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Uma rua de duas mãos
4/12/2025A conversa telefônica realizada no dia 2 de dezembro entre Lula e Donald Trump teve uma característica inédita e crucial que talvez não haja merecido a devida atenção dos comentaristas: foi a primeira vez em que coube ao presidente brasileiro a iniciativa de estabelecer um contato pessoal com o ocupante da Casa Branca. Na verdade, até então todas as interlocuções entre os dois haviam sido iniciadas por Trump e atendiam prioritariamente a seus interesses político-econômicos – e isso desde o encontro nada fortuito em 24 de setembro nas Nações Unidas, passando por um primeiro telefonema em 6 de outubro e coroado pela reunião presencial na Malásia 20 dias depois. Ao longo de todo esse tempo, também é importante assinalar, desapareceu da pauta a suposta perseguição política ao ex-presidente Jair Bolsonaro que servira de pretexto para as posturas intervencionistas ensaiadas por Trump e também para o tarifaço imposto em julho.
Nas últimas semanas, haviam sido registrados movimentos na área comercial que muito favoreceram diversos produtos brasileiros, a começar pelo desmonte global das “tarifas compensatórias” de 10% em 14 de novembro e, em 20 do mês passado, a anulação das tarifas punitivas de 40%, medida especifica que beneficiou as vendas de café, carnes, frutas, açaí e outros produtos agrícolas não produzidos nos Estados Unidos ou produzidos em escala insuficiente para abastecer o mercado interno. Em todos esses casos, a motivação de Trump nada teve a ver com os sacrifícios antes sofridos pelos países produtores, e sim, exclusivamente, com os efeitos inflacionários que vinham corroendo sua imagem política tal como visto nas eleições realizadas em Virginia, Nova Jersey e Nova York.
Não obstante, malgrado um encontro entre os chanceleres Mauro Vieira e Marco Rubio em Washington no dia 13 de novembro, não ocorreram as negociações técnicas entre os dois governos anunciadas naquele encontro. Com isso, continuam a enfrentar tarifas proibitivas no mercado norte-americano inúmeros produtos, tais como pescados, móveis, sapatos, café solúvel, armas e equipamentos industriais.
Só isso seria bastante para justificar o recente telefonema em que Lula comprovou transitar agora por uma rua de duas mãos, podendo efetivamente assumir a iniciativa de suscitar questões de nosso interesse junto a Trump.
Adicionalmente, aquele que tinha sido caracterizado como um imperador, passou a declarar que gosta de um chefe de Estado antes visto como um perigo comunista na América Latina. (Nessa categoria, aliás, Lula se une a outras figuras de relevo na cena internacional como Xi Jinping, Vladimir Putin, King Jong-un e Benjamin Netanyahu.) Mas, ao que sabe, também foram tratadas outras matérias relevantes, entre as quais se destacam as sanções impostas a autoridades brasileiras e a necessidade de colaboração no ataque às organizações criminosas – item em que, invertendo a direção costumeira das queixas sobre o assunto, Lula mostrou como a lavagem de dinheiro efetuada nos Estados Unidos também precisa ser combatida com rigor.
Sobrou um tema que deixou de ser mencionado nas positivas declarações posteriores dos dois interlocutores, mas que certamente constou do menu: a Venezuela. Será o silêncio, obviamente combinado, uma indicação de absoluto desencontro nas visões de um e outro com respeito ao futuro do regime de Maduro? Ou, como é da praxe diplomática, a omissão terá servido para salvaguardar algum entendimento no sentido de que o Brasil sirva como intermediário na solução da crise?
É bem provável que, nas próximas semanas, veremos progressos nas áreas reconhecidamente discutidas, assim como nessa última que permanece na sombra. Mas o fato fundamental é que existe entre Lula e Trump um diálogo desimpedido e cordial onde antes reinavam a desconfiança e as recriminações de lado a lado.
Elisão fiscal do PGBL: a lógica que funciona — mas só para alguns
4/12/2025Dezembro chegou.
E, junto com o 13º salário e as confraternizações, chega também uma outra tradição brasileira: a temporada em que todo gerente de banco se apresenta como um ‘domador do Leão’ para te vender planos de previdência PGBL.
A promessa é simples: um grande desconto no imposto de renda — como se fosse possível entrar na jaula do Leão só com um spray calmante. A verdade é que o Leão continua lá — desperto, forte e só esperando um movimento descuidado!
Você provavelmente já recebeu — ou ainda vai receber — aquela ligação animada dizendo: “Não perca: você pode reduzir seu Imposto de Renda aportando em PGBL até 31 de dezembro!”
É verdade.
O PGBL oferece um benefício tributário real — mas só para quem se enquadra nas regras. E aqui está o ponto que quase ninguém explica (e muitos gerentes de banco deliberadamente omitem): se você não estiver enquadrado nas regras do benefício, o PGBL não reduz seu imposto. Ele aumenta! E, ao contrário do que te vendem, o prejuízo pode ser grande.
Dezembro é o mês perfeito para isso: o Leão parece calmo, e é justamente quando mais gente entra na jaula do PGBL sem saber se deveria. E se descobre tarde demais que ele só estava aguardando o momento certo para morder com mais força.
Este artigo é sobre isso. Sobre como o PGBL funciona, quem realmente se beneficia, quem perde dinheiro com ele — e porque dezembro é o pior mês para tomar decisões apressadas.
PGBL x VGBL: o que ninguém no banco explica direito
Antes de entender o problema, precisamos separar o básico — que ironicamente é o ponto em que muitos assessores confundem o investidor.
PGBL — Plano Gerador de Benefício Livre
✅Permite adiar o pagamento de IR.
✅Permite abater da base do IR até 12% da renda bruta anual.
❌Mas, no resgate, paga imposto sobre o valor total acumulado (aporte + rentabilidade).
VGBL — Vida Gerador de Benefício Livre
❌Não dá abatimento fiscal.
✅No resgate, paga IR apenas sobre o rendimento, como qualquer investimento.
E é aqui que dezembro se torna perigoso: milhares de investidores aportam em PGBL achando que “vão economizar imposto”, quando, na prática, terão um imposto muito maior no futuro sem ter o benefício fiscal no presente.
A lógica tributária do PGBL — e por que ela não funciona para todo mundo
O PGBL permite que você “empurre” parte do IR para o futuro.
É uma estratégia de elisão fiscal simples:
- Você deixa de pagar IR agora ao deduzir a contribuição (até 12% da renda anual tributável).
- O dinheiro cresce sem come-cotas e com benefício de juros compostos.
- Paga IR lá na frente sobre tudo, em tabela regressiva ou progressiva.
Para quem se enquadra, é excelente. Para quem não se enquadra, é um desastre.
Quem realmente deve usar PGBL (e por quê)
O PGBL só funciona de verdade para um grupo bastante específico de contribuintes:
✅Entrega declaração de IR no modelo completo
✅Tem renda tributável suficiente para usar a dedução dos 12%
✅Contribui para o INSS ou para regime próprio (RPPS)
✅Pretende usar tabela regressiva no futuro, com alíquotas mais baixas
Esse é o grupo que realmente se beneficia. Nele, o PGBL funciona como uma “conta fiscal eficiente”, que turbina o efeito dos juros compostos.
Mas agora vem o ponto que o gerente do banco “esquece” de te contar:
Quem usa PGBL sem se enquadrar perde dinheiro — e perde feio
❌Se você não declara no modelo completo → PGBL não dá benefício fiscal.
❌Se você não tem renda tributável suficiente → simplesmente não há dedução para aproveitar.
❌Se você resgatar em poucos anos → IR pode ser maior que o benefício.
❌Se usar a tabela progressiva sem estratégia → vira uma bomba tributária.
E o pior: o investidor só descobre o erro anos depois, quando percebe que ao resgatar, o IR incidirá sobre o montante total, e não somente sobre o lucro.
O marketing da “vantagem” omite a parte mais importante
Sim, todo plano de previdência tem vantagens reais:
- Não tem come-cotas
- Permite sucessão mais simples
- Permite portabilidade sem IR
- Tem blindagem patrimonial em alguns estados
- Pode usar tabela regressiva
- Facilita planejamento de longo prazo
Mas nada disso compensa quando o produto errado é vendido para a pessoa errada.
O que precisa ser dito — especialmente agora, no fim do ano
O PGBL é um excelente produto para quem se encaixa nas regras de uso.
Mas é uma armadilha cara para quem usa sem entender. PGBL não foi feito para todo mundo. Foi feito para quem se enquadra — e só para estes, ele funciona de verdade. E essa diferença — entre estar ou não enquadrado — define se você reduz a mordida do Leão… Ou se vai tomar uma abocanhada ainda maior, entregando ao felino um pedaço do patrimônio que nunca precisaria ter sido colocado na jaula.
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CloudWalk acelera o passo para seu IPO em Nova York
4/12/2025A CloudWalk, uma das maiores fintechs brasileiras da área de pagamentos, está acelerando os preparativos para abrir o capital na Nasdaq. Segundo o RR apurou, sua intenção é realizar a operação no primeiro semestre de 2026. A instituição financeira já tem sondado investidores internacionais para aferir a demanda. Tem colocado sobre a mesa números reluzentes. Até setembro, sua receita anualizada bateu nos R$ 6,4 bilhões, mais do que o dobro do valore registrado em 2024 (R$ 2,7 bilhões). Significa dizer que a fintech deverá romper pela primeira vez a barreira de US$ 1 bilhão em faturamento – em 2019, seu primeiro ano, a receita foi da ordem de US$ 2 milhões. Fundada pelo investidor Luis Silva, a CloudWalk tem se mostrado uma máquina de captar recursos, notadamente por meio de Fundos de Investimento em Direito Creditório (FIDCs). Nos últimos quatro anos, estruturou 11 FIDCs, no valor total de R$ 14,7 bilhões. Na operação mais recente, fechada há cerca de dois meses, a fintech levantou R$ 4,2 bilhões. O RR entrou em contato com a CloudWalk, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.
Oposição enxerga nos Correios uma carta-bomba contra o governo
4/12/2025A crise dos Correios, como não poderia deixar de ser, virou um prato cheio para a oposição. Parlamentares do PL se mobilizam para ressuscitar o pedido de abertura de uma CPI para investigar a estatal. Paralelamente, discutem a possibilidade de acionar o TCU para impedir que a empresa efetue empréstimos junto a bancos até que sejam apuradas as causas do rombo financeiro da empresa – R$ 6 bilhões de prejuízo apenas entre janeiro e setembro deste ano. Enquanto prepara munição de maior calibre, a oposição já deu o primeiro tiro ontem: o senador Rogério Marinho (PL-RN) acionou o próprio Tribunal de Contas pedindo a abertura de um processo de investigação do pedido de crédito de R$ 20 bilhões feitos pelos Correios a bancos privados.