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Enquanto o “Agente Secreto” brilha no exterior, a Paramount Skydance quer distância do…
Os problemas do Banco Master, um gigantesco corpo exposto em praça pública, acabam eclipsando o visceral imbricamento entre crime organizado e fintechs. Sim, esses novos micróbios do sistema financeiro são menos perceptíveis e não geram tantas manchetes, mas podem ser considerados mais perigosos devido à enorme dispersão e baixa visibilidade. São germes tremendamente resistentes, não somente pelo efeito pandemia, mas pela tibieza daqueles que deveriam vacinar a economia do seu contágio. A ampla malha de ilicitudes relacionadas às fintechs que contamina toda uma gama de instituições – do ecossistema do varejo a igrejas, postos de gasolina, empresas de transporte, entre tantos e tantos – se deve, e muito, à impunidade decorrente da ausência de cooperação entre instituições de regulação, fiscalização e repressão. Banco Central, CVM, Susep, Coaf, Receita Federal, Ministério da Justiça, Polícia Federal, Ministério Público, Abin, Secretarias de Fazenda e Judiciário, apenas para ficar nos entes principais, têm atuado um de costas para o outro. Em vez de uma operação integrada de Inteligência, o que se vê são organismos autônomos e desconexos. “Independência”, palavra que o próprio BC tanto gostar de evocar, tem limite.
Segundo o RR apurou, as poucas tentativas de um trabalho articulado e transversal têm partido do próprio sistema bancário. Ainda assim, são iniciativas que não conseguem tração, muito em razão da inércia dos próprios órgãos de Estado. É o caso, por exemplo, do acordo de cooperação técnica com o Ministério da Justiça no ano passado. A iniciativa não se restringiu ao óbvio, ou seja, aos próprios bancos. Envolveu empresas de tecnologia e de internet, players do varejo, plataformas digitais. Em suma: as mais diversas camadas de negócio envolvidas, em maior ou menor medida, na oferta digital de produtos e serviços, hoje um território praticamente sem lei, no qual se misturam fintechs de grande porte e golpistas de diversos calibres, sem que muitas vezes se saiba ao certo quem é quem. Ressalte-se que boa parte das fraudes financeiras começa em ambientes como redes sociais, aplicativos de mensagem e telefonia (falsas centrais, números pré-pagos etc). Ou seja: fintech não é sinônimo de contravenção. O problema é distinguir as enormes diferenças que vão além do vernáculo.
A interseção entre crime organizado e fintechs talvez não deva mais ser vista como um problema exclusivamente de ordem regulatória, o que por si só já seria grave. Não é exagero dizer que o uso dessa colmeia de instituições financeiras como lócus de circulação e lavagem de recursos ilícitos tornou-se uma questão de segurança nacional. Quem leu o artigo da jornalista Flávia Barbosa, na edição de ontem de O Globo, vai compreender como todas as instituições do país – todas, ressalte-se – estão sendo manchadas por essa falta de prioridade e cooperação dos organismos de Estado. O que está em curso é a consolidação de uma infraestrutura paralela de financiamento ilícito, capaz de sustentar, ampliar e sofisticar atividades típicas do crime organizado. Capaz, no limite, de financiar conflitos armados. Milícias, facções do tráfico, redes de estelionato e esquemas de lavagem de dinheiro operam hoje com lógica empresarial, amparados por canais digitais que oferecem velocidade, opacidade e pulverização de riscos.
Como em qualquer tema de segurança nacional, a resposta passa, antes de tudo, por Inteligência e comunicação. Crimes financeiros não são um fenômeno isolado: obedecem à mesma gramática do tráfico de drogas, do contrabando de armas e da atuação miliciana. Há cadeia de comando, financiamento recorrente, reinvestimento de lucros e ocupação de territórios — físicos ou digitais. Combatê-los com ofícios trocados entre autarquias, fiscalizações episódicas ou notas técnicas equivale a enfrentar organizações armadas com boletins administrativos. Sem integração de bases de dados, coordenação entre órgãos e capacidade de antecipação, o Estado atua sempre um passo atrás. Relatórios do Coaf, registros do Banco Central, dados fiscais, investigações policiais e processos judiciais seguem trajetórias paralelas, raramente convergentes. Inteligência fragmentada não produz dissuasão; comunicação descoordenada não gera autoridade. Enquanto isso, o crime opera exatamente onde o Estado falha: nas intersecções institucionais, nos vazios de competência e na lentidão decisória. Uma pena, porque o sistema bancário brasileiro lato sensu suou muito para ser considerado um dos mais sólidos do mundo. Mas não estamos falando de bancos e, sim, de outros animais que proliferam na “cauda longa da impunidade” – apud Flávia Barbosa.
No ano passado, o Banco Central elaborou o primeiro esboço de uma regulação para as fintechs. Melhor do que nada, diria o Conselheiro Acacio. No entanto, ainda são muitas as vulnerabilidades e as brechas para que essas empresas sirvam como instrumentos para golpes e crimes financeiros – conforme o RR já alertou. No mercado, a percepção é que as últimas gestões do Banco Central – talvez por estarem mais focadas em competição do que nos riscos regulatórios e de segurança – têm permanecido anestesiadas diante da proliferação de agentes financeiros que não seguem a rígida regulamentação imposta aos bancos. Já são mais de três mil fintechs no Brasil. Calma! Nem todos são vilões nesse faroeste. Um exemplo da complexidade em questão: há quase mil instituições autorizadas a transancionar recursos via PIX. É quase impossível para o BC fiscalizar esse enxame. Neste ponto, reside uma zona cinzenta particularmente sensível: o acúmulo de papéis do Banco Central como regulador e, simultaneamente, como instituidor do PIX. Na prática, a mesma autoridade responsável por fiscalizar arranjos de pagamento, exigir padrões de segurança e definir protocolos de comunicação é também a criadora, gestora e promotora do principal sistema de pagamentos do país. Mais do que uma sobreposição administrativa, trata-se de um potencial conflito estrutural. O risco não é apenas regulatório, mas também comunicacional: em situações de crise, ataques coordenados ou falhas operacionais, quem decide o que comunicar, quando comunicar e com que intensidade — o regulador imparcial ou o “dono” do PIX?
Esse quadro de fragilidade é agravado pela ausência de um canal estruturado de alerta ao sistema financeiro. Em um ambiente sujeito a ataques coordenados — sejam cibernéticos, sejam de natureza fraudulenta —, inexiste hoje um mecanismo centralizado, rápido e confiável de comunicação de risco. Não há um “nível de alerta” capaz de mobilizar instituições simultaneamente diante de eventuais ameaças. O tema começou a ser tratado no âmbito da área de tecnologia da informação do Banco Central, mas ainda caminha de forma lenta, incompatível com a velocidade das ofensivas criminosas. As principais contribuições em termos de aprimoramento técnico têm saído dos próprios bancos, que investiram mais de R$ 47 bilhões em inovação no ano passado, e não do BC.
A sensação que fica é que o risco criminal inerente às vespas do sistema foi subestimado por órgãos de fiscalização e controle. Durante anos, prevaleceu a leitura de que a ampliação da concorrência e a redução de barreiras de entrada seriam, por si só, virtuosas. O resultado foi um ambiente inchado, heterogêneo e difícil de supervisionar. O combate ao crime não acompanhou essa expansão com a mesma intensidade nem com a urgência necessária.
Um dos pontos centrais ignorados pelo arremedo regulatório do Banco Central é a confusão entre barreira de entrada e supervisão contínua. As medidas anunciadas no ano passado de fato elevaram o capital mínimo exigido e instituíram a necessidade de autorização prévia para funcionamento. Isso, porém, atua apenas na porta de ingresso no sistema. Uma vez dentro, o acompanhamento cotidiano dessas instituições segue rarefeito, fragmentado e, em muitos casos, inexistente. Subir a régua de entrada não equivale a vigiar o jogo em andamento. Sem monitoramento permanente, auditorias frequentes e capacidade de intervenção tempestiva, o risco criminal não diminui — apenas muda de forma e de endereço.
Essa fragilidade se agrava nos elos intermediários da cadeia financeira. Os chamados integradores de sistemas, responsáveis por conectar múltiplas instituições e viabilizar operações para empresas médias e pequenas, tornaram-se um ponto cego da supervisão. São eles, segundo relatos do próprio setor, o “elo fraco” por onde passam ataques, vazamentos e esquemas de fraude. Ao oferecer infraestrutura compartilhada a agentes com menor escrutínio regulatório, esses integradores funcionam como corredores opacos dentro do sistema financeiro digital — espaços ideais para que o crime organizado explore justamente as intersecções entre prestadores, plataformas e usuários finais. Ainda que o Banco Central tenha imposto limites transacionais e exigências mínimas de capital a esse segmento, a fiscalização permanece insuficiente diante da complexidade, escala dessas operações e, principalmente, falta de uma ação cooperativa dos órgãos de Estado.
Outro exemplo de resposta mais simbólica do que efetiva é a tentativa de atacar o problema por meio da nomenclatura. A retirada do termo “banco” ou “banking” do nome de determinadas instituições reduz, é verdade, a assimetria de percepção do consumidor, que tende a associar o rótulo a segurança e solidez. Mas trata-se de um remendo sem profundidade. O “estelionato” não reside no nome estampado na fachada digital e, sim, na governança, nos controles internos, na origem do capital e na rastreabilidade das operações.
Por fim, há o fator talvez mais revelador da tibieza institucional: o gargalo de capacidade do próprio regulador. O Banco Central convive com uma extensa fila de pedidos de autorização e carece de recursos humanos, tecnológicos e orçamentários para dar conta do enxame de novos agentes financeiros que ajudou a criar. Faltam sistemas, falta escala, falta gente. A instituição tem um déficit de aproximadamente três mil servidores. Tanto descaso com o BC, por si só, já é um crime. Aliás, a julgar por esse descaso com a autoridade monetária, independente é o crime.
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Há uma importante mudança climática em Brasília: a relação entre Fernando Haddad e Lula, uma das principais âncoras do atual governo, esfriou consideravelmente. Segundo interlocutores do ministro, Haddad está sensivelmente decepcionado com toda a dinâmica que cerca a sua já anunciada saída do cargo. Não era esse o script que ele esperava desempenhar ou sequer estava combinado. De acordo com informações filtradas pelo RR, o acordo era que Haddad deixaria o governo mais à frente, em uma data arbitrada por ele próprio e preferencialmente após uma conquista de inegável dimensão política, como, por exemplo, a regulamentação da reforma tributária, ainda pendente no Congresso.
Em dezembro, ele próprio chegou a indicar que fevereiro seria um timing “ideal” para a passagem do bastão. Mas o roteiro desandou. Haddad foi forçado a antecipar sua saída do Ministério da Fazenda pelo próprio Palácio do Planalto, notadamente os ministros Rui Costa e Gleisi Hoffmann, os dois principais vocalizadores do PT dentro do governo.
Resumo da ópera bufa: o “aviso prévio” pode até não ter partido diretamente de Lula, mas Haddad definitivamente não contou com a fidelidade do presidente da República, nem de qualquer prócer do PT, no desfecho da sua passagem pelo comando da economia. Na prática, Lula optou por assistir ao desgaste do seu ministro sem oferecer respaldo público, permitindo que o cerco político se fechasse ao redor de Haddad sem qualquer gesto de proteção ou mediação direta.
Como bem disse Dilma Rousseff no documentário “Democracia em Vertigem”, “Lula faz política por fato consumado”.
Fernando Haddad é sabidamente um dos quadros mais preparados do PT. À frente da Fazenda, lutou pelos projetos mais difíceis do governo, quase sempre tendo de transitar por territórios hostis, notadamente no Congresso. Desde a campanha, foi o grande fiador de Lula junto aos mercados. Por tudo, é mais do que natural que ele próprio alimente uma dose de mágoa em razão da forma como está deixando o Ministério, quase que sob “ordem de despejo”. O que mais incomoda Haddad é o argumento do PT de que ele conversava mais com a Faria Lima do que com o partido. Assim é se lhe parece. Pela ótica petista, trata-se de um “pecado” passível de ser administrado nos três primeiros anos de governo, mas não às vésperas de um eleição. Por essa razão, a ala política do governo resolveu “fechar a conta” antes: Haddad sai não quando entende que concluiu a missão, mas quando a política decide que a missão passou a atrapalhar a campanha.
Fontes palacianas ouvidas pelo RR corroboram as informações apuradas pela colunista Júlia Dualibi e publicadas hoje em O Globo. Haddad teria sido escanteado para cumprir em nome de Lula e do PT mais uma missão de derrota prévia. Seria candidato ao governo de São Paulo apenas para obter o quantum de votos considerados necessários no estado para a reeleição de Lula. Depois poderia ir para a Casa Civil, Secretaria de Assuntos Estratégicos, ou qualquer canto do governo – desde que não fosse a Pasta da Fazenda – e esperar quatro anos para ver se Lula apontaria o dedo em sua direção, ungindo-o como candidato a sua sucessão, em 2030.
É um velho aforismo que fidelidade e política não combinam. Haddad com certeza é uma exceção. Foi cumprir missão de concorrer à Presidência. Perdeu. Foi escalado para disputar o governo de São Paulo e perdeu novamente. Posteriormente, chamado para ser ministro da Fazenda, foi obrigado a ser o negociador do governo no Congresso, ou por acefalia ou por incompetência dos demais. Não bastassem tantas demonstrações de absoluto engajamento, sobram também provas de carinho ao mestre. Depois de Gleisi Hoffmann, Haddad foi o quadro do partido que mais visitou Lula em sua estadia no cárcere.
Em tempo: com a saída de Fernando Haddad, o PT quer fazer barba, cabelo e bigode. Rei posto, rei morto. Conforme o próprio RR já informou (https://relatorioreservado.com.br/noticias/os-candidatos-do-pt-ao-lugar-de-haddad-sim-mantega-esta-entre-eles/), o partido trabalha para emplacar na Fazenda um nome que reze pela sua cartilha econômica.
Mesmo que seja um fantoche para desempenhar o papel de ministro de araque nesses nove meses que faltam até as eleições. Caso o verdadeiro script seja esse, resta ver como a Faria Lima vai reagir a essa engenhosa trama.
A Dexco, antiga Duratex, tornou-se um piso escorregadio para os Setúbal. A queda de rentabilidade e, sobretudo, a crescente alavancagem têm forçado o clã a discutir medidas mais agudas para a reestruturação financeira da companhia. Segundo informações obtidas pelo RR, uma das hipóteses que ganha força é a venda de uma das divisões de revestimentos cerâmicos da companhia – Portinari, Castelatto e Ceusa. Sob certo aspecto, funcionaria como uma confissão de fracasso do modelo de negócio concebido pela Itaúsa em 2018, quando a então Duratex deixou de ser uma empresa concentrada em madeira, celulose e painéis para se tornar uma holding integrada de soluções para construção, reforma e acabamento. Na prática, seria o segundo passo atrás em relação a essa estratégia. O primeiro se deu em outubro de 2024, ocasião em que a Dexco se desfez da sua operação de chuveiros e torneiras elétricas, leia-se as marcas Corona e Thermosystem, negociada para a Zagonel.
Paralelamente à venda de ativos, há relatos no mercado sobre a possibilidade de um aporte de capital na Dexco. Seria mais uma medida com o objetivo de reduzir o endividamento da empresa. De certa forma, ainda que de maneira oblíqua – ou camuflada -, esse movimento já começou a ser feito pelos Setúbal – levando junto os Moreira Salles. Há cerca de duas semanas, a Dexco vendeu R$ 200 milhões em ativos florestais por meio da emissão de ações da controlada Jatobá Florestal. O comprador dos papéis? O Itaú Unibanco. Ficou tudo em casa. Na prática, os próprios acionistas controladores tiraram de uma mão para colocar na outra, injetando recursos na companhia. Consultada pelo RR, a Dexco limitou-se a dizer que “o que pode falar é o que está no comunicado ao mercado”, referente à venda de recursos florestais. Sobre a possibilidade de negociação de ativos e de um aumento de capital, nenhuma palavra.
A Dexco é hoje um negócio fora de sintonia na partitura empresarial dos Setúbal. O elevado nível de alavancagem não condiz com o padrão das demais companhias do clã. Nos últimos três anos, o passivo da empresa aumento consideravelmente. Em 2022, a relação dívida líquida/Ebitda fechou em 2,33 vezes. No terceiro trimestre de 2025, chegou a 3,48 vezes. Na Itaúsa há um senso de urgência em equacionar o endividamento, até porque ele tem ajudado a corroer a rentabilidade da Dexco. Entre janeiro e setembro de 2025, o lucro da companhia caiu 26% em relação a igual período no ano anterior (R$ 111 milhões, contra R$ 152 milhões). Na comparação entre os terceiros trimestres, a fotografia é ainda pior: queda de 84% (R$ 14 milhões, contra R$ 92 milhões).
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