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A direção dos Correios está criando novos problemas antes de resolver os antigos. Em meio à profunda reestruturação do seu mantenedor, a Postal Saúde lançou novas modalidades de planos para empregados, aposentados, ex-empregados e familiares. Em condições normais de temperatura e pressão, seria uma iniciativa mais do que justa, mas, diante da grave crise da estatal e do seu plano de saúde, parece coisa de gestão populista. A ampliação da cobertura, neste momento, ameaça agravar ainda mais as pendências da Postal Saúde com a rede credenciada. Hospitais, clínicas e laboratórios cobram da empresa pagamentos atrasados que, em alguns casos, se arrastam há mais de um ano. A dívida dos próprios Correios com a Postal Saúde chegou a R$ 740 milhões. O passivo provocou suspensão de consultas, dificuldades para autorizar exames, descredenciamento de prestadores e interrupção de atendimentos em diversas regiões. Grupos como Rede D’Or, Unimed, Dasa, Kora e Beneficência Portuguesa suspenderam serviços diante da falta de pagamento. Os próprios funcionários da estatal chamam atenção para a contradição da Postal Saúde. A FINDECT, federação que representa trabalhadores dos Correios, já se manifestou de forma contrária ao lançamento dos novos planos. A entidade encaminhou um manifesto à direção da estatal cobrando a regularização dos pagamentos à rede credenciada e alerta para o risco de os beneficiários ficarem no meio do caminho, pagando mais por um sistema que ainda não recuperou sua capacidade plena de atendimento. Para os sindicatos, a prioridade deveria ser recompor a confiança na Postal Saúde antes de criar novas vitrines comerciais.
Além da suspensão de novos leilões e do impacto sobre investimentos em minerais estratégicos, a crise orçamentária da Agência Nacional de Mineração (ANM) está causando um efeito colateral ainda mais grave e menos visível: o desmonte na primeira linha de defesa do Estado contra o mercado ilegal de ouro, diamantes e pedras preciosas. Segundo o RR apurou, o trabalho de fiscalização in loco, leia-se garimpos, plantas de beneficiamento e rotas de escoamento, está praticamente parado. As viagens para as regiões de extração foram quase todas canceladas. Não há verba e nem sequer funcionários suficientes para proceder às diligências de campo. Sem o devido controle físico na originação, a rastreabilidade de toda a cadeia do ouro e de pedras preciosas está severamente comprometida. Trata-se de um convite à proliferação de garimpos ilegais e à infiltração do crime organizado em todas as etapas do negócio, da extração ao transporte e posterior envio ao exterior. Ou seja: no momento em que os Estados Unidos classificam facções criminosas brasileiras como grupos terroristas e fecham o cerco a fluxos financeiros ilícitos, a asfixia financeira da ANM tem levado a um afrouxamento na fiscalização de ouro, diamante e pedras preciosas, deixando o caminho livre para o contrabando, o esquentamento de mercadorias ilegais e a lavagem de dinheiro. Procurada pelo RR, a ANM informou, por meio de nota, que “a redução de recursos impõe revisões sucessivas de planejamento, limita deslocamentos de equipes técnicas e compromete atividades que dependem de fiscalização presencial”. A agência confirma que “em algumas áreas, os efeitos já ultrapassam a simples redução da capacidade operacional e resultam na suspensão ou paralisação de ações consideradas essenciais para o funcionamento da política mineral brasileira”.
Em 2010, a estrutura do antigo DNPM, que daria origem à ANM, tinha cerca de 1,2 mil funcionários. De lá para cá, esse contingente tem se esfarelado ano após ano. Segundo dados de fevereiro, apenas 669 cargos estão ocupados. Ressalte-se que, por lei, a ANM teria direito a 1.831 postos de trabalho. Ou seja: a agência opera com um déficit de pessoal de 63%. Faltam, por exemplo, 458 especialistas em recursos minerais e 477 técnicos em atividades de mineração, carreiras diretamente ligadas à análise de títulos, vistorias, diligências presenciais e fiscalização da produção mineral. Para cumprir todas as suas atribuições, a ANM precisaria, por baixo, de R$ 160 milhões anuais. Porém, seu orçamento previsto para este ano é de apenas R$ 96 milhões, e o valor executado, ao que tudo indica, sequer chegará a esse patamar. No fim de maio, o governo bloqueou R$ 22 milhões em recursos da agência. A erosão do poder fiscalizatório da ANM é flagrante. Em 2024, a agência realizou 2.105 ações de fiscalização. Em 2025, o número caiu para 1.433, ou seja, um recuo de 33%. Pior ainda: as vistorias presenciais recuaram de 1.226 para 983 na comparação entre os dois anos.
De acordo com relatório produzido no ano passado pela Abin (Agência Brasileira de Inteligência), em parceria com a DNI (Direção Nacional de Inteligência), da Colômbia, a extração ilegal de ouro no Brasil chegou a quase 27 toneladas em 2025, o que corresponde a mais de um terço da produção total do país (80 toneladas). Significa dizer que a exploração ilícita, o comércio clandestino dentro do próprio Brasil e o contrabando para o exterior movimentaram mais de R$ 16 bilhões. As facções criminosas estão no núcleo desse “mercado”. Investigações da Abin mostram que o PCC e o Comando Vermelho, recém-elevados à condição de “grupos terroristas” pelo governo Trump, têm usado o ouro e pedras preciosas para pagar a compra de drogas de países como Colômbia e Bolívia. Ou seja: além do contrabando e da lavagem de dinheiro, a extração ilegal desses minérios tem ajudado a financiar o tráfico. É o que as autoridades chamam de “narcogarimpo”.
O “narcogarimpo” é, acima de tudo, um assunto para as forças de segurança, notadamente Polícia Federal e o próprio Exército. Mas há toda uma disfuncionalidade do aparelho de Estado que atravessa diferentes órgãos de controle e fiscalização. E a ANM tem a sua parcela de responsabilidade na ponta inicial, na originação. Sem dinheiro, a agência tornou-se um síndico ausente. A Resolução ANM 129/2023, por exemplo, obriga mineradores de ouro, prata, diamantes e pedras coradas a monitorar operações sem fundamento econômico, transações incompatíveis com práticas de mercado e negócios em regiões de extração mineral consideradas de risco. É uma determinação para inglês ver. Na prática, a ANM não consegue acompanhar o cumprimento dessa resolução e muito menos impor sanções a quem a infringe. O apagão no processo de fiscalização acaba por desaguar na concessão indiscriminada de autorizações de lavra da agência. No ano passado, o TCU apontou “fortes indícios” de que títulos minerários estavam sendo usados para “esquentar” ouro ilegal extraído de terras indígenas e unidades de conservação. A decisão determinou que a ANM iniciasse o cancelamento de permissões ilícitas e corrigisse falhas no controle das Permissões de Lavra Garimpeira (PLGs). A ONG InfoAmazonia identificou que, entre 2022 e 2026, 540 PLGs declararam R$ 10 bilhões em produção de ouro na bacia do Tapajós. No entanto, quase metade delas, 263 permissões, não apresentava sinais de exploração compatíveis com os valores informados. Segundo o levantamento, quase 60% do ouro de garimpo legalizado no Brasil passou por uma PLG do Tapajós nesse período. O Greenpeace chegou à conclusão semelhante: 98 PLGs com irregularidades permitiram a comercialização declarada de 25,3 toneladas de ouro entre 2018 e março de 2026, avaliadas em R$ 18,4 bilhões.
O Banco do Brasil prepara uma ofensiva para converter sua força histórica no agro em aumento do número de clientes alta renda. O BB está montando uma estratégia integrada entre suas áreas de agronegócio, varejo de alta renda e gestão de investimentos. A ideia é usar dados de safra, crédito rural, seguros, CPRs, financiamentos de máquinas, câmbio e relacionamento com cooperativas para identificar produtores e famílias rurais com potencial de migração para o Estilo, Private e estruturas de wealth management. Outra avenida em análise é oferecer pacotes voltados à sucessão no campo, combinando planejamento patrimonial, previdência, seguros, fundos exclusivos, holdings familiares e crédito para reorganização societária. O banco também mira empresários médios do interior que já tomam crédito como PJ, mas mantêm o patrimônio pessoal fora da instituição. Com isso, o BB espera estancar uma perda que já se tornou crônica: o cliente do agro cresce dentro do banco, mas, quando acumula patrimônio, acaba migrando para outras instituições financeiras, notadamente BTG e XP. Ao mesmo tempo, a investida se encaixa no plano do Banco do Brasil de turbinar o segmento Exclusivo, hoje com cinco milhões de clientes. A meta é adicionar mais um milhão de correntistas em até três anos.
A pergunta acima tem sido repetida na Polícia Federal e na PGR em meio às tratativas com Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, para um eventual acordo de delação. Até agora, segundo fontes próximas à investigação, Costa colocou sobre a mesa, como novidade, a existência de outros negócios irregulares em que teria atuado ao lado de Daniel Vorcaro, para além da relação mais conhecida entre BRB e Banco Master. O material envolveria operações estruturadas de crédito, compra e cessão de carteiras supostamente sem lastro e aquisição de ativos imobiliários usados para remunerar ou ocultar vantagens indevidas. No mais, tem girado em círculos em torno da compra das carteiras sem lastro do Banco Master. É pouco, quase nada. Entre os investigadores, a percepção é Costa calculadamente tem evitado trazer à baila outros personagens, especialmente da esfera política.
O nome é Daniella Marques, mas pode-se chamar de Paulo Guedes. Pelo menos do seu ectoplasma a ex-presidente da Caixa desponta, desde já, como ministra da Economia em uma eventual gestão Flavio Bolsonaro. Vai repetir o modelo de czarismo multiministerial do ex-chefe e ídolo. Afinal, Guedes será uma sombra quase pétrea em sua gestão. Uma fonte do RR enfronhada inteiramente na campanha de Flávio Bolsonaro informou que o script do filme “Posto Ipiranga 2 – a missão” já está sendo encenado. A primeira parte foi encaminhada com o vazamento de que a ex-presidente da CEF será a ministra da Fazenda de Flávio, com sua aparição em eventos calculados. O segundo take serão os balões de ensaio de medidas que constarão do programa de governo – que, por sinal, já está pronto, aberto a pequenos arremates, como algumas medidas que empoderem mais a mulher. O programa apresentará mais do mesmo, enfeixado em um bordão bem polarizado, “Consertando a tragédia feita pelo PT para que o Brasil volte a crescer”. Parece até que foi idealizado por Paulo Guedes. O terceiro movimento será o lançamento do programa, aí com Guedes, de braços elevados com Flavio e Daniella, junto à claque do PL e a aliados. Fazendo-se uma associação rasteira, seria como se o jovem Bolsonaro fosse um Lula mequetrefe abraçado a Guedes, um guerreiro do status de José Dirceu, e Daniella meio que metaforizando uma candidata à estagiária de Antonio Palocci, ministro da Fazenda do Lula I. São duas santas trindades de araque das duas candidaturas. A partir daí Daniella vai bater perna sozinha e junto com Flávio. E tome seminários, entrevistas, webinars, redes sociais etc até as eleições. Com o fantasma de Guedes onipresente na campanha.
Nunca o jargão “É a economia, estúpido” será de tanta valia. Flávio não tem tantas mais opções a não ser bater na tecla de que os bons números de Lula são falsos e forjados às custas da destruição do país logo no primeiro mandato. Seu eleitor raiz já acredita nisso. Falta convencer o umbigo dos indecisos e principalmente a classe média, que, mesmo recebendo agrados, tem um ódio atávico do Lula, Em síntese, o trailer do filme na íntegra é que Daniella, na hora da onça beber água, será vista como a reencarnação de Guedes. O próprio ex-ministro já disse publicamente que está cansado e não volta para Brasília em “hipótese alguma”.
Na arquitetura idealizada no entorno de Flavio, a presença de Daniella à frente do Ministério criaria as condições, praticamente por osmose, para que Guedes tivesse ascendência sobre a condução da política econômica. A sintonia entre ambos vem de longa data e precede a coexistência no governo Bolsonaro. Daniella e Paulo Guedes foram sócios na Bozano Investimentos, hoje Crescera Capital. Antes, a economista havia sido sócia da Mercatto, uma das gestoras que se fundiram para formar a Bozano. Posteriormente, já no Ministério da Economia, Daniella chefiou a Assessoria Especial de Assuntos Estratégicos – a única mulher entre os 21 “supersecretários” nomeados por Guedes. Passou ainda pela Secretaria Especial de Produtividade e Competitividade antes de assumir a presidência da Caixa.
Tamanho entrosamento entre Daniella Marques e Paulo Guedes é um ativo eleitoral para Flavio Bolsonaro – e como tal, já vem sendo usado. Daniella tem participado, conforme o calculado roteiro, de eventos de campanha do “01”, notadamente encontros com líderes empresariais, alimentando a percepção de que se trata de um nome forte para ocupar o Ministério da Fazenda em caso de vitória de Flavio nas urnas. A economista carrega a mesma senha liberal de Guedes para a Faria Lima. Mais do que isso: a mensagem implícita é de que, com Daniella no Ministério, Guedes estará próximo o suficiente para influenciar as diretrizes da área econômica. Flavio tem jogado com essa proximidade, valendo-se do frisson que o ex-ministro causa no imaginário do mercado e de dirigentes empresariais.
A Stefanini, gigante brasileira da área de TI, está negociando novas aquisições nos Estados Unidos. Segundo informação que circula à boca miúda no setor, há conversas com empresas dos segmentos de cloud, inteligência artificial e analytics. É mais um movimento na ofensiva internacional da companhia. No ano passado, a Stefanini comprou a norte-americana Escala 24×7, uma importante premier partner de consultoria da Amazon. Dois anos antes, havia adquirido a italiana Solve.it. Ao todo, o ciclo de M&As da empresa prevê o desembolso de um total de R$ 2 bilhões até 2027. O apetite nos EUA tem lógica industrial: é lá que estão os maiores orçamentos de cloud e IA do mundo. Para a Stefanini, uma compra local pode encurtar o caminho para certificações, contratos, talentos e margens mais altas. Hoje, o grupo opera em mais de 40 países e fechou 2025 com receita global superior a R$ 8,5 bilhões.
Marcos Lutz virou o darling entre investidores do Grupo Ultra. Mesmo fora da gestão executiva, o hoje chairman da Ultrapar é reconhecido como o artífice da política de balanço forte, dívida baixa e disciplina na alocação de capital que tem pautado o conglomerado empresarial. No mercado, há um zunzunzum de que a companhia poderá aumentar o pagamento de dividendos em até 20% neste ano, caso o caixa não venha a ser usado para a compra de ativos. O BTG estima que a Ultrapar pode encerrar 2026 com alavancagem de 1,6 vez dívida líquida/Ebitda, já considerando uma estimativa de R$ 1,2 bilhão em dividendos, equivalente a payout de 50% e yield próximo de 5%. Como a referência da gestão é uma alavancagem ao redor de duas vezes, sobraria espaço de cerca de R$ 3,1 bilhões para aquisições, recompras ou dividendos extras. O BTG se refere ao Ultra como “Top Pick” em distribuição de combustíveis e vê “opcionalidade” para M&A ou maiores distribuições, com Ipiranga melhorando margem, Ultracargo crescendo e Hidrovias focada em eficiência e racionalização de capexgi. É aí que mora o encanto dos investidores: a Ultrapar deixou de ser apenas uma tese operacional de Ipiranga, Ultragaz e Ultracargo para virar uma máquina de alocação de capital.
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