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Régis e Ghislaine Dubrule estão de volta ao jogo. O RR apurou que os fundadores da Tok&Stok se articulam nos bastidores com o objetivo de fisgar o controle do Grupo Toky, resultante da fusão da rede de lojas com a Mobly. De acordo com a fonte do RR, o casal mantém conversas com a Vórtx, peça-chave para a investida sobre a holding varejista. A instituição financeira representa os debenturistas da Toky, donos de uma dívida de R$ 439 milhões. Os Dubrule também são credores do grupo: têm a receber cerca de R$ 150 milhões. Significa dizer que a Vórtx e a dupla Régis/Ghislaine concentram mais de 53% do passivo total da Toky incluído na recuperação judicial (R$ 1,1 bilhão). É uma posição capaz de mudar o jogo de forças na companhia. Uma eventual coalização com a consultoria financeira, ou seja, com os debenturistas, daria aos Dubrule poder de fogo suficiente para ditar os rumos da recuperação judicial da Toky, costurar a conversão de debt em equity e (re)capturar o comando da companhia de varejo. Procurados pelo RR, o Grupo Toky e a Vórtx não se manifestaram.
O enredo envolve uma das mais acirradas disputas societárias do varejo brasileiro. Régis e Ghislaine Dubrule fundaram a Tok&Stok em 1978. Em 2012, venderam 60% ao Carlyle, por R$ 700 milhões, mantendo os 40% restantes. A ideia original era crescer com um sócio financeiro, preparar a empresa para um IPO e preservar influência na gestão, mas esse roteiro nunca se concretizou. Em 2024, veio a fusão com a Mobly, que alijou o casal do centro decisório do negócio. Régis e Ghislaine tentaram de todas as formas brecar o M&A, sem sucesso. Ato contínuo, fizeram uma oferta hostil, não aceita pelos acionistas. Ainda assim, mantiveram um enclave na Toky, por meio de participação econômica e créditos. Agora, com a crise financeira do grupo, vislumbram a oportunidade de levar adiante seu projeto de retomada da Tok&Stok. A investida poderia, inclusive, seguir dois caminhos: os Dubrule carregariam a Mobly a reboque, mantendo a configuração do Grupo Toky, ou promoveriam o spin-off e a venda desta última. A ver.
A recuperação judicial da Toky foi acompanhada por uma convulsão na governança, que sinaliza a fragilidade dos atuais acionistas e dirigentes. Há pouco menos de um mês, o grupo promoveu uma ampla troca na diretoria executiva. Victor Noda, fundador da Mobly e principal executivo da companhia desde a fusão com a Tok&Stok, deixou o cargo de CEO e foi substituído por André Ferreira Peixoto. Na diretoria financeira, Marcelo Rodrigues Marques deu lugar a Fabio Ferrante. Noda e Marques permaneceram como membros do Conselho. A questão é por quanto tempo? No mercado, todos sabem que o desejo incandescente dos Dubrule é retomar o controle e devolver na mesma moeda o expurgo que sofreram.
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Corre no mercado que a Tilt Technologies está em busca de aquisições no Brasil. A startup de computação, fundada nos Estados Unidos pelos brasileiros Heli Diogo Dourado e Júlio Max, estaria mapeando ativos em setores como infraestrutura digital, cloud, inteligência artificial e analytics. O objetivo é comprar carteira de clientes e capacidade técnica que permitam disputar espaço com as plataformas de nuvem. A Tilt ganhou musculatura após atrair investidores de peso. A companhia levantou cerca de US$ 4 milhões em rodada pré-seed, com a entrada da família Feffer, da família Vantini e de investidores como Daniel McQoid e Marcelo Helou da Fonseca. A chegada dos Feffer, controladores da Suzano, acrescentou capital, sobrenome e um selo empresarial à tese da chamada “nuvem sustentável”. A proposta da Tilt é aproveitar capacidade ociosa de servidores e dispositivos conectados para processar dados de forma distribuída, reduzindo a dependência de data centers tradicionais e prometendo cortar em até 30% os gastos das empresas com cloud.
A ofensiva chinesa no mercado brasileiro de energia vai ganhar uma nova frente. O RR apurou que a LONGi, uma das maiores fabricantes mundiais de equipamentos fotovoltaicos, decidiu trazer para o Brasil a sua operação de storage, entrando no que tende a se tornar um dos negócios mais disputados e cobiçados na próxima etapa da transição energética. O objetivo da companhia é consolidar no país o tripé geração solar-armazenamento-hidrogênio. O que está por trás é uma estratégia global que teve seu movimento mais contundente até o momento no fim do ano passado, com a aquisição da PotisEdge, desenvolvedora de sistemas de armazenamento de energia com operações industriais concentradas em Suzhou, na China. Essa iniciativa deu origem a uma nova vertical de negócios, a LONGi Energy Storage, que já acumula mais de 13 GWh instalados em todo o mundo. A empresa conta com capacidade anual de 31 GWh, com plano de expansão para mais de 100 GWh até 2028, o que a colocará no pelotão de elite dos grandes conglomerados de armazenamento de energia do mundo, como BYD e Tesla.
A decisão da LONGi de investir em armazenamento energético no Brasil beira um exercício de fé. O país ainda está longe de ter um arcabouço regulatório para o armazenamento de energia. No último dia 2, a Aneel, enfim, aprovou as primeiras regras específicas para o segmento, um passo inicial. Mas ainda há muito a percorrer: entre outras lacunas, falta definir de forma mais clara como as baterias serão remuneradas, quais receitas poderão ser acumuladas, em que condições o armazenamento poderá prestar serviços ao sistema, como será o despacho pelo ONS, qual será o tratamento tributário e como os projetos serão financiados. Um teste relevante está previsto ainda para este ano: o governo marcou para os dias 2 e 4 de dezembro os dois primeiros leilões de contratação de baterias.
Não obstante as incertezas regulatórias, sobretudo para projetos utility-scale, a percepção na LONGi é que este é um estágio natural já observado em outros mercados que passaram por processos semelhantes de transição energética. O cálculo é que a janela de entrada é agora, justamente antes de o mercado estar plenamente formado. Quando a regulação estiver madura, os modelos de remuneração definidos e os primeiros leilões consolidados, o espaço já terá sido ocupado pelos fornecedores que chegaram antes, educaram clientes, firmaram parcerias e ajustaram tecnologia às particularidades do sistema elétrico brasileiro. Para a LONGi, o risco de eventualmente entrar cedo demais parece menor do que o risco de chegar tarde. Há também uma leitura estratégica. O armazenamento tende a se tornar a peça que faltava para destravar a próxima onda da energia solar no Brasil. Sem baterias, o avanço da geração fotovoltaica esbarra em curtailment, excesso de oferta em determinados horários, pressão sobre a rede e dificuldade de entregar energia nos picos de consumo. Com storage, a solar deixa de ser apenas geração intermitente e passa a disputar espaço como solução de suprimento mais firme.
Fundada em 2000, na cidade de Xi’an, pelo investidor Li Zhenguo, a LONGi atua em mais de 150 países. Com faturamento global na casa dos US$ 11 bilhões, tem fábricas não apenas na China, mas também na Malásia e no Vietnã. A aposta no Brasil não se limita aos grandes leilões. A LONGi também mira aplicações comerciais e industriais, segmento em que baterias podem ganhar tração antes mesmo de uma regulação mais sofisticada para projetos de grande porte. Indústrias, data centers, agronegócio e grandes consumidores já têm incentivo econômico para usar storage como ferramenta de gestão de ponta, redução de custos e segurança no suprimento.
Outro ponto pesa a favor das baterias: velocidade. Enquanto uma térmica pode levar de três a seis anos entre licenciamento, contratação e construção, sistemas de armazenamento costumam ser implantados em 12 a 24 meses. Além disso, respondem em milissegundos a oscilações do sistema, característica que os torna especialmente úteis para serviços ancilares, contingências e atendimento a picos instantâneos de demanda. A LONGi também quer evitar a armadilha de ser apenas mais uma fornecedora de equipamentos chineses em um mercado pressionado por preço. A empresa pretende vender uma solução integrada, com engenharia, software e sistemas de gestão das baterias. Seu pacote inclui PCS, BMS, EMS, controle térmico e monitoramento em nível de célula, tecnologia que a companhia apresenta como diferencial para reduzir riscos operacionais, sobretudo eventos de fuga térmica.
O Banco do Brasil prepara a primeira rodada de investimentos do BB Ventures II, seu novo fundo de venture capital. Segundo informações que circulam no mercado, há oito startups sob análise, e os primeiros aportes devem sair em até dois meses. A tendência é que os cheques fiquem entre R$ 5 milhões e R$ 10 milhões. O novo fundo, lançado há pouco mais de um mês, recebeu R$ 300 milhões em capital, 50% a mais do que o BB Ventures I. Ou seja: o Banco do Brasil decidiu ampliar a exposição ao setor no momento em que o mercado de venture capital perde fôlego e há uma queda generalizada no valuation das startups. O BB não quer apenas testar startups na borda da operação. A ideia agora é usar o fundo como uma engrenagem de negócio, capaz de aproximar o banco de tecnologias que possam ser incorporadas à sua rede, vendidas a clientes ou usadas para ganhar eficiência em áreas nas quais o banco estatal já tem escala. Vox Capital e MSW Capital vão dividir a gestão da maior parte dos recursos do BB Ventures II: a primeira terá R$ 140 milhões; a segunda, R$ 115 milhões.
A Oncoclínicas está presa em um looping. Segundo o RR apurou, os investidores com os quais a empresa tem conversado exigem que a rede de clínicas avance com a sua recuperação extrajudicial para só então aportar recursos no negócio. Há três fundos do outro lado da mesa e todos querem garantias mínimas de equacionamento do passivo de R$ 3,2 bilhões. Ocorre que, na mão contrária, os principais credores da Oncoclínicas já sinalizaram que só darão sinal verde para a REJ após a companhia receber uma capitalização. Ou seja, investidores e bancos lançam a bola um na direção do outro. A tomografia financeira da Oncoclínicas ajuda a explicar o temor a cautela de ambos os lados. No primeiro trimestre, a companhia reportou prejuízo líquido de R$ 438,7 milhões, mais de três vezes a perda registrada um ano antes. O Ebitda ajustado ficou negativo em R$ 49,2 milhões, com margem negativa de 4,2%.
A alavancagem chegou a 5,2 vezes o Ebitda ajustado, ante 3,5 vezes no trimestre anterior.
No meio desse jogo de empurra, a Oncoclínicas agoniza. A companhia precisa de uma capitalização da ordem de R$ 500 milhões para manter sua operação. No momento, sobrevive graças a um empréstimo de R$ 150 milhões da Lumina, que possibilitou a retomada da compra de medicamentos e a recomposição de estoques. A empresa de medicina trabalha a toque de caixa na elaboração do seu pedido de recuperação extrajudicial, que deve ser protocolado ainda neste mês.
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