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Escândalo da Acciona na Espanha acende alerta no governo Tarcísio
No entorno do governador Tarcísio de Freitas, há uma apreensão com a escalada das denúncias de corrupção contra a Acciona na Espanha. O Palácio dos Bandeirantes monitora passo a passo o avanço das investigações conduzidas pela Justiça espanhola. Assessores de Tarcísio temem o potencial impacto dessa espécie de “Lava Jato ibérica” sobre os negócios do grupo em São Paulo. A Acciona tem se notabilizado pelo seu crescente peso em importantes projetos de infraestrutura no estado. A empresa está à frente de uma das principais obras do governo de Tarcísio de Freitas: a expansão da Linha 6-Laranja do metrô paulistano – o projeto total gira em torno de R$ 18 bilhões. Além disso, a companhia espanhola é apontada como principal candidata à PPP lançada pela gestão Tarcísio para a construção do Novo Centro Administrativo Campos Elísios, futura sede do governo de São Paulo. Trata-se de um contrato da ordem de R$ 6 bilhões. De quebra, a empresa espanhola deverá disputar também a licitação das obras do túnel Sena Madureira, na capital, projeto estimado em R$ 800 milhões. Consultada, a Acciona não quis se manifestar. Também procurado, o governo de São Paulo não se pronunciou até o fechamento desta matéria.
Em termos práticos, a preocupação do governo paulista, desde já, é que as investigações e eventuais punições impostas à Acciona venham a atingir as decisões de investimento da empresa no Brasil e consequentemente o andamento de suas obras em São Paulo. A infraestrutura é sabidamente o grande canteiro no qual foi construída a imagem de gestor de Tarcísio de Freitas. Ao mesmo tempo, à medida que as acusações contra a companhia ganham densidade, a proximidade da Acciona com o governo de São Paulo desponta como um risco político para o presidenciável Tarcísio. O grupo está no centro de um dos maiores escândalos da história recente da Espanha, envolvendo um esquema de pagamento de propina a altos membros do PSOE, partido do primeiro-ministro Pedro Sanchez. Entre eles está Santos Cerdán, ex-secretário de Organização da sigla e um dos principais aliados de Sanchez. Segundo recente relatório da Guarda Civil espanhola, a Acciona fez seguidos repasses à Servinabar, empresa ligada a Cerdán, em troca de contratos de obras públicas. Não é o primeiro caso rumoroso protagonizado pela empresa. Em 2022, a Acciona foi condenada pela Comisión Nacional de los Mercados y la Competencia (CNMC) – o Cade espanhol – a pagar uma multa de 29,4 milhões de euros por formação de cartel, por irregularidades em licitações públicas por 25 anos.
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