Marinha dá um tiro no pé da indústria armamentista nacional

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Marinha dá um tiro no pé da indústria armamentista nacional

  • 3/12/2025
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A Marinha do Brasil reclama que não tem fundos para aquisição de equipamentos e para o seu reaparelhamento. Afirma que a maior parte da sua fatia no Orçamento da União segue para o pagamento dos soldos e da previdência. Até aí, tudo bem. Aliás, tudo mal. Nos últimos 10 anos, os recursos orçamentários da Força Naval caíram cerca de 50%. Esse é um lado da moeda. O outro é como se a Marinha, furibunda com o governo brasileiro, tivesse decidido prejudicá-lo abertamente. Trata-se apenas de uma figura de retórica, é claro. Mas dá o que pensar. Em um momento crítico da política de sobretaxação imposta pelos Estados Unidos, a Marinha do Brasil decidiu desprezar a indústria bélica nacional, comprando um lote de 140 fuzis da norte-americana Colt. Causa estranheza que a Força tenha adquirido no exterior um armamento similar ao modelo produzido no Brasil pela Taurus, desprestigiando, assim, a indústria de defesa nacional. O paradoxo é ainda maior diante do fato de que o fuzil da maior fabricante brasileira de armamentos tem sido adquirido por vários países da Ásia, por meio de licitação. Ora, por que o equipamento da Taurus serve para nações que investem muito mais em defesa e soberania e, ao menos a julgar pela decisão da Marinha, não serve para o Brasil?
A indústria armamentista é fonte de divisas e uma das maiores geradoras de tecnologia da indústria nacional, junto com a aeronáutica (Embraer) e materiais elétricos (WEG). A Taurus, por sua vez, é orgulho nacional em vários calibres e modelos, tendo se consagrado como arma leve referencial da defesa norte-americana, conforme demonstra a sua demanda firme até os dias de hoje. Com a sobretaxa do governo Trump em mais de 50% das exportações da empresa para os EUA, cerca de 70% do total da produção da empresa no Brasil ficarão comprometidos. Com isso, estão ameaçados milhares de empregos no país. Um dos aspectos surreais dessa história é que a Taurus permanece gerando postos de trabalho em uma fábrica da sua propriedade, nos Estados Unidos, antes sediada em Miami e hoje na Geórgia. Com a aquisição, a Marinha deixou de comprar um modelo superior da Taurus para ficar com um similar da Colt que, até então, se não era um figurante, estava longe de ser o preferido da Força Naval. Nem da nossa, nem da Marinha dos Estados Unidos. Os fuzis T5 da Taurus são produzidos desde 2017. Nesse período, foram fabricadas 100 mil unidades do modelo.
Com o encarecimento desleal do armamento brasileiro no mercado norte-americano, restaria ocupar o máximo possível a capacidade instalada da fábrica da Taurus. Não é uma receita de bolo buscar compradores de fuzis no mercado internacional de uma hora para outra. O que o governo brasileiro deveria fazer é interromper as compras de todos os armamentos importados dos EUA, até que as tarifas fossem suspensas. Se continuar agindo dessa forma pusilânime, as Forças Armadas acabarão, no limite, por trocar uma indústria de armas lucrativa e internacionalmente elogiada pelos rifles da Imbel, fábrica que vive pendurada nos subsídios oficiais e que ninguém quer comprar porque é um guarda-chuva de oficiais da reserva do Exército brasileiro. Pode ser que o extravagante governo americano mire mesmo a Taurus, sabe-se lá por quê. Talvez por temer sua competitividade. Ou – quem sabe? – por querer facilitar a compra da empresa por uma companhia norte-americana. Com Donald Trump, tudo ficou enigmático. Aliás, enigma por enigma, por onde anda o ministro da Defesa, José Múcio? Espera-se que tratando do caso.

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