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A Dexco, antiga Duratex, tornou-se um piso escorregadio para os Setúbal. A queda de rentabilidade e, sobretudo, a crescente alavancagem têm forçado o clã a discutir medidas mais agudas para a reestruturação financeira da companhia. Segundo informações obtidas pelo RR, uma das hipóteses que ganha força é a venda de uma das divisões de revestimentos cerâmicos da companhia – Portinari, Castelatto e Ceusa. Sob certo aspecto, funcionaria como uma confissão de fracasso do modelo de negócio concebido pela Itaúsa em 2018, quando a então Duratex deixou de ser uma empresa concentrada em madeira, celulose e painéis para se tornar uma holding integrada de soluções para construção, reforma e acabamento. Na prática, seria o segundo passo atrás em relação a essa estratégia. O primeiro se deu em outubro de 2024, ocasião em que a Dexco se desfez da sua operação de chuveiros e torneiras elétricas, leia-se as marcas Corona e Thermosystem, negociada para a Zagonel.
Paralelamente à venda de ativos, há relatos no mercado sobre a possibilidade de um aporte de capital na Dexco. Seria mais uma medida com o objetivo de reduzir o endividamento da empresa. De certa forma, ainda que de maneira oblíqua – ou camuflada -, esse movimento já começou a ser feito pelos Setúbal – levando junto os Moreira Salles. Há cerca de duas semanas, a Dexco vendeu R$ 200 milhões em ativos florestais por meio da emissão de ações da controlada Jatobá Florestal. O comprador dos papéis? O Itaú Unibanco. Ficou tudo em casa. Na prática, os próprios acionistas controladores tiraram de uma mão para colocar na outra, injetando recursos na companhia. Consultada pelo RR, a Dexco limitou-se a dizer que “o que pode falar é o que está no comunicado ao mercado”, referente à venda de recursos florestais. Sobre a possibilidade de negociação de ativos e de um aumento de capital, nenhuma palavra.
A Dexco é hoje um negócio fora de sintonia na partitura empresarial dos Setúbal. O elevado nível de alavancagem não condiz com o padrão das demais companhias do clã. Nos últimos três anos, o passivo da empresa aumento consideravelmente. Em 2022, a relação dívida líquida/Ebitda fechou em 2,33 vezes. No terceiro trimestre de 2025, chegou a 3,48 vezes. Na Itaúsa há um senso de urgência em equacionar o endividamento, até porque ele tem ajudado a corroer a rentabilidade da Dexco. Entre janeiro e setembro de 2025, o lucro da companhia caiu 26% em relação a igual período no ano anterior (R$ 111 milhões, contra R$ 152 milhões). Na comparação entre os terceiros trimestres, a fotografia é ainda pior: queda de 84% (R$ 14 milhões, contra R$ 92 milhões).
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