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Fundo de recifes tropicais para sempre?
10/11/2025O imenso sistema recifal amazônico (o GARS; Great Amazon Reef System; superior a 56 mil Km2) volta ao foco das atenções durante a COP30. O GARS é um recife mesofótico biodiverso, ocorrendo em áreas mais profundas (até 220 metros), com reduzida disponibilidade de luz, podendo ser um santuário ainda protegido do aquecimento rápido de águas marinhas de superfície, um possível banco de “sementes” para recifes rasos. O GARS sustenta vastas pescarias nos estados do Amapá e Pará, com a possibilidade também de atuar como corredor ecológico entre a Margem Continental brasileira e o Caribe.
Porém, este sistema recifal está sob ameaça, pois ocorre na mesma região onde, hoje, são ofertados 130 blocos de petróleo. A exploração de petróleo nas proximidades da foz do Amazonas avança, com a liberação recente pelo Ibama, em 20 de outubro de 2025. Por outro lado, é necessário impulsionar, com urgência, a economia da inovação no nosso país. Uma alternativa seria considerar todo o petróleo e gás da foz do Amazonas e Margem Equatorial como uma reserva técnica. Esta reserva seria usada pelo nosso país apenas em casos extremos de instabilidade global. Manter estas riquezas de Óleo&Gás como reserva técnica, para episódios extremos, reduziria emissões de GHG (Greenhouse gases), inerentes ao processo de exploração e produção de combustíveis fósseis, e também permitiria o melhor conhecimento sobre a biodiversidade desta vasta Margem Equatorial. Um novo fundo poderia ser constituído pelo Brasil para manter esta reserva técnica.
Assim como o Fundo de Florestas Tropicais Para Sempre, com mais de US$ 5 bilhões de investimentos iniciais, lançado durante a COP30, visa a preservação das Florestas Tropicais tais como a Amazonia, um novo fundo focado em recifes poderia também ser concebido. Para o novo Fundo de Florestas Tropicais para Sempre, duas Petronações já contribuíram (Noruega, com US$ 3 bilhões; e França com US$ 500 milhões). Um novo fundo voltado ao financiamento da preservação e uso sustentável de recifes com recursos públicos e privados, e retorno financeiro, poderia ser estabelecido.
Porém, há desafios relevantes no que tange o conhecimento científico sobre a Margem Equatorial. Até hoje a região carece de ciência. Quatro grandes expedições culminaram no estado-da-arte atual (2012, 2014, 2017, 2018). Um breve histórico merece registro. Em 2012, junto com professor Carlos Rezende da UENF, coordenamos equipes de pesquisa sobre Pluma e Foz do Amazonas a bordo do Navio Atlantis dos EUA. À época, Rezende buscava liberação junto ao EMA-MB (Estado Maior da Armada da Marinha do Brasil) – portaria 150 de 2012, enquanto buscávamos coletas via MMA/ICMBIO/SISBIO (Ministério do Meio Ambiente, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e Sistema de Autorização e Informação em Biodiversidade) – permissão de pesquisa 33823-2.
Em 2014, com o auxílio do Navio Cruzeiro do Sul, sob os cuidados da Marinha e do Ministério da Ciência e Tecnologia, coordenamos pesquisas com coleta de biodiversidade no GARS (projeto descoberta de um novo bioma marinho recifal Amazônico) que culminou em um trabalho pioneiro na Sciences Advances1. Alguns anos mais tarde, coordenamos outra expedição importante, que permitiu os primeiros mergulhos com submersível tripulado, em 28 de Janeiro de 2017, a bordo do Navio Esperanza do Greenpeace. Nesta ocasião obtivemos as primeiras imagens do recife e da sua biodiversidade2. No ano seguinte, novamente a bordo do Esperanza, empregamos um grande ROV, e conseguimos filmagens nas proximidades do bloco FZA-M-059. Infelizmente, desde então, poucos estudos independentes têm ocorrido na região.
O estabelecimento de um novo Fundo para os Recifes para Sempre poderia contribuir para investir em Ciência, Tecnologia e Inovação (CTI) e para alavancar as ciências do mar, incluindo a oceanografia, engenharia, sociologia e bioeconomia. Especial atenção poderia ser dada aos estudos sobre estrutura, função e dinâmica do GARS e do megabioma amazônico. Garantir a preservação da biodiversidade por meio de sistemas inovadores de cultivo da biota do GARS, incluindo cultivos de algas, esponjas e corais em sistemas controlados, e manutenção da biodiversidade, seu material genético em condições seguras e de salvaguarda, seria uma forma também de evitar que a biodiversidade do GARS seja levada para grandes museus e centros de pesquisa do estrangeiro.
É absolutamente vital que o Brasil crie mecanismos para explorar a biodiversidade endêmica por meio da biotecnologia, biologia sintética, engenharia genética, fermentações e aplicações práticas, assim como obter novos fármacos, alimentos e bioinsumos a partir da biodiversidade do GARS. O investimento em bioeconomia marinha permitirá alavancar o desenvolvimento socioeconômico, empreendedorismo e inclusão produtiva, incluindo uma cultura que envolva as comunidades tradicionais, indígenas e quilombolas. O que está em pauta é o desenvolvimento da economia da inovação.
1 https://www.science.org/doi/10.1126/sciadv.1501252
2 https://doi.org/10.3389/fmars.2018.00142
Fabiano Thompson é professor da UFRJ, onde coordena o Laboratório de pesquisa (https://www.thompsonlab.com.br/). É membro da Academia Brasileira de Ciências, colaborador especial do Relatório Reservado.
Sem Amaggi, Inpasa enfrenta desconfiança sobre fôlego para novos projetos
10/11/2025
L Catterton mira a porta de saída do St. Marche com o BTG à espreita
10/11/2025O St. Marche atravessou a tormenta: fechou um acordo com os credores para a renegociação de R$ 530 milhões em dívidas e saiu da recuperação extrajudicial. Virada esta página, o L Catterton – acionista majoritário, com 70% – volta-se agora à venda de parte ou mesmo da totalidade das suas ações. Corre à boca miúda que o fundo norte-americano conversa com private equities interessados no negócio – entre eles, uma grande gestora brasileira. Mas talvez o nome do potencial comprador já esteja dentro de casa. No mercado, há rumores de que o BTG pode assumir o controle do St. Marche. O banco de André Esteves detém cerca de R$ 280 milhões em créditos contra a rede de supermercados, por meio de um fundo. A conversão de debt em equity combinada à aquisição das ações em poder do L Catterton daria ao BTG o controle da rede de supermercados paulista. A ver.
Marina tenta destravar aporte da Alemanha e evitar revés diplomático e ambiental
10/11/2025Marina Silva costura uma reunião com o ministro do Meio Ambiente, Proteção da Natureza e Segurança Nuclear da Alemanha, Carsten Schneider, nesta semana, em Belém. Será mais uma tentativa de desbloquear o esperado aporte do país europeu ao Fundo Florestas Tropicais Para Sempre (TFFF, na sigla em inglês). Marina já tratou do tema com a sua contraparte alemã em outras ocasiões, uma delas em Nice, na França, durante a realização do 3ª Conferência do Oceano da ONU (UNOC3). À época, Schneider assegurou a participação da Alemanha no fundo. Ocorre que o governo brasileiro teve uma ducha de água gélida na última sexta-feira, quando o primeiro-ministro alemão, Friedrich Merz, se encontrou com o presidente Lula. Havia a expectativa de que ele oficializasse o repasse de recursos para o TFFF, o que não ocorreu. Até o momento, apenas quatro países confirmaram o aporte no fundo: o próprio Brasil, com US$ 1 bilhão; Indonésia, também com US$ 1 bilhão; Noruega, US$ 3 bilhões; e França, 500 milhões de euros.
Receita Federal: o Brasil que dorme em serviço
10/11/2025O funcionalismo público, por vezes, é o principal detrator da sua imagem. Seja lá entre pobres ou ricos. Um exemplo de como ele joga contra si próprio foi dado na manhã do último sábado, no hangar da Líder Taxi Aéreo, no Rio de Janeiro, nas proximidades do Aeroporto do Galeão. Donos de jatos, indo para as mais diversas e distantes paragens, se enfileiravam na sala que antecedia a fiscalização da bagagem de mão pela Receita Federal. A agente da Polícia Federal, também presente na mesma sala, esperava, com a expressão de que não era com ela. Perguntados onde se encontravam os agentes da Receita, os funcionários da Líder confidenciaram, com certo temor, que eles estavam dormindo e pediram para não ser chamados de madrugada. Ou seja, já sabiam que haveria algum atraso devido à prática da soneca. Um dos empresários, mais irritado, esbravejava contra a situação. O funcionário da Líder, então, falou baixinho: “Não adianta, meu patrão! Eles dormem sempre”. Com atraso, pouco tempo depois algum daqueles jatos, todos tinindo de tão lustrados, estaria sobrevoando as comunidades do Rio. Quem sabe aquela que assistiu à ação sanguinolenta do Bope.
Novo investidor desponta como prioridade na Agrogalaxy
10/11/2025Corre no mercado que o Aqua Capital, de Sebastián Popik, tem feito sondagens junto a outros private equities com o objetivo de vender parte da Agrogalaxy, uma das maiores distribuidoras de insumos agrícolas do país. A empresa está em recuperação judicial, com uma dívida superior a R$ 4 bilhões. Uma parte significa do problema já foi equacionada com a repactuação da dívida e a redução dos compromissos de curto prazo para R$ 1,6 bilhão. Ainda assim, o entendimento é que a Agrogalaxy precisa de dinheiro novo para revigorar sua operação – um dinheiro que o Aqua não está disposto a desembolsar. A crise financeira achatou a companhia. Antes eram 140 lojas; hoje, são 60. No terceiro do trimestre do ano passado, a empresa tinha mais de R$ 600 milhões de pedidos; agora, esse número caiu praticamente à metade – algo em torno de R$ 330 milhões. Além da necessidade de capitalização da Agrogalaxy, há motivações de ordem reputacional para o Aqua Capital reduzir sua participação. A grave situação da empresa respingou na imagem da gestora no mercado. Até porque a casa de investimentos não tem colhido bons resultados no agronegócio. Igualmente controlada pelo Aqua, a Solubio, fabricante de biológicos on-farm, também atravessou um período turbulento por conta de um complexo processo de renegociação de dívidas, mais precisamente R$ 120 milhões em CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio).