informou, por meio de nota, que o processo de recuperação extrajudicial “tramita atualmente em segredo de justiça, razão pela qual detalhes não podem ser divulgados neste momento”. Segundo a empresa, o plano já teve a aprovação de credores que representam 57% das dívidas totais. Perguntada especificamente sobre a hipótese de venda de parte do capital, a Wetzel não se pronunciou.
Gleisi manda transição na articulação política para as calendas
16/03/2026Pelo andar da carruagem, Olavo Noleto, escolhido para substituir Gleisi Hoffmann na Secretaria de Relações Institucionais, assumirá o cargo em um voo às cegas. Até o momento Gleisi tem mantido o futuro ministro à margem das negociações mais sensíveis com os parlamentares. A postura tem causado incômodo dentro da própria base aliada, a começar pelo líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). A situação contrasta com o aceno do Palácio do Planalto ao parlamentares de que haveria uma passagem de bastão gradual da articulação política para evitar ruídos na articulação em um momento particularmente delicado no Congresso, notadamente em ano eleitoral.