19.01.17
ED. 5542

Bombril faz faxina para evitar recuperação judicial

Da Bombril periga sobrar apenas o bombril. Na tentativa de exorcizar o fantasma de uma segunda recuperação judicial no intervalo de uma década, o empresário Ronaldo Sampaio Ferreira decidiu colocar à venda boa parte das linhas de produtos da companhia. De acordo com informações filtradas junto à própria Bombril, o amaciante Mon Bijou já foi oferecido à Unilever.

Ferreira também busca um comprador para suas marcas de alvejante e de tira-manchas. Segundo o RR apurou, a norte-americana Reckitt Benckiser tem interesse no negócio. Estima-se que a venda destas três linhas renderia à Bombril algo em torno de R$ 200 milhões. A situação da Bombril é bastante delicada. No ano passado, após mudanças na gestão – Luiz Gustavo Figueiredo da Silva assumiu a presidência em março – a companhia até voltou a dar lucro. Mas carrega uma dívida líquida de R$ 112 milhões, quase sete vezes o Ebitda.

O patrimônio líquido está negativo em mais de R$ 300 milhões. Nos últimos dois anos, a empresa tem sofrido com uma geração de caixa continuamente baixa – a disponibilidade tem girado entre R$ 10 milhões e R$ 20 milhões. Ronaldo Sampaio Ferreira resistiu ao máximo à ideia de esquartejar a Bombril e vender ativos para salvar a companhia. Acabou convencido pelos números – e pelo consultor Ricardo  K, à frente do processo de reestruturação da empresa desde o início do ano passado. A princípio, além da tradicional palha de aço que dá nome à Bombril, Ferreira considera fundamental preservar também a linha de detergentes Limpol. No mais drástico dos cenários, a manutenção destes dois negócios garantiria à empresa cerca de 60% da sua atual receita, ou algo correspondente a R$ 600 milhões/ano.

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